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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Não existe Efeito-Estufa” - “Desenvolvimento sustentável, na verdade, é desenvolvimento zero”

, diz Ricardo Felício

Publicado: julho 3, 2012 em Arquivo BFC!Entrevistas e debates
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A Terra não é casa de vidro!
A terra está dentro de uma estufa de vidro? Sem dinâmica atmosférica? Sem perturbações, sem ciclos biogeoquímicos? Sem movimentos de massas de ar?  A ideia da estufa (greenhouse effect) é uma simplificação que distorce a realidade. Propagando erros por onde passa. A afirmação famosa de Ricardo Felício “não há efeito estufa” é comentada por ele mesmo em entrevista dada a Agência de Notícias Universitárias. Mais uma vez derrubando mitos.

 

São Paulo (AUN – USP) – Com essa frase, um dos cientistas mais polêmicos do País põe em dúvida a base de todas as discussões climáticas das últimas décadas. Formado em Ciências Atmosféricas pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP e doutor em Geografia Física pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Ricardo Felício afirma ser discriminado e censurado dentro da própria Universidade devido a suas ideias. “Sou o único professor da USP que não tem computador”, declara. “Tudo aqui eu compro com o meu dinheiro.”
Segundo Felício, todas as teorias do aquecimento global seriam provenientes de modelos numéricos no computador, os quais simulam as condições naturais. O professor afirma que esses modelos não representam fielmente a realidade, pois não simulam o Sol e a atmosfera, apenas os gases do Efeito Estufa, cuja existência ele nega.
Seu maior argumento baseia-se na relativa raridade do CO2 (dióxido de carbono ou gás carbônico), suposto maior vilão na luta contra o aquecimento. Um dos chamados gases traços (nome dado aos menos abundantes), ele apresenta uma concentração aproximada de 0,033% na atmosfera. Segundo o cientista, essa baixa concentração o impede de exercer grande influência climática. Felício contesta a própria idéia de que o dióxido de carbono absorve os raios infravermelhos emitidos da superfície da Terra e reemite parte deles, já que as moléculas do gás se movem, gastando a energia absorvida e transferindo-a aos elementos mais abundantes, como o nitrogênio e o oxigênio, com os quais colidem durante a movimentação. Além do mais, a reemissão se daria para todos os lados, sendo a superfície terrestre apenas um dos alvos. “Isso se o vapor de água, que pega quase tudo [a energia], deixasse”, acrescenta.
Segundo o pesquisador, o que mantém a temperatura da Terra amena não são os gases do Efeito Estufa, mas a atmosfera, que impede mudanças bruscas e violentas baseadas na variação da radiação solar. Para ilustrar o conceito, cita a Lua, que não tem atmosfera e, por isso, apresenta temperatura altamente instável, em torno de 150°C durante o dia e -130°C, à noite. Felício atribui também ao vapor d’água grande influência sobre o clima, muito maior que a do gás carbônico. Segundo ele, entre 25% e 33,33% das trocas de energia terrestres são controladas pelas nuvens.
Uma das maiores evidências que apresenta contra o papel do gás carbônico no aquecimento é o fato de que, durante as duas últimas Eras Glaciais, sua concentração era dez vezes maior que a de hoje. Além disso, ele afirma que a atividade humana responde por cerca de 2% do CO2 do planeta, muito pouco para exercer algum impacto significativo.
Felício desacredita também os dados usados pelo IPCC para provar o aumento da concentração de gás carbônico, vindos, em grande parte, do observatório havaiano de Mauna Loa, próximo ao vulcão homônimo. “Atualmente a concentração de CO2 na atmosfera é a mais baixa da história”, diz. “Oitenta e três por cento dos dados então contaminados pelo vulcão.” Ele vai mais longe e afirma que, em 1820, medições já apontavam valores de 450 ppm (partes por milhão) de CO2, muito antes da proliferação do sistema industrial contemporâneo. Segundo o cientista, para se esquivar disso, “o IPCC afirma que o método de Pettenkofer [usado nessas medições] não vale mais”, mas sem explicar por que o teriam abandonado ou ainda por que o retomaram nas medições atuais, depois de julgá-lo inválido.
O pesquisador aponta equívocos inclusive no trabalho do cientista sueco Svante August Arrhenius, no século 19, para calcular a influência do Efeito Estufa. Arrhenius foi um dos primeiros a responsabilizar o fenômeno pela regulação da temperatura terrestre e, em 1896, afirmou que, sem ele, nosso planeta apresentaria uma temperatura média de -18°C. Porém, segundo Felício, a enorme discrepância entre esse valor e a temperatura média da Lua, é sinal claro de falha nos cálculos. “Lua e Terra são objetos astronomicamente muito próximos”, aponta. Arrhenius, ao usar em suas contas, uma fórmula criada por Stefan-Boltzmann, teria cometido um erro básico ao calcular a raiz quarta da média térmica. “Ele tirou todas essas incidências de energia, fez a somatória, depois, tirou a média e jogou na equação”, explica. Felício diz que, em vez disso, Arrhenius deveria ter tirado a raiz quarta de cada uma das medições, para, depois, calcular a média. “Esse projeto só foi recalculado agora, em 1995”, reporta. “E, aí, chegamos à temperatura efetiva da Terra de -129°C”. Isso, sem a atmosfera.
Outro ponto polêmico de suas teorias diz respeito à deterioração da camada de ozônio, a qual, afirma, sequer existe. Ele define o ozônio como um material altamente reativo, uma forma transitória do oxigênio que depende do Sol para manter-se estável. Portanto, a quantidade de ozônio na atmosfera está em constante alteração e não pode ser medida efetivamente. Por isso, a camada some nos meses de inverno, quando a Antártica (local onde se localizou o atual buraco) não recebe luz solar.
De onde vem todo o apoio recebido por essas teorias, então? Na opinião do pesquisador, do interesse dos países desenvolvidos em retardar o avanço das nações pobres, forçando a adoção de métodos de produção mais caros. “Desenvolvimento sustentável, na verdade, é desenvolvimento zero”, ataca.

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