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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Mandela e Fidel: o que não se diz


Por Atílio Borón, no sítido da Adital:

A morte de Nelson Mandela precipitou uma catarata de interpretações sobre sua vida e obra, todas o apresentando como um apóstolo do pacifismo e uma espécie de Madre Teresa da África do Sul. 

Trata-se de uma imagem essencial e premeditadamente equivocada, que ignora que após a matança de Sharperville, em 1960, o Congresso Nacional Africano (CNA) e seu líder, exatamente Mandela, adotaram a via armada e a sabotagem de empresas e projetos de importância econômica, mas sem atentar contra vidas humanas.

Mandela percorreu diversos países da África em busca de ajuda econômica e militar a fim de sustentar essa nova tática de luta. Foi preso em 1962 e, pouco depois, condenado à prisão perpétua, que o manteria relegado em uma prisão de segurança máxima, em cela de 2x2 metros, durante 25 anos, exceto os últimos dois anos, nos quais a formidável pressão internacional para conseguir sua libertação melhorou as condições de sua detenção.

Mandela, portanto, não foi um "adorador da legalidade burguesa”, mas um extraordinário líder político, cuja estratégia e táticas de luta foram variando conforme mudavam as condições sob as quais se davam suas batalhas. Diz-se que foi o homem que acabou com o odioso apartheid sul-africano, o que é uma meia-verdade.

Outra parte do mérito cabe a Fidel e à Revolução cubana, que com sua intervenção na guerra civil de Angola selou a sorte dos racistas, ao derrotar as tropas do Zaire (hoje, República Democrática do Congo), do exército sul-africano e dos dois exércitos mercenários angolanos, organizados, armados e financiados pelos EUA através da CIA. Graças a sua heroica colaboração, na qual uma vez mais se demonstrou o nobre internacionalismo da Revolução Cubana, conseguiu-se manter a independência de Angola, sentar bases para a posterior emancipação da Namíbia e disparar o tiro de misericórdia contra o apartheid sul-africano.

Por isso, informado do resultado da crucial batalha de Cuito Cuanavale, em 23 de março de 1988, Mandela escreveu da prisão que o desfecho do que se chamou de "Stalingrado africana” foi "o ponto de inflexão para a libertação de nosso continente, e do meu povo, do flagelo do apartheid”. A derrota dos racistas e seus mentores estadunidenses deu um golpe mortal na ocupação sul-africana da Namíbia e precipitou o início das negociações com o CNA, que, devagar, terminariam demolindo o regime racista sul-africano, obra mancomunada por aqueles dois estadistas gigantescos e revolucionários.

Anos mais tarde, na Conferência de Solidariedade Cubano-Sul-Africana de 1995, Mandela diria que "os cubanos vieram a nossa região como doutores, professores, soldados, especialistas agrícolas, mas nunca como colonizadores. Compartilharam as mesmas trincheiras de luta contra o colonialismo, o subdesenvolvimento e o apartheid... Jamais esqueceremos esse incomparável exemplo de desinteressado internacionalismo”. É uma boa recordação para quem ontem e ainda hoje fala da "invasão” cubana a Angola.

Cuba pagou um preço enorme por este nobre ato de solidariedade internacional que, como recorda Mandela, foi o ponto de inflexão da luta contra o racismo na África. Entre 1975 e 1991, cerca de 450.000 homens e mulheres da ilha passaram por Angola, apostando nisso sua vida. Pouco mais de 2.600 perderam-na, lutando para derrotar o regime racista de Pretória e aliados. A morte deste extraordinário líder que foi Nelson Mandela é uma excelente ocasião para homenagear sua luta e, também, o heroísmo internacionalista de Fidel e da Revolução Cubana.

* Traduzido por Gabriel Brito, do sítio Correio da Cidadania.

Um comentário:

COSTA VERDE/MANGARATIBA/ANGRA/PARATY/ITAGUAI disse...

Conversa iniciada - Sábado
Aylton Mattos
14/12/2013 23:27
Aylton Mattos
OQUE VOCÊS PENSAM A RESPEITO?
Foto
Fotos da Linha do tempo
UMA PSICÓLOGA QUE ASSISTIU AO FILME ESCREVEU O SEGUINTE TEXTO: '...Ver mais
De: Nanci Campos Delgado
Domingo
Novaes Barra
15/12/2013 18:47
Novaes Barra
Ainda que diga verdades, acho o texto acima careta demais. É um texto conservador, de direita, na minha opinião. Apega-se a conceitos rígidos de "certo e errado". Essa passagem: "Devo lembrar aos pais que a morte de Cazuza foi consequência da educação errônea a que foi submetido" mistura as coisas. Então a Aids (e o homossexualismo) é fruto de "educação errada"? Parece o Bolsonaro falando. Porrada no gay que ele se endireita... é isso? Educação rígida de "certo e errado" nele que aí ele vai entender que bebedeiras, drogas e homossexualismo são "errados". Quanta bobagem!
Duas coisas coisas aqui: Uma, o artista Cazuza. Como artista, foi inegavelmente bom. Não o melhor, não alguém que mereça todos os elogios do mundo, mas no cenário da MPB, do rock brasileiro, é autor de belas músicas e belas letras. E a arte de um artista é o que realmente importa. Não importa que o Gonzagão tenha se alinhado com a ditadura, com os generais (elogiou Figueiredo). Importa que era um grande artista popular, estava entre os melhores. A arte dele era "de esquerda" (expressou o sofrimento do sertão como ninguém), mesmo que ele não fosse. Então, o Cazuza podia ser um jovenzinho burguês, adepto às drogas, mas sua música era boa, não fazia nenhuma apologia de bobagens, era romântica (Codinome Beija-flor) e politizada (Ideologia).
Agora, o filme é outra coisa. Não o vi, mas a reação do Lula quando viu já me deu uma ideia do problema. O filme podia mostrar a vida desregrada do Cazuza (e deveria mesmo, pelo menos um pouco, já que é uma obra biográfica), mas não precisava colocar essas características como "positivas", como centrais na trama. Não sei se coloca, não vi. Mas se o faz, mostra apenas o caráter pequeno-burguês do cineasta, que preferiu destacar esses fatos idiotas, visando sensacionalismo, ao invés de focar na arte de Cazuza e no que ela tocava as pessoas.
Resumindo: o artista foi bom, a pessoa (como todos nós) teve seus descaminhos e contradições e o filme, este sim, parece ter sido bem mal feito.