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terça-feira, 20 de outubro de 2015

“Política de Levy é samba de uma nota só”

Fernando Ferrari: “Política de Levy  é samba de uma nota só”
Economista criticou politica de juro alto, estagnação e desemprego
O doutor em economia Fernando Ferrari apresentou no Seminário de Pauta do Sindpd a palestra “A Conjuntura Econômica para 2016” na qual apresenta o cenário político e econômico do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.
Para Ferrari, a política adotada pelo atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pode ser comparada a um “samba de uma nota só”. “A previsão de crescimento para o segundo governo da petista é ruim, pois a expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) fique negativo (entre -1,0% a -1,5%); a inflação deve variar entre 6% a 6,5%, a taxa Selic, em 14,25%, e o dólar deve chegar a R$ 4,20. Atualmente, a política brasileira é sustentada pelo tripé metas ficais, inflação e câmbio flexível. Se continuarmos nesse modelo, não vamos chegar muito longe”, avaliou.
Segundo o palestrante, esse cenário econômico de crise vivido pelo Brasil caracteriza-se pelo aumento da inflação, estagnação da atividade produtiva e desemprego em ascensão, que refletem em problemas como descentralização da economia, perda de competitividade devido ao alto custo de produção, aceleração da inflação e escassez de oferta de trabalho. “Entre os anos de 2011 e 2014, o PIB nacional caracterizou-se pela tendência ‘stop and go’, com aumento da inflação, média e acumulada, e aumento da taxa Selic e desemprego, que foi camuflado pelo governo. Tudo isso contribuiu para a explosão da crise econômica e política”, expôs.
De acordo com o economista, “outro ponto negativo foi o controle da valorização do câmbio. Essa volatilidade da taxa de câmbio ora chegou a R$ 1,95 e agora está acima dos R$ 3. Isso cria um ambiente desfavorável para a criação de investimentos. A política monetária tem de controlar a inflação de demanda e se preocupar com o desemprego e intervir no câmbio, além de fazer política industrial, e não setorial”, explica Ferrari.
Economicamente, o ano de 2015 está perdido e o de 2016 semiperdido. Em 2018, se ventos favoráveis soprarem, talvez haja algum tipo de crescimento, afirma o economista. “Os maiores problemas do Brasil estão na desindustrialização, na apreciação cambial e na falta de uma política industrial e tecnológica. A reprimarização da pauta de exportações, ou seja, as exportações estão cada vez mais concentradas em produtos básicos, agropecuários e commodities industriais, em geral, mercadorias de baixa tecnologia. Além disso, surgiram novos países na disputa pelo mercado de commodities, como Índia, Vietnã e países africanos, o que gerou queda nesse segmento de exportação”, frisou.
A tributação de impostos e a ineficiência da máquina pública também foram apontados como agravantes da crise por Fernando Ferrari. “O Brasil é um dos países com os custos tributários mais altos do mundo. A solução para crise é a longo prazo e exigirá uma reforma política, estrutural e tributária. Só com essas mudanças e com um governo estadista que o Brasil poderá voltar a crescer”, finalizou.
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