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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Biografias não autorizadas: Liberdade, Igualdade, Fraternidade para o mercado!


HILDEGARD ANGEL*
Na Feira de Frankfurt, o ótimo escritor, especializado em biografias, Ruy Castro, levantou sua voz e falou, muito bem articulado e inteligente que é, ao mundo e à ministra Marta Suplicy, contra o movimento de artistas do ramo musical que se opõe ao libera geral das biografias desejado pelo mercado editorial – hoje altamente lucrativo, e quando não era ninguém se preocupava com liberação – e pelos escritores, hoje prósperos e muito bem instalados na vida – assim se mantenham!
Ao final de sua colocação, Ruy reduziu a questão ao “dízimo”, o que sabemos não é bem assim. Envolve também imagem, honra, vida privada.
Constrange ver as pessoas que mais admiramos, nossos melhores escritores, músicos, poetas, envolvidos numa discussão com tal teor.
Nos tempos de hoje, escritores não trocam ideias, não saboreiam debates, intercâmbios sensíveis de prazeres lidos. Antes, comparam recordes de noites de autógrafos, números de edições, cifras, lucros.
Foram-se os tempos das reuniões históricas em casa de Aníbal Machado, na Visconde de Pirajá, em Ipanema, na de meu tio Oscar Netto, point dos boêmios em Belo Horizonte (Murilo Rubião, Lucio Cardoso, Ezequiel Neves, Sérvulo Tavares e mais) ou dos Sabadoyles famosos.
Os chás da Academia Brasileira de Letras viraram praticamente um item de marketing da Casa de Machado de Assis. Ultimamente, não se tem notícia de que, entre um gole e outro das infusões ferventes at 5 o’clock, tenha saído alguma conclusão inspirada sobre algum tema relevante.
Agora, é nas colunas de variedades dos jornais que os autores se encontram e o frissongira em torno de quem faturou mais e quais são os autores + pop. Os eflúvios literários tornaram-se secundários diante das questões de mercado.
E quando é o mercado que prepondera… que importância têm as letras ou as dores do parto de uma obra? Que lhe cortem o ventre! Que façam uma cesariana no escritor! A obra precisa ser parida nem que para isso seja necessária uma “barriga de aluguel”! Na linguagem dura do mercado editorial: “ghost writer”.
Assim, à boca miúda, entre cochicho e outro, ouvimos falar de grandes escritores, notáveis, acima de qualquer suspeita, inatingíveis e celebrados, que há tempos recorrem às tais solidárias barrigas, para agilizar partos difíceis, fazendo com que suas obras enfim vejam a luz das livrarias.
Mesmo que às vezes estas nasçam com certa cara de feto. Ou até com certo jeito de aborto literário. Não faz mal, para isso existem a mídia e a maquiagem. Um retoque aqui, uma crítica elogiosa acolá, uma entrevista bem introduzida, uma primeira página, um debate na Flip, e o trono de best seller está garantido. Sem esquecer os prêmios, que não andam assim tão difíceis de serem emplacados.
Bastidores, ah, os bastidores!
E que não tenham a má ideia de escrever biografias e ‘memórias não autorizadas’ sobre  autores e editoras que tanto se debatem por elas…

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