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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Sharon anunciou o assassinato de Yasser Arafat antes do crime


Meses antes do envenenamento por isótopo de polônio, o premiê de Israel declarou que Arafat era “um homem marcado e sem seguro de vida”
"Israel é o primeiro, fundamental e único suspeito na morte de Yasser Arafat" declarou, Tawfiq Tirawi, chefe do comitê de investigação, organizado pela Organização de Libertação da Palestina, OLP, para acompanhar as análises laboratoriais sobre a morte do líder da luta de libertação da Palestina, a quem os palestinos carinhosamente se referem como "Pai da Construção".
"Com todos os detalhes que temos em mãos sobre a morte de Yasser Arafat, digo que ele foi morto e que foi Israel quem o matou", acrescentou.
Tirawi fez estas afirmações logo depois do Centro de Medicina Legal da Universidade Vaudois de Lausanne, Suíça, expedir informe de 108 páginas incluindo gráficos e tabelas apontando evidências claras da presença de Polônio 10 (considerado como o mais letal dos venenos) nos restos mortais do líder palestino.
Outro integrante da OLP, Wasel Abu Yussuf, destacou que "os resultados do teste provaram que Arafat foi envenenado por Polônio, substância que só governos possuem [uma vez que só pode ser obtido através de reatores], o que nos leva a que o crime foi cometido por um Estado".
A OLP pediu inquérito internacional sobre a morte de Yasser Arafat.
Antes da morte, Arafat esteve sob cerco israelense por dois anos, encerrado na sede da própria Autoridade Nacional Palestina, ANP, em Ramallah. O premiê israelense à época, Ariel Sharon, assim como membros do governo e do exército de Israel, já haviam externado a disposição de assassiná-lo.
Agora, os que comandam o Estado de Israel, filhotes de Sharon, que também ficou conhecido como o "carniceiro de Sabra e Shatila", procuram se livrar do crime – cuja gravidade provavelmente tomaram consciência depois que uma incalculável multidão se reuniu em torno do helicóptero que trazia o corpo do líder palestino e depois que ele foi homenageado em sua terra por líderes de mais de 60 países de todo o globo que se deslocaram a Ramallah.
Um dos assessores de Sharon à época, Dov Weissglass, declarou: "Até onde tenho conhecimento Israel não teve participação nisso".
Já o porta-voz do Ministério do Exterior de Israel, Yigal Palmor, usou a linguagem típica de colonizador comum entre os chefes do apartheid israelense. "Basta!", disse Palmor. "Os palestinos devem parar com este absurdo e deixar de levantar essas acusações sem fundamento nem qualquer prova", acrescentou.
O presidente da ANP, Mahmud Abbas, respondeu, durante evento pela passagem de nove anos pela morte de Arafat, realizado em Ramallah: "Nesta ocasião renovo nosso compromisso a nosso dever nacional e responsabilidade de continuar nossa busca da verdade, sejam quais forem as complexidades e obstáculos. Tenho plena confiança de que chegaremos à verdade e que ela será anunciada ao povo".
Aliás, não foi do jeito que Palmor e Weissglass estão tratando do assunto agora, que os chefes do regime israelense se referiram ou agiram na época.
Vamos rememorar alguns fatos: No dia 6 de abril de 2002, a sede da Autoridade Nacional Palestina, ANP, composta de vários prédios administrativos e de segurança, além da sede do governo central, a Mukata, localizada em Ramallah e construída após os acordos de paz de Oslo firmados por Arafat e pelo então premiê israelense Rabin (assassinado sete anos antes, por haver feito os acordos) foi atacada. O exército israelense penetrou no perímetro interno e usando explosivos destruiu diversos prédios e mesmo alas do governo central. Israel, na mesma noite, impôs cerco e toque de recolher em diversas cidades como Tulkarem, Jenin, Kalkylia, Nablus.
O presidente da ANP, Arafat, presente à Mukata, passou a viver sob cerco durante dois anos, no que restou da sede de sua organização até ser transferido, em estado praticamente terminal para o hospital Percy, na França, onde veio a falecer a 11 de novembro de 2004.
No dia 11 de setembro de 2003, o vice-ministro do governo Sharon, Ehud Olmert, saiu de reunião de gabinete e declarou: "A questão é: como vamos remover Arafat. A expulsão é uma das opções e a morte é também uma das possibilidades". Imediatamente, milhares de palestinos foram até a Mukata defender o heroi palestino. O líder pacifista Uri Avnery e dezenas de ativistas israelenses se juntaram aos palestinos. Nas demais cidades palestinas, multidões também tomaram as ruas entoando "com nosso sangue e nossa alma defenderemos a ti Arafat".
Ao que, dirigindo-se ao povo de dentro da sede palestina, Arafat respondeu "Com nosso sangue e nossa alma defenderemos a ti, Palestina"
"Nosso povo", prosseguiu, "escolheu a firmeza e o apego aos direitos nacionais. Nossa longa lista de mártires, combatentes e guerrilheiros confirma que o povo palestino não abandonará seus objetivos por liberdade e independência nacional. Nosso destino é a defesa de nossa terra. Os extremistas em Israel estão errados se acreditam que o assassinato de um líder ou um combatente enfraquecerá a resolução do povo".
"O compromisso continua e o juramento continua. Digo ao nosso povo, nossa Nação Árabe e aos povos livres e honrados do mundo: marcharemos juntos, lado a lado até a Jerusalém sagrada!", proclamou Arafat.
Em 2 de abril foi a vez do próprio Sharon fazer ameaças abertas ao que era reconhecido como uma das maiores personalidades vivas do mundo. Em uma entrevista concedida ao jornal israelense "Haaretz", Sharon chamou Arafat de seu inimigo, ressaltando que ele é agora "um homem marcado" e "sem seguro de vida".
"Não proporia que nenhuma companhia de seguros lhe desse cobertura", afirmou.
A um mês apenas do jantar após o qual Arafat caminhou para a morte, o chefe do Estado Makior de Israel, Shaul Mofaz declarara: "Israel encontrará a forma e momento exato para remover Arafat da região".
Logo após retornar de Ramallah onde fora se expor em defesa da integridade de Arafat, mais precisamente em 21 de setembro de 2003, Uri Avnery, escreveu um libelo intitulado O assassinato de Arafat, que começa: "Enquanto escrevo este manifesto, Yasser Arafat ainda vive. Mas sua vida está por um fio.
"Em minha visita a sua bombardeada Mukata, alertei que Sharon decidiu matá-lo.
"Mas é forçoso dizer; moralmente o assassinato de Arafat, líder histórico e presidente eleito do povo palestino é inadmissível assim como foi o assassinato de Rabin. Legalmente é um crime de guerra.
"Sharon rejeita a paz com ambos os punhos, ele quer o Grande Israel, a extensão dos assentamentos, e se possível a eliminação da presença dos palestinos na margem oeste do rio Jordão.
"Arafat, se for assassinado, tornar-se-á um lenda de heroísmo para seu povo e um novo Che Guevara para o mundo. Todos os israelenses que ficarem silentes carregarão a responsabilidade sobre os ombros. Todo o governo compartilhará a culpa. Nem um ministro será poupado".
Voltando ao informe. O inglês, especialista em pesquisa forense, Dave Barclay, ao analisar o documento declarou: "Yasser Arafat morreu por evenenamento com polônio. Encontramos a arma fumegante. O que ainda não sabemos é quem estava segurando a arma no momento. O nível de polônio em Arafat é de cerca de 900 milibecquerels, o que é de 18 a 36 vezes a média".
Sobre o informe e sua análise detalharemos na próxima edição.

NATHANIEL BRAIA

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