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terça-feira, 13 de setembro de 2016

O terrorismo de Washington e as vítimas de quem a mídia não fala



Nas celebrações, em Nova Iorque, dos 15 anos do 11 de Setembro, os menos de 3.000 mortos no ataque voltaram a ser incensados na mídia imperial e mariposas afins no mundo inteiro como se fossem as únicas vítimas no planeta, o que contrasta de forma brutal com a quase permanente falta de indignação quando estas são dos países em que os EUA há mais de um século intervêm, invadem ou pilham, sejam latinos, negros, asiáticos ou muçulmanos.
  À parte o legítimo sentimento de perda de familiares e amigos no episódio – que muitos nos EUA ainda questionam como um “inside job” [trabalho interno] -, a histeria diante do ataque, de parte de um país que acha que pode atacar quem quer que seja, à hora que lhe aprouver, chama a atenção. Como comparação, só as vítimas dos países muçulmanos invadidos ou sob intervenção após o que o infame W. Bush apelidou de “Guerra ao Terror”, ultrapassam os 2 milhões, segundo a Organização Médicos pela Responsabilidade Social. Retrocedendo a linha do tempo para 1990, a cifra chega a 4 milhões.
  Senão, vejamos. A guerra contra a Síria, financiada e armada pelos EUA, e com operações diretas da CIA e do Pentágono, retaguarda da Turquia e dinheiro saudita e do Qatar, já matou 300 mil pessoas e transformou 11 milhões em deslocados e refugiados, um milhão dos quais vaga atualmente pela Europa. A campanha da Otan/EUA que derrubou o governo Kadhafi e transformou o país num caos de bandos jihadistas e traficantes de petróleo a soldo de Washington, causou 50.000 mortos e um milhão de refugiados à espera de um bote.
  A invasão do Iraque provocou 1 milhão de mortos, o que somando aos mortos devido ao bloqueio da década anterior, faz o total pular para 2,9 milhões e 4 milhões de refugiados. No Afeganistão, o total de mortos pode chegar a 3 milhões se consideradas as “mortes evitáveis” não fossem as privações da guerra e ocupação - e 2,5 milhões de refugiados. No vizinho Paquistão, 80.000 mortos. No Iêmen, sob invasão teleguiada de tropas sauditas, coordenada por oficiais ianques, já foram chacinados 10.000, com 3 milhões de deslocados internos. A Somália é um estado falido desde os anos 1990, após ocupação norte-americana, com 258.000 mortos.
  

Naturalmente, não são as burcas ou quem sabe as esfihas que causam a cobiça dos potentados ianques sobre as terras muçulmanas, mas a abundância de petróleo, que um estadista venezuelano chamou de “excremento do diabo”. Na lista do general Wesley Clark, ex-comandante da Otan, de sete países a serem atacados em cinco anos, ainda falta o Irã, e o chamado ‘Comitê de Libertação do Cáspio’ segue operando em tempo integral de olho em estender o caos à Ásia Central.
  TRÊS MILHÕES DE COREANOS
  Antes dessa onda de crimes de guerra, haviam sido os massacres de milhões de pessoas nas guerras contra o povo vietnamita (década de 1960) e o povo coreano (década de 1950) que tornaram os EUA aos olhos dos homens de bem do planeta no pior predador já visto. Mais de 3,0 milhões de coreanos – e 500 mil voluntários chineses - morreram na guerra que acabou em derrota dos EUA. No Vietnã, a heróica luta do povo, com Ho Chi Minh e Giap, fizeram Nixon morder o pó da derrota e bater em retirada. A um custo inaudito: três milhões de vietnamitas mortos, Vietnã, Camboja e Laos devastados.
  Há ainda o bombardeio dos EUA contra a Iugoslávia em 1999, para forçar o país a ser esquartejado até o osso, e com objetivo declarado de privatizar tudo e entregar Kosovo. Antes, em 1992-1996, os EUA impuseram a guerra na Bósnia, com 10.000 mortos.
Na conta dos assassinatos em massa causados por Washington, não podem deixar de figurar os golpes que fomentou na Indonésia (1 milhão de mortos), na Argentina (30.000 mortos), no Chile (40.000 mortos), no Irã, na Guatemala (200 mil mortos nas décadas que se seguiram), Nicarágua (40 mil mortos) e Panamá (10 mil mortos na invasão) – só para citar alguns.
  


Ainda: o apoio à guerra do regime do apartheid contra os países da “Linha de Frente”, que davam suporte ao Congresso Nacional Africano (1,5 milhão de mortos). O suporte aos colonialistas franceses (1,2 milhão de argelinos mortos) e aos generais turcos (dezenas de milhares de curdos mortos, 2 milhões de refugiados). A criação dos terroristas dos tempos modernos via jihadistas pagos pelos sauditas, doutrinados pelos mulás, armados pela CIA e treinados pela inteligência paquistanesa, no Afeganistão, para barrar a revolução popular.
  Mesmo na II Guerra Mundial, uma guerra em que estavam do lado justo, contra o nazifascismo, o caráter deletério do imperialismo ianque não podia deixar de se manifestar, como no bombardeio de Dremen (70 mil mortos) e no terror atômico contra Hiroxima e Nagasaki (240 mil mortos).
  Desde a ascensão imperialista dos EUA no século XIX, o assassinato em massa se tornou sua marca registrada (sem esquecer o genocídio de milhões de índios que Hollywood glamourizou). A conquista das Filipinas causou 100.000 mortos.
  Das “salas de Montezuma às praias de Trípoli”, se seguiriam mais e mais pilhas de cadáveres. No que o mais condecorado general de marines dos EUA, Smedley Butler, descreveria depois como o tempo em que achacava três continentes para os banqueiros de Wall Street, notando que Al Capone tinha de se contentar com “um par de quarteirões de Chicago”. E nessa época, a plutocracia ianque ainda não arrotava que os EUA eram o “país excepcional” a que todos os demais devem obediência.                 A.P.

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