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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Europa e a prostituta da Babilônia


Corbis / RT
Por Atilio Boron, no sítio Correio da Cidadania:











A prisão e, de fato, o sequestro sofrido por Evo Morales, por 14 horas, em Viena, em sua acidentada viagem de volta de Moscou, mostra claramente que os governos europeus e as classes dominantes, as quais representam e em cujos interesses atuam, são meros servos do Império. Toda a sua fraseologia oca sobre a democracia, os direitos humanos e a liberdade desmorona como um castelo de cartas, com o impacto da proibição que impedia o presidente da Bolívia de sobrevoar o espaço aéreo de alguns países europeus.

Claro, nada disso deveria surpreender, porque se algo comprovaram os sucessivos governos da Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial foi uma vocação irresistível para ajoelhar-se diante do novo mestre imperial e satisfazer o seus menores desejos, mesmo à custa de sua dignidade e vergonha. Nem todos os governos em todo o tempo, é verdade, porque houve algumas exceções: De Gaulle na França, Olof Palme, na Suécia, entre os mais notáveis​​. 

Mas a grande maioria deles obedece cegamente as ordens da Casa Branca para condenar Cuba e participar do criminoso bloqueio a que foi submetida a ilha, por mais de cinquenta anos; consentiram que Estados Unidos e a OTAN, a maior organização terrorista internacional, bombardeassem impunemente o próprio território europeu, a ex-Iugoslávia, sem contar sequer com o amparo legal de uma decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, autorizando essa operação; autorizaram e também foram cúmplices dos voos “secretos” da CIA, em que moveram “presos fantasmas” (ou desaparecidos) de numerosas nacionalidades que estavam em cárceres clandestinos, onde se podia torturar e assassinar com total impunidade esses supostos suspeitos de terrorismo; governantes, por último, foram cúmplices dos inúmeros crimes de guerra perpetrados por Washington em localidades tão diversas como a ex-Iugoslávia, Iraque, Irã, Afeganistão, Líbia e Síria, entre outros mais recentes.

Governos genuflexos, sem qualquer dignidade, que humildemente aceitam que o seu senhor espione e monitore as comunicações de seus órgãos regionais, como a Comissão Europeia, assim como perseguem Julian Assange e Edward Snowden pelo "crime" de terem tornado públicas as violações massivas dos Estados Unidos sobre os direitos individuais. Em suma, a Casa Branca atua com os governos europeus como um empregador sinistro e inescrupuloso com seus indefesos subordinados. E os governos da França, Espanha, Portugal e Itália, por sua vez, atuam como a prostituta da Babilônia, que, segundo narra a Bíblia no Apocalipse (2.17) "com ela fornicaram os reis da terra – leia-se os "capos" de Washington – e os habitantes da terra se embriagaram com o vinho da sua prostituição".

Pela enésima vez, os governos voltaram a se prostituir violando as normas internacionais habituais, que outorgam imunidade aos chefes de Estado e de governo, além das aeronaves (ou qualquer outro veículo) que os transportem. A Convenção das Nações Unidas sobre Imunidades dos Estados e da sua Propriedade, de 2004, inclui essas regras e as amplia, mas infelizmente ainda não está em vigor. Por isso, seria importante para os países da Unasul ratificarem o mais rápido possível, impulsionando sua vigência, já que protege a imunidade soberana, cada vez mais ameaçada pela galopante contraofensiva lançada pelo imperialismo para fazer a América Latina e o Caribe voltarem à situação existente antes da Revolução Cubana. Embora, já se sabe, se há algo que o imperialismo jamais respeita, como evidencia a história e teoriza Noam Chomsky, é a legalidade internacional, seja esta criptografada

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