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sábado, 18 de junho de 2016

Hollande ameaça proibir protestos e CGT convoca mais duas jornadas

Um "governo sitiado" pelas manifestações, como a que reuniu 1,3 milhão no dia 13

Pretexto de Hollande é a depredação de hospital infantil por provocadores em Paris, enquanto sua polícia estava ocupada espancando manifestantes pacíficos que repudiavam nas ruas o ‘El Khomri’

Ameaçar banir as manifestações é o sinal de um governo sitiado”, afirmaram na quarta-feira (15) as centrais sindicais francesas CGT, Force Ouvrière, FSU e Solidaires, em repúdio à chantagem do governo Hollande contra os gigantescos protestos que exigem a revogação do decreto-lei que rasga a ‘CLT’ francesa, o assim chamado ‘El Khomri’. No dia 14, Hollande mandou a tropa de choque ‘negociar’ com os trabalhadores, estudantes e aposentados que marchavam pacificamente, enquanto vândalos puderam depredar de paradas de ônibus e lojas, até um hospital infantil.
Em resposta, as centrais sindicais convocaram mais duas jornadas nacionais de luta para os dias 23 e 28 – datas em que, respectivamente, o ‘El Khomri’ irá à discussão no Senado, e da divulgação nacional do resultado do referendo cidadão em curso sobre o decreto-lei, que está sendo encaminhado pelas entidades por todo o país.
A ameaça de Hollande – que seu primeiro-ministro Manuel Valls imediatamente repetiu - foi feita no dia seguinte a uma das maiores jornadas de luta na França contra o famigerado decreto-lei, reunindo 1,3 milhão de pessoas. Há três meses, o brado de “Retira!” tomou conta da França, enquanto a rejeição ao estelionatário eleitoral Hollande bate todos os recordes e o decreto-lei é rejeitado por 75% dos franceses. Valls, em especial, não quer mais protestos em Paris.
O pretexto para a ameaça de Hollande foi a ação suspeita de grupos que realizaram quebra-quebras, sendo que o mais notório deles, após atacar um ônibus que trazia manifestantes, depredou o Hospital Infantil Necker, no qual o órfão do casal de policiais mortos a facadas por um extremista marroquino no dia anterior, uma criança de três anos, está recebendo cuidados.
Um ato típico de provocadores e que, por notável coincidência, propiciou que Hollande dissesse, segundo seu porta-voz Stephane Le Foll, que “num tempo quando a França é a anfitriã da Eurocopa 2016 e quando se defronta com terrorismo, manifestações não podem mais ser autorizadas se a propriedade particular e pública não podem ser salvaguardadas”. “Como isso não está se dando, decisões estão sendo tomadas, caso a caso, para não permitir os protestos”.
Mas, como denunciou a CGT, a atuação da polícia diante da ação dos vândalos foi “arremeter contra manifestantes pacíficos”, acrescentando que “esses atos indiscriminados não têm outro objetivo senão tentar desacreditar o movimento que legitimamente se opôs ao decreto-lei”. O isolamento de Hollande é tal que sequer tem os votos – nem mesmo no seu próprio partido - para aprovar no parlamento o pacote de arrocho, e por isso teve de apelar para decreto-lei.
O presidente da Force Ouvrière, Jean-Claude Mailly, depois de comentar que não entendia como um governo que se diz de esquerda quer proibir manifestações organizadas por sindicatos, acrescentou que, por tal raciocínio, Hollande vai ter de proibir a Eurocopa, “uma vez que lá também há violência” e depredações, lembrando os confrontos de sábado em Marselha entre torcedores ingleses e russos.
“As centrais sindicais estão fazendo sua parte nas manifestações. O que acontece em eventos externos [à mobilização] é de responsabilidade do governo”, afirmou Mailly, denunciando a ação de “desordeiros”.
Nesta sexta-feira, o presidente da CGT, Philippe Martinez, irá se reunir com a ministra do trabalho, que dá nome ao decreto-lei, para exigir a retirada de cinco artigos que são a “espinha dorsal” do monstrengo.
Conforme as centrais, ao estabelecer que o “acordado” em uma empresa – na verdade, imposto com ajuda de pelegos, sob chantagem de demissão ou fechamento – prevalece sobre o que já havia sido conquistado por acordo coletivo por ramo de produção, ou inclusive no Código do Trabalho, o decreto-lei comete a “inversão da hierarquia das normas”, e acarreta uma “corrida para o fundo” em matéria de salários e direitos.
PENEIRA
O decreto-lei também transforma em peneira a lei da jornada de 35 horas semanais, ao permitir sob “condições excepcionais” até 60 horas; facilita as demissões ao reduzir as indenizações – isto é, aumenta o desemprego; reduz o adicional das horas extras de 25% para 10%; e arrocha os jovens, praticamente os deixando de fora da norma do salário-mínimo, razão que explica a enorme mobilização da juventude francesa e a eclosão do movimento NuitDebout.
Mas há outra razão para ser contra o ‘El Khomri’: em boa parte é copiado das leis de arrocho impostas durante o governo Schroeder aos trabalhadores alemães, e inclusive o próprio autor das ‘leis Volkswagen’, Peter Hartz, assessorou durante dois anos Hollande na sua elaboração. Em suma, querem deixar os trabalhadores franceses de tanga para se dobrarem à germanização da Europa que, sob a ocupação que já dura 70 anos, é somente um biombo da sujeição àqueles que, de verdade, mandam em Berlim, por mais arrogantes que sejam as Merkels e os Schäubles - os monopólios ianques.
 
ANTONIO PIMENTA
http://www.horadopovo.com.br/

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