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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Golpe em tempo real: a marcha do New York Times contra a Venezuela




Por Da redaçãofevereiro 6, 2015 11:29
Golpe em tempo real: a marcha do New York Times contra a Venezuela

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Por Eva Golinger, em RT, traduzido por Diário da Liberdade
Há um golpe de Estado em marcha na Venezuela. As peças estão se encaixando como em um filme da CIA. A cada passo um novo traidor se revela, uma traição nasce, cheia de promessas para entregar a batata quente que justifique o injustificável. As infiltrações aumentam, os rumores circulam como um barril de pólvora, e a mentalidade de pânico ameaça superar a lógica. As manchetes da mídia gritam perigo, crise e derrota iminente, enquanto que os suspeitos de sempre declaram a guerra encoberta contra um povo cujo único crime é ser guardião da maior mina de ouro negro no mundo.
Esta semana, enquanto o New York Times publicou um editorial desacreditando e ridicularizando o presidente venezuelano Nicolás Maduro, qualificando-o de “errático e despótico” (‘O senhor Maduro em seu labirinto’, NYT 26 de janeiro de 2015), um jornal no outro lado do Atlântico acusou o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, a figura política mais destacada do país depois de Nicolás Maduro, de ser um chefe do narcotráfico (‘El jefe de seguridad del número dos chavista deserta a EE.UU. y le acusa de narcotráfico’, ABC.es 27 de janeiro de 2015).
As acusações vêm de um ex-oficial da Guarda de Honra presidencial da Venezuela, Leasmy Salazar, que serviu ao presidente Chávez e foi recrutado pela Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), agora convertendo-se no novo “menino de ouro” na guerra de Washington contra a Venezuela.
Dois dias depois, o New York Times publicou um artigo de primeira página atacando a economia e a indústria petroleira venezuelana e prevendo sua queda (‘Escassez e longas filas na Venezuela após a queda do petróleo’, New York Times 29 de janeiro de 2015). Óbvias omissões do artigo incluíram menção das centenas de toneladas de alimentos e outros produtos de consumo que foram retidos ou vendidos como contrabando pelas distribuidoras privadas e empresas, afim de criar escassez, pânico, descontentamento com o Governo e de justificar a especulação dos preços inflados. O artigo também se nega a mencionar as medidas e iniciativas em curso implementadas pelo Governo para superar as dificuldades econômicas.
Ao mesmo tempo, uma notícia sensacionalista, absurda e enganosa foi publicada em vários diários estadunidenses, em forma impressa e online, que vincula a Venezuela às armas nucleares e um plano para bombardear a cidade de Nova Iorque (‘Cientista é preso nos Estados Unidos por ajudar a Venezuela a construir bombas’, 30 de janeiro de 2015, NPR).
Enquanto que a manchete faz os leitores acreditarem que a Venezuela esteve diretamente envolvida num plano terrorista contra os EUA, o texto do artigo deixa claro que não há nenhuma participação venezuelana no acontecimento. Toda a farsa era uma armadilha criada pelo FBI, cujos agentes pretenderem ser funcionários venezuelanos para capturar um cientista nuclear que uma vez trabalhou no laboratório de Los Álamos e não tinha nenhuma conexão com a Venezuela.
Nesse mesmo dia, a porta-voz do Departamento de Estado, Jan Psaki, condenou a suposta “criminalização da dissidência política” na Venezuela, ao ser consultada por um jornalista sobre a chegada do fugitivo general venezuelano Antonio Rivero a Nova Iorque para pedir o apoio do Comitê de Trabalho das Nações Unidas sobre a detenção arbitrária.
Rivero fugiu de uma ordem de prisão na Venezuela depois de sua participação em protestos antigovernamentais violentos que causaram a morte de mais de 40 pessoas, em sua maioria partidários do Governo e as forças de segurança do Estado, em fevereiro passado. Sua chegada aos EUA coincidiu com Salazar, evidenciando um esforço coordenado para enfraquecer as Forças Armadas da Venezuela, expondo publicamente dois altos oficiais militares – ambos vinculados a Chávez – que se voltaram contra seu Governo e estão buscando ativamente a intervenção estrangeira contra o seu próprio país.
Esses exemplos são só uma parte da crescente e sistemática cobertura negativa e distorcida da situação na Venezuela nos meios de comunicação estadunidenses, pintando uma imagem exageradamente sombria da situação atual do país e retratando o Governo como incompetente, ditatorial e criminoso.
Apesar deste tipo de campanha midiática coordenada contra a Venezuela não ser novidade – os meios de comunicação constantemente projetaram o presidente Hugo Chávez, eleito quatro vezes por uma maioria esmagadora, como um ditador tirano que destruía o país – sem dúvida evidencia que se está intensificando claramente a um ritmo acelerado.
O New York Times tem uma história vergonhosa quando se trata da Venezuela. O Conselho Editorial aplaudiu com felicidade o violento golpe de Estado em abril de 2002 que derrubou o presidente Chávez e resultou na morte de mais de 100 pessoas. Quando Chávez voltou ao poder dois dias depois, graças aos seus milhões de seguidores e as Forças Armadas leais, o ‘Times’ não se retratou por seu erro anterior, mas com arrogância implorou a Chávez a “governar responsavelmente”, alegando que ele era o responsável pelo golpe. Mas o fato de que o ‘Times’ começou uma persistente campanha direta contra o atual Governo da Venezuela, com artigos falsificados e claramente agressivos – editoriais, blog, opinião e notícias – indica que Washington colocou a Venezuela no caminho rápido da “mudança de regime”.
O momento da chegada de Leasmy Salazar em Washington como um suposto colaborador da DEA, e sua exposição pública, não é casual. Neste mês de fevereiro completa-se um ano desde que os protestos antigovernamentais violentamente tentaram forçar a renúncia do presidente Nicolás Maduro, e grupos da oposição estão atualmente tentando ganhar impulso para voltar a desencadear as manifestações. Os líderes dos protestos, Leopoldo López e María Corina Machado, foram elogiados pelo New York Times como “lutadores pela liberdade”, “verdadeiros democratas”, e o Times se referiu recentemente a Machado como “uma inspiração”.
Inclusive o presidente Obama pediu a libertação de López (foi detido e está sendo julgado por seu papel nos levantes violentos) durante um discurso em setembro em um evento nas Nações Unidas. Essas vozes influentes deliberadamente omitem a participação de López e Machado em atos violentos, antidemocráticos e inclusive criminosos. Ambos participaram no golpe de 2002 contra Chávez. Ambos receberam ilegalmente fundos estrangeiros para atividades políticas para derrubar o seu Governo, e ambos lideraram os protestos mortais contra Maduro no ano passado, pedindo publicamente sua queda por vias ilegais.
A utilização de uma figura como Salazar, que era conhecido como alguém próximo a Chávez e um de seus guardas leais, como uma força para desacreditar e atacar o Governo e seus líderes é uma tática de inteligência ‘Old School”, e muito eficaz. Infiltrar, recrutar e neutralizar o adversário desde dentro ou através de um dos seus – uma dolorosa, chocante traição, que cria desconfiança e medo entre as filas. Ainda que não tenha surgido evidência para respaldar as acusações escandalosas de Salazar contra Diosdado Cabello, a notícia na mídia serve para fazer uma história sensacional e cria outra mancha contra a Venezuela na opinião pública. Também causa um grande rebuliço entre os militares venezuelanos e pode dar lugar a novas traições de oficiais que poderiam apoiar um golpe de Estado contra o Governo. As acusações infundadas de Salazar também apontam para neutralizar uma das mais poderosas figuras políticas do chavismo, e tentam criar divisões internas, intriga e desconfiança.
As táticas mais eficazes que o FBI usou contra o Partido dos Panteras Negras e outros movimentos radicais que lutavam por mudanças profundas nos Estados Unidos, foram a infiltração, a coerção e a guerra psicológica. Infiltrar agentes nessas organizações, ou recrutá-los desde dentro, logo quando foram capazes de obter acesso e confiança dos mais altos níveis, ajudou a destruir esses movimentos desde dentro, destruindo-os psicologicamente e neutralizando-os politicamente. Essas táticas e estratégias encobertas foram exaustivamente documentadas e evidenciadas em documentos do Governo estadunidense obtidos através da Lei de Acesso à Informação (FOIA) e publicados no excelente livro de Ward Churchill e Jim Vander Wall “Agentes de Repressão: as guerras secretas do FBI contra os Panteras Negras e o Movimento Indígena Americano” (South End Press, 1990).
A Venezuela está sofrendo a queda repentina e dramática dos preços do petróleo. Sua economia dependente do petróleo foi afetada fortemente e o Governo esta tomando medidas para reorganizar o orçamento e garantir o acesso a bens e serviços básicos, mas o povo ainda está experimentando dificuldades. Diferentemente da representação triste no New York Times, os venezuelanos não morrem de fome, não estão sem moradia ou sofrendo desemprego em massa, como a Grécia e a Espanha experimentaram sob as políticas de austeridade. Apesar de certas carências – algumas causadas pelos controles de divisas e outras por retenção, sabotagem ou contrabando – 95% dos venezuelanos fazem três refeições por dia, uma quantidade que se duplicou desde a década de 90. A taxa de desemprego não chega a 6% e a moradia está subsidiada pelo Estado.
No entanto, fazer a economia venezuelana “gritar” é sem dúvida uma estratégia executada por interesses estrangeiros e seus homólogos venezuelanos, e é muito eficaz. Enquanto a escassez continua e o acesso aos dólares fica cada vez mais difícil, o caos e o pânico aumentam. Este descontentamento social está capitalizado por agências dos Estados Unidos e as forças antigovernamentais na Venezuela que pressionam por uma mudança de regime. Uma estratégia muito similar foi utilizada no Chile para derrubar o presidente socialista Salvador Allende. Primeiro, destruíram a economia, produzindo descontentamento social, e depois os militares foram ativados para derrubar Allende, apoiados por Washington em cada etapa. Para que não esqueçamos o resultado: uma brutal ditadura encabeçada pelo general Augusto Pinochet que torturou, assassinou, desapareceu e obrigou ao exílio dezenas de milhares de pessoas. Não é exatamente um modelo para ser reproduzido.
Este ano, o presidente Obama aprovou um fundo especial do Departamento de Estado de 5 milhões de dólares para apoiar grupos antigovernamentais na Venezuela. Além disso, a Fundação Nacional para a Democracia (NED) financia grupos da oposição venezuelana com mais de 1,2 milhões de dólares e apoia os esforços para minar o Governo de Maduro. Não há dúvidas de que milhões de dólares a mais para a mudança de regime na Venezuela estão sendo canalizados através de outros mecanismos que não estão sujeitos ao escrutínio público.
O presidente Maduro denunciou esses contínuos ataques contra seu Governo e pediu diretamente ao presidente Obama que parasse com seus esforços para danificar a Venezuela. Recentemente, os 33 países da América Latina e do Caribe, membros da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), expressaram publicamente seu apoio a Maduro e condenaram a interferência norte-americana em curso na Venezuela. A América Latina rechaça firmemente qualquer tentativa de corroer a democracia na região e não permitirá outro golpe de Estado na região. É hora de Washington escutar o hemisfério e deixar de empregar as mesmas táticas sujas contra seus vizinhos.
Originalmente publicado no RT - Tradução do Diário Liberdade.

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