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quarta-feira, 30 de março de 2016

Dilma colhe o que plantou; Temer pensa no dia seguinte


Rompimento do PMDB torna impeachment praticamente inevitável
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA
A decisão do PMDB de romper com o governo, prevista para ser anunciada hoje à tarde em Brasília por aclamação em reunião do Diretório Nacional, torna praticamente inevitável a aprovação do impeachment da presidente da República na Câmara dos Deputados. Também indica que será  provável que o Senado aceite processar Dilma Rousseff por crime de responsabilidade.
Isso significa que Dilma pode perder o poder ao longo do mês de abril.
Como é o maior partido da Câmara e o principal aliado do PT, a saída do PMDB do governo servirá como uma senha para que partidos como o PP, o PSD, o PR e outros sigam o mesmo caminho.
A votação do rompimento por aclamação, acertada num acordo da cúpula do partido, é uma grande derrota de Dilma. O governo não teve força nem para realizar uma votação a fim de delimitar o que lhe restava de apoio na legenda. Provavelmente, muito pouco.
Por outro lado, a aclamação mostra que o PMDB estará unido em torno de um eventual governo Temer. A aclamação foi aceita pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, até ontem o principal aliado do governo. Após reunião ontem com Temer, Renan entregou Dilma às feras.
Sem um mapa de votação, os defensores do impeachment não poderão ter nomes a perseguir num eventual governo Temer. Isso facilitará a migração dos atuais governistas, que estão com Dilma apenas para manter as aparências.
A saída do PMDB indica um colapso político do governo Dilma. Mostra que naufragou sua articulação política.
Para piorar, o ministro Luiz Roberto Barroso disse ontem que o STF não deverá examinar o mérito do crime de responsabilidade do pedido em tramitação na Câmara. Barroso afirmou que isso caberá ao Congresso. Logo, Dilma está na mãos de deputados e senadores que desejam que ela deixe o poder.
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Ganha força Meirelles na Fazenda
O líder do governo no Senado, Humberto Costa, disse ontem que Temer seria o próximo a cair. É sinal de que o PT deverá, a princípio, combater um governo peemedebista.
Mas o PT está muito desgastado. As bancadas do PT na Câmara e no Senado ficariam isoladas numa eventual oposição a Temer, porque já há partidos de oposição no campo governista formalmente dispostos a dar apoio para uma administração que se apresente como de união nacional.
Movimentos sociais e sindicalistas, entidades da base social petista, poderão se opor a Temer. Mas o vice-presidente já tem preocupação com o dia seguinte a uma ascensão ao poder. Há sinais evidentes disso.
O vice-presidente e presidente do PMDB costurou a aclamação e o rompimento com o governo a fim de evitar expor fissuras do partido.
Esteve com Lula no domingo de Páscoa e teve uma conversa franca e cordial. Não foi um encontro de inimigos. No meio da guerra, Lula e Temer deixaram uma ponte. Em qualquer cenário, no de um governo Temer e até mesmo num eventual milagre que salve Dilma, os dois sabem que precisarão dialogar.
Na bolsa de apostas de ministros do eventual governo Temer, Armínio Fraga perdeu força porque o PSDB foi com sede demais ao pote, sobretudo o senador José Serra, já querendo ditar a linha de uma gestão Temer.
Ganhou força nos últimos dias o nome do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para a Fazenda. Meirelles tem laços com Lula, com Gilberto Kassab, foi ministro de um governo petista, elegeu-se deputado pelo PSDB, tem apoio no meio empresarial e seria benquisto pelo mercado.
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A justificar o enorme isolamento político de Dilma, há uma lista quase interminável de equívocos. Dilma se inviabilizou por errar tanto durante tanto tempo. Está colhendo o que plantou. Sempre dinamitou pontes políticas.
A oposição boicotou seu governo. Fato. O PMDB fez jogo duplo. Fato. A Lava Jato feriu Lula e agravou efeitos negativos na economia. Fatos. Esse é o pior Congresso da história do país, cheio de desonestos que julgarão uma presidente honesta. Fato.
Mas foram erros Dilma que a levaram ao atual isolamento político. Ela está colhendo o que plantou.
Não tirou Guido Mantega da Fazenda para fazer uma correção de rumos em agosto de 2013, quando isso já era necessidade evidente e Lula a aconselhou a colocar Meirelles na Fazenda.
Especialista em energia, desorganizou o setor elétrico, o de etanol, a Petrobras.
Economista, ela destruiu a política fiscal, fez política monetária incompetente (juros na Lua) e foi leniente com a inflação durante todo o seu mandato.
Destruiu sua base de apoio no Congresso, mesmo tendo herdado de Lula um número maior de seguidores no Senado e na Câmara. Erros políticos dela permitiram a eleição de Eduardo Cunha para presidir a Câmara.
Comportou-se com arrogância na Lava Jato, achando que só Lula e o PT pagariam o pato. Por método, destratou auxiliares e se recusou a ouvir conselhos. Sempre achou que sabia mais de política, de economia, de saúde, de educação, de naves espaciais do que todos os especialistas.
Boicotou Joaquim Levy. Escolheu Nelson Barbosa no final do ano passado quando Henrique Meirelles havia sido convencido por Lula a aceitar substituir Levy. Jogou fora todas as chances de arrumar a economia. Aceitou uma pressão equivocada do PT e de Lula para voltar a ter uma política econômica que é responsável pela ruína do país. Como diz Renan Calheiros, Dilma furou todas as boias jogadas na sua direção.
A esquerda brasileira precisa ter uma visão crítica em relação aos erros de Dilma se quiser um dia voltar ao poder, caso o impeachment dela se confirme, como é a tendência hoje. Dilma é vítima dos próprios tropeços. Na política, ela teve todo o poder e toda a chance de fazer um bom governo. Realizou uma péssima gestão, com retrocesso até na área social.
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