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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

“Racistas controlam a revista Veja”

Altamiro Borges: 

O grupo sul-africano Naspers, que entrou para o controle da Veja há um ano, foi porta-voz do Apartheid durante toda sua existência. De seus quadros saíram D.F. Malan, que tornou lei a segregação racial e mais dois chefes do Estado pária: H.F. Verwoerd e P. Botha


Em matéria intitulada “Racistas controlam a revista Veja”, o jornalista Altamiro Borges denunciou que o grupo Naspers, que foi o porta-voz do regime do Apartheid na África do Sul e de cujos quadros vieram os três primeiros-ministros do regime segregacionista, comprou 30% do controle acionário da Editora Abril, cuja principal publicação é a Veja. Altamiro é membro do Comitê Central do PCdoB e editor da revista Debate Sindical. Seu artigo foi publicado inicialmente no site www.vermelho.org.br.

A manipulação racista da Veja foi exposta por ele. Às vésperas das eleições presidenciais desse ano, a revista Veja – registrou Altamiro – “estampou na capa a foto de uma mulher negra, título de eleitor na mão e a manchete espalhafatosa: ‘Ela pode decidir a eleição’. A chamada de capa ainda trazia a maldosa descrição: ‘Nordestina, 27 anos, educação média, R$ 450 por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro’. O intuito evidente “era o de estimular o preconceito de classe contra o presidente Lula, franco favorito nas pesquisas eleitorais entre a população mais carente”. Como o jornalista assinalou, “a edição não destoava de tantas outras”, nas quais a Veja tem assumido “abertamente o papel de palanque da oposição de direita e destila veneno de nítido conteúdo fascistóide”.

Foi o escritor e editor especial da revista “Caros Amigos”, Renato Pompeu, quem trouxe novos elementos sobre a linha editorial racista dessa revista, no artigo “A Abril e o apartheid”, publicado em agosto de 2006. “O grupo de mídia sul-africano Naspers adquiriu 30% do capital acionário da Editora Abril, que detém 54% do mercado brasileiro de revistas e 58% das rendas de anúncios em revistas no país. Para tanto, pagou 422 milhões de dólares”. Como assinalou Pompeu – e destacou Altamiro – a notícia havia sido publicada nos principais órgãos da mídia, mas não havia sido dada “a devida atenção ao fato de a Naspers ter sido um dos esteios do regime do apartheid na África do Sul”.

A Naspers – Nasionale Pers (Imprensa Nacional) –, criada em 1915, esteve “durante décadas estreitamente vinculada ao Partido Nacional, a organização partidária das elites africâneres que legalizou o detestável e criminoso regime do apartheid no pós-Segunda Guerra Mundial”, afirmou Pompeu. Seu papel no regime segregacionistas foi de tal monta que, como relatou o escritor, dos seus quadros “saíram os três primeiros-ministros do apartheid”. O diretor do seu principal jornal, o Die Burger, D.F. Malan, tornou-se o chefe do governo, de 1948 a 1954, que tornou lei a segregação racial. “Já os líderes do Partido Nacional H.F. Verwoerd e P.W. Botha participaram do Conselho de Administração da Naspers”.

No governo de Verwoerd, iniciado em 1958, ocorreram o massacre de Sharpeville, a proibição do Congresso Nacional Africano (hoje no poder) e a condenação de Nelson Mandela. Já P. W. Botha sustentou o apartheid a ferro e fogo, como primeiro-ministro, de 1978 a 1984, e depois foi presidente até 1989. Invadiu Angola e desenvolveu a bomba atômica em colaboração com Israel.  Acabou forçado a libertar Mandela e a negociar a passagem do poder ao CNA, após uma renhida luta de libertação e do bloqueio internacional ao apartheid.

A Naspers jamais se retratou de seus crimes contra o povo sul-africano. O máximo a que se concedeu foi liberar em setembro de 1997 um pedido de desculpas feito por 127 jornalistas e ex-jornalistas da Naspers, e endereçado à Comissão da Verdade e da Reconciliação encabeçada pelo arcebispo Desmond Tutu. Aliás 127 pedidos individuais. Conforme a Associação Sul-Africana de Imprensa, esses jornalistas “disseram que estavam apresentando suas declarações como indivíduos e não em nome da Naspers ou de qualquer uma de suas publicações”.

O negócio entre os Civita e a Naspers, foi a seguir esquadrinhado por Altamiro Borges. Em 31 de dezembro de 2005 a Editora Abril “tinha uma dívida líquida de aproximadamente US$ 500 milhões, com a família Civita detendo 86,2% das ações e o grupo estadunidense Capital International, 13,8%”. Todas as ações da Capital foram compradas pela Naspers por US$ 177 milhões; mais US$ 86 milhões em ações da família Civita e outros US$ 159 milhões em papéis lançados pela Abril. “Com isso, a Naspers ficou com 30% do capital”. A maior parte do dinheiro foi para as dívidas.

Mas, como assinalou o jornalista, tais “relações alienígenas da revista Veja não são recentes nem se dão apenas com os racistas da África do Sul”. Datam de 1995 os vínculos “com a Cisneros Group, holding controlada por Gustavo Cisneros, um dos principais mentores do frustrado golpe midiático contra o presidente Hugo Chávez, em abril de 2002”, segundo Gustavo Barreto, pesquisador da UFRJ. A Editora Abril possui ainda relações com “o Banco Safra e o norte-americano JP Morgan”, que são “detentores das debêntures (títulos da dívida) da Editora Abril e de seu principal produto jornalístico. Em suma, responsáveis pela reestruturação da editora que publica a revista com linha editorial fortemente pró-mercado e anti-movimentos sociais”.

Altamiro também destacou a função da Veja como “ninho de tucanos”. Emílio Carazzai, por exemplo, hoje vice-presidente de Finanças do Grupo Abril, “foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo FHC”. Outra “tucana influente” é Claudia Costin, ministra de FHC responsável pela demissão de servidores públicos, ex-secretária de Cultura no governo de Geraldo Alckmin e atual vice-presidente da Fundação Victor Civita. Altamiro também denunciou que a Abril doou nas eleições de 2002 R$ 50,7 mil a dois candidatos do PSDB”. O “vestal da ética”, deputado federal Alberto Goldman, recebeu R$ 34,9 mil, e o deputado Aloysio Nunes, ex-ministro de FHC, foi contemplado com R$ 15,8 mil. A empresa dos Civita “também depositou R$ 303 mil na conta da DNA Propaganda”, de Marcos Valério, “que inaugurou um ilícito esquema de financiamento eleitoral para Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB”. “Estes e outros “segre-dinhos” da Editora Abril ajudam a entender a linha editorial racista da revista Veja e a sua postura de opositora radical do governo Lula”, concluiu.

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