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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Os assassinos de Martin Luther King


JEFFREY ST. CLAIR E
ALEXANDER COCKBURN*
Martin Luther King Jr. foi assassinado há quase 46 anos, quando estava em uma varanda do hotel Lorraine, em Memphis, Tennessee. Atingido por uma bala de rifle na mandíbula. James Earl Ray, um homem branco, foi condenado pelo assassinato a 99 anos. Ray era o pistoleiro.
A denúncia de King sobre a guerra dos EUA no Vietnã, diante de uma multidão de 3.000 pessoas na Igreja Riverside, em Manhattan, ocorreu um ano antes do assassinato. Descreveu a destruição do Vietnã pelas mãos da “arrogância mortal do ocidente”, insistindo que a “América está do lado dos ricos e da segurança, enquanto criamos um inferno para os pobres. Pegam os jovens negros que foram alijados por nossa sociedade e os enviamos a 12,8 mil quilômetros de distância por liberdades no Sudeste Asiático que os soldados não haviam encontrado, nem mesmo, na Geórgia ou no Harlem”.
Os espiões do exército gravaram secretamente o pantera negra, Stokely Carmichael, alertando King: “Os poderosos não se importam com você mobilizando nossos guetos de concentração, mas se você disser a eles que sua máquina de guerra não passa de um bando de assassinos contratados, você terá problemas”. Carmichael estava certo. Depois dos distúrbios de Detroit em 1967, 496 homens negros presos foram entrevistados por agentes do Grupo de Operações Psicológicas do Exército. Descobriram que King era de longe o líder mais popular. Nesse mesmo ano, observando a grande marcha anti-guerra em Washington, outubro de 1967, do teto do Pentágono, o general William Yarborough, vice-chefe da Equipe de Inteligência do Exército, concluiu que “o império se despedaça”. Ele achava que havia poucas tropas confiáveis para combater a guerra no Vietnã e manter a linha em casa.
O Exército elevou a vigilância contra King. Os Boinas Verdes e membros das Forças Especiais do Vietnã começaram a fazer mapas de ruas e a identificar locais para posicionar atiradores nas principais cidades americanas. A Ku Klux Klan foi recrutada pelo 20º Grupo das Forças Especiais, sediado no Alabama, como uma rede de inteligência associada. O Exército começou a oferecer rifles modelo 30.06 para os departamentos de polícia, incluindo o de Memphis. King foi perseguido por unidades de espionagem no início de 1967. Uma unidade dos boinas verdes estava operando em Memphis no dia em que ele foi assassinado. A bala que o matou veio de um rifle modelo 30.06. Os chefes de inteligência estavam cada vez mais histéricos sobre a ameaça de King à estabilidade nacional.
Depois de seu discurso sobre o Vietnã, os principais jornais o criticaram. 15 anos depois, o NYT ainda não aceitava a ideia de feriado nacional em sua homenagem. “Por que não um feriado em homenagem a Martin Luther King?”, perguntou editorial do NYT. “Dr. King, um homem humilde, seria contra dar tanta importância a qualquer indivíduo. Não devemos fazer homenagens singulares se isso diminui outras figuras negras históricas. Dê a um deles um feriado e todos eles vão querer um”.
Poucas horas depois do assassinato de King, eclodem revoltas em 80 cidades. Dezenas, em sua maioria negros, foram mortos. Em 6 de abril as autoridades de Oakland encurralaram as lideranças dos Panteras Negras. Quando um dos líderes mais jovens, Bobby Hutton, surgiu sem camisa e com as mãos ao alto, atiraram nele até a morte. As execuções de Panteras Negras seguiram. Entre as mais famosas está o assassinato de Fred Hampton e Mark Clark, pela polícia de Chicago enquanto dormiam, com a cumplicidade do FBI, em dezembro de 1969.
 
* Publicamos trechos do artigo divulgado pelo site Counterpunch sob título ‘As elites mataram Martin Luther King?’ 
http://www.horadopovo.com.br/
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