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domingo, 28 de julho de 2013

Carros vendidos na AL causam o dobro de mortes que os da Europa


Matéria publicada no jornal inglês The Guardian revela que carros vendidos pelas montadoras fora da Europa e dos Estados Unidos são muito mais inseguros
"É no mínimo uma desgraça quando as maiores companhias colo
cam a vida dos consumidores em risco para maximizar lucros", afirma o colunista Jo Confino, do jornal inglês The Guardian, com base nas denúncias publicadas pela organização internacional de testes de segurança em veículos NCAP (sigla de New Car Assessment Programme – Programa de Avaliação de Carros Novos) de que as montadoras negligenciam na segurança dos veículos comercializados fora da Europa e dos EUA.
Segundo as denúncias o resultado disso é que a média de pessoas mortas em acidentes com choques de veículos na América Latina é o dobro das mortes na Europa. No velho continente chega a 13,4 mortes por 100.000 habitantes por ano e na nossa região o número chega a 26.
Como acrescenta o jornalista inglês, na matéria de 24 de julho, "seria ainda pior se as multinacionais discriminassem aqueles que vivem nos países em desenvolvimento para vencer a queda nos lucros em seus mercados tradicionais nos mercados ocidentais, onde este comportamento não seria tolerado. No entanto, é exatamente disto que três das maiores montadoras do mundo estão sendo acusadas por venderem veículos abaixo do padrão na América Latina que não atendem nem mesmo as mais básicas normas de segurança".
Segundo o colunista, a GM, a Renault-Nissan e a Suzuki estão produzindo modelos que nos testes de choque falharam em atingir uma única estrela (a medida de segurança dos carros, segundo estes testes, vai de zero a cinco estrelas, sendo cinco a pontuação máxima em termos de segurança). Estes mesmos modelos, quando produzidos para os mercados europeu e norte-americano, atingem normalmente o escore de quatro a cinco estrelas.
O problema não está restrito a estes carros. Os carros Ford Ka e Fiat Uno (modelo novo), por exemplo, receberam apenas uma estrela.
As denúncias de disparidades se agravaram a tal ponto que presidente mundial da NCAP, Max Mosley, escreveu uma carta para os presidentes das montadoras declarando-se "preocupado de que fracas vendas e lucros em baixa nos mercados tradicionais estejam encorajando as companhias de automóveis a correr riscos desnecessários em termos de segurança nos mercados dos países emergentes".
Ele acrescenta que o fato das exigências nestes mercados serem de grau menor não livra os diretores das montadoras de responsabilidade. Diz Mosley: "A falta de normas nos países emergentes torna muito facial para as companhias produzirem carros que negligenciam a segurança dos consumidores. Se estes diretores sabem que seus produtos não atendem os padrões internacionais de segurança, deveriam ser responsabilizados por isso e devem agir já. As vidas dos consumidores na América Latina não é menos valiosa do que os Europa, Japão e América do Norte".
Sobre a análise dos testes, a NCAP revela que os testes a que foram submetidos os carros Chevrolet Agile, Renault Clio Mio, Nissan Tsuru e Suzuki Alto K10 mostraram que todos estes modelos revelam fragilidades estruturais que apresentam risco inaceitável de morte ou ferimento em situações de choque.
O diretor técnico da NCAP, Alejandro Furas, declarou que "estruturas dos corpos dos carros que se desmontam por cima das pessoas que estão no interior dos carros, trazem consequências fatais ou de ameaça vital nos acidentes no mundo real. Os carros com resultado zero são construídos pelas mesmas companhias que produzem carros seguros que atingem cinco estrelas nos testes e a preços accessíveis para os mercados da Europa e EUA".
Nas cartas, Mosley se refere a estes resultados de forma específica e direta. Na que enviou ao diretor da Nissan, Carlos Ghosn, ele pede à companhia "para que não produzam carros abaixo do padrão"; para ele a proteção dos ocupantes deveria ser preservada e atender "às exigências legais que estão em vigência na Europa e EUA".
Ao diretor da GM, Daniel Akerson, ele descreve que no caso do Chevrolet Agile, "durante o teste de impacto frontal, os bonecos foram submetidos a forças elevadas e a estrutura do veículo se comprovou instável".
Enquanto que a declaração oficial da Nissan destaca que seu carro "atende às normas de segurança dos mercados onde é vendido". De forma similar, o porta-voz da Renault declarou que o Clio tem configuração que "atende às normas de segurança nos mercados onde é vendido, uma vez que airbags não são obrigatórios por estas normas". Mas, a partir de 2014 os Clio vendidos na América Latina terão airbag para o motorista.
Em resumo, para David Ward, secretário geral da NCAP, os modelos oferecidos na América Latina estão 20 anos atrás dos europeus e norte-americanos em termos de tecnologia de segurança.

NATHANIEL BRAIA

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