quinta-feira, 3 de março de 2011

Tunísia, Egito, Líbia, Revolução Nacional Árabe ou a guerra dos monopólios pelo controle do petróleo

MIGUEL MANSO*

A explosão do oleoduto da SUMED, que transporta quase 1 milhão de barris por dia pelo canal de Suez, é, ao mesmo tempo, simbólico e alvo marcante do que está em jogo neste momento na crise aberta nas nações árabes.
  
 A sobrevida agônica dos monopólios americanos é cada dia mais incompatível com a soberania das nações e, em especial, com as conquistas da revolução nacional árabe.


Com todos os problemas e imperfeições, o avanço da nacionalização do petróleo e das riquezas minerais, promovidas por esta revolução, causou imensos prejuízos à hegemonia das 7 irmãs e das petroleiras anglo-americanas e sua pretensão de controlar as fontes de energia e matéria-prima do planeta.
 Aberta a recente crise, os monopólios conseguiram elevar o preço do petróleo a 107 dólares, o maior desde 2008, e querem mais, falando em 200 dólares ainda em 2011 ou 2012. 

Da eclosão da crise, em 2009, até agora, o barril de petróleo subiu mais de 120%. O objetivo dos monopólios não é só ganhar no barril, mas nas ações das petroleiras, apesar dos EUA gastarem mais de 1 bilhão de dólares por dia comprando petróleo de outros países e o preço da gasolina dentro dos EUA subir 70%, de 2009 até agora, passando de 1,6 dólares o galão para 3,1 dólares. A gasolina cada vez mais cara - e o combustível sendo criminosamente escondido em gigantescos estoques, forçando e aguardando a alta.

“Os preços do petróleo estão numa zona perigosa para a economia mundial”, afirmou Fatih Birol, economista-chefe da Agência Internacional de Energia.

O crime ambiental cometido pela British Petroleum – inglesa - nas costas dos EUA congelou a extração, pressionou os preços e favoreceu a especulação.

Os ganhos obtidos recentemente na especulação dos monopólios são gigantescos - e extorsivos nos “momentos de turbulências”, como demonstram os ganhos com as ações das empresas abaixo, que são somente alguns exemplos:


*137% com KeyWest Energy
*151% com Wheaton River Minerals
*162% com Intrepid Minerals
*174% com PetroChina
*270% com July silver calls
*104% com ICON Energy Fund
*108% com Norsk Hydro
*118% com Anglo American PLC
*160% com Western Oil Sands
*182% comTalisman Energy
*142% com BG Group
*177% com Coeur d’Alene Mines
*105% com Gentry Resources
*151% com Tocqueville Gold
*116% com Cameco
*332% com Glamis/Francisco Gold
*668% com Metallica Resources

Na crise de 1979 a 1982, a especulação começou pelos alimentos e minérios, passou em seguida para o petróleo e terminou com o ouro, que aumentou 2.329% em 3 anos.

Como se vê, é por estas e outras que os monopólios não se preocupam com a produção e não abrem mão de uma guerra, ou uma boa crise nacional, para especular e especular, concentrando mais riqueza e poder em suas mãos.

Os EUA ocuparam o Iraque, alegando combater as armas de destruição em massa de Sadam, que não existiam. Ficaram com o petróleo, à custa de centenas de milhares de mortos iraquianos e americanos.

A Tunísia trava forte luta contra a privatização de suas empresas e em particular do seu principal recurso mineral, o fosfato, fundamental para a indústria de fertilizantes, alimentos e química.

Agora querem ocupar a Líbia “pela democracia” e ficar com o petróleo e gás desse país, manobrando e pressionando os estados árabes a fazer mais concessões. Vendem armas a rodo e “segurança internacional”. Provocam escassez de alimentos e matérias primas.

Somente Abu Dhabi, um dos sete pequenos Emirados Árabes, comprou 17 bilhões de dólares dos EUA em sistemas antimísseis. Os outros Emirados Árabes e a Arábia Saudita, mais 25 bilhões em armamentos.

O interesse dos EUA não é Kadafi, como não era Saddam. Querem desovar seu arsenal inútil, alimentar sua indústria militar, tomar conta do petróleo das nações árabes, não importa quantas vidas custará - não para produzir, não para colocá-lo a serviço do progresso da humanidade, mas para especular e especular.

Monarquias, xeiques, tudo deve ser feito para colocar as nações de joelhos diante da Dinastia Rockefeller - mais de 100 anos promovendo guerras, genocídios, destruição em massa, golpes, tortura, assassinatos por mais e mais lucros e dinheiro, o único deus que verdadeiramente idolatram - e se atrevem a falar de ditadura e ditadores...

Por isso o destino da Tunísia, Egito, Líbia, e demais nações, é avançar na Revolução Nacional Árabe ou sucumbir na guerra dos monopólios pelo controle do petróleo!

E tem gente que pensa em construir o crescimento do Brasil numa ilha de estabilidade longa e duradoura, sem luta, sem enfrentar os ataques especulativos externos, sem ter que enfrentar a sanha dos monopólios, ou, o que é pior, se curvando e cedendo a eles.
* Secretário nacional de organização e presidente do PPL-SP
                      

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