Ministro do TCU aponta que pedágios da época de FHC
são abusivos e quer revisão
Os primeiros contratos de privatização de rodovias brasileiras, celebrados nos anos 1990 – na gestão de Fernando Henrique Cardoso, proporcionam às concessionárias uma rentabilidade de 17% a 24% acima da inflação. O percentual constitui a maior remuneração, comparado aos demais contratos leoninos realizados nesse campo no país, que ao longo dos anos vêm promovendo uma exploração brutal sobre os usuários.A exorbitância nos lucros das concessionárias foi finalmente reconhecida por técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU), que constataram o abuso com a cobrança de um pedágio caro demais.
O debate no tribunal começou em 2007, depois que o governo Lula concluiu a segunda fase do seu programa de concessão, derrubando a chamada taxa interna de retorno de 17% em média para 8,95% no máximo.
Eles propuseram, então, a revisão dos primeiros contratos de concessão, o que levaria a uma redução no valor cobrado dos motoristas. A proposta foi encampada pelo ministro Walton Alencar Rodrigues que, em um parecer apresentado dias atrás, defendeu a revisão das concessões.
O parecer em questão se refere às concessionárias CCR, responsável pela Nova Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro e a Ponte Rio-Niterói; a Concer, que administra a ligação entre Rio e Juiz de Fora (MG); a CRT, que possui direitos sobre a via entre Rio e Teresópolis; e a Concepa, que gerencia trechos da BR-290, no Rio Grande do Sul. Os contratos ainda têm de nove a dez anos, sem qualquer mecanismo de revisão previsto.
A votação não foi concluída porque o ministro Raimundo Carreiro alegou que a revisão da taxa de retorno representaria “quebra” de contrato, levando a uma suposta insegurança jurídica na área que não resistiria a uma análise do poder Judiciário. “As taxas de retorno são realmente muito altas, a melhor alternativa seria rever a situação que prejudica os consumidores”, retrucou o ministro José Jorge.
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