Alemanha pondera riscos e descarta zona de exclusão
Os países europeus continuam divididos sobre a intervenção armada contra a Líbia. Enquanto França e Inglaterra estão correndo contra o tempo para fabricar uma “zona de exclusão aérea” na Líbia, países como a Alemanha estão altamente céticos sobre o sucesso – ou a oportunidade – de fazê-lo. “Uma zona de exclusão aérea não é a colocação de um sinal de trânsito, mas intervir com bombas, foguetes, armas”, afirmou o ministro das Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, se contrapondo a Paris e Londres – e também, claro, a Washington.
“Qual é o plano se criarmos uma zona de exclusão aérea e não funcionar? Enviar tropas terrestres?”, questionou a primeira-ministra Ângela Merkel, que não esconde o temor de ser empurrada para outro Iraque ou Afeganistão – ou até mesmo para uma guerra civil em um país do outro lado do Mediterrâneo. “Nós temos de pensar sobre isso. Porque deveríamos intervir na Líbia quando não intervimos em nenhum outro lugar [das recentes crises árabes]?”
Merkel também se mostrou irritada com o “reconhecimento oficial” de Sarkozy ao “Conselho Transitório” montado em Benghazi, embora tenha insistido em conclamações ao que o líder Kadafi se vá. Por sua vez o primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte considerou como “uma medida maluca” o reconhecimento formal anunciado pela França – o qual, assinalou, é contrário aos procedimentos diplomáticos.
Já o primeiro-ministro inglês David Cameron, que não chegou ao extremo de reconhecer oficialmente o “Conselho Transitório”, está agindo em dupla com Sarkozy na redação da resolução a ser apresentada ao Conselho de Segurança da ONU de uma “zona de exclusão aérea”. Também quer dar aos colaboracionistas o dinheiro do Banco Central líbio e do Fundo Soberano confiscado ilegalmente.
Quanto a se estão ou não intervindo, na semana passada oito comandos ingleses das forças especiais (SAS) e um espião do MI-6 foram capturados no leste da Líbia, segundo o “The Sun”. A Líbia também capturou um helicóptero holandês armado. A repatriação dos soldados holandeses foi anunciada pelo filho de Kadafi, Said. “Dissemos a eles que não voltem nunca mais sem nossa permissão. Isto é a Líbia, e ainda estamos aqui”. Os soldados retornarão – “mas não o helicóptero armado”-, acrescentou.
hp
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