EUA: crise faz o número de famílias atingidas pela fome crescer 43,58%
São 50 milhões de norte-americanos sem acesso garantido à alimentação incluindo 17 milhões de crianças
Uma em cada seis pessoas passa fome nos EUA, afirma a organização norte-americana, Feeding America, que lançou neste final de semana um informe retratando a gravidade alimentar em cada município dos EUA. A organização destaca que este estudo - Map the Meal Gap (Mapeie o Fosso Alimentar) - pode revelar uma situação local antes desconhecida, em termos de estudos estatísticos, por que todos os trabalhos anteriores tratavam da situação em nível nacional.
O trabalho da Feeding América trouxe à tona uma renovada discussão sobre o aumento da fome durante a crise que agora já chega a 50 milhões de norte-americanos, sendo que 17 milhões entre estes são crianças.
Matéria publicada pela agência de notícias Reuters, destaca que o número de famílias que necessitaram de cartões de alimentação distribuídos em despensas governamentais durante todo o ano e cujos filhos sobreviveram graças a almoços em escolas publicas teve um aumento de 43,58% com a crise provocada por Wall Street, saltando de 3,9 milhões em 2007, para 5,6 milhões em 2009. É o que o Departamento de Agricultura descreve como famílias que tiveram que se apoiar “comer dietas menos variadas, participar em programas de alimentação federais ou tentar conseguir alimentos em caráter emergencial”.
Já as famílias que recorreram a suporte alimentar por haver passado fome em algum momento durante o ano também cresceu de forma preocupante. Foi um acréscimo de 32,43%. Em 2007 eram 11,1 milhões de famílias que passaram fome em alguns momentos do ano. Durante o ano de 2008 este número passou a 14,6 milhões e em 2009 a 14,7 milhões.
Tanto o Feeding América quanto a Reuters basearam suas análises em estudos publicado pelo Departamento de Agricultura do governo dos EUA (responsável pela agricultura, pecuária e alimentação). O Departamento só publica os dados com a situação de 2010 em novembro deste ano.
“É moralmente inaceitável que em nossas vizinhanças e em cada município desta nação de abundância agrícola milhões de pessoas estejam lutando para não passar fome”, diz Feeding America.
“Não há como esconder o fato de que o número de norte-americanos que não consegue ter certeza de onde virá a próxima refeição e que, portanto, não tem acesso a uma alimentação saudável está em níveis nunca antes vividos neste país”, afirma o ator Ben Affleck, que apoia a organização.
O Mapa produzido pela entidade norte-americana ressalta também até que ponto uma série de fatores se combinam para criar os municípios com maior incidência de famintos: custo dos alimentos, menores salários e falta de oportunidades de emprego.
O estudo revela ainda que este apoio tanto do governo, como das entidades não governamentais não consegue suprir a necessidade de alimentos do conjunto dos norte-americanos. Entre os que estão enfrentando a fome, há um percentual elevado (6% das famílias de norte-americanos) nas quais um ou mais membros reduziram o número de refeições diárias por várias vezes durante o ano.
Situações em que “a ocorrência é frequente ou crônica”, segundo as palavras do governo.
Até mesmo na capital dos Estados Unidos a fome é crescente, revela David Brooks em matéria publicada no jornal mexicano La Jornada. “Mais de 400 mil residentes sofreram períodos de fome durante a recente recessão”.
Anita Emerson, mãe solteria de 46 anos deu um depoimento contundente publicado no Washington Post. “Têm havido momentos em que deixei de comer para que meus filhos pudessem comer um pouco mais. Sou adulta e posso fazer isso. Posso beber água ou comer um pedaço de pão. Mas ninguém quer ouvir seus filhos dizerem ‘mamãe, estou com fome’”.
Mark Bittman, autor norte-americano de livros e artigos sobre culinária, ao entrar em contato com os dados destacados pela Feeding América, manifestou sua indignação e condenou os cortes do governo em programas sociais: “Estes cortes farão com que mais pessoas morram de fome ou vivam de forma mais miserável do que agora. E eles vêem junto com a proposta de aumento nos gastos militares”.
Ele ressalta que enquanto isso o lucro das grandes corporações – que passaram a buscar lucro jogando principalmente com papéis – voltou a subir sem resultar em elevação de empregos. “Os 400 norte-americanos mais ricos têm mais riqueza do que a metade dos lares do país, de menor renda, somados”.
Ao mesmo tempo em que a fome se agrava, o senador pelo Estado de Vermont, Bernie Sanders, apresentou uma escandalosa lista de monopólios que conseguiram passar o ano de 2009 sem pagar impostos ou pagando taxas irrisórias. Segundo Sanders os maiores evasores de impostos são: Exxon Mobil, Bank of America, General Electric, Chevron, Boeing, Goldman Sachs, Citigroup e ConocoPhillips.
HP
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