quinta-feira, 3 de março de 2011


Governo estuda criar escola para indústria do carnaval, diz Mercadante

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse nesta sexta-feira (25/2) que o governo estuda criar uma escola profissionalizante voltada para a indústria do carnaval.

O ministro visitou a Cidade do Samba e acompanhou parte dos trabalhos de recuperação de alegorias e fantasias destruídas pelo incêndio do início do mês, nos barracões das escolas de samba União da Ilha, Portela e Grande Rio.

Segundo o ministro, o carnaval exige profissionais qualificados nas mais diversas áreas, como eletrônica, engenharia, física, pesquisa de materiais, eletricidade, soldagem e marcenaria.

"Faz todo sentido a gente criar um programa de formação profissional para essa cadeia industrial em torno do carnaval, para que, cada vez mais, se tenha competência profissional. Até porque são habilidades que servem para outras atividades produtivas da indústria", disse Mercadante.

O ministro foi convidado pelas diretorias das escolas de samba União da Ilha e Portela para desfilar neste carnaval, mas disse que ainda não sabe se virá ao Sambódromo.
BE

Petrobras encomenda de empresas brasileiras 39 navios de frete

Com o objetivo de diminuir a dependência do mercado externo de fretes marítimos, a Petrobras contratou 39 navios que serão construídos exclusivamente por empresas brasileiras, em estaleiros estabelecidos no país.

A iniciativa faz parte do Programa Empresas Brasileiras de Navegação (EBN) e visa a fortalecer a indústria de construção naval nacional.

O EBN trata do afretamento de navios com contrato de 15 anos. A Petrobras divulgou nesta quarta-feira (2/3) o balanço do programa, que foi dividido em duas fases. A primeira delas, o EBN1, fechou a contratação de 19 navios de sete empresas nacionais, com previsão para conclusão até 2014.

Na segunda fase, o EBN2, seis empresas foram contratadas para a construção de 20 navios a serem entregues entre 2013 e 2017. Ao todo, a Petrobras deve gastar cerca de US$ 350 milhões por ano com o afretamento dos 39 navios.

A expectativa da empresa é que o programa ajude a criar 30 mil empregos diretos e indiretos, além de 2 mil empregos permanentes. Pelo menos 50% do conteúdo dos navios serão nacionais, com previsão de se chegar a 75% no futuro.

O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, informou que, hoje, a Petrobras usa 190 navios que operam diariamente na cabotagem de petróleo, responsáveis por 80% do transporte marítimo da empresa, e quase todos pertencem a empresas internacionais.

A estatal espera dobrar a produção de petróleo em dez anos, com a previsão de afretamento de 200 navios até 2017. "Aos empresários interessados em investir na indústria de petróleo e gás aqui no Brasil, aconselho que construam estaleiros, pois vamos precisar de muitos para a parte de exploração e produção, área de abastecimento, navios, módulos etc."

Costa disse que há, atualmente, duas grandes empresas que investem na construção de estaleiros, mas que vai esperar que elas se pronunciem publicamente sobre o interesse em participar do programa.

A Petrobras gasta anualmente cerca de U$ 1,9 bilhão com afretamento de navios nos sistemas Time-Charter Party (TCP) e Voyage-Charter Party (VCP). Paralelo ao Programa EBN, a Petrobras também possui o Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef). Segundo Costa, os dois programas se complementam.

"A Petrobras entendeu que era importante também ter navios operados por terceiros, porque podemos fazer comparação de desempenho. E também tão importante quanto é ter de volta empresas de bandeiras brasileiras na nossa cabotagem, pois hoje quase todas vêm do exterior e isso é um risco", afirmou Costa. O diretor disse que a empresa não tem pretensões de ter uma frota 100% brasileira.
BE


O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse nesta terça-feira (1/3) que o Brasil deve fechar 2011 com uma taxa de desemprego semelhante à de 2010, quando o país registrou uma taxa média de 6,7%.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), janeiro deste ano teve uma taxa de 6,1%, abaixo dos 7,2% de janeiro de 2010.

Lupi manteve a expectativa de que o país gerará 3 milhões de empregos neste ano, superando a marca de 2,5 milhões de postos criados em 2010.

Na conta de Lupi, estão incluídos empregos no setor público e no setor privado. Segundo o ministro, a redução do ritmo de crescimento econômico esperada para este ano não deve desaquecer o mercado de trabalho no país.

"O Brasil está no caminho certo. Vamos crescer a 5% e gerar milhões de empregos se Deus quiser.

Já tivemos 152 mil empregos em janeiro. Foi o segundo melhor resultado da história. Fevereiro está indo muito bem", disse o ministro.

O ministro do Trabalho participou nesta terça-feira da inauguração de uma agência de microcrédito do Banco do Nordeste em São Gonçalo, na Grande Rio.

A agência oferecerá créditos de R$ 1 mil para pequenos empreendedores locais
BE

POR ISSO QUEREM ROUBAR O PETROLEO DA LIBIA.

Estoques de petróleo dos EUA recuam em 400 mil barris

Os estoques de petróleo nos Estados Unidos registraram queda de 400 mil barris na semana encerrada no dia 25 de fevereiro de 2011, ante a semana anterior.

As reservas da commodity atingiram 346,4 milhões de barris.

Já os estoques de gasolina caíram em 3,6 milhões de barris na mesma base de comparação, ficando em 234,7 milhões.

A utilização da capacidade das refinarias recuou para 80,9% nesta semana, face aos 79,4% na semana anterior.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (2/3) pelo Departamento de Energia dos EUA (DOE, na sigla em inglês).

BRASIL ECONÔMICO
ESTA MEDIDA DO BC, DE AUMENTO DE JUROS, É EXTREMAMENTE PREJUDICIAL, A ECONOMIA BRASILEIRA.

FREARÁ O CRESCIMENTO, AS INDÚSTRIAS, OS TRABALHADORES.
A POLITCA ECONÔMICA DO GOVERNO DILMA, É PURA DECEPÇÃO.
AO QUE PARECE VOTAMOS GATO POR LEBRE.
ESTA POLITICA ERA QUE DEFENDIAM OS TUCANOS.
JUROS ALTOS, CORTE NO ORÇAMENTO, ARROCHO SALARIAL.
DILMA COMEÇA A DECEPCIONAR NÓS OS BRASILEIROS.
Distribuidoras de energia elétrica terão que indenizar consumidores por cobrar R$ 7 bilhões indevidamente

Os deputados federais Eduardo da Fonte (PP-PE) e Weliton Prado (PT-MG) apresentaram, na semana passada, um projeto de decreto legislativo para obrigar as distribuidoras de energia a restituírem cerca de R$ 7 bilhões cobrados indevidamente dos consumidores entre 2002 e 2009.

“Constatamos na CPI das Contas de Luz que havia um erro enorme na metodologia de reajuste das tarifas das contas de luz. Esse erro foi corrigido, mas os valores pagos a mais pelos consumidores brasileiros não foram devolvidos”, afirmou Eduardo da Fonte, que justifica a opção pelo decreto. Segundo ele, “através do Judiciário levará muito tempo, mas através do decreto legislativo é a forma mais rápida, transparente e segura para que o povo brasileiro tenha seus direitos respeitados”.

A CPI das Contas de Luz, presidida pelo deputado pernambucano, descobriu que a fórmula utilizada pela Aneel para conceder os reajustes de energia entregava às distribuidoras, em sua maioria privatizadas, o aumento no faturamento referente ao crescimento do número de consumidores ou do consumo de energia. Acontece que, pelas próprias regras estabelecidas durante as privatizações, qualquer ganho de escala deveria ser revertido em favor dos consumidores, em prol da modicidade tarifária.

A fórmula foi refeita, e, segundo a Aneel, a distorção foi corrigida. O problema é que, por uma decisão da Agência, a mudança só é válida a partir de 2010, sem que os consumidores que pagaram a mais durante 7 anos sejam ressarcidos.

O projeto de decreto legislativo nº 10/2011 derruba a decisão da Aneel “que negou o direito dos consumidores brasileiros de serem ressarcidos do erro da metodologia de cálculo que elevou ilegalmente as tarifas de energia elétrica”, e obriga “as concessionárias do serviço público de distribuição de energia elétrica a restituir o que receberam indevidamente dos consumidores, no período de 2002 a 2009”.

Cerca de R$ 1 bilhão por ano, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU). O PDL aguarda despacho do presidente da Câmara.
HP

Cada ponto percentual de alta da Selic aumenta a dívida pública em R$ 10 bilhões, adverte Dornelles


O senador Francisco Dornelles (PP/RJ) afirmou, na segunda-feira (28), que a elevação pelo governo federal da Selic – taxa de juro básica da dívida mobiliária federal – perdeu eficácia como medida de controle da inflação, na medida em que as pressões inflacionárias verificadas na atual conjuntura resultam do aumento dos preços de commodities no exterior e de alimentos no país.

“Uma das principais fontes de pressão inflacionária no início de 2011 provém do aumento dos preços das commodities no exterior e dos alimentos no país, ambos os movimentos que não decorrem nem serão influenciados diretamente por qualquer variação na taxa básica de juros”, assinalou.

O senador observou que o impacto da elevação dos juros é prejudicial às contas públicas, uma vez que cada ponto percentual de alta da taxa Selic corresponde a um aumento de aproximadamente R$ 10 bilhões na dívida pública, o que equivale a um incremento do custo da dívida de 0,28% do PIB.

Segundo o senador, que já foi ministro da Fazenda (1985/1986) e da Indústria e Comércio (1996/1998), as autoridades responsáveis pela política monetária devem encontrar novas formas de combater a inflação, que não produzam tantos danos às contas públicas. “Majorar a taxa Selic perdeu funcionalidade no combate a pressões inflacionárias desse tipo e as autoridades monetárias têm uma oportunidade para mudar a formulação e a execução da política macroeconômica do país”, disse.

Dornelles acrescentou que a fixação em elevar a taxa de juros, de modo a reduzir a demanda da economia sempre que há um eventual aumento da inflação, é ineficiente, porque a Selic também não tem a menor influência sobre o crédito que mais cresceu após a crise iniciada no setor imobiliário dos Estados Unidos, que é concedido com recursos direcionados.

Ele citou, como exemplo, que as operações de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) são remuneradas pela TJLP; o crédito para habitação, concedido pela Caixa Econômica Federal com recursos do FGTS, é remunerado pela TR; e as operações de crédito rural do Banco do Brasil corrigidas por taxas prefixadas.

“Não há estudos conclusivos sobre o impacto da variação na taxa Selic sobre a demanda, e mesmo os que acreditam nessa correlação assumem que levam meses para que o efeito seja sentido”, sublinhou.
HP

Requião: congelamento do salário mínimo é um erro


O senador Roberto Requião (PMDB/PR) reiterou em pronunciamento na tribuna, segunda-feira (28), que foi contra o projeto do governo federal que fixou o salário mínimo em R$ 545,00, preferindo votar na proposta que elevava o valor do piso nacional para R$ 560,00. “Eu votei R$ 560,00 e acho que esse congelamento do salário mínimo foi um erro”, afirmou.

Requião rechaçou a nota de um colunista do “Correio Braziliense”, segundo a qual ele estaria pressionando o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), por mais espaço na Casa e, para assegurar este espaço, teria até votado favoravelmente ao salário mínimo de R$ 545. “É uma canalhice do jornalista! Ou ele é absolutamente desinformado, ou a nota trata-se de ignorância córnea ou má-fé cínica”, disse. “Eu não negocio na política, eu não troco, eu não compro, e eu não vendo. E eu não votei a favor dos 545 reais”, frisou.

Em seu discurso, o ex-governador do Paraná lembrou que quando Lula assumiu a presidência em 2003 enfrentou dificuldades porque recebeu uma “herança maldita do governo Fernando Henrique”. Porém a atual política econômica encaminhada por Guido Mantega (Fazenda) não tem justificativas, pois Lula deixou o país em boa situação. “A herança do presidente Lula é uma herança de bonança”, enfatizou.

O senador disse também que considera “absurdo” o projeto que cria a Autoridade Pública Olímpica, aprovado pela Câmara dos Deputados na semana passada, pois ele propõe que seu presidente não poderá ser demitido nem pelo presidente da República, a não ser por um flagrante delito.

Roberto Requião observou ainda que, além de “inamovível”, essa autoridade terá poderes para prorrogar os contratos das concessões comerciais dos aeroportos do Rio de Janeiro, sem consultar a Lei de Licitação ou qualquer restrição jurídica, por prazo que se estenderá até o final dos jogos. “Espero que isso seja liminarmente liquidado no Senado da República”, afirmou.
 HP
Para Contec, “escalada de juros criará economia dos cemitérios
  
“Quanto maiores os juros, mais atraem dólares baratos para serem ‘engordados’ aqui dentro e devolvidos para o Exterior. Tanto é que a esperada valorização do dólar em relação ao Real não ocorreu com a Selic a 11,25%”, afirmou Lourenço Prado, presidente da Contec (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito), ao condenar a escalada dos juros promovida pelo Banco Central.

“O que não se fala é que os juros de 11,25% já praticados somados a prática de enxugamento de moeda circulante e as ameaças de corte no Orçamento Geral da União da ordem de R$ 50 bilhões, não funcionaram ainda como o esperado”.
    
“A demanda pelas matérias-primas e commodities brasileiras no exterior, obrigam a nós brasileiros a pagar no mercado interno os mesmos preços de exportação. Ou seja, o consumidor brasileiro se torna vítima da inflação que o próprio governo cria com a política desenfreada de juros altos. Política, feita sob medida para atrair especuladores que ajudam o governo a sustentar sua imensa dívida pública”, disse no artigo, publicado no site da entidade, “Escalada de juros criará a economia dos cemitérios”.
    
 “O que a escalada de juros vai propiciar, acreditamos, é um estrangulamento da economia. Com suspensão dos investimentos produtivos, com aumento do desemprego e com estagnação das atividades geradoras de riqueza, que encontramos na indústria, na agricultura e no setor de serviços. Conseguiremos com esta escalada da taxa Selic criar a economia dos cemitérios. E isso não interessa nem ao governo Dilma e muito menos ao povo e aos trabalhadores brasileiros”.
HP
Aumento da Selic esfria economia e eleva despesas públicas com juros, afirma Fiesp

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse, na segunda-feira, que a elevação da Selic aumenta as despesas públicas num ano que será marcado pelo corte de gastos do governo, com a redução de R$ 50 bilhões do Orçamento. "Os juros, além de esfriarem a economia, servem para aumentar a despesa pública", afirmou Skaf.

Nesta quarta-feira (2), o Comitê de Política Monetária do Banco Central decide sobre a taxa Selic, que segundo as expectativas dos especuladores, deve crescer de 0,75 a 1 ponto percentual.

Para o presidente da Fiesp, o aumento de 1 ponto porcentual dos juros levará o governo a aumentar os gastos públicos com pagamento de juros em R$ 20 bilhões a mais. Segundo ele, o orçamento da Saúde gira este ano em torno R$ 72 bilhões, enquanto as despesas com o pagamento de juros deve ser de R$ 200 bilhões. "É três vezes o orçamento da Saúde, é muitas vezes o orçamento da Educação. Temos de tirar essa cultura dos juros altos do Brasil", disse.

Skaf defendeu que é preciso uma política de estímulo ao desenvolvimento da indústria, já que a previsão do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano é de 4% e o crescimento do setor industrial deverá ser inferior, de 3%. "O crescimento é saudável".
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Petrobrás fica altamente vulnerável com 300 mil terceirizados, alerta Aepet

O presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), Fernando Siqueira, criticou a terceirização na estatal. “No governo FHC tínhamos 120.000 pessoas terceirizadas. Hoje chegamos a 300.000. Isto é muito sério. A Petrobrás fica altamente vulnerável com essa modalidade de contratação de mão de obra”, afirmou.

No blog Fatos e Dados, a Petrobrás finalmente reconheceu a quantidade de mão de obra terceirizada e disse que o número “é aproximadamente de 291.000”, o qual deverá constar no próximo Relatório de Sustentabilidade.

A Companhia informou que encerrou o ano de 2010 com aproximadamente 80.500 empregados concursados. Ainda de acordo com a Petrobrás, o número de funcionários concursados fechou 2010 com um crescimento de 167% em relação a 2002, enquanto os terceirizados aumentaram 224%, no mesmo período.
“Este é mais um problema da nossa falida política de RH. A terceirização é ruim para todos”, alertou Fernando Siqueira. Ele elencou um série de problemas acarretada com a terceirização da mão de obra. “Para o terceirizado porque ele não tem segurança e treinamento adequado. É obrigado a formar uma empresa para reduzir os encargos sociais. Para a Petrobrás porque ela recebe uma mão de obra mal treinada, insatisfeita e rendendo pouco”, enfatizou o presidente da Aepet.

Conforme Siqueira, “tem ocorrido casos muito graves, com terceirizados fazendo trabalho em atividades fins como projeto, pesquisa, fiscalização de atividades de produção e outras atividades estratégicas. Mais grave: no Cenpes, tem terceirizado, não concursado, fazendo atividades de pesquisa, enquanto nossos mestres com PhD ficam fiscalizando contratos. Ou seja, a tecnologia não fica na empresa. Havendo maior oportunidade para espionagem industrial”.

“Os concursados, que chegam a 85.000, estão no cadastro de reserva vendo os seus concursos perderem a validade, enquanto pessoas menos qualificadas, algumas fizeram o mesmo concurso e não passaram, estão ocupando as suas vagas”, frisou Siqueira
hp
Fernando Henrique ataca Lula por fazer “gastos exagerados”


PAC, pré-sal, Bolsa Família, Minha Casa, Luz Para Todos... “foram gastos inconvenientes”


Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não se conforma com o fato do presidente Lula ter priorizado, durante todo o seu governo, o bem estar e a melhora da qualidade de vida do povo brasileiro. O tucano reclamou que a política desenvolvimentista e de aceleração do crescimento, implementada pelo presidente Lula em seu governo, foi “inconveniente”. “Se [o governo] não tivesse gasto mais do que era conveniente, não seria necessário o corte”, afirmou o ex-presidente, ao comentar os cortes no Orçamento da União, anunciados nesta segunda-feira.


Na opinião de FHC, portanto, a prioridade para o povo definida por Lula provocou “gastos exagerados e inconvenientes” e é por isso, segundo ele, que os cortes são necessários. Ou seja, ele defende, como, aliás, sempre defendeu, verbas públicas para banqueiros e arrocho para quem trabalha e produz e diz que a culpa disso tudo é de Lula. “Conveniente” para FHC é desviar os recursos públicos para a especulação financeira e garantir o enriquecimento da agiotagem. Gastar com investimentos e com o povo não pode. “Conveniente” é arrochar os trabalhadores e encher as burras de bancos, mormente os estrangeiros e multinacionais.

Só que Lula escolheu um caminho completamente inverso a tudo isso. Os gastos de seu governo foram mais do que convenientes. Ele simplesmente tirou uma parte - e olhe que não foi muito - dos ganhos da especulação - baixando os juros altos deixados pelo próprio FHC - e investiu na produção, nos salários e nos programas sociais. Isso fez o país crescer e o povo melhorar de vida. Essa política, que o ministro Mantega parece ter esquecido, além de fazer o país crescer, fez subir também a arrecadação. Não é à toa que a relação Dívida/PIB continuou a cair até o final do governo Lula. Ou seja, o país garantiu os investimentos e ainda manteve o superávit primário em suas contas públicas. Esse superávit foi usado para pagar parte da dívida pública. Por isso a relação Dívida/ PIB caiu. Não há, portanto, nenhuma pressão justificável para que se façam cortes no orçamento.


Há até mesmo cálculos que apontam para um excesso de arrecadação de cerca de 20 bilhões de reais em 2010. E, além disso, o Secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, avaliou que a arrecadação de 2011 ficará 10% acima da que foi obtida em 2010. Isso, inclusive, já se confirmou em janeiro deste ano com um recorde de 91 bilhões de reais de arrecadação. Não há, portanto, repetimos, nenhuma necessidade desses cortes. O que está havendo é apenas uma teimosia recessiva injustificável de Mantega. Por isso ele está insistindo em não aumentar o salário mínimo, em cortar os investimentos e o custeio e permitir a elevação absurda das taxas de juros.

CARTILHA

Os tucanos, é claro, estão torcendo pelos cortes. Primeiro porque sempre estão prontos a prejudicar o povo em benefício dos especuladores. Segundo porque essa é a sua cartilha. E eles aproveitam os cortes defendidos por Mantega para atacar a política que o presidente Lula implementou a favor do povo. Fazem isso porque são porta-vozes dos agiotas, dos lobistas e das multinacionais. Apoiado pela mídia neoliberal, e por todos os sanguessugas de plantão, FHC & Cia atacam o PAC, o Minha Casa Minha Vida, o Luz Para Todos, o Bolsa Família, os investimentos da Petrobrás no pré-sal e outros projetos que beneficiaram o país. Segundo os tucanos, isso tudo foi absurdamente “inconveniente”.

Em 2003 Lula pegou um país quebrado por FHC, com uma inflação acima de 10% e juros na casa dos 25% e o FMI mandando e desmandando, e teve que fazer alguns cortes. O que Mantega está anunciando agora não têm nada a ver nem com essa situação. Não há pressão inflacionária de demanda e nem pressão nas contas públicas. O país não está mais dependendo do FMI. O corte está sendo feito por pura insistência do ministro Mantega em reduzir o crescimento do país que, segundo ele, foi exagerado em 2010 (veja matéria na página 3).

E os tucanos aproveitam esses equívocos para tentar emplacar a sua velha política pró-banqueiros e anti-povo. Dizem, como o fez o senador Aloísio Nunes (PSDB-SP), nesta segunda-feira, que os programas de Lula foram perdulários. Que o governo Lula “gastou o que podia e o que não podia”. Que o “Estado está inchado”. Enfim, repetem a cantilena neoliberal. O líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), foi explícito. “Isso é só jogo de cena para impactar a reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM)”, disse. Ele acha que o anúncio dos cortes pode atrapalhar o aumento dos juros. Em suma, há que se parar imediatamente de municiar a demagogia dessa gente. Antes que seja muito tarde.

SÉRGIO CRUZ

terça-feira, 1 de março de 2011

Kadafi conclama o povo a uma Marcha Sagrada em defesa da Nação:

“Querem tirar o nosso petróleo, nossa liberdade, destruir a Líbia”

Querem impor o colonialismo, quando 90% do petróleo ia para empresas americanas. Agora, 90% fica com o país e 10% para as empresas, alertou o líder líbio

Daquela fauna da Fox News até o Wall Street Journal, da CIA até o Pentágono, passando pela papagaiagem de Hillary Clinton – e da arraia miúda dos Ali Kamel & quejandos – os gorilas estão muito assanhados com os acontecimentos (sobretudo com os fabricados por eles mesmos) na Líbia.
 
“Dizem que eu ando na Venezuela... Deus! A primeira necessidade dessa gente é a mentira. Estou aqui, ao contrário do que afirmam as emissoras dos cachorros”, disse Muammar Kadafi na terça-feira, discursando nas edificações bombardeadas pelos EUA em 1986, quando assassinaram inclusive crianças – entre elas uma filha do líder líbio.
 
Realmente, a mídia já descambou para a galhofa: as vítimas vão de 50 pessoas até 10 mil. Viram Kadafi na Venezuela e um bombardeio em Trípoli que jamais aconteceu (ver as declarações do embaixador brasileiro nesta página). E até agora não apareceram as manifestações, exceto a favor da Revolução. O que conseguiram foi uma ou outra turba – uma das quais exibia um cartaz em inglês: “O petróleo para o Ocidente” (“Oil for The West”).
 
Kadafi tem muito mais credibilidade, por tudo que já fez (e por tudo o que esses falsários já fizeram): “Os que morreram eram policiais e soldados. Não usamos a força ainda, mas o poder do povo líbio a usará, se necessário. Se as coisas chegarem a esse ponto, a força será utilizada de acordo com o direito internacional, a Constituição e as leis”.
 
A questão é, exatamente, quem são os arruaceiros. Kadafi tem bastante experiência no assunto – e não somente a da Líbia:
 
“Querem que os EUA façam na Líbia o que fizeram no Afeganistão, na Somália, no Paquistão, no Iraque. Querem impor a nós o colonialismo, mas nosso país não será um novo Afeganistão. Sou um lutador das tendas, um revolucionário. Não é possível interromper a marcha da revolução com subornos a um punhado de ratos que saltam de rua em rua na escuridão. Quem são esses ratos? Quem lhes pagou o preço? A inteligência estrangeira”.
 
Evidentemente, a excitação dos reacionários dos EUA e seus epígonos não é uma surpresa. Primeiro, querem abafar as notícias sobre os regimes pró-americanos que estão indo pelos ares no Oriente Médio. Segundo, a Líbia possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo. O problema é que “querem que os EUA venham em navios para nos atacar e tomar o nosso petróleo. Não queremos o retorno da época em que 90% do petróleo ia para empresas americanas e 10% ficava com o país. Agora, 90% fica com o país e apenas 10% vai para as empresas”.
 
A terceira e, do ponto de vista político, mais importante razão é o próprio Kadafi. Naturalmente, não é a primeira vez que tentam eliminá-lo, desde que o capitão Muammar Al-Kadafi, aos 27 anos, liderou a Revolução Líbia, acabando com o regime pró-EUA, um milk-shake de monarquia feudal, ditadura colonial e tirania corrupta.
 
As bandeiras desse regime pútrido que apareceram entre os desordeiros – mostradas orgulhosamente pela TV americana – deveriam fazer com que alguns tivessem mais cautela antes de apoiar uma tentativa de golpe das mais reacionárias. Como observou Kadafi, “querem fornecer uma imagem manchada da Líbia, dizendo: ‘Olhem para a Líbia. Ela quer a colonização, quer o retrocesso, ao invés da revolução’. Porque hoje a Líbia é conhecida por todos os povos da África, América Latina e Ásia como ‘a Líbia da Revolução’. A imagem distorcida é um insulto - e nós vamos reagir já, agora, sobre o nosso solo”.
 
É verdade que, nos últimos anos, Kadafi e a Revolução Líbia tiveram que fazer um recuo. A Líbia é um país pouco populoso (6,4 milhões de habitantes), com um território que é mais do que o dobro do maior país da Europa Ocidental – a França. Bloqueada e bombardeada brutalmente pelos norte-americanos, acusada várias vezes de ações que nunca foram provadas, ameaçada permanentemente de invasão – e numa situação em que a URSS deixou de existir, o Iraque estava bloqueado e depois ocupado, etc., etc. - a revolução teve de recuar. Mas isso não transformou o governo líbio em reacionário, da mesma forma que, ao entregar seu dinheiro em troca da sobrevivência, uma vítima de assalto não passa a ser cúmplice do assaltante.
 
Há países muito maiores, mais populosos, com muito mais recursos, que não sofreram nada disso, nem estavam ameaçados, e, no entanto, recuaram para “ajustes fiscais” e outras indignidades neoliberais - até quando podiam avançar, o que não era o caso da Líbia.
 
Porém, o mais cínico são os vagidos supostamente “democráticos” da mídia.
 
Desde quando os EUA podem dar lições de democracia a outro país? Desde que “democratizaram” o Iraque? Desde quando a democracia de fancaria dos EUA, onde até as eleições tornaram-se de difícil acesso ao povo, onde nem horário eleitoral gratuito existe, onde dois ou três bancos e monopólios mandam e desmandam, e onde se dá golpes de Estado via Corte Suprema, é modelo de democracia?
 
Todo país tem direito a ter a sua democracia. A da Líbia é mil vezes mais verdadeira do que a dos EUA. Aliás, é até algo exagerada, ao recorrer diretamente à população, sem a mediação de nenhum partido:
 
“Eu e os Oficiais Livres [que lideraram a Revolução] não temos qualquer cargo. Deixamos o poder ao povo líbio, aos Congressos do Povo e aos comitês populares, que são o povo líbio. Meus colegas e eu já não somos responsáveis por qualquer coisa, exceto pegar em armas para lutar pela Líbia. Nós deixamos ao povo o Estado e o dinheiro do petróleo. Eu apoio o poder do povo e exorto o povo líbio a formar, na base, cada vez mais órgãos de poder. Nós queremos que o povo líbio assuma todo o controle da Líbia. A revolução é a consciência popular, o trabalho de construção, o respeito ao Poder Popular, aos congressos e comitês populares. Por isso ela é uma Revolução Popular. Apenas insisto que o petróleo da Líbia deve ser do povo líbio”.
 
Kadafi descreveu os atos de vandalismo e desordem:
 
“Penso que devemos publicar todos os fatos sobre a Líbia, porque, no exterior, ao invés de transmitirem a verdade, recorre-se a canais sujos que querem recuperar o que perderam. Organizações da sociedade civil e conspiração com o exterior são coisas muito diferentes. Já se viu alguém decente envolvido nesse processo? Nunca.
 
“Aqui e ali um pequeno grupo, encharcado pela bebida que lhes deram, invadiu delegacias de polícia; como ratos, atacaram quartéis sem tropas – como não estamos em estado de guerra, elas estavam trabalhando em nossos armazéns e acampamentos. Estávamos em segurança e paz, e se aproveitaram dessa paz e segurança para atacar tribunais e queimar os processos de seus crimes, e os postos de polícia onde corriam os inquéritos. Esses bandos, essas gangues, não representam nada, nem a milionésima parte do povo líbio. Querem cortar a eletricidade, a água, e explodir os poços de petróleo. Querem destruir o que nós construímos – e como nos esforçamos para construí-lo!”.
 
Kadafi encerrou seu discurso conclamando o povo líbio a resistir à tentativa de golpe:
 
“Famílias, juntem seus filhos, deixem suas casas, saiam às ruas, capturem os ratos, não tenhais medo deles. Querem tirar nosso petróleo, destruir a liberdade, o poder do povo, a Líbia. Vamos, se preciso, fazer uma marcha sagrada de milhões para limpar a Líbia”.
 
CARLOS LOPES