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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Para Syriza, dívida só pode ser paga com crescimento





  O embate mais difícil será para aliviar a carga da dívida imposta à Grécia, dinheiro que não chegou nem perto de Atenas, e foi direto para os bancos alemães e franceses e os fundos norte-americanos. A proposta do Syriza de renegociação da dívida em termos que sejam compatíveis com a reconstrução grega tem como precedente o acordo de Londres de 1953, em que a dívida alemã foi perdoada em 60% e o país de quebra passou a só pagar anualmente no máximo 5% da receita com as exportações, entre outros benefícios, como a de que controvérsias com os credores eram resolvidas por tribunais alemães. Esse foi o ponto de partida para o assim chamado “milagre alemão” – e lembre-se que era o país que tinha desencadeado a maior carnificina da história.

  Em suma, o que o Syriza está propondo é que a dívida – a parcela que for razoável pagar – seja paga com o crescimento e não com o aumento da miséria e mergulho sem fim na depressão econômica. Mas agora o regime de Merkel diz que o que foi possível em relação à Alemanha egressa do hitlerismo não é cabível aos países europeus do sul sob escorcha. Que não pode haver reestruturação nenhuma da dívida, nada de auditoria da dívida, nada de moratória, apenas apertar ainda mais o cinto e continuar destruindo a Grécia em benefício dos bancos e da especulação desenfreada. Como diz um rock popular na Grécia, “somos colônia de uma colônia maior”.

  Para manter a rapinagem, o regime Merkel ameaça a Grécia com a bancarrota dos bancos gregos após uma corrida aos bancos provocada pelo BCE e cúmplices ou a “Grexit”, a saída forçada da Grécia do euro, o que não é ainda consenso no país. Após a vitória de Tsipras, o governo alemão voltou a fazer ameaças para manter o ditame da Troika. Outros governos se disseram dispostos a “negociar” desde que o arrocho continue, com ajustes cosméticos. Mas o dique começou a trincar, e há outras eleições à frente, na Espanha, Irlanda, Portugal e ninguém sabe até quando Itália e França se agüentam. Um italiano que estava nas celebrações da vitória do Syriza em Atenas, Nicola Comentale, se manifestou confiante de que “é o começo do fim da austeridade na Europa”. “Finalmente, um povo fez sua voz ser ouvida. É um grande, grande momento – não apenas para a Grécia, para todos nós”.

 A.P.
http://www.horadopovo.com.br/

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