sexta-feira, 4 de março de 2011

Diretor do FMI vem à América Latina propor arrocho e outros freios ao desenvolvimento


O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Khan, iniciou no Panamá uma viagem pela América Latina, onde expressou sua “preocupação” pelo forte crescimento das economias da região. Por isso, propõe abertamente eliminar as políticas que incentivam a demanda, aprofundar a apreciação da moeda local frente ao dólar e aumentar as taxas de juros.
 
O diretor do FMI visitou o Uruguai na quarta-feira (02/03), e deve ir ao Brasil na quinta-feira (03-03), recomendando essas medidas que “melhoram o clima empresarial” e outras que visam “a recomposição do espaço fiscal perdido”, linguagem usada pelo neoliberalismo para representar o corte do gasto público.
 
Strauss-Khan alinhavou as orientações que pretende transmitir na sua viagem no artigo “América latina: como converter o bom de hoje no melhor para amanhã?”, publicado no site do FMI. Lá ele considera que o crescimento que houve nos países latino-americanos ocorreu exclusivamente pelas condições favoráveis de financiamento externo e pelos elevados preços das matérias primas, cuja exportação é expressiva na região. O artigo ignora as medidas tomadas em países como o Brasil, Argentina e outros que fortaleceram o mercado interno e a independência econômica desses países, como o aumento dos salários, combate ao desemprego, fortalecimento das indústrias nacionais e controle do fluxo do capital especulativo que, mesmo que ainda iniciais, permitiram o crescimento das economias latino-americanas.
 
Nesse sentido, o economista francês incentivou o governo panamenho a “manter a demanda interna sob controle e evitar o aquecimento”, ou seja impedir o consumo da população e deter o crescimento. O mecanismo sugerido foi a austeridade fiscal.
 
Na mesma linha, Strauss Khan disse no Uruguai que o país deve abrir mais a sua economia, “aproveitar o beneficio de ser exportador de matérias primas” e “analisar cuidadosamente” as mudanças impositivas necessárias.
 
O FMI considera que há na América Latina sinais de aquecimento excessivo que se manifestam em inflação, crescimento do crédito e dos mercados de valores. Para enfrentar esses “flagelos” propõe os mesmos três pontos: adotar uma política fiscal mais rigorosa, apreciar o tipo de câmbio e aumentar as taxas de juros.
 
O Brasil e o Uruguai têm moedas supervalorizadas em relação ao dólar, situação apoiada e recomendada pelo FMI para atenuar a entrada de capitais especulativos. Porém, a realidade é o contrário disso: com o real supervalorizado, o Brasil fica indefeso na guerra cambial promovida pelos EUA, aberto à entrada de uma montanha de dólares sem lastro, sendo que as estratosféricas taxas de juros em termos reais vigentes no país, longe de atenuar estimulam a entrada dos capitais especulativos.
HP

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