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sexta-feira, 17 de junho de 2016

Parente continua o processo de privatização da Liquigás


Novo presidente da Petrobrás, disse que manterá o plano de Dilma de vender 100% da subsidiária da Petrobrás para a distribuição de gás de cozinha


A direção executiva da Petrobrás abriu o processo de privatização de 100% da Liquigás Distribuidora S.A., sua subsidiária de engarrafamento, distribuição e comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha. A informação foi repassada pela Petrobrás por meio de nota, na última quarta-feira (15).
A entrega da Liquigás faz parte do plano de desinvestimento anunciado em 2015 e liderado pelo governo de Dilma Rousseff e pela diretoria executiva da Petrobrás. Além da privatização da empresa, estão no pacote de desmonte da estatal a venda de ativos de gás natural a partir da Gaspetro, a parte de transportes da Transpetro, além de campos de petróleo do pós e do pré-sal que continuam a ser leiloados, a preços ínfimos, para empresas estrangeiras.
O plano, iniciado pelo governo da presidente afastada, Dilma, foi mantido pelo também entreguista, o interino Michel Temer, que indicou para a presidencia da estatal, Pedro Parente, conhecido como o “ministro do apagão” do governo FHC.
A Liquigás é a segunda maior distribuidora de GLP do país, com 22,6% do mercado, líder no mercado de botijões de gás de até 13 kg, está presente em quase todos os estados brasileiros, contando com 23 centros operativos, 19 depósitos, 1 base de armazenagem e carregamento rodoferroviário e uma rede de aproximadamente 4.800 revendedores autorizados, ela teve em 2015 um lucro de R$ 114,3 milhões.
DESMONTE
Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo do Estado do Rio de Janeiro (Sitramico-RJ), Ligia Deslandes, “vender a BR, e ativos como a Transpetro, a Liquigás, entre outros, por conta dos momentâneos problemas financeiros do Sistema Petrobrás, é o ‘mote’ defendido pelo mercado, em parceria com a grande mídia, com a desculpa de ‘salvar’ a Petrobrás. Mas, na verdade, por traz dessa pretensa ‘salvação’ da empresa, há um fortíssimo projeto para desmonte da cadeia de petróleo do Brasil, cujo foco está voltado para a venda da BR Distribuidora, da Transpetro e da Liquigás, o que fatalmente nos regredirá à condição de ‘colônia explorada’”.
Ela também destacou que o plano de desinvestimento está diretamente ligado aos ativos que tem menos riscos e que são mais rentáveis para a Petrobrás, e que este desmonte da estatal destrói o parque produtivo nacional e o entrega ao capital estrangeiro.
“Há, por fim, um grande trunfo na escolha desses ativos para privatização. Sabemos que as atividades de exploração e produção de petróleo possuem um alto risco associado e uma necessidade de investimentos e imobilizados de grandes proporções. Mas, no caso da BR, o risco da atividade comercial é baixo, já que o mercado de venda de combustíveis está consolidado e o consumo de derivados do petróleo brasileiro cresceu significativamente nos últimos 12 anos. Por outro lado, o ativo imobilizado estratégico necessário para operacionalizar a BR é reduzido, uma vez que mais de 90% dos seus postos de gasolina são de terceiros. Logo, comprar a BR é um excelente negócio para qualquer investidor estrangeiro que procura, num mercado de distribuição de derivados do petróleo maduro e robusto: baixo risco, alta rentabilidade e quase nenhuma necessidade de investimentos em imobilizados. E, basta replicar essas mesmas questões para entender as verdadeiras intenções em vender a Transpetro, a Liquigás, a Rede de Postos da Argentina/Chile e as térmicas: desmontar o Sistema Petrobrás, com a finalidade de entregar o Brasil definitivamente ao capital estrangeiro.”
Suas maiores concorrentes a Ultragaz (23,11%), do grupo Ultra, Supergasbrás (20,42%), do grupo holandês SHV, e Copagaz (8,19%), do empresário Ueze Zahan, já estão na fila pelo negócio. A Liquigás colocaria qualquer uma destas na liderança isolada do segmento. Mas, como bem conhecemos o caráter destes entreguistas, o bom mesmo é que a nossa Liquigás sejá vendida a uma multinacional.
No último dia 7, a Petrobrás também confirmou o processo de venda de pacotes de térmicas e terminais de importações de gás natural. É sabido que a companhia também mantém negociações com a Brookfield para vender 81% de sua malha de gasodutos das regiões Sul e Sudeste.
ESTRATÉGICA
A Petrobrás comprou a Liquigás da multinacional Agip Petroli, controlada pela italiana Eni Sp.A. (Ente Nazionale Idrocarburi), em agosto de 2004, no primeiro governo Lula. A nacionalização da Liquigás criou uma única empresa verticalizada em todos segmentos do setor de gás de cozinha, ou seja, desde a produção até a distribuição do produto.
Além do fortalecimento da Petrobrás, a nacionalização da Liquigás representou um controle maior por parte do governo neste setor, que é importante para a economia popular, já que representa o acesso da população a um produto de primeira necessidade, e que muitas vezes sofria o boicote das multinacionais, que forçavam o aumento de preços.

CAMILA SEVERO
http://www.horadopovo.com.br/

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