quarta-feira, 29 de julho de 2015

CAETANO VELOSO E GILBERTO GIL CANTAM EM ISRAEL, QUE MATAM O POVO PALESTINO PORQUE O "JABÁ" FOI IRRECUSÁVEL.. (SIC)

Caetano e Gil sobem ao palco em Tel Aviv
Apesar dos alertas de ativistas que lutam contra a ocupação israelense, agressões e segregação contra o povo palestino, incluindo esclarecedoras cartas do compositor e vocalista do grupo musical Pink Floyd, Roger Waters, Caetano Veloso e Gilberto Gil resolveram cantar em Tel Aviv.


Caetano esclareceu, que “Israel é uma democracia” e, portanto, ele Gil não viam motivo para deixar de ir. A produtora do evento, Flora Gil, desembarcou entusiasmada: “Bom dia Tel Aviv, domingão de praia linda”, tuitou.
Chegando lá as organizações que lutam contra a ocupação (em especial a de soldados veteranos israelenses que decidiram denunciar os desmandos dos ocupantes sobre os palestinos, a entidade denominada Quebrando o Silêncio). Os dois viram-se na obrigação de visitar Susyia, aldeia palestina constantemente atacada pelos colonos israelenses na Cisjordânia, acompanhados do ativista Yehuda Shaul da entidade de veteranos.
Ao chegar lá, Caetano declarou, segundo Shaul, que “o poderio militar israelense deveria ser usado para defesa e não como forma de ataque e opressão do povo palestino”. Mesmo assim manteve que não vê semelhança entre o regime de Israel e o apartheid.
Já Gil acrescentou que não seria justo prejudicar os fãs dele e de Caetano por causa de “políticas duvidosas do governo de Israel”. Afinal, o cachê compensa, e os palestinos cujas ‘praia linda’ foram usurpadas, quando Yaffo virou Tel Aviv, não têm condição de bancar a mesma monta.
http://www.horadopovo.com.br/

Denunciar ao mundo o golpe no Brasil



Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

A matéria de capa da última edição da revista Veja ultrapassou qualquer limite aceitável pelas forças políticas progressistas deste país. E quando cito forças políticas progressistas não me refiro, tão-somente, a partidos de esquerda da base aliada, como PT e PCdoB, mas a todos os partidos de esquerda – inclusive os de oposição – e a movimentos sociais.

Apesar de ter sido desmentida publicamente pela defesa do ex-vice-presidente da OAS, Léo Pinheiro, afirmação de Veja de que ele teria autorizado seus advogados a conversar com o Ministério Público Federal para fazer um acordo de delação premiada e, no âmbito desse acordo, apresentar “provas” contra o ex-presidente Lula, a publicação da matéria revela que não há mais o que esperar para as forças democráticas deste país reagirem por meios mais drásticos.

A matéria de Veja foi recebida com frieza pelo resto da grande imprensa devido ao fato de que não passa de matéria requentada. Em sua edição de 27 de abril deste ano, a revista já tinha feito essa afirmação de que Pinheiro iria denunciar Lula. A afirmação não se confirmou assim como a de agora, desmentida prontamente pela defesa do acusado.

Mas as matérias tendenciosas de Veja e do resto da mídia feitas diuturnamente e exclusivamente contra o PT, suas lideranças e seus aliados não são o que dá forma ao golpismo; em várias partes do mundo setores da imprensa comportam-se como partidos políticos. Porém, não encontram ressonância das instituições como acontece no Brasil.

O que configura o golpe político em curso é que, como em qualquer ditadura, a lei passa a ser usada de formas diferentes em situações praticamente iguais, mas com variações de resultados derivadas da orientação política dos envolvidos.

Chegou a hora, portanto, de dizer ao mundo que a democracia brasileira está sendo jogada no lixo e que as instituições estão sendo usadas como armas políticas para derrubar um governo democraticamente eleito.

E não é difícil provar ao mundo o que está acontecendo. Basta mostrar como a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal estão agindo partidariamente, acobertando escândalos envolvendo políticos tucanos e expondo os petistas.

Tomemos o caso das ligações de empreiteiras com políticos petistas e, sobretudo, com o ex-presidente Lula, alvo preferencial de Veja, e do envolvimento delas com políticos tucanos em situações absolutamente idênticas.

Do que se trata a acusação a essas empreiteiras no âmbito da Operação Lava Jato? Havia um cartel que fazia negociatas na Petrobrás pagando propinas a políticos por meio de doações oficiais, entre outras formas de corromper autoridades e ocupantes de altos cargos na empresa.

O que espanta é que as mesmíssimas empreiteiras envolvidas em outros escândalos muito parecidos com o da Petrobrás fizeram altas doações a políticos tucanos e de outros partidos que não o PT, mas, nesses casos, não há uma única ação da grande mídia, do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e muito menos da Justiça no sentido de tratar essas doações como são tratadas as feitas ao PT.

Há alguns meses, surgiu a denúncia de que mais da metade da campanha do governador Geraldo Alckmin (PSDB), ano passado, foi bancada por empresas investigadas por fraudes e formação de cartel em licitações do metrô de São Paulo.

No total, as quatro empresas suspeitas doaram R$ 8,3 milhões, 56% do total arrecadado (R$ 14,7 milhões) pelo tucano.

Três das empresas doadoras já são rés em processos na Justiça: a construtora Queiroz Galvão, a CR Almeida S/A Engenharia de Obras e a construtora OAS S/A.

Executivos de consórcios integrados pela CR Almeida S/A Engenharia de Obras, pela OAS S/A e pela Queiroz Galvão foram denunciados em 2012 por suspeita de fraude e formação de cartel na licitação para ampliar a linha 5-lilás do Metrô de São Paulo. No total, 14 funcionários de 12 construtoras foram denunciados no caso.

Mas não é só. Existe também a denúncia de que sete das nove empresas investigadas na Operação Lava Jato repassaram ao menos R$ 38,9 milhões às campanhas de 19 governadores eleitos e reeleitos. As doações foram feitas pelas UTC, Odebrecht, Queiroz Galvão, Engevix, OAS, Galvão Engenharia e Camargo Corrêa.

Vários executivos dessas empresas estão presos e até hoje não há notícia de que tenha sido levantada uma mínima suspeita contra os governadores que receberam doações dessas empresas em troca de obras em seus Estados.

Confira, abaixo, quem são os governadores que receberam doações das empreiteiras envolvidas no Cartel dos Trens de São Paulo e no Cartel da Petrobrás.


A tese que sustenta essa situação é absolutamente louca: essas empreiteiras fizeram negócios esquisitos com a Petrobrás e, como fizeram doações eleitorais ao PT, a Dilma e contrataram palestras de Lula, todos os petistas e aliados são suspeitos. Porém, essas empresas fizeram negócios com administrações tucanas e desses negócios surgiram escândalos como o dos trens de São Paulo, mas as doações que elas fizeram a Alckmin, por exemplo, não foram postas sob suspeitas.

Isso se dá porque a Operação Lava Jato se auto circunscreveu à Petrobras. É como se corrupção só fosse crime se praticada por petistas e aliados na Petrobrás, mas não fosse crime quando praticada por tucanos e aliados em empresas como o Metrô ou a CPTM.

É óbvio que isso não é possível. É óbvio que a lei está sendo usada de forma diferente de acordo com a posição política das pessoas. E a lei ser usada de uma forma para alguns e de outra forma para outros é a principal característica das ditaduras.

O que há hoje, no Brasil, é uma ditadura da minoria (eleitoral), protagonizada pela grande mídia, pela oposição, por setores mais ousados da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal. Essa ditadura já declara abertamente seus planos para destruir moral e politicamente a maior liderança política do país, o ex-presidente Lula.

Além disso, a economia está sendo destroçada pelo espalhafato das investigações, que deveriam ocorrer em sigilo, mas que têm cada detalhe, cada frase, cada vírgula vazados para a mídia de forma absolutamente seletiva, de modo a incriminar apenas petistas e aliados, poupando opositores do governo federal onde eles são governo, nos Estados e municípios.

Quem acompanha atentamente a política já sabe que é questão de tempo para inventarem algum pretexto para derrubar o governo e, acima de tudo, desmoralizar e, se possível, aprisionar o único grande líder político de esquerda que o Brasil produziu das últimas décadas do século XX para cá.

Não será fácil impedir esse golpe político-institucional. O poder da mídia aliado ao do capital, ao do Judiciário, ao do Ministério Público, ao da Polícia Federal e ao da maioria do Legislativo, é uma força avassaladora. Do lado dos golpeados, só há uma militância combalida, desanimada e alguns movimentos sociais e partidos de esquerda hesitantes.

Isso tudo, porém, não muda o fato de que a democracia brasileira está sendo posta no lixo. Com a destruição política das lideranças de centro-esquerda, os conservadores irão pisotear programas sociais, “precarizar” as relações trabalhistas, dar caráter fascista à legislação penal etc., etc.

Na visão deste Blog, só resta denunciar ao mundo o que está acontecendo no país. Os golpistas podem até tomar o poder por meio dessa vergonhosa manipulação das leis, mas assumirão esse poder sem legitimidade diante da comunidade internacional.

Bastará apresentar ao mundo os fatos supra elencados, com todas as provas pertinentes, para provar que, neste país, as leis e os órgãos de controle do Estado estão sendo usados seletivamente de modo a acobertar alguns e fustigar a outros. Há que exigir observadores internacionais para fiscalizarem o comportamento da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal.

Se a hesitação das vítimas desse golpismo ditatorial persistir, o retrocesso político, institucional e social que o Brasil sofrerá terminará em tragédia, em um levante das massas que serão pisoteadas pelas políticas antipopulares dos futuros novos donos do poder. Guarde estas palavras, leitor.

A estranha história do Almirante Othon, que dedicou a vida à soberania do Brasil




Tijolaço - 29 de julho de 2015 | 00:23 Autor: Fernando Brito 

othon


Fernando Brito 


O Vice-Almirante Othon Pinheiro da Silva, mandado prender hoje por Sérgio Moro, é o mais legítimo sucessor do também Almirante Álvaro Alberto, que pôs em risco a própria carreira para desenvolver o conhecimento brasileiro sobre a energia nuclear e sua aplicação prática.

Othon – como fizera Alberto em 1953, quando conseguiu o apoio de Getúlio Vargas para que o Brasil importasse secretamente centrífugas para enriquecimento de urânio, bloqueadas pelos EUA à última hora – também recorreu a expedientes bem pouco ortodoxos para superar os boicotes,  as dificuldades e a incredulidade e fazer o Brasil dominar o ciclo de enriquecimento do urânio.

Obter para o nosso país o domínio do ciclo da energia nuclear é semelhante ao que fez Prometeu fazendo o fogo deixar de ser privilégio dos deuses do Olimpo.

Desta história, porém, saltam situações muito estranhas.

Othon, hoje com 76 anos, já tocou projetos milionários e até bilionários: além do enriquecimento de combustível nuclear, o projeto brasileiro de submarino, construção de navios, obras de infra-estrutura e muitos outros.

Tem um currículo técnico e operacional invejável, que inclui pós-graduações em engenharia mecânica e nuclear no famosíssimo  Massachusetts Institute of Technology, nos EUA.

Enfrentou, ao longo da carreira, indizíveis pressões norte-americanas contra a absorção de tecnologia nuclear por países de sua zona de influência e resguardou segredos pelos quais, com facilidade, alguém que estivesse disposto a lesar seu país poderia ter vendido por uma pequena fortuna.

Agora, o MP diz que Othon teria recebido R$ 4,5 milhões como vantagens por um contrato aditivo de R$ 1,24 bilhões para a construção de Angra 3. Ou 0,36% do valor.

A Folha publica que sua empresa de consultoria teria recebido, em sete anos, R$ 6,1 milhões.
Isso dá R$ 870 mil por ano.

De faturamento bruto, é menos do que está sendo proposto para a fixação de limite para a classificação como microempresa, segundo o Sebrae.

Muito menos do que alguém com a sua história profissional poderia ganhar com consultoria empresarial no mercado.

Bem menos do que muitos oficiais militares e policiais, depois de aposentados, obtém com empresas de segurança privada.

Ninguém, militar ou civil, está imune a deslizes e se os praticaram devem ser punidos. Como todos devem ter a presunção de que são inocentes e o Almirante Othon sequer foi chamado a explicar os valores faturados por sua empresa de consultoria.

Esta história, construída a partir de um delator de fundilhos sujos que quer livrar sua pele dizendo o que lhe for mandado dizer não pode  ser suficiente para enjaular um homem, muito menos um que tem uma extensa folha de serviços ao país.

As coisas na Operação Lava jato são assim, obscuras e unilaterais, com um juiz mandando prender como alguns militares mandavam prender na ditadura.

É indispensável que o país ouça, como o Dr. Moro não se interessou em ouvir, a versão do Almirante Othon sobre os fatos – se é que existiram – que a Polícia Federal e o MP dizem ter ocorrido.

E é estranho que se tenha escolhido justamente uma área tão sensível como a da energia nuclear para que o Dr. Moro detonasse suas bombas de fragmentação, que ferem e destroem honra e empresas nas áreas mais estratégicas para este pobre Brasil.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Havana em Washington e os EUA nos Brics



Membros das forças armadas da ilha caribenha, hastearam, esta semana, orgulhosamente, pela primeira vez em quase 60 anos, a bandeira da República de Cuba, no mastro frontal de sua nova embaixada em Washington, a capital dos Estados Unidos.
 
Sem ter o que dizer diante da transcendência - histórica - do fato, os hitlernautas que infestam a internet brasileira, com sua deslustrosa ignorância e seu anticomunismo tosco,- tão sutil e tresloucado quanto um paquiderme, ensandecido, solto em um salão de chá - desenvolveram, como fizeram há alguns anos a respeito de Pequim com relação ao capitalismo, a retorcida tese de que Cuba estaria se rendendo aos EUA.
 
Nem Cuba se rendeu aos EUA, nem a China ao capitalismo.
 
Tanto é que, hoje, os quatro maiores bancos do mundo, segundo a lista da Forbes deste ano, não são privados, mas sim, estatais, - e chineses - e o milenar "Império do Meio", sem deixar de ser oficialmente um país socialista, se transformou na maior plataforma industrial do mundo e está prestes a arrebatar dos próprios EUA o posto de primeira economia do planeta.
 
Outra linha de ação da florescente frente antinacional cibernética, é a de dizer que, ao construir o novo Porto de Mariel e sua Zona Especial de Desenvolvimento, em Cuba, o Brasil deixou de investir aqui dentro e fez a cama para que os EUA nela se deitassem.
 
Em primeiro lugar, em benefício, principalmente, da verdade, é preciso dizer que se o BNDES financia obras no exterior - minoritariamente, lembremos, como é o caso do conjunto de contratos internacionais da Odebrecht - para apoiar a exportação de serviços e produtos nacionais - inclusive para os EUA - ele também o faz no Brasil. 
 
E tanto o faz por aqui, que, por mais que se tente ocultar, já foram ou estão sendo construídos - entre obras de “pequeno” porte, como milhões de casas populares - superportos como o de Açu, gigantescas usinas hidrelétricas, como Santo Antônio, Jirau e Belo Monte - a terceira maior do mundo - bases deSUBMARINOS - grandes - depois de décadas sem fazê-lo - refinarias de petróleo, pontes incríveis, em sua engenharia e arquitetura, como a recentemente inaugurada Anita Garibaldi, em Laguna, Santa Catarina, ou a que se estende, majestosa,SOBRE o Rio Negro, em Manaus, no Amazonas, a Transposição do São Francisco,  que em alguns trechos já está passando por testes, além de milhares de quilômetros de rodovias que estão sendo duplicadas, "novos" aeroportos, como o de Brasília, acessos e entrocamentos ferroviários - ampliados e duplicados - como o que a Vale inaugurou na Grande Belo Horizonte na última semana.
 
E em segundo lugar, porque quem vai comandar Mariel - por força de licitação internacional - não é uma empresa brasileira - e nem poderia, já que com certeza qualquer empresa nacional que o fizesse estaria sendo vilipendiada e acusada de todo tipo de crime agora - nem muito menos norte-americana, mas, em um exemplo a mais de que a internacionalização da economia cubana vem de muito antes da reaproximação com os Estados Unidos, do distante arquipélago de Singapura.
 
Na verdade - e não há, como vemos, nenhuma contradição econômica ou estratégica nisso,  o Brasil está sendo muito mais relevante para Cuba para a revitalização de sua agricultura, com a introdução da soja - e os cultivares da EMBRAPA - e da mecanização (exportação de implementos) e da sua indústria açucareira e o do tabaco.
 
E, se formos dar ouvidos aos comentários que enchem as páginas da internet, parece que está fazendo isso por meio de empresas famosas por seu "marxismo-leninismo" como a Souza Cruz, uma companhia controlada - pelos padrões dos fascistas brasileiros de ocasião - pela "bolivarianíssima" e "comunistíssima" British American Tobacco Company, a maior multinacional tabaqueira do mundo, que fabrica um em cada oito cigarros fumados no planeta, dona de 50% da Brascuba, uma empresa binacional, teoricamente cubano-brasileira, que produz a maioria dos cigarros consumidos na ilha e os famosos charutos COHIBA.
 
Cuba não precisa se aproximar dos EUA para "abrir" sua economia, embora possa, com certeza, expandir suas possibilidades, se vier a ter acesso ao maior mercado do mundo, localizado a escassasMILHAS de distância.
 
A ilha já recebe - sem mudar o seu sistema de governo - mais de 3 milhões de turistas estrangeiros por ano. Há dezenas de cadeias hoteleiras de capital espanhol e italiano em Cuba, e a presença parcial - e o interesse - do capital estrangeiro, não necessariamente dos EUA - que deve estabelecer parcerias com o governo para se estabelecer na ilha - é tão importante, que na XXXIII Edição da FIHAV, a Feira Internacional de Havana, do ano passado, compareceram 4.500 expositores de mais de 60 países — aproximadamente 90% deles ocidentais — para a exposição, pelo governo cubano a grandes investidores, de 271 diferentes projetos de infra-estrutura, com investimento previsto de mais de 8 bilhões de dólares.
 
Isso, poucas semanas depois que 188 países tivessem condenado, em votação na ONU, o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba, exigindo pela enésima vez o fim do embargo.
 
Foi essa pressão diplomática, a crescente presença dos BRICS - especialmente do Brasil, da Rússia e da China - em Cuba, e a evidência de que se não tomassem a mesma atitude da grande maioria das nações, estariam se tornando cada vez mais ridículos aos olhos do mundo, que fez com que os EUA reatassem as relações diplomáticas com a ilha, e que a bandeira cubana tenha sido orgulhosamente hasteada, esta semana, em sua nova embaixada na capital norte-americana.
 
Da mesma forma que o Brasil não construiu e financiou Mariel para ajudar o regime cubano, e nem mesmo porque acredita - até mesmo porque vem conversando há anos com os EUA sobre isso - que o fim do bloqueio está cada vez mais próximo. 
 
Mas, principalmente, porque esse porto, beneficiado por uma localização geográfica única, e a profundidade de suas águas, será o mais importante e moderno entreposto de containers a funcionar na boca do novo Canal do Panamá e do futuro Canal da Nicarágua, em instalação pela China, funcionando como o principal, quase obrigatório, centro de transbordo e distribuição de produtos embarcados na Europa, no Extremo Oriente e nas costas atlânticas da África e das Américas, ou que estejam sendo transportados para esses destinos.
 
Uma localização que será, essencial, também, para a instalação de negócios brasileiros na Zona de Desenvolvimento de Mariel. Empresas que estão interessadas em "maquiar", por meio do aproveitamento de um excelente - devido ao câmbio - custo de mão de obra cubana (extremamente bem formada graças ao ensino universal gratuito (do berço à universidade), produtos de consumo fabricados no Brasil. Levando para a ilha insumos e peças feitos majoritariamente em nosso país, por trabalhadores brasileiros, que, depois de terminados e  embalados em Cuba, serão distribuídas, com maior eficiência logística e melhores preços, por meio do porto de Mariel, para o mundo todo, melhorando a competitividade de nossa indústria não apenas frente à China, mas também ao México, também com relação - depois do fim do bloqueio - ao vizinho  mercado dos EUA.
 
O reatamento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos é mais uma evidência da emergência, possível, de um novo mundo, no qual a hegemonia europeia e norte-americana terá, obrigatoriamente, que dar lugar a um multilateralismo pragmático, com mais respeito pela soberania de grandes países como a Rússia, a China, a Índia, e o próprio Brasil, que se situam, na maioria dos quesitos geoestratégicos, entre as principais nações do mundo.
 
Neste novo mundo - mesmo mantendo suas rivalidades geopolíticas, econômicas e militares - deverá se perseguir, cada vez mais, o estabelecimento de um equilíbrio, também possível, no qual países com diferentes formas de governo e variadas abordagens ideológicas dos desafios que devem enfrentar, em benefício do desenvolvimento de seus respectivos povos, competirão em paz pela defesa de seus interesses, cooperando no lugar de apenas pressionar e respeitando - como o Brasil já faz há muito tempo, por força da Constituição - o princípio de não ingerência em assuntos internos de outras nações.
 
É isso que irrita os radicais antinacionais que pululam nas redes e portais da internet brasileira. Se, mais realistas que o rei, em sua patética subserviência aos Estados Unidos, e seu ridículo, anacrônico e baboso anticomunismo, eles estão indignados com o reatamento das relações diplomáticas entre Washington e Havana, chamando Barrack Obama de comunista sujo e de "burro" em seus comentários, imaginem o que fariam se a Alemanha e os EUA viessem a aderir ao BRICS, a aliança estratégica global dos países emergentes - com 17 trilhões de dólares de PIB - que a direita mais rançosa e certos grupos de comunicação brasileiros não perdem a oportunidade de execrar sempre que possível.
 
Por mais absurda que pareça, essa hipótese - independentemente das atuais considerações estratégicas de Pequim, Moscou, Brasília, Pretória e Nova Delhi - já está sendo aventada por muita gente por aí.
 
O jornalista Greg Hunter, ex-ABC News, Good Morning America e CNN, do site USA Watchdog, diz que a Alemanha - levada, também, entre outros fatores, pela espionagem norte-americana da NSA - já estaria secretamente estudando a hipótese de entrar para o BRICS, o que abriria caminho para uma aliança com a Rússia, país que representa, hoje, paradoxalmente, não apenas a maior ameaça militar contra Berlim - em resposta ao cerco da OTAN contra Moscou patrocinado pelos EUA - mas também, a sua maior alternativa de expansão econômica rumo ao Leste, para além do espaço europeu. Esse é uma atitude que também levaria, segundo alguns comentaristas alemães, a uma maior independência do país mais importante da Europa com relação aos EUA, lembrando, o fato, cristalino, de que as únicas tropas estrangeiras que ainda estão ocupando o pais, desde 1945, já não são mais russas, mas Made in USA.
 
Há algumas semanas circula, também, nos Estados Unidos, patrocinada pelo controvertido jornalista norte-americano Lyndon Laroche, uma petição internacional para que a União Europeia e os EUA - em benefício da paz - entrem para o BRICS, com assinaturas que vão de conservadores britânicos a roteiristas premiados e cientistas e professores universitários, cujos principais nomes, a título de curiosidade, coloco logo depois do final deste texto.
 
Laroche lançou até mesmo um livro (foto) cujo título não é outro que: PORQUE OS ESTADOS UNIDOS DEVEM ENTRAR NOS BRICS - Uma nova ordem internacional para a Humanidade.
 
Nada - ao menos por enquanto - mais improvável. Mas com relação à reação - no duplo sentido - dos hitlernautas brasileiros, seria algo - caso viesse a ocorrer - como mostra a sua atitude frente à reabertura da embaixada cubana em Washington - muito  engraçado de se ver.

Ronald Reagan pode, Lula não


Por Maurício Dias, na revista CartaCapital:

No longínquo ano de 1979, ainda sob o regime militar, um jovem jornalista do hoje extinto Jornal do Brasil impresso foi escalado para acompanhar profissionalmente um seminário sobre desenvolvimento noHOTEL Glória, Rio de Janeiro. Lá encontrou Norberto Odebrecht, o patriarca da construtora que leva seu nome. O repórter José Carlos de Assis aproximou-se dele e comentou: “Então, o senhor perdeu a concorrência para construir a hidrelétrica no Chile”.

Aquele homem, sabidamente avesso a entrevistas, ao responder parece que desfez um nó agarrado na garganta: “Com o presidente Ronald Reagan era impossível competir”.

Recentemente, décadas mais tarde, diante da suspeita do Ministério Público Federal de que o ex-presidente Lula teria feito advocacia administrativa, o lobby, em favor da Odebrecht, promovendo projetos da empreiteira no exterior, Assis, o jovem repórter de 36 anos atrás, notabilizado ao longo da carreira por grandes investigações jornalísticas, foi atrás do restante dessa história. 

Ele relata agora: “Aquela era a primeira concorrência internacional disputada pela Odebrecht. O governo da ditadura, sob o comando de João Figueiredo, jogou pesado em favor da empresa. O então ditador fez desembarcar no Chile um grupo de oficiais oferecendo assistência de equipamentos brasileiros antissublevação. Comandava esse pelotão o general Danilo Venturini, chefe da Casa Militar do governo. 

Tendo em vista a simpatia entre as duas ditaduras, a empreiteira brasileira contava com a vitória. Na verdade, na data da concorrência, ela foi declarada vencedora. Seus executivos dormiram naquela noite embalados pela vitória.

Ao despertar do sono tranquilo a realidade impôs a eles um pesadelo. Tudo havia sido revertido. Na calada da noite, o presidente norte-americano Ronald Reagan, que acabara de ser eleito, mas não tomara posse, telefonou para o general Augusto Pinochet, comandante do regime militar chileno. 

Reagan falou ao feroz ditador chileno a respeito da política de direitos humanos adotada pelo presidente Jimmy Carter. Garantiu que com ele seria diferente. No decorrer da conversa, Reagan tocou em outro ponto importante. Havia uma empresa, a Atkinson, na disputa da concorrência para a construção da hidrelétrica. Seria muito interessante para o início do seu mandato se os americanos ganhassem. 

Reagan levou a taça. Assim acabou com a política de direitos humanos adotada pelo antecessor dele na Casa Branca. Conforme havia prometido, cumpriu.

O episódio desnuda a iniciativa do Ministério Público Federal contra o ex-presidente Lula. Uma construtora com obra no exterior abre o mercado local para equipamentos brasileiros, promove a contratação de técnicos e engenheiros especializados. Gera divisas e favorece, enfim, o aumento de relações econômicas e culturais.

Há uma diferença entre a advocacia administrativa e a advocacia soberana, para a qual Assis chama a atenção. Isso foi desconhecido por ignorância ou por má-fé?

'Veja', Merval e a patifaria na mídia


http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
Por Jeferson Miola, no site Carta Maior:

O lixo semanal da revista Veja traz na capa um close do rosto desfigurado do Lula com uma chamada ameaçadora: “A vez dele”. No subtítulo, faz alusão a supostas revelações do empreiteiro da OAS, que incriminariam Lula. De sobremesa, a revista oferece uma chanchada: “como o filho Lulinha ficou milionário”. 

A Veja não surpreende; iludidos são aqueles seres humanos de boa fé que ainda se surpreendem com a vilania daquela revista. A Veja apenas ensina que a patifaria, o ódio e o desprezo de classe não têm limites.

Empregando linguagem asquerosa, a revista investe contra Lula com um desrespeito inaceitável a um ex-Presidente. Em qualquer democracia, ensejaria à prisão pelo crime de ofensa à honra: “Léo [Léo Pinheiro, da OAS] e Lula são bons amigos. Mais do que por amizade, eles se uniram por interesses comuns. Léo era operador da empreiteira OAS em Brasília. Lula era presidente do Brasil e operado pela OAS. Na linguagem dos arranjos de poder baseados na troca de favores, operar significa, em bom português, comprar. Agora operador e operado enfrentam circunstâncias amargas”.

O empreiteiro desmentiu a revista, que ainda assim manteve a circulação.

A atuação partidária da Veja não é novidade. Para a revista, ter status de 'empresa de comunicação' serve de fachada para o crime”. A quatro dias da eleição de outubro de 2014, Veja antecipou em dois dias seu lixo semanal trazendo na capa Dilma e Lula em close e a chamada “Eles sabiam de tudo” [sic], com um subtítulo espalhafatoso baseado em suposto depoimento do doleiro-criminoso Youssef.

Tanto antes como agora, a revista não baseia suas infâmias em fatos concretos, mas simplesmente em mentiras e elucubrações que satisfazem a obsessão patológica de desmoralizar Lula, Dilma e o PT.

Não é só a Veja que usa a “liberdade de expressão” como álibi para a prática criminosa. Este é o método da mídia oposicionista e seus servos ideológicos. Merval Pereira, do jornal O Globo, é um praticante contumaz dessa técnica. Na coluna de sábado 25.07 [“O diálogo inviável”] Merval perpetrou um repertório de acusações que decerto lhe foi servido pelo seu colega FHC no chá da tarde na Academia Brasileira de Letras:

*****

“... o PT revelou-se um partido que adota meios corruptos para fazer política, e usa o Estado para financiar seus esquemas, com o objetivo de dominar a máquina pública pelo maior tempo possível;

o PT ... é, até que se prove o contrário, o único [Partido] que sequestrou o Estado brasileiro para montar um esquema de domínio político na tentativa de se perpetuar no poder;

... o PT inaugurou uma nova fase da corrupção brasileira, muito mais danosa à democracia por que se alimenta da própria máquina do Estado para continuar dominando-a indefinidamente;

... para, através do desvio de recursos do Estado brasileiro, controlar a vida partidária nacional e desvirtuar o sistema de coalizão partidária através de distribuição de verbas ao Legislativo, envenena o nosso sistema democrático, desmonta a convivência harmônica entre os Poderes da República, quebra o sistema de pesos e contrapesos próprio da democracia representativa;

Como partido organizado e bem comandado, o PT transformou a roubalheira generalizada em instrumento de controle político. O que mudou nos anos petistas é que a roubalheira nas principais áreas do governo foi monopolizada pelo esquema político que almeja a hegemonia. Sem mudar essa postura diante da democracia, não há razão para a busca de um diálogo”.

*****

O Presidente Lula nomeou diretamente dois presidentes da Petrobrás – José Eduardo Dutra e Sérgio Gabrielli. A Presidente Dilma nomeou Maria das Graças Foster e Aldemir Bendine. Durante os 16 meses de frenético espetáculo jurídico-midiático da Operação Lava Jato que começou em março de 2014, nenhuma autoridade da Petrobrás designada diretamente por Lula e Dilma estão indiciadas ou são suspeitas.

As pessoas da própria Petrobrás implicadas na corrupção, como se sabe, são cinco ou seis funcionários de carreira de uma empresa que tem no seu quadro funcional quase 250 mil empregados.

Entre os outros mais de sessenta envolvidos no escândalo que foram arrolados até o momento pelo Judiciário, apenas um deles é do PT, o ex-tesoureiro. Os demais são empresários, lobistas, consultores, doleiros, além de agentes políticos que pertencem ao PMDB, PP, PSB, PSDB e que representam a maioria dos políticos implicados.

Apesar disso, o espetáculo jurídico-midiático promove intencionalmente uma narrativa desequilibrada e desproporcional para desmoralizar o PT.

Merval precisa comprovar a materialidade das imputações feitas ao Partido. Elas são de tal gravidade que, se verdadeiras, implicariam na proscrição de qualquer organização com as características por ele arroladas. Caso o colunista da Globo não comprove suas palavras levianas, não resta outro caminho que não um processo judicial pela ofensa desferida a quase um milhão e seiscentos mil pessoas filiadas ao PT.

Para a revista Veja, o caminho é o mesmo, e deve começar pela apuração do crime cometido na véspera do segundo turno eleitoral de 2014, até hoje sem resultados conhecidos.

Nunca antes na história do Brasil o ambiente esteve tão intoxicado pelo reacionarismo e por práticas fascistas que difundem ódio e intolerância. É essencial agir-se urgentemente contra essa realidade usando os remédios da democracia, das leis e da Constituição.

O Google e a manipulação midiática


Por Mauro Santayana, em seu blog:

Quando as grandes empresas de internet surgiram, nascidas nas universidades, e não nos grandes grupos de comunicação que já existiam, houve esperança de que elas viessem a contribuir para a consolidação de um ambiente de produção, publicação e troca de informações realmente livre.

Um novo espaço que privilegiasse o indivíduo no lugar do Sistema, ajudando-o a libertar-se do deletério domínio da mídia tradicional, umbilicalmente ligada, de parte a parte, por milhares de tentáculos, aos maiores grupos empresariais privados, que, no mundo inteiro, e em cada país, trabalham para manter o status quo e defender seus interesses, entre eles o de continuar - mesmo depois do surgimento da Rede Mundial de Computadores - a manipular e a explorar, do nascimento à morte, o homem comum.

WEBSITEmais visitado do mundo, e a marca mais valiosa do planeta, com aproximadamente 25.000 funcionários, um enorme faturamento e bilhões de usuários, o Google parecia ser uma dessas empresas, voltada, como rezava a missão inicial do “navegador” criado por Larry Page e Serguey Bryn, para “tornar a informação mundial universalmente útil e acessível.”

A primeira impressão, era a de que o Google buscava, ao menos aparentemente, uma aura de identificação e comprometimento com os “melhores” valores, que se refletia no lema “dont be evil” - “não seja mau”, e outros slogans relacionados de sua “filosofia corporativa”, como “você pode ganhar dinheiro sem fazer o mal”, ou “você pode ser sério sem um terno”.

Uma impressão reforçada - teoricamente - pelo fato do Google não perder uma oportunidade de declarar seu “marcante” comprometimento com a neutralidade da internet, como diz, quase sempre, seu vice-presidente e “Chief Internet Evangelist”, Vint Cerf, quando afirma que “não se pode permitir que os provedores de acesso controlem o que as pessoas vêem e fazem online.”

No entanto, o Google, além de ter tido problemas em vários países do mundo no quesito privacidade, sempre esteve estreitamente ligado à comunidade de informações norte-americana, como revelaram jornais como o The Huffington Post , no ano passado, reproduzindo e-mails divulgados pela Al Jazeera America, trocados entre o Presidente da NSA (Agência Nacional de Segurança) dos EUA, o general Keith Alexander, o Presidente do Google, Erick Schmidt, e um dos seus fundadores, Serguey Bryn, nos anos de 2011 e 2012.

Afinal, porque o Google - em uma excelente jogada de relações públicas - por meio do seu presidente Erick Schmidt - fez questão de receber na sede da empresa a Presidente brasileira Dilma Roussef em sua recente visita aos Estados Unidos ? 

Não apenas porque o Brasil é o quinto país do mundo em usuários de internet ou abriga o único Centro de Desenvolvimento Tecnólógico do Google na América Latina.

Mas também, e principalmente, porque no auge do escândalo de vigilância global da NSA, e dos Five Eyes - a aliança de espionagem anglosaxônica que reúne os EUA, a Austrália, o Canadá, a Nova Zelândia e o Reino Unido e “parceiros privados” - em que Edward Snowden desnudou ao mundo o gigantesco sistema de monitoramento em massa e a íntima correlação entre agências de informação dos EUA e grandes empresas norte-americanas que dominam o negócio da internet - incluindo, como vimos, o Google - foi Dilma Roussef que liderou a reação mundial aos EUA, suspendendo sua visita de Estado aos Estados Unidos, e aliando-se à Chanceler alemã Angela Merkel, na apresentação e aprovação, na ONU, por 193 países - contra a vontade de Washington - das diretrizes de uma “lei de internet mundial” a resoluçãoSOBRE “O Direito à Privacidade na Era Digital”.

Diante do gigantismo do Google e do dinheiro que aplica em marketing - incluindo um bilhão de dólares para um fundo de filantropia - é preciso prestar a atenção em detalhes para encontrar provas de seu claro comprometimento com o status quo e as forças mais conservadoras em cada país em que atua.

Talvez a mais evidente delas, que pode passar - e essa é a sua função - desapercebida pela maioria dos leitores, é a presença de uma seção denominada de “Sugestões dos Editores”, que se pode ver no alto da tela, na coluna da direita, da página inicial do Google Notícias. 

Dependendo do momento em que estiver olhando, o leitor pode se deparar com chamadas para matérias prosaicas, como dicas de beleza, dietas, etc. 

Mas, na maioria das vezes, ele terá chance encontrar, “casualmente”, no mesmo espaço, no Brasil, por exemplo - mas não apenas em nosso país - o mesmo tipo de conteúdo reacionário, anacrônico e fascista, que intoxica maciçamente a internet brasileira, hoje, o que leva, naturalmente, qualquer leitor mais atento a se perguntar : que raios de “editores” são esses?

Seriam “editores” do Google? Ou “editores” voluntários, organizados em grupos de leitores?

Não. Trata-se de “editores” de veículos de informação “tradicionais”, que enviam suas “sugestões”, principalmente de artigos de opinião, ao Google, por meio de feeds. 

Em suas informaçõesSOBRE a seção, o Google explica que qualquer veículo pode enviar uma sugestão. 

Mas quem escolhe quais e em que ordem essas sugestões irão ser publicadas na primeira página do Google News?

Se fossemos pensar no âmbito exclusivamente empresarial, compreende-se que, procurando fabricar de óculos a relógios, de carros a balões de reprodução de sinal de internet - e ampliando suas atividades para serviços correlatos de fornecimento de banda larga para usuários finais, que acaba de lançar nos EUA - o Google se sinta cada vez mais como parte do ambiente empresarial tradicional, voltado para ganhar dinheiro e lucrar com o consumidor final - no seu caso, bilhões de consumidores finais - com os quais estabelece contato, por meio de seu brownser, todos os dias.

Também se comprende que o Google busque boas relações com grandes empresas jornalísticas dos países em que está presente, de onde busca - ainda - a maior parte do conteúdo informativo apresentado a seus usuários por seu motor de pesquisa, principalmente depois que foi proibido de indexar esse conteúdo - por ter se recusado a pagar por ele - , em países como a Espanha. 

O problema é que, ao fazer isso - dar destaque às “sugestões dos editores” - um eufemismo para levar o consumidor a ter acesso destacado e facilitado, no alto de página, ao diktat da mídia tradicional, manipuladora e conservadora que predomina nos países em que atua, o Google está tomando uma atitude política, e também está renegando, descaradamente, o seu “GUIA DE NEUTRALIDADE DA REDE” e os princípios que ele evidencia, quando afirma que:

“Neutralidade da rede é o princípio de que os usuários da Internet devem estar no CONTROLE DO CONTEÚDO QUE ELES VÊEM e de quais aplicações eles usam na internet. A Internet tem operado de acordo com este princípio de neutralidade desde seus primeiros dias... Fundamentalmente, a neutralidade da rede é a igualdade de acesso à Internet. Em nossa opinião, as operadoras de banda larga não devem ser autorizadas a usar seu poder de mercado para discriminar candidatos ou conteúdos concorrentes. Assim como as empresas de telefonia não estão autorizadas a dizer aos consumidores para quem eles devem ligar ou o que eles podem dizer, as operadoras de banda larga não devem ser autorizadas a utilizar seu poder de mercado para controlar a atividade online.”
E também está, na verdade, rasgando os compromissos assumidos com o público, quando do lançamento do seu serviço de notícias, em 2002, quando afirmou que havia criado um site “altamente incomum” que oferecia um serviço de notícias compilado UNICAMENTE por algoritmos de computador, SEM INTERVENÇÃO HUMANA, ressaltando que para esse serviço não empregava “editores, editores de gestão, ou editores executivos.”

Como os usuários devem estar no controle do que eles vêem? Como “unicamente” por “algoritmos de computador” e sem “intervenção humana” ?

São robôs os “editores” privados que determinam com suas “sugestões” no alto da coluna da direita, da página inicial do Google News, todos os dias, o que o leitor deve ler, nos países em que o Google atua, começando pelos Estados Unidos?

Desse ponto de vista, o Google pode não estar empregando “editores”. Mas nem precisa. 

Ao menos nessa seção, o maior site de buscas do planeta preferiu terceirizar o trabalho de escolher o que seus usuários devem ler para os grandes grupos de mídia. Abrindo mão de estabelecer - por meio da internet - um marco na história da comunicação - um novo patamar na relação entre o indivíduo e o universo informacional, para transformar-se, como um mero aparelho de rádio ou televisão, em apenas mais um instrumento de repetição e disseminação do que dizem os maiores jornais e revistas de cada país em que atua. Delegando a essas empresas e jornais - que tem seus próprios compromissos e interesses - o direito de determinar o que eles acham que é mais importante e conveniente - para eles e seus anunciantes, é claro - que os usuários vejam e leiam. 

Ainda em suas informaçõesSOBRE o serviço, o Google diz que é possível para o leitor escolher com que “editores” prefere ter mais “vínculos”, e existe até mesmo uma barra deslizante para que ele possa “personalizar esta fonte de notícias”, mas a maioria dos usuários tem tempo, conhecimento, ou iniciativa para trabalhar com ela ? 

E como fica isso no caso das centenas de milhões de usuários que acessam o Google News sem ter uma conta do Google, ou em “lan houses” e “cybercafés”- como ocorre na maioria dos países mais pobres - ou de seu trabalho, por exemplo? 

Eles vão deixar de ler, e de ser influenciados, pelas chamadas dessa seção específica?

Seria mais honesto que - caso se visse a isso obrigado, mesmo considerando-se o público que já acarreta para os portais da mídia tradicional - o Google colocasse como publicidade claramente identificada, banners dirigidos para o conteúdo desses veículos na primeira página do Google News e cobrasse - claramente - por esse serviço.

Ao disfarçar esse conteúdo, colocando-o no alto da página, mas obedecendo ao mesmo layout, tamanho de letra, etc, das chamadas normais de conteúdo automaticamente indexado, o Google mostra que tem reforçado, ao longo do tempo, de forma sutil, mas reconhecível, uma decisão clara: a de ficar ao lado do Sistema e não do cidadão, ajudando a reproduzir os esquemas de poder, dominação e manipulação que existem no mercado editorial e jornalístico de cada país, na rede mundial de computadores.

Transformando-se em um instrumento e uma extensão a mais da "fabricação do consenso", ou do consentimento, de que fala Noam Chomsky e do controle do sistema jornalístico tradicional sobre o homem comum, e contribuindo para estender o poder dos grandes grupos empresariais de comunicação de cada país sobre a opinião pública.

Com seus carros que andam sozinhos, o Google Earth, o novo serviço que permite chamar do Gmail para telefones, e suas ações no apoio à pesquisa científica e à filantropia, a marca Google pretende ser apresenbtar-se e ser identificada com uma empresa inovadora, que pareça estar voltada, como um farol, para o século XXI e o futuro.

Livrar-se dessa excrescência incômoda, do ponto de vista moral e político, deixando apenas os algoritmos, a busca temática, e o critério de relevância arimética, como mecanismos de escolha do leitor, na primeira página de seu serviço de notícias - isso, sim, faria do Google, ao menos aparentemente, uma marca realmente inovadora do ponto de vista da relação da mídia com a opinião pública.

Quem sabe, assim, o Google poderia abrir caminho para se transformar em uma companhia verdadeiramente global - da forma como pretende apresentar-se e quer que o público o reconheça - e não - como ele parece ser agora - uma mera extensão do poder do establishment norte-americano - e de seus prepostos locais - sobre a internet e os seus usuários em todo o mundo.