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domingo, 25 de outubro de 2015

CRÔNICA: BOTA O RETRATO DO VELHO OUTRA VEZ, BOTA NO MESMO LUGAR- PAULO BRANCO FILHO


empregada
Paulo Branco Fillho
Em Ipanema, ali na Vieira Soto, mora Adelaide. Dona Ade, como é chamada pelos companheiros de pôquer, tem uma vida de rainha. Divorciada e sem filhos, depois da separação, passou a viver junto às empregadas naquele apartamento gigante de seis quartos.
O ex-marido, grande empresário do ramo de calçados, deixou-lhe uma pensão gorda, daquelas que ninguém pode reclamar: são vinte e cinco mil reais que batem na conta todo dia cinco. Mesmo com toda mordomia que aquele dinheiro proporciona, Adelaide açoita o ex sempre que pode: “- O muquirana do Adalberto merecia ser depenado. Deveria ter deixado ele sem nada. Mas como sou uma mulher boa, não perderei meu tempo precioso.”.
O tempo de Adelaide realmente é precioso: pela manhã, cuida da beleza: divide-se entre a academia, salão e as sessões de drenagem. À tarde, frequenta o clube com as colegas, onde joga pôquer apostando altos valores. À noite, segundo ela mesma diz, é o turno do glamour: divide-se entre jantares e festas da alta sociedade.
Apesar de nunca ter trabalhado, Adelaide vangloria-se da maneira como administra sua casa. Normalmente é esse assunto que ela costuma abordar na mesa do clube, a fim de demonstrar ser uma pessoa atarefada, de grandes obrigações. O discurso é quase sempre o mesmo: “Para essa gente não pode dar moleza não, tem que cobrar e fiscalizar de pertinho. São moles, não querem trabalhar.” – e conclui sempre com uma pitada de ódio referindo-se a nova lei das empregadas domésticas – “Ai me vem esse partido de bandido e me coloca esse povo nas leis trabalhistas. A gente dá trabalho, dá comida e eles ainda querem mais. Olha, não está fácil não gente!”.
Em casa, no afã de demonstrar autoridade e poder, azucrina a vida das empregadas em tempo integral. Os excessos da patroa fazem com que Marlene e Severina sintam medo de Adelaide. Olham-na sempre com o queixo baixo demonstrando total submissão e subserviência. Realmente acreditam que tudo aquilo que a patroa oferece é o justo, apesar de trabalharem mais horas que a lei permite e terem que dormir no trabalho mesmo querendo e tendo direito de ir para casa. Na verdade, o trauma, o complexo de inferioridade e o medo do passado, faz com que elas queiram apenas conservar o presente, mesmo passando por momentos vexatórios a todo instante.
Mesmo com toda essa rotina de excessos, tudo caminhava sem maiores problemas. Até que no final da tarde de quinta-feira, dona Adelaide fez um anuncio que causou turbulência na cabeça das empregadas: “Quero todas vocês na manifestação de domingo, de uniforme e com máquina fotográfica na mão. Não quero que vocês acompanhem o percurso todo. Tirem algumas fotos, ajudem fazendo número e depois voltem depressa para organizar os comes e bebes. Aqui em casa será o camarote da turma. Vamos derrubar a Dilma e colocar na cadeia Lula e sua turma.”.
Esse anúncio fez uma reviravolta na cabeça das empregadas. As duas amam e idolatram Lula pelo fato do governo dele ter tirado a família da miséria, no nordeste. Além disso, sabem que o PT que enquadrou às empregadas domésticas aos direitos trabalhistas.
Severina tem na sala de sua casa um quadro com o retrato do Lula. Depois dessa ordem, resolveu tirar o quadro com medo da patroa. Porém, ao trair seus sentimentos, caiu em depressão profunda. Está dividida entre as ideias da patroa e a voz que ecoa do seu coração que diz: “Bota o retrato do velho de novo, bota no mesmo lugar”.
E se realmente a história se repetir, assim como Getúlio voltou em 1951, Lula voltará em 2018, nos braços do povo.

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