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terça-feira, 15 de setembro de 2015

“A aguda crise política no Brasil é alimentada por certos interesses econômicos estrangeiros”

Moniz Bandeira: “A aguda crise política no Brasil é alimentada por certos interesses econômicos estrangeiros”
A crise política, na avaliação do historiador Moniz Bandeira, autor de “A segunda guerra fria”, “Presença dos Estados Unidos no Brasil”, entre dezenas de outros publicações relevantes, tem acelerado a crise econômica por diversas razões, como, por exemplo, Operação Lavajato, cujas consequências colocam em xeque atuação de grandes empresas nacionais, criando instabilidades, que produzem associações de interesses antinacionais, internos e externos, contrários às opções geopolíticas feitas pelo governo brasileiro de aliar-se às forças internacionais que contrariam as grandes potências, Estados Unidos e Europa. A criação dos BRICs, Banco Brics, moeda dos Brics, alternativa ao dólar como equivalente monetário global etc, é, certamente, o principal incômodo para Tio Sam.
O modo de atuação de juízes de primeira instância, como o juiz Moro, de Curitiba, de pautar investigações mediante métodos semelhantes aos utilizados por Hitler, pela Gestapo, na segunda Guerra Mundial, como é o caso de delação premiada, por meio da qual são feitas prisões sem dispor de provas concretas, configurando ações aparentemente legais, produz, segundo Bandeira, o que Aristóteles denominou de democracia extremada. Trata-se, nada mais nada menos, de praticar tirania oligárquica, algo semelhante ao que ocorrem nas ditaduras.
Os agentes nacionais de segurança, como a Polícia Federal, financiados, diz Bandeira, pela CIA e DEA, estão deturpando o processo democrático, em meio às dificuldades econômicas, agravando-as. Eles estão favorecendo, com tal atuação extremada, que lança dúvidas sobre sua legalidade, interesses financeiros internacionais, contrários às políticas nacionalistas, ancoradas em melhor distribuição da renda nacional. Contribuem as ações dos agentes policiais de segurança para fortalecimento de associações desses interesses externos com os internos, combinados com ação de uma oposição oportunista, que joga no golpe político, para desestabilizar a presidenta Dilma Rousseff.
Nesse contexto, a decisão da Standard & Poor’S de rebaixar nota de crédito do Brasil, na avaliação de Moniz Bandeira, prejudica as forças produtivas no País, a fim de satisfazer não apenas os interesses externos, mas os internos a eles associados, ligados à geopolítica de Washington, contrária às opções feitas pelo governo brasileiro na cena econômica e financeira internacional, aproximando-se, principalmente, da Rússia e da China, na tarefa de construção dos Brics.  O império norte-americano está profundamente contrariado com orientação nacionalista predominante no Brasil e, também, na América do Sul, ao longo dos últimos doze anos.
A aproximação de Lula de Cristina Kirchner, essa semana, em Buenos Aires, para apoiar candidato nacionalista kirchnerista-peronista, é mais um movimento para que se faça leitura política sobres os propósitos reais que animam a decisão da Standard & Poor’S. Leia abaixo entrevista do historiador à Agencia de Notícias PT (CF).
Os métodos adotados pelo juiz Sérgio Moro para arrancar confissões por meio de delação premiada se assemelham aos praticados pelos fascitas. Levam à extremização da democracia que, segundo Aristóteles,  produz tirania oligárquica. Trata-se de jogo que intensifica a instabilidade política e favorece os que desejam paralisar a economia brasileira e a opção nacionalista adotada nos últimos doze anos por governos que optaram pela melhor distribuição da renda nacional de modo a promover desenvolvimento sustentável. Nada mais incômodo para os interesses do império, diz o historiador.
A entrevista de Cesar Fonseca (CF) com Moniz Bandeira (MB)
CF  A agência Standard & Poor´s rebaixou o grau de investimento do Brasil. O que o senhor poderia falar sobre isso?
MB – O rebaixamento não pode surpreender. Já estava previsto. O que ocorre no Brasil e contra o Brasil é uma campanha de interesses econômicos estrangeiros, devido a vários fatores, entre outras coisas, sua inserção no banco do BRICS, com a Rússia e a China, associada aos interesses políticos domésticos, de uma oposição sem ética, sem compostura, servindo aos interesses antinacionais.
CF – Essas agências de ”risco” estavam envolvidas, nos EUA, em escândalos que levaram à crise 2008 . A própria S&P´s foi condenada recentemente a pagar multa de US 1, 37 bilhão por seus envolvimentos com os escândalos de Wall Street em 2008. Tem moral para fazer avaliação de uma economia com a brasileira?
MB – As agências de risco pertencem aos bancos de investimentos dos Estados Unidos e seus critérios são mais políticos que econômicos. Estão a serviço de especuladores, subordinadas aos interesses econômicos e políticos de Washington e de Wall Street. Tanto isto é certo que, quando houve a reincorporação da Crimeia pela Rússia, logo ocorreu o rebaixamento da nota da Rússia. Isto não significa que não haja no Brasil uma crise econômica, porém ela muito mais agravada pela crise política e institucional, que abrange e envolve a Justiça e o Congresso.
CF – Por trás dessas avaliações haveria uma espécie de pressão para o Brasil adotar uma agenda neoliberal, com abertura econômica ainda maior ao capital estrangeiro?
MB – Não creio. É uma simplificação. É claro, o Brasil está dentro do sistema internacional capitalista, cada vez mais e mais globalizado, e tem de tomar certas medidas ortodoxas, para o reajuste fiscal. Porém, o governo deve necessariamente intervir no câmbio, que constitui forte fator de pressão inflacionária, ao encarecer as importações de matérias primas etc. Há enorme especulação do mercado, devido à apatia do governo, da inexistente reação ante os desfeitos dos especuladores e da oposição. E isso ajuda o enfraquecimento do governo. A questão, portanto, é mais complexa e não apenas econômica. É política, em que interesses estrangeiros se entrançam com interesses domésticos, na oposição. E o governo está na defensiva, o que é muito ruim. A defensiva pode resultar na derrota.
A mim muito me admira como se permite que um juiz do Paraná e a Polícia Federal cometam tantos desmandos, ilegalidades, com prisões arbitrárias de grandes empresários, sem maior comprovação, a desmoralizar não apenas a Petrobras e as empresas estatais, mas também as grandes companhias nacionais, como a Odebrecht, as quais contribuem para a expansão do comércio do Brasil. Os chefes de governo de todos os países sempre promoveram, no exterior, as empresas de seu país. Por que o presidente Lula não podia abrir caminho em outros países para as construtoras nacionais? Quem está por trás de tamanha campanha contra o Brasil? A delação premiada é algo que se assemelha a um método fascista. Isso faz lembrar a Gestapo ou os processos de Moscou, ao tempo de Stalin, com acusações fabricadas pela GPU (serviço secreto).
No Brasil, um juiz determina, a Polícia prende, ameaça processar o indivíduo se não delatar supostos crimes de outrem, e assim, impondo o terror e medo, obtém uma delação em troca de uma possível penalidade menor ou outra dádiva qualquer. Não entendo como se permite que a Polícia Federal atue de tal maneira, ao arbítrio de um Juiz, que nenhuma autoridade pode ter fora de sua jurisdição. A quem servem? Combater a corrupção é certo, mas o que estão a fazer é destruir a imagem do Brasil no exterior e contribuir para outros interesses promovam a especulação econômica e as agências de risco aproveitem para rebaixar a nota do Brasil.
E o Ministério da Justiça, por que deixa que a Polícia Federal pratique tantas prisões arbitrárias, ilegais, sem que os presos tenham culpa judicialmente comprovada? Sinceramente, não entendo essa tibieza. Aqui, na Alemanha, onde moro há 20 anos, não mais seria possível. Só no tempo de Hitler. Aristóteles ensinou que uma democracia extrema podia levar a uma a tirania mais absoluta do que a dos oligarcas. E é o que se vê, atualmente, no Brasil. A tirania exercida por um juiz, abalando a economia e o regime, com a colaboração da Polícia Federal, que reconhecidamente recebe recursos da CIA e da DEA, e da mídia corporativa, em busca de escândalos para atender aos seus interesses comerciais.
CF – O capitalismo financeiro global depende de certas estruturas de dominação- do centro para a periferia. Essas agências de risco são instrumentos de dominação, já que o que decidem tem repercussão na mídia e em fundos de investimentos que as têm como referência?
MB – Claro. O dólar, como única moeda de reserva internacional, guarnecido pela OTAN, é que mantém a hegemonia dos Estados Unidos, que querem continuar como o único centro de poder e é contra essa situação que a Rússia e a China (acompanhadas pelo Brasil, Índia e África do Sul) se rebelam e trataram de constituir um banco, como alternativa ao FMI, instalado em Xangai.
CF – Os Brics podem ser uma alternativa a essa estrutura de dominação que tem como centro Washington?
MB – A aguda crise política no Brasil, alimentada por certos interesses econômicos estrangeiros e políticos domésticos, que não querem a continuidade de um governo popular, tem de ser compreendida no cenário internacional, ao qual o povo brasileiro está alheio. A mídia no Brasil está voltada, como nunca, a produzir escândalos e não dá quase nenhum espaço para as notícias internacionais ou simplesmente reproduzem as agências estrangeiras da Europa e dos Estados Unidos, a refletir os interesses de seus respectivos governos.
CF – O Brasil quebrou três vezes com FHC, as notas das agências de rating na época do governo tucano, inclusive as dadas pela S&P´s , eram bem mais baixas do que as dada hoje ao governo Dilma. Mesmo assim a mídia brasileira coloca o Brasil numa situação de país que estaria à beira de um abismo, embora tenha US$ 370 bilhões em reservas e seja hoje o 4º maior credor dos EUA. Como o senhor analisa esse quadro?
MB – Como disse antes, a mídia mundial, na qual a brasileira, de um modo ou de outro está inserida, é corporativa e atende aos interesses econômicos e políticos, como um instrumento de operações psicológicas, indispensável a toda e qualquer guerra. Em meu livro A Segunda Guerra Fria, eu analiso como atualmente se processam os golpes de Estado, as chamadas “revoluções coloridas” ou “primavera árabe”, com demonstrações instrumentalizadas por ONGs, com agitadores adestrados na estratégia subversiva de Gene Sharp para promover a “cold war revolutionary”, com protestos, demonstrações, marchas, desfiles de automóveis etc., até derrubar o governo, como aconteceu na Ucrânia, no ano passado. O governo brasileiro devia investigar as atividades da USAID e da NED e determinar o registro de todas as ONGs, a origem de seus recursos e gastos.
Fonte: Portal Brasil Popular
http://csbbrasil.org.br/

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