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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Em Davos, Meirelles reúne cartel para entregar pré-sal


Ministro oferece como garantia o patrimônio e o couro do trabalhador brasileiro

Equipe econômica se reuniu a portas fechadas com 40 “investidores” no chamado Brasil Business International Group (Big) e 12 vezes com a Shell, Total entre outras múltis do petróleo
Com o lema do governo Temer de “vender o Brasil”, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, se reuniu 12 vezes com presidentes do cartel internacional do petróleo, como os da Shell e da Total, para “vender” o pré-sal, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos. Foi a primeira vez que um ministro dessa pasta participou do referido fórum.
Assim, Temer dá continuidade à política de Dilma, que leiloou em outubro de 2013 o campo de Libra, o maior do mundo, permitindo a entrada da Shell e da Total com o mesmo espaço da Petrobrás (40%) nesse campo.
Na terça-feira (17), o Ministério de Minas e Energia (MME) informou que o governo analisa a realização de mais um leilão no pré-sal este ano, além do aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), previsto para o terceiro trimestre. “O Governo Federal, por meio do MME, estuda a possibilidade de antecipar a terceira rodada de leilão do pré-sal e realizá-la ainda este ano”, disse o MME à Reuters.
A segunda rodada de licitações no pré-sal - composta por quatro áreas com jazidas unitizáveis não contratadas à União denominadas Gato do Mato, Carcará, Tartaruga Verde e Sapinhoá – será realizada sob as novas regras lesa-pátria, aprovadas pelo Congresso Nacional no final de 2016, que retiraram da Petrobrás a condição de operadora única do pré-sal.
SALA FECHADA
Ainda em Davos, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, os ministros Fernando Coelho (Minas e Energia) e Marcos Pereira (Desenvolvimento) e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, se reuniram a portas fechadas, na quarta-feira (18), com mais de 40 “investidores” no chamado Brasil Business International Group (Big). Além do pré-sal e a mudanças na Lei de Partilha, eles procuraram mostrar que a entrega do patrimônio público não terá qualquer restrição para margens de lucros maiores para o capital estrangeiro. 
Meirelles também procurou mostrar que o congelamento de gastos públicos não financeiros, deixando livre os gastos com juros, e as propostas de reforma da Previdência e trabalhista são um atrativo a mais para os bancos e multinacionais.
Participantes de um almoço oferecido pelo banco Itaú, em Davos, disseram que entre os principais questionamentos dos “investidores” foi a reforma da Previdência. A Previdência Social é o segundo maior item do Orçamento da União, com cerca de 23%, logo atrás de juros e amortizações (42,4%). A proposta de reforma da Previdência prevê idade mínima de 65 anos e um mínimo de contribuição de 25 anos. Para um trabalhador se aposentar com benefício integral somente com mais de 70 anos, o que força o trabalhador a migrar da Previdência pública para a Previdência privada, controlada pelos bancos.
Para agradar os monopólios e demonstrar subserviência, Meirelles declarou na Suíça que a economia brasileira ainda é muito fechada e não conseguiu aproveitar os benefícios da globalização. “O que temos de fazer é nos tornarmos competitivos para disputar o mercado global”, afirmou. Haja óleo de peroba. “Competitivos” com a maior taxa real de juros do mundo (7,93%), mesmo com o ensalsado corte nominal de 0,75 ponto percentual? É só comparar: a média das taxas básicas reais de juros das 40 maiores economias do mundo está negativa (-2,0%) e a dos EUA, também (-1,75%). “Competitivos” com um câmbio que facilita a importação? “Competitivos” com uma taxa de juros que trava os investimentos produtivos? Além do que essa falácia da “globalização” só favoreceu, única e exclusivamente, os monopólios, principalmente os de origem dos EUA, notadamente os financeiros, que aumentaram sua rapinagem sobre as economias dos países da periferia do sistema.
O país vive um processo exacerbado de desnacionalização – que está levando à desindustrialização – e o ministro da Fazenda do Temer ainda acha que a economia brasileira é muito fechada. Segundo a KPMG, de 2004 a 2016, simplesmente 2.446 empresas brasileiras foram desnacionalizadas, das quais 1.654 sob a batuta de Dilma/Temer (2011/2016).
A economia está em queda livre, mas Meirelles insiste em afirmar o contrário, dizendo que o Produto Interno Bruto (PIB) vai mostrar a sua força no segundo semestre. Contudo, tem um porém: “Mas isso só ocorrerá mesmo se conseguirmos atrair todos os investimentos que vêm nos prometendo os investidores que temos consultado no exterior. Eles parecem animados com o novo Brasil e precisamos que essa intenção se transforme em realidade”.
Na segunda-feira (16), o Fundo Monetário (FMI) divulgou sua estimativa de crescimento para vários países. O Brasil, segundo esse órgão, deve crescer apenas 0,2% neste ano. Já o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, prevê um crescimento formidável de 0,5%.
VALDO ALBUQUERQUE
http://www.horadopovo.com.br/

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