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sexta-feira, 9 de maio de 2014

A guinada de Eduardo Campos


Por Renato Rovai, em seu blog:

Em evento realizado nesta segunda no Hotel Nacional, em Brasília, foi confirmado que a chapa encabeçada por Eduardo Campos e pelo PSB terá como vice Marina Silva. Os candidatos mais uma vez subiram o tom contra o governo Dilma e Campos, que foi ministro de Lula como sua companheira de chapa, criticou a coalizão de partidos e o que chamou de “velha política”.

Mas se hoje, aliado também ao PPS e ao PPL, Campos dispara contra o governo petista, há pouco mais de um ano, quando começavam a surgir boatos sobre sua possível candidatura, ele foi a público garantir que estava ao lado de Dilma, enterrando as possibilidades de candidatar-se à presidência. “Quem pode cuidar do Brasil é Dilma. Nós temos de ajudá-la a ganhar 2013. Ganhando 2013, Dilma ganha 2014. Então a forma de ajudar Dilma é dizer: em 2014 todos nós vamos estar com Dilma”, disse, em dezembro de 2012, à revista Época.

Em Brasília, Campos afirmou que “mais do que um gerente, o Brasil quer uma liderança”, em referência a Dilma Rousseff. Mais uma vez, vê-se que e muita coisa parece ter acontecido desde aquele dezembro de 2012, quando disse à Época: “Ela tem nossa confiança, foi nossa candidata, com quem temos identidade, respeito pelos valores que ela traz para a vida pública. Ela é uma mulher que tem dignidade, tem força de pelejar com seus valores.”




















Ontem, ao lado de Marina Silva, Campos criticou o cenário da disputa eleitoral de 2010. “O discurso era de quem prestava e quem não prestava, era sobre religião… e aí, o Brasil foi perdendo o seu rumo estratégico”. Afirmou ainda que “o Brasil está economicamente estagnado desde 2010”, embora dissesse, em 2012, que “estamos vivendo uma crise sem precedentes lá fora. Essa crise há de gestar outro padrão de acumulação de capital. Outros valores vão surgindo. Com a importância que tem nesse concerto internacional, o Brasil fez, nos últimos anos, alguns avanços importantes”.

Se ontem fez oposição em evento “político-cultural”, já que campanha propriamente dita é proibida até julho, em 2012 pedia à oposição para não adiantar o debate eleitoral de 2014. “Quem é amigo da Dilma, amigo do Brasil, não botará campanha na rua, nem da oposição nem a campanha da Dilma”, dizia, além de exaltar grupos políticos contra quem hoje concorre e alertar para o perigo de simplificação do debate. “Essa disputa entre estes dois blocos que surgiram no processo da redemocratização, um liderado pelo PT – onde sempre estivemos incluídos – e outro pelo PSDB, muitas vezes com posições assemelhadas em relação a determinadas coisas, fez com que o país e o povo ganhassem. Houve conquistas para a população, no ciclo comandado pelo PSDB, e houve equívocos. E houve muitas conquistas no ciclo em que estivemos sob a liderança do presidente Lula. Essas conquistas não estão inteiramente consolidadas. Se a gente eleitoralizar esse momento, se a gente não pensar o país de forma larga, a gente pode se ver como lá no Quincas Borba (romance de Machado de Assis): “Aos vencedores, as batatas”. Mas o que você não pode, num momento como este, dessa importância, é interditar o debate político.”

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