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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Nós pagamos o preço da politicagem americana

afoga


16 de outubro de 2013 | 12:34
Chegamos ao último dia para a solução do impasse sobre a elevação do teto de endividamento público dos Estados Unidos.
Na verdade, ainda tem por lá uma “raspa de tacho” que, como o tacho é grande, ainda permite empurrar o calote por mais uma semana.
Um parêntesis: O impasse por lá é bom para que alguns ingênuos – ou que apenas fingem que são – vejam como. mesmo no país símbolo do presidencialismo, um governante pode ficar prisioneiro do Legislativo, quando lhe falta base parlamentar. É muito “bancaninha” dizer, como fez Marina, que vai “sepultar a velha república”. Eleita presidente vai governar com quem? Vai compor uma base com atendimento de interesses locais, fisiológicos e outros “velhos republicacionismos” ou governará com os bagres?
credoresEnquanto segue aquela pantomima por lá, nós ficamos fazendo papel de bobos por aqui, com decisões paralisadas e, pior, recursos retidos na mortal armadilha do capitalismo financeiro: os títulos do Tesouro americano, no qual  nós – e não apenas nós – temos de manter uma fortuna imobilizada, que nos paga quase nada em juros mas nos custa juros dez ou quinze vezes maiores.
O gráfico  mostra o quanto temos parado por lá, até porque grande reservas em Euro, com a Europa na situação em que está, não é a coisa mais prudente a fazer.
Numa era onde o dólar é o padrão monetário universal e os controles cambiais tornaram-se piores que heresias, estes colchões cambiais são, praticamente, as únicas defesas contra as vazantes provocadas pelo fluxo vazante  da maré de dólares com que os paìses desenvolvidos, com os EUA à frente, inundaram o mundo.
dividaamericanaNo gráfico ao lado, dá para perceber claramente como se tornou gritante o crescimento da emissão de dívida pelos Estados Unidos após a crise de 2008, quando precisou subsidiar empresas e bancos semidemolidos pela crise dosubprime.
“Cria-se” dinheiro, atavés destes títulos,  que vem parar por aqui e e em outros emergentes, empurrando o câmbio para baixo. E a qualquer sinal de que as coisas possam se reequlibrar, ameaçam voltar, e nos obrigam a desaguar nossas reservas no mercado para conter o câmbio e subir os juros para “pagar” por sua permanência.
É provável que os republicanos e democratas cheguem a um acordo nos EUA antes do calote. Mas o mundo parece cada vez mais inclinado a buscar mecanismos de equalização de moedas que terminem com a ditadura cambial do dólar.

Por: Fernando Brito
http://tijolaco.com.br

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