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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Em sétima alta seguida, Copom eleva taxa Selic para 10,50%


Com a maior taxa de juros do mundo, Banco Central sinaliza mais arrocho em prol dos bancos
O Copom/BC, na quarta-feira, não apenas aumentou os juros básicos pela sétima vez seguida (!), como anunciou que os aumentos de juros vão continuar. Diz o comunicado do BC: “Dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros, iniciado na reunião de abril de 2013, o Copom decidiu por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 10,50% a.a.”.
O impressionante é que um escândalo desses, que implica em aumentar a devastação financeira sobre um país já economicamente paralisado (na verdade, em retrocesso), conte não apenas com a omissão, o que já seria gravíssimo, mas com o apoio da presidente Dilma – e, pelo amor de Deus, que não apareçam elementos obtusos ou cínicos para dizer que não foi ela que aumentou os juros. O BC é parte do governo, sua diretoria não foi eleita para nada, e, quando a presidente Dilma agiu para baixar os juros, em 2011, não é à toa que conseguiu. Nada mobiliza mais a diretoria do BC que a perspectiva do olho da rua, com os banqueiros considerando-os sem utilidade.
A inflação, medida pelo IPCA, aumentou, em 2013, sete centésimos (0,07) em relação à 2012. Este foi o pretexto – o pretexto público dos bancos e outros especuladores - para o sétimo aumento de juros consecutivo.
Há certas coisas, leitores, que, devido à sua total falta de vergonha, não são uma questão de argumentação. Mais parecem destinadas a outros meios de abordagem. Mas já que estamos aqui e temos de escrever sobre o assunto, vejamos o que valem (?) esses sete centésimos para elementos alucinados por se submeter e obter a aprovação de meia dúzia de saqueadores do Erário.
De janeiro a novembro de 2013 (o resultado de dezembro ainda não foi publicado pelo Banco Central), o setor público transferiu aos bancos, sob forma de juros, R$ 224.843.051.195 (224 bilhões, 843 milhões, 51 mil e 195 reais) – o que equivale a 5,15% do PIB, ou seja, da soma de todos os valores criados em mercadorias e serviços pela Nação durante um ano inteiro. Trata-se de uma colossal drenagem do trabalho e das energias dos brasileiros, sem que os bancos tenham feito nada para merecer essa magnitude de recursos públicos, exceto enfiar colaboracionistas no governo ou converter alguns próceres do governo em colaboracionistas - sabe-se lá com que argumentos.
Sucintamente, trata-se de um aumento de +15,45% nas remessas de juros aos bancos em relação ao que foi transferido no mesmo período do ano anterior (R$ 194.760.676.519), o que já era  muito, pois correspondia, na época, a 4,87% do PIB.
Nos dias que antecederam a reunião do Copom/BC que terminou na última quarta-feira, a história de que os juros tinham que ser aumentados pela sétima vez seguida (!!!) porque a inflação de 2013, medida pelo IPCA, ficou sete centésimos (0,07) acima da inflação de 2012 era tão ridícula que até houve, entre os propagandistas entranhados dos juros altos, quem não conseguisse propagá-la. É até divertido ler um “colunista econômico”, desses que pregam que o Brasil só deve existir se for sob um arrocho geral, dizer o seguinte: “Tornou-se assunto o fato irrelevante de que a inflação anual de 2013 foi 0,07 maior do que os 5,84% de 2012. Para quase todos os efeitos, 0,07 É ZERO. Seria igualmente irrelevante que a inflação tivesse baixado a 5,72%, a 'meta' do governo. Uma inflação menor em 12 centésimos faria diferença apenas para uma linha irrelevante de discurso da presidente-candidata. Centésimos não fazem diferença para a política econômica ou para o mundo real do supermercado. São ou deveriam ser apenas fofoca do mundo paralelo de Brasília ('a presidente ficou fula com a alta de sete centésimos').Francamente” (FSP, 12/01/2014).
Não obstante, segundo os editoriais da mídia controlada pelos bancos, os juros tinham que subir porque o Copom/BC foi “derrotado” (sic) pelos sete centésimos: “... está em jogo, mais uma vez, a credibilidade da instituição. (…) a tarefa era conseguir uma taxa menor que a de 2012 (...). Diante do fiasco (...) o Copom deve uma demonstração mais clara de empenho no tratamento da inflação (...) Ao retomar a elevação dos juros em abril de 2013, o Copom começou a recobrar sua credibilidade (…). Mas sua reação, além de tardia, foi insuficiente (…). (...) A credibilidade do Executivo perante as pessoas informadas está obviamente comprometida” (OESP, 14/01/2014).
Essa terrível “falta de controle” dos sete centésimos(cáspite!) foi amplamente despejada também por supostos especialistas na televisão - e por alguns beleguins dos bancos dentro do governo.
Sejamos sinceros: quem foi eleito para governar e se omite ou apoia essa indecência, cujo único sentido é arrancar o couro do povo, saqueando seus recursos - os recursos do Estado e do Tesouro que estão sob a guarda de quem foi eleito - está, em verdade, governando contra o povo.
Os juros básicos, em termos reais, estão subindo desde janeiro de 2013 (cf. Moneyou, “Ranking Mundial de Juros Reais – Jan/14”, pág. 1 – gráfico “Taxa de juros reais projetada e acumulada em 12 meses”). Em 18 de abril, quando o BC começou a aumentar outra vez os juros, a taxa real já estava em elevação há quase três meses, exatamente porque a inflação estava diminuindo. A trajetória do IPCA nos primeiros nove meses do ano foi a seguinte:
Janeiro: 0,86%; fevereiro: 0,60%; março: 0,47%; abril:0,55%; maio: 0,37%; junho: 0,26%; julho: 0,03%; agosto:0,24%; setembro: 0,35%.
O maior aumento a partir de outubro (0,57%), novembro(0,54%) e dezembro (0,92%), apesar de também não ser lá essas coisas, deveu-se, principalmente, à inação do governo diante de setores monopolistas que aumentaram os preços. Para que o leitor tenha uma ideia do problema: segundo o ranking “Valor 1000 ed. 2013”, três redes monopolistas estrangeiras de supermercados – Casino/Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart - tiveram uma receita líquida de R$ 100,839 bilhões; as redes nacionais de supermercados que ficaram mais próximas foram a Sonda e a Angeloni, ambas com uma receita líquida de R$ 2 bilhões. E aqui estamos nos referindo apenas a uma área comercial. O controle do governo sobre esses monopólios externos – que são, inclusive, inimigos raivosos do mercado – é absolutamente nenhum, com as consequências que se sabe sobre a população.
Mesmo assim, a variação do IPCA em 2013 em relação a 2012 foram apenas os sete centésimos que nós já referimos. No entanto, o BC e o resto do governo, com essa suposta base, aumentaram outra vez os juros básicos – o piso dos juros da economia – com o efeito de aumentar também os juros dos financiamentos às empresas e às pessoas, que já estão em órbita.
Evidentemente, o governo sabe que não é devido a inflação alguma que os juros estão sendo aumentados pela sétima vez, com a promessa de continuar aumentando-os daqui a 40 dias. Simplesmente – ou nem tão simples assim - a opção de alguns foi passar-se para o lado dos bancos, fundos e multinacionais em geral, contra a produção, o país e o povo.

CARLOS LOPES
http://www.horadopovo.com.br/

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