BRASIL PRA FRENTE

BRASIL PRA FRENTE!
O RIO DE JANEIRO DE PÉ PELO BRASIL!





















domingo, 28 de agosto de 2016

IMPLANTAÇÃO DO ECOPOLO PARA APROVEITAMENTO DO LIXO

PROPOSTA VEREADOR AYLTON MATTOS 15012.
NÓS PODEMOS.
A MUDANÇA COMEÇA POR NÓS.
PODEMOS MUDAR UMA CIDADE, O ESTADO, O BRASIL
IMPLANTAÇÃO DO ECOPOLO PARA APROVEITAMENTO DO LIXO
A sobrecarga crescente dos Resíduos Sólidos Urbanos – RSU torna-se um problema para os Municípios em decorrência dos aspectos ambientais, sociais e econômicos envolvidos.
A solução para a Destinação Final dos Resíduos Sólidos Urbanos - RSU torna-se, portanto, um desafio prioritário para os Municípios, já que a sua disposição in natura, em vazadouros (lixões), acaba por gerar um foco de poluição ambiental cuja existência não pode mais ser tolerada pela sociedade e, ademais, constitui crime ambiental – Lei nº 9.605 de 12/02/98.
ALTERNATIVA DE IMPLANTAÇÃO DE ATERRO SANITÁRIO



A alternativa de disposição dos Resíduos Sólidos Urbanos - RSU em Aterros Sanitários, embora ambientalmente aceitável, implica numa solução não sustentável e não definitiva, eis que a área destinada para aterro se esgota com o tempo.
Adicionalmente, a solução de Aterro Sanitário deve ser entendida como ambientalmente precária porque a sua operação está, permanentemente, sujeita aos riscos de danos ambientais por contaminação do solo e dos recursos hídricos com infiltração de chorume e da atmosfera pela emanação de gás metano. Considere-se ainda que, após sua desativação, deixa como herança uma área absolutamente degradada que exigirá um monitoramento para o controle de emissões de poluentes - líquidos e gasosos - por mais de 25 anos.
Sob o aspecto social também não se justifica, pois não favorece a atividade de reciclagem de materiais e, conseqüentemente, não potencializa a geração da ocupação e renda, deixando de promover a inclusão social de certo contingente humano da camada mais desfavorecida da população.
Sob o aspecto econômico, merece mais uma vez condenação já que não permite a reutilização de matérias primas (principalmente as não renováveis); a conservação de energia elétrica (conseqüente da reciclagem de materiais) nem a sua geração imediata pela biodigestão da fração orgânica e, eventualmente, quando aplicável, pela incineração da fração combustível seca (Combustível Derivado de Resíduos – CDR) constituída de materiais plásticos, papeis e papelão não reciclados; madeira; pano; fração orgânica arrastada etc. Tampouco, produz o composto orgânico para uso intensivo em atividades agrícolas ou agroindustriais (como produção de biodiesel), deixando, mais uma vez, de promover a ocupação produtiva de um segmento da população socialmente excluída.
Computados todos esses inconvenientes do Aterro Sanitário, acrescente-se, ainda, que essa solução impõe aos Municípios um custo permanente, na faixa de R$ 30,00 a R$ 50,00 por tonelada de lixo ali descartado, independentemente dos custos de transbordo e transporte até a área destinada ao Aterro, normalmente situadas a distâncias cada vez maiores das áreas urbanas de coleta.
Não houvesse solução alternativa viável, então a solução de Aterro Sanitário seria a única forma de eliminação de descarte dos RSU em vazadouros (lixões), prática ambientalmente condenável, embora a convivência com os aspectos negativos, anteriormente apontados, não seria evitável.
A tendência mundial está concentrando-se na viabilização de procedimentos de coleta seletiva e emprego de tecnologias para o processamento industrial dos RSU, de forma sustentável, visando a conservação e a geração de energia elétrica, internacionalmente definido como EfW – Energy from Waste.
OBS: ESSA PROPOSTA É DO MEU AMIGO ECOLOGISTA SERGIO RICARDO E DO COMPANHEIRO MARIO DO QUAL EU CONCORDO.
PROCESSO DRANCO – (DRY ANAEROBIC COMPOSTING)
Localização: BRECHT, BÉLGICA (FOTO)
Capacidade do Biodigestor: Compostagem de 160 t / dia de Fração Orgânica

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

DUQUE DE CAXIAS UNIU O BRASIL.VIVA DUQUE DE CAXIAS! VIVA O O EXERCITO DO BRASIL!

NELSON WERNECK SODRÉ

Minha homenagem, um dos maiores brasileiros entre todos os grandes homens de nossa pátria.
Caxias só tem sido apresentado, aos pósteros, em "poses". Através das anedotas e da história dos pequenos episódios em que se envolveu. Prendendo Feijó, na repressão à insurreição paulista que o padre animara. Perseguindo Miguel de Frias, para deixá-lo fugir. Mandando dizer missa por vencidos e vencedores, no Rio Grande do Sul. E em outras atitudes semelhantes. Nesse diapasão, o que existe escrito a respeito dele é puro panegírico pessoal. A sua figura política desapareceu para dar lugar a esse vulto incolor, modelo de virtudes individuais, que nos vem sendo transmitido. No caso de Caxias isso representa um tremendo erro, uma falsidade enorme. Porque ninguém influiu mais do que esse homem na marcha política do segundo império. Ninguém desempenhou um papel, com o desembaraço e a segurança desse soldado.
Aqui caberia a controvérsia sobre o caráter da sua ação. Quaisquer que tenham sido os fundamentos militares da obra do pacificador, ela foi nitidamente política. Política pelas suas razões. Política pelo seu desenvolvimento. Política pelas suas consequências.
A sua qualidade principal, o traço característico da sua organização, era o sólido equilíbrio que o amparou em todas as circunstâncias. Esse equilíbrio fundado no bom senso, e em certas particularidades inatas no seu caráter, fez dele o eixo dos acontecimentos desenrolados no segundo império. Caxias - mais do que D. Pedro II - foi o império. Ele enche a sua fase ascensional. Apoiado na sua espada e no seu conhecimento dos homens, foi que o regime procedeu à integração das partes do país. Quando a guerra do Paraguai assinala o ponto crítico e marca o início do declínio, é ele quem apressa a conclusão da luta e termina o desbarato das forças de López. Quando regressa, doente e entristecido, tendo dado por concluída a campanha, recolhe-se ao sossego e à solidão. E o império começa a esboroar-se.
A figura de Caxias é tanto mais curiosa quanto mais conhecemos o ambiente em que ele surgiu. Que dizer daquela força, sem instrução, sem princípios fundamentais, sem alicerces sólidos, que era o exército de antes do conflito com o Paraguai? Note-se mais que Caxias, vitorioso em várias insurreições, pela repressão a que procedeu, e vencedor da maior guerra externa, jamais desempenhou uma função político-partidária de grande relevo. Os cargos públicos que exerceu, ele os percorreu sem forçar a órbita dos acontecimentos. Que peso representaria, entretanto, no vazio e na estreiteza dos nossos hábitos e princípios políticos, o fato do aparecimento desse eterno vencedor? A maior qualidade de Lima e Silva foi, por certo, o absenteísmo político, tomada a política na acepção de domínio dos cargos públicos. Caxias, que podia ter sido o caudilho sem par, isenta o país do caudilhismo. Enquanto, no rio da Prata, os Urquiza, os Rosas, os Oribe, faziam o desastre das nações e perturbavam o seu desenvolvimento, - no Brasil, Caxias somava o prestígio advindo da consolidação do império com aquele que lhe proveio da vitória externa, sem cuidar de lançar a sua espada na balança política nem de tomar os postos de governo para si. Se, antes do conflito com o Paraguai, ele não representava uma classe e não tinha atrás de si um exército, - depois dela possuía essas duas coisas porque o surto do exército brasileiro data da campanha de 1865-70, com todos os seus defeitos, que chegariam à República.
Manoel Bomfim acusou Caxias de ser o representante da elite portuguesa que, provinda do tumulto da independência, invadiu o primeiro e segundo império, ao lado da dinastia bragantina. Para o historiador de "O Brasil-Nação", o consolidador seria uma espécie de sufocador de todos os anseios da alma brasileira, em qualquer momento e em qualquer recanto. Os surtos provinciais estariam vinculados às necessidades nacionais, em contraposição aos interesses dessa elite dominadora e extorsiva. Julgado por esse prisma, Lima e Silva, teria sido um criminoso da fidelidade, um mísero idolatra dos compromissos, um fraco militar que obedecia sem discutir e sem ver, nos acontecimentos, as suas fundas razões e os seus sólidos motivos. O jacobinismo de Bomfim não tem razão de ser. A elite portuguesa, proveniente da colonização e do advento da corte de D. João VI, diluiu-se no segundo império e foi substituída pela elite agraria, dos grandes senhores da terra, força nacional como nenhuma outra. A elite portuguesa era urbana e comercial. Dominava os portos, as relações internacionais e inter-provinciais, movimentava os negócios. Mas não chegou, ao tempo do segundo império, a constituir uma força nem a influir decisivamente na ordem dos acontecimentos. O alijamento da camarilha portuguesa que girava em torno do trono processou-se normal e gradualmente. O comércio das cidades continuou, por alguns decênios, em mãos dos lusitanos mas já assimilados pela sociedade brasileira.
Caxias representava o centro. Nascera numa província que se desenvolvia ao lado da corte. Essa província daria ao regime alguns dos seus homens mais representativos e uma considerável riqueza. As suas lavouras de cana e café desenvolviam-se e cercavam a capital, o município neutro. A estrada União e Indústria e as vias naturais de penetração carreavam os produtos dessa lavoura, apoiada no elemento servil. Até o fim, a província do Rio de Janeiro seria o alicerce do império. Em 1888, o regime corta essa ultima amarra. E rui um ano mais tarde, arrastando, desde atrás, na sua queda, grande parte da prosperidade fluminense.

Caxias possuía a personalidade típica dos seus conterrâneos. A clareza de raciocínio, o discernimento fácil, o domínio das situações, a naturalidade nos movimentos. Francisco de Lima e Silva, pai de Caxias, estava ligado ao imperador e ao império por laços muito fortes. Fora ele quem tomara nos braços o filho de Pedro I, para a apresentação à corte. Fora dos conservadores que haviam tramado o golpe da Maioridade, depois de ter sido figura obrigatória da regência trina. Estivera com o império nos seus momentos decisivos.
Luiz Alves de Lima e Silva educava-se nesses princípios. Soldado desde a infância, escolheu, entre todos os princípios, o de servir. A grandeza dessa servidão só pode ser medida pelas suas consequências.
Ele não foi, apenas, o maior chefe militar do seu continente, na sua época, mas um grande político cuja ação, aliada à força dos acontecimentos, apoiada em vitórias decisivas, se marcava por um tato fora do comum. Caxias compreendia a debilidade brasileira. Sabia da projeção que poderia ter uma repressão áspera. Um dos seus traços mais curiosos, denunciador de uma argúcia pouco vulgar e dum conhecimento incomum da marcha que as ideias coletivas podem tomar, foi aquele seu impulso, na revolução do sul, em acenar aos amotinados, com a guerra externa, para unir vencidos e vencedores sob uma mesma bandeira.
Toda a fase de governo da Regência fora sacudida por um tremendo vírus de rebeldia. As províncias repeliam as cadeias que lhes pesavam. Quando o governo central dominava um desses surtos outro repontava, mais adiante. A maioridade devia ter o condão de apaziguar os brasileiros, pensavam os políticos do tempo.
Mas o segundo império teve o seu início sem poder governar duas províncias: Maranhão e Rio Grande do Sul. Caxias inicia a sua obra, logo após o advento de D. Pedro II. Pacifica o Maranhão. E é enviado ao Rio Grande do Sul, onde a luta já durava dez anos e ameaçara perigosamente as instituições, chegando os revoltosos quase até o município de Curitiba. Caxias domina o mais grave dos motins provinciais. Coroa a sua obra congregando todos os elementos do sul para a campanha contra Rosas. De caso em caso, de solução em solução, ele reúne, em torno do regime, os pontos que ameaçavam escapar à sua influencia.
Não é uma coincidência que faz a fase ascendente do império assistir à ação desse notável realista. Quando D. Pedro II inicia o seu período de domínio, em 1840, herda os erros e os desencontros, a confusão e a agitação da Regência. O país atravessa um abalo econômico profundo de que se não livraria rapidamente. Mas, para a solução desses desequilíbrios, o econômico e o político, o regime vai demonstrar uma notável vitalidade. Resolve-os apoiado no tempo e nos sucessos parciais. Os dez primeiros anos do segundo império marcam-se por uma obra verdadeiramente extraordinária: reprimir as insurreições, dominar a possibilidade de novos levantes, e incorporar decisivamente ao império, como forças produtivas, pacíficas e vivas, essas que se divorciavam dele. Integrar, em suma, a nação, nos seus destinos e no seu território, pela generalidade de princípios e pela força de levar a autoridade central a todos os recantos da terra imensa e dividida.
É justamente esse o período fulgurante da ação de Caxias. Onde quer que haja um movimento rebelde, ele está. Poderia vencer, destroçando e mortificando, pela violência após a vitória. Prefere, na sua clarividência, poupar e transigir. A sua transigência não é proveniente nem de fraqueza nem de incapacidade, porém. Mas de lucidez e de força, porque se realiza depois que consumou a posse definitiva dos pontos almejados e do território onde a agitação dominava.
Quando o império atinge o meio do caminho, em 65, Caxias está afastado. O período agitado terminara em 49. Depois vieram as reformas políticas. Mau partidário, aborrecera-se dos entreveros eleitorais e parlamentares. A crise de crescimento e de expansão, no Brasil, ia atingir, entretanto, o seu ponto culminante. Após a integração, a paz. Após a paz, que fora uma pausa, um intervalo, nova etapa. Essa etapa, que seria o coroamento da unidade brasileira, deflagraria a guerra.
Não tem conta nem medida os erros iniciais da campanha. Caxias assiste-os do longe. De quando em vez comparece a uma solenidade. Discreto, sem parecer desejar misturar-se à confusão, à indecisão, à inópia generalizada. As faltas e omissões da direção da campanha são enormes, porém. A expedição lançada através de Mato Grosso para atacar o inimigo numa frente inesperada é uma aventura sem apoio algum. No sul, os acontecimentos se agravam cada vez mais.
Para coroar tal situação havia falta absoluta de preparo do país para uma guerra. Não havia exército organizado. Não havia fornecimentos mantidos e ativos. Não havia comando. O recrutamento era o mais primitivo. Os processos de formação dos novos batalhões, que a luta entra a exigir, cada vez mais, são rigorosos na violência. Não tinha precedido a abertura das hostilidades a necessária campanha de opinião, destinada a arregimentar as forças morais. E isso seria mesmo extremamente difícil e lento, dadas as dimensões do território e a demora na transmissão do pensamento.
O teatro de operações ficava afastado dos centros principais do país, das suas fontes de vitalidade. A Tríplice Aliança resultaria numa evasão extraordinária de riqueza para o rio da Prata. Mais próxima do cenário em que desenrolava a luta, a Argentina teria o papel de abastecedora dos exércitos. É ela quem os alimenta. É ela quem fornece a forragem aos corpos montados. E toda a sorte de recursos, os mais variados. Isso sem falar no empréstimo concedido aos nossos aliados argentinos, para os necessários preparativos, empréstimo que foi pago com uma rapidez pouco comum, demonstrando a soberba vitalidade duma nação que tomava um notável impulso. Lutando ainda pela sua unidade, na repressão aos remanescentes do caudilhismo, a pátria de Mitre, tendo duas frentes a atender, a interna e a externa, prefere cuidar da primeira. Os uruguaios estavam reduzidos a quinhentos homens sob o comando de Castro. Eram os restos da coluna que ajudara a suportar, com tanta utilidade, os primeiros embates, quando os paraguaios haviam penetrado o território brasileiro, no Rio Grande do Sul.
As consequências do desastre de Curupaiti se fazem sentir nos três países. Depois da tentativa fracassada, para a conquista da praça os exércitos se recolhem a uma expectativa morna e sem resultados. Cada pausa no avanço era uma oportunidade para López, cuja tenacidade só terminou na morte.
Em tais circunstâncias, que remédio senão apelar para Caxias? A desagregação do império já começara, porém. A união dos partidos rompera-se, ainda antes da guerra. Na eventualidade, dominava um gabinete liberal. Caxias era conservador. Permanecia no partido do pai. Acede ao convite de Zacarias e segue para o teatro da luta, após ter tomado, no Rio de Janeiro, todas as providências que a situação requeria. A sua obra de reorganização toma-lhe tempo. Era preciso recompor quase tudo. Desde os escândalos dos fornecimentos, até o preparo das reservas. A fase do seu comando é, entretanto, decisiva. A pausa inicial, que provocara desconfianças e comentários malévolos na capital alicerçando o despeito do príncipe consorte, era inevitável. Depois dos sucessos da "dezembrada", Caxias entra em Assunção e dá por finda a campanha. Gely y Obes faz o mesmo.
Doente e aborrecido com as tramas da corte, onde as divergências se acentuavam, o marechal regressa. Recebidos os títulos, retira-se do cenário. Estava envelhecido. E, sem fraseologia fácil, encanecera ao serviço do Brasil e do regime com o qual se identificara.
Os erros da política externa do império culminariam com a guerra. Dela adveio o desenvolvimento argentino. Lutando para o aniquilamento duma nação forte no seu flanco, nação que ajudara a fortificar-se para apoiar as antigas diretivas da sua orientação exterior, o império fornecera todos os elementos paro o progresso e o extraordinário surto platino.
O ramo ascendente da curva imperial terminara. A guerra trouxera uma realização admirável: coroara a obra de unificação. Todas as províncias forneceram homens. Combatendo pela mesma bandeira, os brasileiros sentiram-se irmanados. As consequências econômicas seriam enormes, porém. E os problemas oriundos da luta tomariam vulto. Aqueles que tinham ficado abafados voltariam à baila. Ia iniciar-se o ramo descendente. A duração era quase a mesma, vinte e cinco anos. No início, dez anos para a consolidação e quinze para o desenvolvimento. No fim, todos os vinte e quatro anos destinados à decomposição. Da guerra à República, numa aceleração cada vez maior, o império se desfaria.
Mais do que D. Pedro II, Luiz Alves de Lima e Silva representava a força e a vitalidade da primeira fase. Caxias, mais do que o imperador, representa o regime. Nos anos da consolidação, ele encarna as qualidades vivas e dinâmicas da ordem de cousas que defende, ampara e preserva dos males. Quando o regime chega ao fim, - a sua obra permanece. Porque, servindo-o, ele servira à unidade nacional. Em 89 o império terminara a sua missão, divorciara-se do país. Mas a missão de Caxias, no seu período melhor, transformada pela ação do tempo e pela evolução, daria os seus frutos notáveis. A federação iria sancioná-los e servir-se deles.

O seu crepúsculo anunciava já o das instituições. À beira da morte, expressa o seu último desejo. Nele vai toda a amargura e todo o fastio do panorama a que assistia e que, nos últimos anos, alquebrara as suas últimas forças. Pressentido o fim, afasta do seu pensamento nobres, príncipes e políticos, - afasta mesmo os companheiros graduados. Para levá-lo ao último refúgio pede, apenas, seis soldados de bom comportamento...

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Kyrie Eleison





BOM DIA. DEUS NOS ABENÇOE A TODOS, NESTE DIA QUE SE INICIA.

ILUMINE NOSSAS VIDAS PARA QUE MANTENHAMOS A LUTA ACESA. E AGRADECERMOS PELO DIA DE ONTEM. AMEM

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Entenda o que é a Guerra Híbrida: A nova guerra do século 21 tem o Brasil no epicentro!



Nos manuais norte-americanos as ações não-convencionais contra “forças hostis” a Washington. A centralidade do Pré-Sal no impeachment. Como os super-ricos cooptam a velha classe média.
O Brasil no epicentro da Guerra Híbrida
Revoluções coloridas nunca são demais. Os Estados Unidos, ou o Excepcionalistão, estão sempre atrás de atualizações de suas estratégias para perpetuar a hegemonia do seu Império do Caos.
A matriz ideológica e o modus operandi das revoluções coloridas já são, a essa altura, de domínio público. Nem tanto, ainda, o conceito de Guerra Não-Convencional (UW, na sigla em inglês).
Esse conceito surgiu em 2010, derivado do Manual para Guerras Não-Convencionais das Forças Especiais. Eis a citação-chave: “O objetivo dos esforços dos EUA nesse tipo de guerra é explorar as vulnerabilidades políticas, militares, econômicas e psicológicas de potências hostis, desenvolvendo e apoiando forças de resistência para atingir os objetivos estratégicos dos Estados Unidos. […] Num futuro previsível, as forças dos EUA se engajarão predominantemente em operações de guerras irregulares (IW, na sigla em inglês)”.
“Potências hostis” são entendidas aqui não apenas no sentido militar; qualquer país que ouse desafiar um fundamento da “ordem” mundial centrada em Washington pode ser rotulado como “hostil” – do Sudão à Argentina.
As ligações perigosas entre as revoluções coloridas e o conceito de Guerra Não-Convencional já desabrocharam, transformando-se em Guerra Híbrida; caso perverso de Flores do Mal. Revolução colorida nada mais é que o primeiro estágio daquilo que se tornará a Guerra Híbrida. E Guerra Híbrida pode ser interpretada essencialmente como a Teoria do Caos armada – um conceito absoluto queridinho dos militares norte-americanos (“a política é a continuidade da guerra por meios linguísticos”). Meu livro Império do Caos, de 2014, trata essencialmente de rastrear uma miríade de suas ramificações.
Essa bem fundamentada tese em três partes esclarece o objetivo central por trás de uma Guerra Híbrida em larga escala: “destruir projetos conectados transnacionais multipolares por meio de conflitos provocados externamente (étnicos, religiosos, políticos etc.) dentro de um país alvo”.
Os países do BRICS (Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul) – uma sigla/conceito amaldiçoada no eixo Casa Branca-Wall Street – só tinham de ser os primeiros alvos da Guerra Híbrida. Por uma miríade de razões, entre elas: o plano de realizar comércio e negócios em suas próprias moedas, evitando o dólar norte-americano; a criação do banco de desenvolvimento dos BRICS; a declarada intenção de aumentar a integração na Eurásia, simbolizada pela hoje convergente “Rota da Seda”, liderada pela China – Um Cinturão, Uma Estrada (OBOR, na sigla em inglês), na terminologia oficial – e pela União Econômica da Eurásia, liderada pela Rússia (EEU, na sigla em inglês).
Isso implica em que, mais cedo do que tarde, a Guerra Híbrida atingirá a Ásia Central; o Quirguistão é o candidato ideal a primeiro laboratório para as experiências tipo revolução colorida dos Estados Unidos, ou o Excepcionalistão.
No estágio atual, a Guerra Híbrida está muito ativa nas fronteiras ocidentais da Rússia (Ucrânia), mas ainda embrionária em Xinjiang, oeste longínquo da China, que Pequim microgerencia como um falcão. A Guerra Híbrida também já está sendo aplicada para evitar o estratagema da construção de um oleoduto crucial, a construção do Ramo da Turquia. E será também totalmente aplicada para interromper a Rota da Seda nos Bálcãs – vital para a integração comercial da China com a Europa Oriental.
Uma vez que os BRICS são a única e verdadeira força em contraposição ao Excepcionalistão, foi necessário desenvolver uma estratégia para cada um de seus principais personagens. O jogo foi pesado contra a Rússia – de sanções à completa demonização, passando por um ataque frontal a sua moeda, uma guerra de preços do petróleo e até mesmo uma (patética) tentativa de iniciar uma revolução colorida nas ruas de Moscou. Para um membro mais fraco dos BRICS foi preciso utilizar uma estratégia mais sutil, o que nos leva à complexidade da Guerra Híbrida aplicada à atual, maciça desestabilização política e econômica do Brasil.
No manual da Guerra Híbrida, a percepção da influência de uma vasta “classe média não-engajada” é essencial para chegar ao sucesso, de forma que esses não-engajados tornem-se, mais cedo ou mais tarde, contrários a seus líderes políticos. O processo inclui tudo, de “apoio à insurgência” (como na Síria) a “ampliação do descontentamento por meio de propaganda e esforços políticos e psicológicos para desacreditar o governo” (como no Brasil). E conforme cresce a insurreição, cresce também a “intensificação da propaganda; e a preparação psicológica da população para a rebelião.” Esse, em resumo, tem sido o caso brasileiro.
Precisamos do nosso próprio Saddam.
Um dos maiores objetivos estratégicos do Excepcionalistão é em geral um mix de revolução colorida e Guerra Híbrida. Mas a sociedade brasileira e sua vibrante democracia eram muito sofisticadas para métodos tipo hard, tais como sanções ou a “responsabilidade de proteger” (R2P, na sigla em inglês).
Não por acaso, São Paulo tornou-seo epicentro da Guerra Híbrida contra o Brasil. Capital do estado mais rico do Brasil e também capital econômico-financeira da América Latina, São Paulo é o nódulo central de uma estrutura de poder interconectada nacional e internacionalmente.
O sistema financeiro global centrado em Wall Street – que domina virtualmente o Ocidente inteiro – não podia simplesmente aceitar a soberania nacional, em sua completa expressão, de um ator regional da importância do Brasil.
A “Primavera Brasileira” foi virtualmente invisível, no início, um fenômeno exclusivo das mídias sociais – tal qual a Síria, no começo de 2011.
Foi quando, em junho de 2013, Edward Snowden revelou as famosas práticas de espionagem da NSA. No Brasil, a questão era espionar a Petrobras. E então, num passe de mágica, um juiz regional de primeira instância, Sérgio Moro, com base numa única fonte – um doleiro, operador de câmbio no mercado negro – teve acesso a um grande volume de documentos sobre a Petrobras. Até o momento, a investigação de dois anos da Lava Jato não revelou como eles conseguiram saber tanto sobre o que chamaram de “célula criminosa” que agia dentro da Petrobras.
O importante é que o modus operandi da revolução colorida – a luta contra a corrupção e “em defesa da democracia” – já estava sendo colocada em prática. Aquele era o primeiro passo da Guerra Híbrida.
Como cunhado pelos Excepcionalistas, há “bons” e “maus” terroristas causando estragos em toda a “Siraq”; no Brasil há uma explosão das figuras do corrupto “bom” e do corrupto “ruim”.
O Wikileaks revelou também como os Excepcionalistas duvidaram da capacidade do Brasil de projetar um submarino nuclear – uma questão de segurança nacional. Como a construtora Odebrecht tornava-se global. Como a Petrobras desenvolveu, por conta própria, a tecnologia para explorar depósitos do pré sal – a maior descoberta de petróleo deste jovem século 21, da qual as Grandes Petrolíferas dos EUA foram excluidas por ninguém menos que Lula.
Então, como resultado das revelações de Snowden, a administração Roussef exigiu que todas as agências do governo usassem empresas estatais em seus serviços de tecnologia. Isso poderia significar que as companhias norte-americanas perderiam até US$ 35 bilhões de receita em dois anos, ao ser excluídos de negociar na 7ª maior economia do mundo – como descobriu o grupo de pesquisa Fundação para a Informação, Tecnologia & Inovação (Information Technology & Innovation Foundation).
O futuro acontece agora.
A marcha em direção à Guerra Híbrida no Brasil teve pouco a ver com as tendências políticas de direita ou esquerda. Foi basicamente sobre a mobilização de algumas famílias ultra ricas que governam de fato o país; da compra de grandes parcelas do Congresso; do controle dos meios de comunicação; do comportamento de donos de escravos do século 19 (a escravidão ainda permeia todas as relações sociais no Brasil); e de legitimar tudo isso por meio de uma robusta, embora espúria tradição intelectual.
Eles dariam o sinal para a mobilização da classe média. O sociólogo Jesse de Souza identificou uma freudiana “gratificação substitutiva”, fenômeno pelo qual a classe média brasileira – grande parte da qual clama agora pela mudança do regime – imita os poucos ultra ricos, embora seja impiedosamente explorada por eles, através de um monte de impostos e altíssimas taxas de juros.
Os 0,0001% ultra ricos e as classes médias precisavam de um Outro para demonizar – no estilo Excepcionalista. E nada poderia ser mais perfeito para o velho complexo da elite judicial-policial-midiática do que a figura de um Saddam Hussein tropical: o ex-presidente Lula.
“Movimentos” de ultra direita financiados pelos nefastos Irmãos Kock pipocaram repentinamente nas redes sociais e nos protestos de rua. O procurador geral de justiça do Brasil visitou o Império do Caos chefiando uma equipe da Lava Jato para distribuir informações sobre a Petrobras que poderiam sustentar acusações do Ministério da Justiça. A Lava Jato e o – imensamente corrupto – Congresso brasileiro, que irá agora deliberar sobre o possível impeachment da presidente Roussef, revelaram-se uma coisa só.
Àquela altura, os roteiristas estavar seguros de que a infra-estrutura social para a mudança de regime já havia produzido uma massa crítica anti-governo, permitindo assim o pleno florescimento da revolução colorida. O caminho para um golpe soft estava pavimentado – sem ter sequer de recorrer ao mortal terrorismo urbano (como na Ucrânia). O problema era que, se o golpe soft falhasse – como parece ser pelo menos possível, agora – seria muito difícil desencadear um golpe duro, estilo Pinochet, através da UW, contra a administração sitiada de Roussef; ou seja, executando finalmente a Guerra Híbrida Total.
No nível socioeconômico, a Lava Jato seria um “sucesso” total somente se fosse espelhada por um abrandamento das leis brasileiras que regulam a exploração do petróleo, abrindo-a para as Grandes Petrolíferas dos EUA. Paralelamente, todos os investimentos em programas sociais teriam de ser esmagados.
Ao contrário, o que está acontecendo agora é a mobilização progressiva da sociedade civil brasileira contra o cenário de golpe branco/golpe soft/mudança de regime. Atores cruciais da sociedade brasileira estão se posicionando firmemente contra o impeachment da presidente Rousseff, da igreja católica aos evangélicos; professores universitários do primeiro escalão; ao menos 15 governadores estaduais; massas de trabalhadores sindicalizados e trabalhadores da “economia informal”; artistas; intelectuais de destaque; juristas; a grande maioria dos advogados; e por último, mas não menos importante, o “Brasil profundo” que elegeu Rousseff legalmente, com 54,5 milhões de votos.
A disputa não chegará ao fim até que se ouça o canto de algum homem gordo do Supremo Tribunal Federal. Certo é que os acadêmicos brasileiros independentes já estão lançando as bases para pesquisar a Lava Jato não como uma operação anti-corrupção simples e maciça; mas como estudo de caso final da estratégia geopolítica dos Exceptionalistas, aplicada a um ambiente globalizado sofisticado, dominado por tecnologia da informação e redes sociais. Todo o mundo em desenvolvimento deveria ficar inteiramente alerta – e aprender as relevantes lições, já que o Brasil está fadado a ser visto como último caso da Soft Guerra Híbrida.
Autor: Pepe Escobar
Tradução: Vinícius Gomes Melo e Inês Castilho
FONTE: Pravda.ru
http://www.apocalipsenews.com/

Pré-Sal avaliado em 10 Trilhões de Dólares .A Guerra Estrangeira por ess...

O Petróleo é Nosso?] EUA estão Levando o Brasil ao Caos | O Impeach...

O Petróleo é Nosso? ] EUA Querem o Pré-Sal e a Petrobrás! A quem In...

domingo, 21 de agosto de 2016

Requião diz que Brasil precisa repudiar “a diplomacia do pixuleco”

REQUIÃO DENUNCIA: “QUEREM ME EXCLUIR DO PMDB PORQUE NÃO SOU LADRÃO




O senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi ao ataque ante a ameaça da cúpula nacional de expulsá-lo do partido devido às críticas dele contra o impeachment de Dilma Rousseff e em defesa da legalidade democrática; “Sugiro aqueles que pedem minha cabeça no PMDB que se apresentem voluntariamente em uma penitenciária para cumprir a pena que merecem”, fuzilou o parlamentar.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi ao ataque ante a ameaça da cúpula nacional de expulsá-lo do partido devido às críticas dele contra o impeachment de Dilma Rousseff e em defesa da legalidade democrática. 
“Sugiro aqueles que pedem minha cabeça no PMDB que se apresentem voluntariamente em uma penitenciária para cumprir a pena que merecem”, fuzilou o parlamentar, que é uma espécie de muso contra o golpe de Estado e um dos principais articuladores do plebiscito para antecipar a eleição presidencial.
A maioria dos mandachuvas no PMDB nacional é réu, investigado ou delatado na Lava Jato — a começar pelo interino Michel Temer, passando pelo deputado Eduardo Cunha (RJ) e os senadores Romero Jucá (RR) e Renan Calheiros (AL). Também entra nessa lista do STF o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha.
Ou seja, é essa quadrilha que está julgando a presidente eleita Dilma Rousseff.
Requião negou que seja dissidente na legenda peemedebista.
“Na verdade, não sou dissidente do PMDB. Dissidente é quem pratica corrupção, quer vender o país, trabalha com pixuleco, despreza nosso país”, disse.
O senador pediu apoio à base partidária para continuar à frente da agremiação no Paraná. Ele lembrou que tem posições conhecidas e limpas.
“Alguém pediu a minha cabeça no PMDB nacional porque não sou ladrão, não pertenço a quadrilha, sou nacionalista”, denunciou Requião.
Durante a semana, o senador paranaense alertou que o interino Michel Temer (PMDB)promoverá uma guerra civil se congelar gastos públicos por 20 anos, como prevê a PEC 241. “É a proposta mais idiota e desumana em toda a História”, afirmou.
http://www.brasil247.com/

Temer e a PEC 241: entre o engodo e a guerra civil





O governo interino enviou ao Congresso a PEC 241 com o objetivo de congelar os gastos públicos por 20 anos, tendo como referência os gastos de 2016.

Nunca em nenhum outro país uma proposta de congelamento dos gastos públicos foi sequer cogitada como proposta legislativa, muito menos colocar tal aberração em um texto constitucional. Mesmo na Grécia, massacrada pela austeridade fiscal imposta pelos credores e pela Alemanha, imaginou-se tal coisa.
Essa proposta tão absurda serve para mostrar o grau de anormalidade política e institucional em que vive hoje o país.
É a prova de que estamos caminhando para o caos político e econômico, em razão da incrível ousadia e irresponsabilidade daqueles que imaginam controlar o povo e o Congresso com a repetição nauseante de um arsenal de mentiras.
A proposta é tão anormal que nenhum economista ou professor universitário com credibilidade se atreveu a defende-la. No dia 16 de agosto, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado debateu o assunto.
Meirelles mandou dois funcionários de segundo escalão para defender a proposta. Confrontados pelos professores convidados a fazer uma análise séria do assunto, exibiram a grande fragilidade da PEC 241 e da visão econômica do chefe.
Os dois rapazes apenas aumentaram minha incompreensão sobre as razões pelas quais “o “mercado” e certos políticos progressistas veem Meirelles como “salvador da Pátria”. Que Pátria?
Os mensageiros deste “salvador do mercado” repetiram o velho chavão que diz que o “Estado é como uma dona de casa que sabe que não pode gastar mais do que arrecada”. Ora, qualquer um que lê os jornais com atenção e conhece um pouco de história sabe que isso é um sofisma manipulador e primário. O Estado, no mundo inteiro, gasta mais do que arrecada quase sempre e isso é visto como absolutamente normal e saudável.
Infelizmente ou felizmente o Estado é muito mais complexo do que o orçamento doméstico.
Voltando à PEC 241.
Obviamente, em termos bem simples e diretos essa PEC promete explicitamente e na melhor das hipóteses que:
  • a saúde não melhore nada por 20 anos,
  • a educação não melhore nada por 20 anos,
  • o salário mínimo não melhore nada por 20 anos
  • a segurança pública não melhore nada por 20 anos,
  • o trânsito das cidades – que depende da construção de metrô e obras viárias – não melhore nada por 20 anos,
  • as condições de moradia não melhore nada por 20 anos, mas que a população nas favelas ou em submoradias aumente significativamente em 20 anos.
  • o saneamento básico não melhore nada por 20 anos
  • a qualidade de vida da maioria da população não melhore nada por 20 anos
  • a proteção ao meio ambiente não melhore nada por 20 anos
  • nossa justiça lenta e parcial não melhore nada por 20 anos
  • o combate à seca no Nordeste e às mudanças climáticas, que podem ter efeitos catastróficos, não melhore nada em 20 anos
  • o desenvolvimento científico e tecnológico do país não melhore nada em 20 anos
  • a gestão pública não melhore por 20 anos
  • a distribuição de renda não melhore nada por 20 anos
  • a desigualdade regional não melhore nada por 20 anos
  • a capacidade do país se defender não melhore nada por 20 anos
  • a infraestrutura não melhore nada por 20 anos
É exatamente isso o que esta PEC está propondo. E olhe, senhoras e senhores senadores que essa PEC é considerada a medida mais importante do governo interino.
Falando português claro e sem eufemismo, na verdade, é a proposta legislativa mais idiota e mais desumana que eu já vi tramitar no Congresso por iniciativa do Executivo, em toda história do Brasil.
Obviamente o povo brasileiro jamais vai concordar com essa barbaridade. Não foi para isso que muitos pediram o afastamento de Dilma. Mas o povo não sabe que isso está em discussão.
A grande mídia, é claro, não vai dar espaço para que o povo seja informado.
Ademais, os congressistas têm a voz cortada pelos instrumentos ilegais de tramitação acelerada, que excluem o debate.
Além do que, uma parte significativa dos parlamentares tem medo de criticar em público e se posicionar contra as medidas impostas pelo poder econômico depois que:
  • os tentáculos e os métodos agressivos de Eduardo Cunha e seus parceiros se espalharam no Congresso e no governo,
  • a grande imprensa passou a adotar o critério de que todo mundo que pensa diferente dela é sua inimiga mortal,
  • começaram as investigações da Lava-Jato com prisões preventivas generalizadas, abusivas, espetacularização e destruição de reputações,
  • o Poder Judiciário e o Ministério Público tomaram para si a prerrogativa de condenar a opinião do Congresso e seu poder de legislar.
O Congresso está funcionando de forma anômala. No mínimo, quando se refere a questões de interesse do poder econômico, as opiniões divergentes e o contraditório estão restritos em razão do medo e da forma de tramitação inconstitucionais e não democráticos que funcionam como rolo compressor.
Esse contexto explica porque a PEC 241 pode ser aprovada, mesmo propondo explicitamente que o Brasil não melhore em nada nos próximos 20 anos.
Se nosso país já fosse o mais desenvolvido do mundo, a proposta já seria um absurdo, porque o ser humano quer sempre melhorar e progredir.
Mas, com as carências que temos, como esperar por vinte anos, duas gerações, para retomar os investimentos em saúde, educação, habitação, saneamento, infraestrutura urbana e mais?
Pensando bem, a PEC 241 é ainda muito pior do que isso.
Sabemos que a população brasileira vai aumentar e que, portanto, nada vai melhorar por 20 anos, pelo contrário tudo vai piorar com a vigência da PEC.
Mais doentes para os mesmos hospitais, mais idosos para a mesma previdência pública, mais estudantes para as mesmas escolas e universidades, mais carros para as mesmas ruas, mais pessoas para as mesmas favelas, mais dejetos para o mesmo sistema de esgoto e de tratamento de água, mais caminhões para as mesmas estradas, mais caos urbano para mesma segurança pública, mais conflitos para a mesma justiça.
Limitam-se aí os malefícios desta PEC?
Não. Esses são apenas os mais evidentes.
A população brasileira está envelhecendo rapidamente. Esse fato é certamente a inspiração econômica da PEC 241.
No dia 16 de agosto, o professor Pedro Rossi, da Unicamp, lembrou em audiência pública no Senado, que mesmo a reforma previdenciária mais radical que Temer conseguir aprovar não impedirá que a população brasileira continue a envelhecer. E nem a reforma previdenciária mais radical vai impedir que as despesas previdenciárias ultrapassem 8,6% do PIB em 2036, disse o professor.
Ora, se aprovada a PEC 241 e as despesas previdenciárias atingirem apenas 8,6% do PIB em 2036, e as despesas com saúde e educação ficarem congeladas, todos os outros gastos públicos – como funcionalismo, segurança, defesa, proteção contra catástrofes, obras viárias, saneamento, habitação, ciência e tecnologia, justiça, legislativo – terão que disputar apenas 1% do PIB.
Porque é isso que vai restar do orçamento para esses setores. Seria, então, a destruição do Estado Nacional
O absurdo de tal proposta me faz pensar que essa PEC visa apenas jogar a sociedade contra os aposentados, a saúde e a educação públicas e distrair os brasileiros para que não percebam que o nível atual de juros é incompatível com o envelhecimento da população , com a saúde e a educação públicas.
Enfim, reafirmando, os cálculos do professor Pedro Rossi mostram que a PEC 241 seria a destruição do Estado Nacional, da educação, da saúde e da previdência.
É isso que querem que o Congresso aprove?
Não. É ainda pior.
O governo e alguns poucos economistas lunáticos que estão defendendo essa proposta dão a entender que mesmo que tudo que dependa do Estado piore por 20 anos ou seja destruído, ao menos o setor privado poderá crescer e gerar empregos.
Mas isso também não acontecerá.
Nunca na história de um país grande houve crescimento econômico sem que houvesse crescimento dos gastos públicos.
Em tese, em um país bem pequeno, é possível que o setor privado cresça mais do que o setor público, porque – por ser pequeno – a maior parte da produção industrial e agrícola está voltada para as exportações. Além disso, quando o consumo interno cai, é possível aumentar as exportações sem gerar super oferta no mercado internacional.
Portanto, o mercado internacional pode ser decisivo no crescimento do setor privado em um país pequeno. Já em um país grande, o crescimento econômico depende primordialmente do crescimento do mercado interno, que depende dos gastos públicos.
Como somos um dos principais fornecedores no mercado internacional da maioria dos produtos que nós exportamos, como soja, café, carne, minério de ferro, algodão, celulose de eucalipto e mais, não é possível compensar a queda no consumo interno com mais exportações. Porque isso provocaria uma saturação no mercado de nossos produtos de exportação.
Além disso, as pessoas demitidas nos serviços e no comércio não poderiam trabalhar na indústria exportadora por não terem capacitação para isso, e por não existirem máquinas suficientes para emprega-las no Brasil, e nem mercado externo para absorver tal aumento das exportações.
Mesmo em países pequenos, como a Grécia, é muito difícil que a economia cresça se o setor público não acompanha, como a experiência recente mostrou.
Em um país grande é realmente impossível a economia crescer se os gastos públicos não crescerem, pois o consumo privado já está ajustado à renda das pessoas. Assim, se o gasto público não crescer, a renda e o mercado interno não poderão crescer.
E se o mercado interno não crescer, não haverá investimento do setor privado e assim o emprego e os salários não irão crescer.
Em casos excepcionais, e de forma marginal, é possível que o setor privado cresça mais rápido do que o setor público, nos breves momentos em que há uma euforia no investimento privado e taxas de juros muito baixas para financiá-lo a longo prazo.
Isso está muito distante da realidade brasileira. Taxas de juros baixas não é o caso do Brasil e não será pelos próximos 20 anos. Mesmo porque a PEC 241 tem como objetivo principal garantir que o governo pague as taxas de juros mais altas do mundo por 20 anos, sem tornar a dívida pública impagável.
Dessa forma, podemos concluir sem sombra de dúvidas que a PEC 241, caso seja aprovada, condenará o Brasil a 20 anos de recessão, estagnação, deterioração dos serviços públicos e das condições de vida.
Só isso?
Não, a PEC 241 consegue ainda ser pior…
O governo interino pode paralisar os gastos em pesquisa e desenvolvimento no Brasil, mas não pode parar o desenvolvimento tecnológico do resto do mundo. Portanto, como nossas empresas estão inseridas no mercado internacional, as máquinas usadas pelos empresários brasileiros continuariam a ser trocadas por outras mais eficientes, dispensando trabalhadores. Logo, o nível de emprego diminuiria nos próximos 20 anos.
Com o desemprego crescente, os salários cairiam continuamente e, em consequência, o mercado interno encolheria, o que levaria a economia a um ciclo vicioso de depressão.
Se em 2013, os jovens se revoltaram por 20 centavos de aumento nas passagens, nem posso imaginar o que fariam no contexto de depressão.
Só não estamos já em uma situação revolucionária e de guerra civil, porque:
  1. quando Dilma colocou Levy para derrubar nossa economia, estávamos no menor nível de desemprego e com o maior salário médio da nossa história.
  2. a mídia e os propagandistas do discurso de ódio nas redes sociais conseguiram convencer que estávamos, em 2013 e 2014, em uma crise moral e econômica profunda, quando, na verdade, a nossa situação econômica e social era a melhor da nossa história.
  3. a mídia e os propagandistas do discurso de ódio nas redes sociais convenceram a maioria de que todos os problemas, reais ou imaginários, presentes, passados ou futuros eram a culpa da Dilma e que, portanto, queimar o “judas” no impeachment iria purgar a sociedade de todas as culpas e problemas.
Dessa forma, o povo demorou a sentir os efeitos da política recessiva que implantaram e ficou distraído com divisão sórdida que criaram na sociedade, enquanto todos esperam a fogueira do impeachment se apagar.
Quando isso acontecer e as Olimpíadas acabarem, nem as prisões espetaculares da Lava-Jato vão conseguir distrair a população de seus problemas reais e do que o governo interino está pretendendo aprovar no Congresso.
As pessoas aos poucos passarão a direcionar sua raiva contra o Congresso, o governo interino e suas políticas. E o governo e a governabilidade só se sustentarão com muita repressão, violência e censura.
 Mas por quanto tempo, será possível represar a insatisfação?
Caso consiga conter a insatisfação popular por um ano, o governo Temer talvez crie as condições para uma revolta popular generalizada e um provável golpe militar preventivo, próximo às eleições de 2018.
Se não conseguir represar a revolta por tanto tempo, o Congresso deverá votar a eleição indireta no início do ano que vem, o que poderá distrair o povo por alguns meses.
De uma forma ou de outra e, mesmo sob uma ditadura de fato, a aprovação da PEC 241 tornará qualquer governo inviável. Ela transformará o convívio em sociedade no Brasil em um inferno, em razão da depressão econômica, da deterioração dos serviços públicos e da qualidade de vida. Nesse contexto, uma ditadura levaria a uma guerra civil antes do final da década.
A aprovação da PEC 241 contribuirá decisivamente para esse processo.
 Mas a troco de que o governo interino está propondo medidas tão explosivas?
Em troca de uma suposta redução de um novo indicador contábil inventado pelos banqueiros, chamado de relação dívida bruta sobre PIB.
Não parece pouca vantagem para tamanha destruição de milhões de vidas e famílias?
Parece. Mas é ainda pior do que isso.
A PEC 241 não melhorará nenhum indicador contábil-fiscal.
Pelo contrário, piorará, porque em países grandes como o Brasil esses indicadores só podem ser melhorados por meio do crescimento econômico ou, eventualmente, por uma forte desvalorização cambial.
Se aprovada a PEC 241, o PIB e a arrecadação de impostos não vão crescer. Assim, mesmo que os gastos públicos fiquem estagnados, a dívida não poderá cair. Pelo contrário, em razão dos insanos juros que estão em vigor no Brasil, a dívida continuará aumentando!
 Então quer dizer que o governo interino e o “mercado” ficaram loucos ao propor tal medida?
Não acho que seja isso. De fato, existe um fanatismo de “mercado” que é incapaz de perceber as tendências suicidas do fundamentalismo neoliberal.
Mas esse certamente não é o caso da pragmática cúpula do governo interino. Eles não têm convicções neoliberais, porque não têm convicções.
Essa mesma cúpula, ao promover o maior déficit primário em décadas, já traiu o “mercado” e as próprias promessas neoliberais contidas no documento “Uma Ponte para o Futuro”.
Eles não são tão idiotas irresponsáveis quanto parecem. Acredito que a PEC 241 não seja para valer. Ela é só uma cortina de fumaça para nos distrair, enquanto aprovam o que realmente lhes interessa.
E o que realmente interessa para eles?
1)    A entrega do Pré-Sal às grandes multinacionais norte-americanas
2)    As privatizações a preço de banana, com os inevitáveis pixulecos
3)    A eliminação de direitos trabalhistas, sociais e previdenciários para satisfazer os financiadores do golpe
O governo interino não quer realmente aprovar a PEC 241. Para ele, quanto mais tempo, ficar em discussão no Congresso, melhor. No entanto, ao mesmo tempo, eles têm que mostrar ao “mercado” que estão se esforçando para aprovara PEC rapidamente.
 Isso significa que os grandes tubarões do “mercado” são suicidas?
Não. Eles são tão pragmáticos quanto a cúpula do governo interino.
No momento, os tubarões estão atrás de pretextos, de factoides que provoquem uma euforia compradora das ações, empresas e títulos que eles adquiriram a preço de banana nos últimos dois anos, em razão da crise econômica por eles engendrada pela política de austeridade do Levy.
Ao mesmo tempo, o governo interino está, na prática, se lixando para responsabilidade e austeridade fiscal, pois promove o maior crescimento do déficit primário em décadas. Dessa forma, a PEC 241 é o único álibi que pode justificar algum respeito do atual governo à austeridade fiscal.
Como a mídia e os tubarões venderam ao “mercado” que as ações e títulos caíram de preço porque Dilma não teve “responsabilidade fiscal”, eles só podem criar uma euforia compradora se provarem que ao atual governo é o oposto de Dilma em termos de “responsabilidade fiscal”.
Ora, como todas as evidências mostram que o atual governo está sendo irresponsável e está se lixando para austeridade fiscal, criaram essa PEC 241 para tentar “provar” que são alucinados fundamentalistas do austericídio fiscal.
Por alguns meses, isso há de embalar as histórias de carochinha que a mídia vai contar sobre a conversão da cúpula do governo ao fundamentalismo de mercado e, assim, dar embasamento narrativo à euforia das bolsas, para vender a preços elevados as ações que os tubarões compraram a preço de banana nos últimos 2 anos.
Ao mesmo tempo, distraem o Congresso, a esquerda e o povo, enquanto aprovam o que realmente querem: vender as riquezas nacionais e o patrimônio público a preço de fim de feira, e cortar direitos sociais.
Parece o plano perfeito, mas não estão contando com o despertar do povo do sono profundo em que foi embalado. Um sono regado a ódio político, muita espetacularização de operações policiais, prisões preventivas mal explicadas e vazamentos ilegais de processos judiciais.
Também não estão contando que podem errar a mão e acabar aprovando a PEC 241.
Se isso acontecer, nenhum simulacro de democracia ou de estabilidade sobreviverá.
Quem viver, verá.

[1] Roberto Requião é senador da República em seu segundo mandato. Foi governador do Paraná por três mandato, prefeito de Curitiba e deputado estadual. É graduado em direito e jornalismo com pós-graduação em urbanismo e comunicação. É capitão do Exército Brasileiro, na reserva.