BRASIL PRA FRENTE

BRASIL PRA FRENTE!
O RIO DE JANEIRO DE PÉ PELO BRASIL!





















quinta-feira, 10 de outubro de 2013

General Giap: ousadia e gênio a serviço da libertação do Vietnã


O comandante Giap esteve à frente das forças do Vietnã para expulsar os imperialistas do Japão, França e EUA
O general vietnamita Vo Nguyen Giap, estrategista militar e heróico comandante das forças patrióticas e revolucionárias na expulsão dos invasores norte-americanos em 1975, faleceu aos 102 anos, na sexta, 4 de outubro.
O general Giap - como ficou mundialmente conhecido - também comandou as forças de libertação do Vietnã ao expulsar os franceses vencendo-os na legendária batalha de Dien Bien Phu, em 1954 e atuou ainda no comando militar durante o enfrentamento e expulsão dos japoneses ao final da Segunda Guerra.
O homem que foi chamado pelos seus compatriotas de Ge Luo, que significa Vulcão sob a Neve, teve a sua vida sempre ligada à luta pela libertação nacional, pela revolução, à história da formação e crescimento do Exército Popular do Vietnã, e ao desenvolvimento do país e de seu povo.
Vo Nguyen Giap, vibrante apoiador do comandante do povo vietnamita, Ho Chi Minh, foi encarregado da organização militar que derrotou as forças invasoras imperialistas ianques. Armados até os dentes, as tropas dos EUA assassinaram milhões de trabalhadores e camponeses vietnamitas usando as proscritas bombas de napalm e fósforo branco, incendiando aldeias, numa brutalidade atroz, mas que não conseguiu dobrar um povo decidido a ser livre.
Filho de camponeses, Vo foi preso já muito jovem por organizar em Hue uma manifestação anticolonial. Professor de história e jornalista que não tinha formação militar, Giap uniu-se aos comunistas para atuar na insurgência contra os ocupantes de seu país na década de 1940. Em maio de 1941, fundou, com Ho Chi Minh, a Dong Minh (Liga Vietnamita para a Independência), conhecida como Vietminh, para unir as forças antijaponesas numa frente única de libertação nacional.
Em 1945 já tinha cerca de 10.000 homens sob seu comando e passou à ofensiva contra os japoneses que ocupavam todo o sudeste asiático, derrotando-os.
Em setembro de 1945, Ho proclamou a independência do Vietnã, com Giap como comandante do exército revolucionário.
"A história da luta armada e da edificação das forças armadas no Vietnam é a de uma pequena nação submetida à dominação colonial, que não dispunha nem de um território vasto nem de uma população numerosa, que tinha que lutar, apesar da ausência de um exército regular, no início, contra as forças de agressão de uma potência imperialista, para finalmente triunfar, liberando a metade do país e permitindo-lhe se engajar na via do socialismo. Quanto à política militar do Partido de vanguarda da classe operária vietnamita, ela foi uma aplicação do marxismo-leninismo às condições concretas da guerra de libertação em um país colonial", explicou Giap em uma de suas obras, "Guerra do povo, exército do povo", publicada pela Editora Política em Havana, em 1964, ainda com os EUA ocupando metade do solo de sua pátria.
O general liderou a luta dos guerrilheiros vietnamitas contra a colonização francesa que culminou com sua derrota em Dien Bien Phu (1954), vitória de um povo colonizado, pobre e sob o feudalismo, com uma economia agrícola primitiva, contra um forte exército imperialista sustentado por uma indústria bélica pujante e moderna, os franceses apoiados pelos EUA. Os badalados generais Leclerc, De Lattre de Tasigny, Juin, Ely, Sulan, Naverre, caíram um após outro frente as tropas integradas por soldados patrióticos e camponeses pobres, decididos a dar suas vidas pelo seu pais e pela sua independência. Para preparar o ataque, foram formadas colunas de soldados que transpuseram montanhas, transportando bombas, armamento e munição em lombo de burro, em subidas íngremes e bicicleta através de túneis escavados, por dezenas de milhares, nas encostas.
Como comandante do novo exército popular, Giap dirigiu a luta contra os posteriores invasores norte-americanos que ocupavam e se entrincheiravam no sul do país. O combate se deu sob a forma de guerra de guerrilhas. Quando em meados de 1959, a Frente Nacional para a Libertação do Vietnã (cujos combatentes eram também chamados de vietcongues) destruiu uma base militar em Bien Hoa, ao nordeste de Saigón, foram mortos os primeiros soldados ianques no Vietnã. Depois de haver imposto uma fragorosa derrota aos invasores norte-americanos, na chamada ofensiva do Tet, em 1968, o exército vietnamita desfechou nova ofensiva em 1975, que culminou com a tomada de Saigon (hoje denominada Ho Chi Min) quando o Vietnã foi vitorioso e o país foi reunificado.
A capacidade de surpreender o inimigo era uma de suas características centrais. Foi assim que o general norte-americano, Westmore- land, que chegou a ter sob seu comando 500 mil soldados no Vietnã, declarou, 10 semanas antes da ofensiva do Tet, que "já se podia ver a luz no fim do túnel". A chegada aos EUA, dos milhares de corpos de soldados mortos em combate, e a notícia das derrotas em diversos confrontos no sul do Vietnã, se não logrou, logo na primeira grande ofensiva afastar os invasores, foi o estopim de um poderoso levante contra a invasão do Vietnã, que galvanizou multidões de jovens nos Estados Unidos e no mundo.
A imagem que ficou como símbolo da derrota dos EUA é quando os últimos imperialistas fugiam desesperados, pendurados em um helicóptero, que pousara na laje do prédio da embaixada norte-americana.
Contra os norte-americanos, o general Giap praticou sua concepção da combinação de táticas de guerrilha com poderosos ataques finais e surpreendentes a bases dos ocupantes. Assim foi no ataque à base de Xuan Loc (7 de abril de 1975), após cuja vitória o chefe do governo fantoche no Vietnã do Sul, Van Thieu, renunciou e abriu-se passo para o rápido avanço rumo à principal cidade sob ocupação, Saigon, que foi liberada em 29 de abril.
Giap apontou em 1972: "Nosso país, rico e belo, dotado de muitos recursos naturais, ocupa no sudeste asiático uma posição de importância estratégica e está no cruzamento de vias de comunicação importantes, tanto terrestres como marítimas.(…) Por isso, nosso país foi cobiçado frequentemente por poderosas forças de agressão que acreditavam dominar e explorar a nosso povo, utilizar nosso território como trampolim para sua expansão em diferentes direções" (Giap, "Forças Armadas Revolucionárias e Exército Popular", Hanoi, 1972, Edc. La Rosa Blindada , Buenos Aires).
E acrescentou: "Nosso Partido Comunista, desde seu começo, se atribuiu a missão histórica de dirigir a revolução de libertação nacional numa nova época, inaugurando a mais surpreendente de nossa história, a da independência, liberdade e socialismo. Nunca como agora, nosso povo levou a cabo uma luta tão longa com insurreições armadas e guerras revolucionárias que se estendem a dezenas de anos. Tampouco nunca nosso povo enfrentou como na atualidade agressores tão ferozes, os japoneses, esses poderosos fascistas asiáticos; o imperialismo francês, velha potência colonialista europeia; depois os imperialistas norte-americanos, cabeça do imperialismo, inimigo número 1 da Humanidade".
O general Nguyen Giap com o povo vietnamita, o Partido revolucionário e o Exército popular enfrentou e derrotou essas três forças da barbárie colonialista e imperialista. E foi peça chave na construção de um país unificado, independente e em vias de desenvolvimento socialista.

SUSANA SANTOS

Nenhum comentário: