sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Por Que As Pessoas Gritam?



Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:

- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?

- Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.

- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado? – Questionou novamente o pensador.

- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar:

- Então não é possível falar-lhe em voz baixa?

Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:

- Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecida? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito.

Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente.

Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.

Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas?

Elas não gritam. Falam suavemente.

E por quê?

Porque seus corações estão muito perto.

A distância entre elas é pequena.

Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram.

E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta.

Seus corações se entendem.

É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.

Por fim, o pensador conclui, dizendo:

“Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta”



Mahatma Gandhi

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O funesto império mundial das corporações

Leonardo Boff


O funesto império mundial das corporações


Os bons votos de um ano feliz são rituais. Não passam de simples votos, pois não conseguem mudar o curso do mundo  onde os super-poderosos  seguem sua estratégia de dominação global. Sobre isso é que precisamos pensar e até rezar pois as consequências econômicas, sociais, culturais, espirituais e para o futuro da espécie e da natureza podem ser nefastas.

Muitos como J. Stiglitz e P. Krugman esperavam que o legado da crise de 2008 seria um grande debate sobre que tipo de sociedade queremos construir. Erraram feio. A discussão não se deu. Ao contrário, a lógica que provocou a crise foi retomada com mais furor. Richard  Wilkinson, um dos maiores especialistas sobre o tema desigualdade  foi mais atento e dissse, há tempos, nums entrevista ao jornal Die Zeit da Alemanha: ”a questão fundamental é esta: queremos ou não verdeiramente viver segundo o princípio que o mais forte se apropria de quase tudo e o mais fraco é deixado para trás?”.

Os super-ricos e super-poderosos decidiram que querem viver segundo o princípio darwinista do mais forte e que se danem os mais fracos. Mas comenta Wilkinson: “creio que todos temos necessidade de uma maior cooperação e reciprocidade, pois as pessoas desejam uma maior igualdade social”. Esse desejo é intencionalmene negado por esses epulões.

Via de regra, a lógica capitalista é feroz: uma empresa engole a outra (eufemisticamente se diz que se fizeram fusões). Quando se chega a um ponto em que só restam apenas algumas grandes, elas mudam a lógica: ao invés de se guerrearem, fazem entre si uma aliança de lobos e comportam-se mutuamente como  cordeiros. Assim articuladas detém mais poder, acumulam com mais certeza para si e para seus acionistas, desconsiderando totalmente o bem da sociedade.

A influência política e econômica que exercem sobre os governos, a maioria muito mais fracos que elas, é extremamente constrangedor, interferindo no preço das commodities, na redução dos investimentos sociais, na saúde, educação, transporte e segurança. Os milhares que ocupam as ruas no mundo e no Brasil intuíram essa dominação de um novo tipo de império, feito sob o lema:”a ganância é boa” (greed is good) e “devoremos o que pudermos devorar”.

Há excelentes estudos sobre a dominação do mundo por parte das grandes corporações multilaterais. Conhecido é o de David Korten”Quando as corporações regem o mundo”(When the Corporations rule the World). Mas fazia falta  um estudo de síntese. Este foi feito pelo Instituto Suiço de Pesquisa Tecnológica (ETH)” em Zurique em 2011 que se conta entre os mais respeitados centros de pesquisa, competindo com MIT. O documento envolve grandes nomes, é curto, não mais de 10 páginas e 26 sobre a metodologia para mostrar a total transparência dos resultados. Foi resumido pelo Prof. de economia da PUC-SP Ladislau Dowbor em seu site. Baseamo-nos nele.

Dentre as 30 milhões de corporações existentes, o Instituto selecionou 43 mil para estudar melhor a lógica de seu funcionamento. O esquema simplificado se articula assim: há um pequeno núcleo financeiro central que possui dois lados: de um,  são as corporações que compõe o núcleo e do outro, aquelas que são controladas por ele. Tal articulação cria uma rede de controle corporativo global. Essse pequeno núcleo (core) constitui uma super-entidade(super entity). Dele emanam os controles em rede, o que facilita a redução dos custos, a proteção dos riscos, o aumento da confiança e, o que é principal, a definição das linhas da economia global que devem ser fortalecidas e onde.

Esse pequeno núcleo, fundamentalmente de grandes bancos, detém a maior parte das participações nas outras corporações. O topo controla 80% de toda rede de corporações. São apenas 737 atores, presentes em 147 grandes empresas. Ai estão o Deutsche Bank, o J.P. Morgan Chase, o UBS, o Santander, o Goldes Sachs, o BNP Paribas entre outros tantos. No final menos de 1% das empresas controla 40% de toda rede.

Este fato nos permite entender agora a indignação dos Occupies  e de outros que acusam que 1% das empresas faz o que quer com os recursos suados de 99% da população. Eles não trabalham e nada produzem. Apenas fazem mais dinheiro com dinheiro lançado no mercado da especulação.

Foi esta absurda voraciade de acumular ilimitadamente que gestou a crise sistêmica de 2008. Esta lógica aprofunda cada vez mais a desigualdade e torna mais difícil a saída da crise. Quanto de desumanidade aquenta o estômago dos povos? Pois tudo tem seu limite nem a economia é tudo. Mas agora nos é dado ver as entranhas do monstro. Como diz Dowbor: ”A verdade é que temos ignorado o elefante que está no centro da sala”.  Ele está quebrando tudo, critais, louças e pisoteando pessoas. Mas até quando? O senso ético mundial nos assegura que uma sociedade não pode subsistir por muito tempo assentada sobre a super exploração, a mentira e a anti-vida.

http://www.cartamaior.com.br

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

"Conheci boas pessoas marxistas", afirma o Papa


Em resposta às críticas de setores reacionários dos Estados Unidos de que suas ideias econômicas e sociais seriam comunistas, o Papa Francisco disse em entrevista para o jornal italiano La Stampa, no domingo (15), que não é marxista, "mas conheci durante a minha vida muitos marxistas que eram boas pessoas e por isso não me sinto ofendido quando me chamam assim".
O Pontífice ficou "surpreendido" com as reações adversas após a publicação de sua exortação apostólica "Evangelii Gaudium" (A alegria do Evangelho), particularmente em relação à passagem em que qualifica o capitalismo como "uma nova tirania", como uma "economia de exclusão e desigualdade que mata" muitas pessoas ao redor do mundo.
Francisco afirmou ter apresentado a "Doutrina Social da Igreja" numa "fotografia" sobre a situação atual, o que "não significa ser marxista", e insistiu que não falou do ponto de vista técnico.
"Prometia-se que quando o copo estivesse cheio, transbordaria e os pobres se beneficiariam com isso. O que acontece, pelo contrário, é que quando está cheio, o copo cresce, por artes mágicas, e nunca chega nada para os pobres", explicou. O Papa renovou os seus apelos para travar a luta contra a fome e o desperdício de alimentos, pedindo que todos se unam para "dar de comer" a quem precisa. "Que a esperança e a ternura do Natal do Senhor nos sacudam da indiferença", apelou.
Francisco assinalou que não sabe de onde surgiu a notícia de que criaria mulheres cardeais, e aproveitou para desmentir a versão. "As mulheres na Igreja devem ser valorizadas, não clericalizadas. Os que pensam em mulheres cardeais sofrem um pouco de clericalismo", afirmou.
Ele disse que as reformas financeiras estão "no caminho certo", mas ainda não decidiu o que irão fazer com o Banco do Vaticano, envolto em escândalos nas últimas décadas. No passado, não descartou em fechá-lo.
Francisco disse que está "ficando pronto" para visitar a Terra Sagrada no ano que vem, no 50° aniversário de quando o Papa Paulo VI se tornou o primeiro Papa nos tempos modernos a visitar o local.

Ele foi convidado pela Autoridade Palestina e por Israel para fazer uma visita, que deve ser realizada em maio ou junho.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL



EDWARD SNOWDEN

Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.
Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.
Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.
Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.
A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria “segurança” –em nome da “segurança” de Dilma, em nome da “segurança” da Petrobras–, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.
Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.
Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.
A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos.
Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é “vigilância”, é “coleta de dados”. Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.
Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima –em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas– e esses programas de vigilância em massa para a formação de uma rede de informações, que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.
Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.
Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros.
Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!
Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.
Seis meses atrás, revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro. Agora o mundo inteiro está ouvindo de volta e também falando. E a NSA não gosta do que está ouvindo.
A cultura de vigilância mundial indiscriminada, que foi exposta a debates públicos e investigações reais em todos os continentes, está desabando.
Apenas três semanas atrás, o Brasil liderou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para reconhecer, pela primeira vez na história, que a privacidade não para onde a rede digital começa e que a vigilância em massa de inocentes é uma violação dos direitos humanos.
A maré virou, e finalmente podemos visualizar um futuro em que possamos desfrutar de segurança sem sacrificar nossa privacidade.
Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros.
Mesmo os defensores da vigilância de massa, aqueles que talvez não estejam convencidos de que tecnologias de vigilância ultrapassaram perigosamente controles democráticos, hoje concordem que, em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público.
Meu ato de consciência começou com uma declaração: “Não quero viver em um mundo em que tudo o que digo, tudo o que faço, todos com quem falo, cada expressão de criatividade, de amor ou amizade seja registrado. Não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir e não é algo sob o qual estou disposto a viver.”
Dias mais tarde, fui informado que meu governo me tinha convertido em apátrida e queria me encarcerar. O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: não serei eu que ignorarei a criminalidade em nome do conforto político. Prefiro virar apátrida a perder minha voz.
Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.
Tradução de CLARA ALLAIN

Coca-Cola e a luta territorial dos índios brasileiros


Transnacional compra açúcar de uma empresa estadunidense envolvida na luta territorial dos índios guaranis, no Brasil
16/12/2013
Os índios guaranis do Brasil vêm solicitando à Coca-Cola que deixe de comprar açúcar da gigante do agronegócio dos Estados Unidos (EUA), Bunge, que está envolvida em um escândalo de apropriação de terras.
Um informe recente, da Oxfam, revela que a Coca-Cola está adquirindo açúcar da empresa que, por sua vez, compra cana-de-açúcar de terras roubadas dos guaranis para produzir biocombustíveis "manchados com sangue indígena”.
Um porta-voz dos índios declarou à Survival Internacional: "A Coca-Cola deve deixar de comprar açúcar da Bunge. Enquanto essas empresas se beneficiam, nós nos vemos forçados a conviver com a fome, miséria e assassinatos”.
Os 370 guaranis da comunidade de Jata Yvary, no estado brasileiro do Mato Grosso do Sul vem perdendo a maior parte de suas terras ancestrais para as plantações que vendem cana de açúcar para a Bunge, e estão condenados a viver em uma diminuta parcela de terra completamente ilhada por essas plantações.
Os índios padecem de problemas graves de saúde como resultado do uso dos pesticidas nas plantações. Eles lamentam a perda de sua florestas, de onde obtinham alimentos, plantas medicinais e refúgio.
Arlindo, líder de Jata Yvary, explica em um lamento emocionante: "(Os proprietários de terras) estão destruindo quase tudo, nossa fruta nativa, nossos recursos. Espalham pesticidas de aviões. As crianças ficam com dor de cabeça e vomitam”. 
Os guaranis são o outro lado da crescente demanda mundial de biocombustíveis. A maior parte da terra das tribos foram roubadas e ocupadas por proprietários de terra poderosos, que utilizam como pasto para o gado e para a produção de soja e cana de açúcar.
Os líderes guaranis estão sendo perseguidos e assassinados sistematicamente enquanto lutam por seus direitos territoriais. A situação desesperadora que atravessa a tribo levou muitos de seus integrantes a se suicidarem: há registros de uma taxa de suicídio 34 vezes superior à média nacional do Brasil.
Ambrósio Vilhava, guarani conhecido internacionalmente por sua interpretação no premiado filme Birdwatchers, que mostra a situação dos índios guaranis, foi o último líder assassinado.
A Coca-Cola se comprometeu recentemente com a política de tolerância zero da Oxfam, diante da acumulação de terras e a "reconhecer e preservar os direitos das comunidades e povos tradicionais para manter o acessoa à terra e aos recursos naturais”.
A Survival pediu à Bunge para que deixe de comprar cana de açúcar procedente das terras guaranis, se comunicou com a Coca-Cola e pediu, repetidamente, às autoridades brasileiras para que demarquem a terra guarani com a máxima urgência, antes da Copa do Mundo de 2014.
Stephen Corry, diretor da Survival Internacional, declarou hoje que: "As empresas multinacionais são mestres em desviar as críticas com promessas de mudanças, mas sua política não serve de nada quando esta não é acompanhada de ações concretas. Para levar a sério o compromisso da Coca-Cola, a empresa deve deixar de comprar açúcar proveniente da Bunge. Enquanto o acordo com essa empresa perdurar, a promessa da Coca-Cola contra a acumulação de terras não tem sentido”.

Causas da erosão atual dos direitos humanos


Ao invés de avançarmos no respeito da dignidade humana e dos direitos das pessoas, dos povos e dos ecossistemas estamos regredindo a níveis de barbárie
17/12/2013
Leonardo Boff
Vivemos num mundo no qual os direitos humanos são  violados, praticamente em todos os níveis, familiar, local, nacional e planetário. O Relatório Anual da Anistia Internacional de 2013 com referência a 2012 cobrindo 159 países faz exatamente esta dolorosa constatação.
Ao invés de avançarmos no respeito da dignidade humana e dos direitos das pessoas, dos povos e dos ecossistemas estamos regredindo a níveis de barbárie. As violações não conhececem fronteiras e as formas desta agressão se sofisticam cada vez mais.
A forma mais convarde é  a ação dos “drones”, aviões não pilotados que a partir de alguma base do Texas, dirigidos por um jovem militar diante de uma telinha de televisão, como se estivesse jogando, consegue identificar um  grupo de afegãos  celebrando um casamento e dentro do qual, presumivelmente deverá haver algum guerrilheiro da Al Qaida. Basta esta suposição para com um pequeno clique lançar uma bomba que aniquila  todo o grupo, com muitas mães e criançasinocentes.
É a forma perversa da guerra preventiva, inaugurada por Bush e criminosamente levada avante pelo Presidente Obama que não cumpriu as promessas de campanha com referência aos direitos humanos, seja do fechamento de Guantânamo, seja da supressão do “Ato Patriótico”(antipatriótico) pelo qual qualquer pessoa dentro dos USA pode ser detida por suspeita de terrorismo, sem necessidade de avisar a família.
Isso significa sequestro ilegal que nós naAmérica Latina conhecemos de sobejo. Verifica-se em termos econômicos e também de direitos humanos uma verdadeira latinoamericanização dos USA no estilo dos nossos piores momentos da época  de chumbo das ditaduras militares. Hoje, consoante o Relatório da Anistia Internacional, o país que mais viola direitos de pessoas e de povos são os Estados Unidos.
Com a maior indiferença, qual imperador romano absoluto, Obama nega-se a dar qualquer justificativa suficiente sobre espionagem mundial que seu Governo faz a pretexto da segurança nacional, cobrindo áreas que vão detrocas de e-mails amorosos entre dois apaixonados até dos negócios sigilosos e bilionários da Petrobrás, violando o direito à privacidade das pessoas e à soberania de todo um país. A segurança anula a validade dos direitos irrenunciáveis.
O Continente que mais violações sofre, é a África. É o Continente esquecido e vandalizado. Terras são compradas (land grabbing) por grandes coroporações e pela China para nelasproduzirem alimentos para suas populações. É uma neocolonização mais perversa que a anterior.
Os milhares e milhares de refugiados e imigrantes por razões de fome e de erosão de suas terras são os mais vulneráveis. Constituem uma sub-classe de pessoas, rejeitadas por quase todos os países, “numa globalização da insensibilidade” como a chamou o Papa Francisco. Dramática, diz o Relatório da Anistia Internacional, é a situação das mulheres. Constituem mais da metade da humanidade, muitísssimas delas sujeitas a violências de todo tipo e em várias partes da Africa e da Ásia ainda obrigadas à mutilação genital.
A situação de nosso pais é preocupante dado o nível de violência que campeia em todas as partes. Diria, não há violência: estamos montados sobre estruturas de violência sistêmica que pesa sobre mais da metade da população afrodescendente, sobre os indígenas que lutam por preservar suas terras contra a voracidade impune do agronegócio, sobre os pobres em geral e  sobre os LGBT, discriminados e até mortos.
Porque nunca fizemos uma reforma agrária, nem política, nem tributária assistimos nossas cidades se cercarem de centenas e centenas de “comunidades pobres”(favelas) onde os direitos à saúde, educação, à infra-estrutura e à segurança são deficitariamente garantidos.
O fundamento último do cultivo dos direitos humanos reside na dignidade de cada pessoa humana e no respeito que lhe é devido. Dignidade significa que ela é  portadora de espírito e de liberdade que lhe permite moldar sua própria vida. O respeito é o reconhecimento de que cada ser humano possui um valor intrínseco, é um fim em si mesmo e jamais meio para qualquer outra coisa. Diante de cada ser humano, por anônimo que seja, todo poder encontra o seu limite, também o Estado.
O fato é  que vivemos num tipo de sociedade mundial que colocou a economia como seu eixo estruturador. A razão é só utilitarista e tudo, até a pessoa humana, como odenuncia o Papa Francisco é feita “um bem de consumo que uma vez usado pode ser atirado fora”. Numa sociedade assim não há lugar para direitos, apenas para interesses. Até o direito sagrado à comida e à bebida só é garantido para quem puder pagar. Caso contrário, estará ao pé da mesa, junto aos cães esperandoalguma migalha que caia da mesa farta dos epulões.
A tarefa além de humanitária e ética é principalmente política: como  transformar este tipo de sociedade malvada numa sociedade onde os humanos possam se tratar humanamente e gozar de direitos básicos. Caso contrário a violência é a norma.

Dilma informa a empresários que indústria está crescendo


Discurso aconteceu no 8º Encontro Nacional da Indústria

Os empresários brasileiros são muito educados. Nós, também. Por isso, preferiríamos omitir os 37 minutos e 10 segundos que a presidente Dilma gastou em seu discurso no Encontro Nacional da Indústria (ENAI), na quarta-feira. Mas, infelizmente, somos um jornal – e função de jornal é informar aos leitores sobre os fatos. Além disso, se os empresários aguentaram até o fim a arenga presidencial, por que nós não poderíamos fazer um sacrifício semelhante? Então, vamos lá.
Talvez algum empresário vindo de Marte – ou adjacências – tenha gostado muito de saber que, ao contrário dos outros países da Terra, com suas “baixas taxas de crescimento”, “nada mais diferente que a realidade do Brasil”, com “um mercado interno dinâmico, estímulo fundamental para o crescimento de nossa produção” e onde “os indicadores da economia persistem positivamente mostrando a continuidade de uma trajetória sustentável de crescimento (...). Estamos colecionando conquistas e avanços” e tudo porque “foram muitas as medidas e as decisões tomadas em favor da indústria brasileira. Ouso dizer que em poucos momentos da nossa história o desenvolvimento da indústria esteve tão presente, tão no centro das atenções e das preocupações do governo. (…) Temos garantido créditos para a indústria em condições adequadas de prazo e custo. (…) permitindo manter uma relação e uma trajetória sustentada de crescimento da produção industrial”.
A “trajetória sustentada de crescimento da produção industrial” é a seguinte: em 2010, último ano do governo Lula, ela crescera +10,5%. Em 2011, ela caiu para 0,3%. Em 2012, continuou afundando e foi para -2,7% (menos 2,7%). Agora, está em apenas 1,6%, de janeiro a outubro.
Como consequência desse massacre, o PIB, que crescera 7,5% em 2010, caiu para 2,7% em 2011, 1% em 2012 e agora tem a medíocre perspectiva de chegar, talvez, a 2,2% este ano, uma taxa inferior a de quase todos os países do mundo, assim como as de 2011 e 2012.
Em apenas dois anos de governo Dilma, a participação da indústria de transformação no PIB caiu 3 pontos percentuais (3 p.p.) em relação ao último ano do governo Lula (2010) - e continua caindo.
O valor adicionado na indústria caiu de +10,4% (2010) para +1,6% (2011), -0,8% (2012) e, até setembro deste ano, estava em apenas +1,2%.
A preços constantes (ou seja, descontando a inflação) o valor da produção industrial encontra-se no mesmo nível do terceiro trimestre de 2008, isto é, no mesmo nível de cinco anos atrás.
Será que tudo isso aconteceu – e continua acontecendo – pelo cuidado extremoso do governo Dilma para com a indústria?
Nem aquele presidente que, sob a ditadura, disse que o Brasil era uma ilha de paz e tranquilidade num mar tormentoso seria capaz de tal conclusão. Talvez o empresário que veio de Marte tenha se convencido, após ouvir a presidente.
Porém, os empresários brasileiros não têm a menor condição de ignorarem sua própria vida, depois de três anos de política hostil à indústria, em síntese, de política anti-industrial.
Não é possível, pela repetição ad nauseam da palavra “competitividade”, fazer a mágica de convencer os empresários de que são eles os culpados por essa situação de calamidade. Dizer que são as empresas nacionais, ou os empresários, que não são “competitivos”, é acusar essas empresas e empresários das consequências da sua própria política anti-industrial – e, ao mesmo tempo, recitar uma deslumbrada litania às multinacionais que desindustrializam o país sob a proteção do governo.
Que indústria é “competitiva” com juros altíssimos, câmbio artificialmente a favor das importações, estímulo à desnacionalização das empresas, cortes nos investimentos, gastos e financiamentos públicos, omissão completa diante da desindustrialização, privilégios reiterados aos bancos e multinacionais e restrição do mercado, através de uma escamoteada contenção salarial?
O problema da nossa indústria, ao contrário do que a presidente falou, não é “se inserir no quadro econômico internacional”, pois isso ela já está há muito. O problema da nossa indústria, pelo contrário, é que ela está sendo destruída dentro do seu próprio país por asfixia meramente financeira, com seu mercado – o mercado nacional, o mercado interno – sendo ocupado por importações diretas ou indiretas (produtos montados a partir de componentes importados) totalmente desnecessárias. Como ser “competitivo” lá fora se a sua base, aqui dentro, está sendo ocupada pelos supostos “concorrentes”?
É, aliás, um escárnio chamar monopólios multinacionais de “concorrentes”: monopólios não concorrem, apenas usam seu maior poder financeiro para quebrar aqueles que realmente concorrem. Daqui se pode depreender a fraude dessa “competitividade” que só serve para atribuir aos empresários e trabalhadores nacionais uma incompetência que não é deles. Não existe “competitividade” onde não existe competição.
A parcela do consumo interno de produtos industriais ocupada por importações aumentou 13,3% no governo Dilma, segundo dados da FIESP. No terceiro trimestre deste ano, esta parcela, denominada “coeficiente de importação”, estava em 24,7%. Quase toda a expansão do consumo (82,4% dessa expansão) fora ocupada pelas mercadorias importadas e apenas 17,6% pela indústria nacional.
Essa invasão bárbara – ou, melhor, imperialista – não foi provocada por qualquer “falta de competitividade” da indústria nacional, mas pela política do governo.
Da mesma forma, o estado semicalamitoso das exportações. Diz a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (FUNCEX): “No acumulado do ano até outubro, todas as classes de produtos registram variações negativas nos índices de preços de exportação (...). Faltando apenas dois meses para o encerramento do ano, é certo que os preços das exportações brasileiras deverão registrar queda pelo segundo ano consecutivo” (cf., FUNCEX, Boletim de Comércio Exterior, ano XVII, n° 11, nov. 2013).
Enquanto isso, as importações:
“... o quantum de importação de todas as categorias de uso registrou crescimento de dois dígitos, na comparação com setembro. Os índices de importação foram os mais elevados do ano para as categorias de bens intermediários, bens de capital, bens de consumo duráveis e bens de consumo não duráveis, de tal maneira que o índice da importação total alcançou, também, um valor recorde em 2013” (idem).
Não são os empresários que levaram a essa desastrosa “inserção no quadro econômico internacional”. A política do governo forçou a isso. É dispensável mais uma ladainha, dessa vez aos santos de Bali, Doha e da OMC, por um acordo que nem existe, como está na declaração assinada pelo governo brasileiro. Só em julho de 2014 ele será discutido pelo Conselho Geral da OMC (para que não restem dúvidas, reproduzimos o original dessa declaração: “The text adopted in Bali is not final, although the substance will not change. It will be checked and corrected to ensure the language is legally correct, aiming for the General Council to adopt it by 31 July 2014”).
Talvez a presidente Dilma tenha lido a declaração, mas tenha esquecido.

CARLOS LOPES

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Gonzaguinha - Um Homem Também Chora (Guerreiro Menino)



Um Homem Também Chora (guerreiro Menino) Gonzaguinha
Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
Palavras amenas
Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
Da própria candura
Guerreiros são pessoas
Tão fortes, tão frágeis
Guerreiros são meninos
No fundo do peito
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sono
Que os torne perfeitos
É triste ver meu homem
Guerreiro menino
Com a barra do seu tempo
Por sobre seus ombros
Eu vejo que ele berra
Eu vejo que ele sangra
A dor que tem no peito
Pois ama e ama
Um homem se humilha
Se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E vida é trabalho
E sem o seu trabalho
Um homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata
Não dá pra ser feliz
Não dá pra ser feliz

Contraponto 12.913 - "Leitor desmascara manipulação de matéria sobre SUS"


. 
 15/12/2013

Leitor desmascara manipulação de matéria sobre SUS

DO Tijolaço - 15 de dezembro de 2013 | 00:29 Autor: Miguel do Rosário
sus

O Nassif publicou neste sábado à noite um post interessante para se entender a manipulação sistemática das notícias, sempre com um objetivo político. Eu destaquei em negrito algumas passagens. Trata-se de uma situação triste, porque é evidente que o sistema de saúde precisa ser criticado, para melhorar. Mas também me parece evidente que as críticas devam ser construtivas, feitas com boa fé e sem ranço partidário. É um assunto grave demais para deixarmos que se contamine pelas paixões políticas. É a vida de nossas crianças, a nossa vida, que está em jogo.

*
Banco Mundial, SUS e mídia: a arte da manipulação

Eduardo Fagnani | GGN Jornal de Todos os Brasis

A manchete da primeira página da Folha (9/12/13) não deixa margem à dúvida: “Ineficiência marca gestão do SUS, diz Banco Mundial”. A matéria destaca que essa é “uma das conclusões de relatório inédito obtido com exclusividade pela Folha”. Aos desavisados a mensagem subliminar é clara: o SUS é um fracasso e o Ministro da Saúde, incompetente.

A curta matéria da suposta avaliação do Banco Mundial sobre vinte anos do SUS é atravessada de “informações” sobre desorganização crônica, financiamento insuficiente, deficiências estruturais, falta de racionalidade do gasto, baixa eficiência da rede hospitalar, subutilização de leitos e salas cirúrgicas, taxa média de ocupação reduzida, superlotação de hospitais de referência, internações que poderiam ser feitas em ambulatórios, falta de investimentos em capacitação, criação de protocolos e regulação de demanda, entre outras.

Desconfiado, entrei no site do Banco Mundial e consegui acesso ao “inédito” documento “exclusivo”**. Para meu espanto, consultando as conclusões da síntese (Overview), deparei-me com a seguinte passagem que sintetiza as conclusões do documento (página 10):

Nos últimos 20 anos, o Brasil tem obtido melhorias impressionantes nas condições de saúde, com reduções dramáticas na mortalidade infantil e com aumento na expectativa de vida. Igualmente importante, as disparidades geográficas e socioeconômicas tornaram-se muito menos pronunciadas. Existem boas razões para se acreditar que o SUS teve importante papel nessas mudanças. A rápida expansão da atenção básica contribuiu para a mudança nos padrões de utilização dos serviços de saúde com uma participação crescente de atendimentos que ocorrem nos centros de saúde e em outras instalações de cuidados primários. Houve também um crescimento global na utilização de serviços de saúde e uma redução na proporção de famílias que tinham problemas de acesso aos cuidados de saúde por razões financeiras. Em suma, as reformas do SUS têm alcançado pelo menos parcialmente as metas de acesso universal e equitativo aos cuidados de saúde”. (tradução rápida do autor)

Após ler essa passagem tive dúvidas se havia lido o mesmo documento obtido pela jornalista. Fiz novos testes e cheguei à conclusão que sim. Constatado que estava no rumo certo continuei a ler a avaliação do Banco Mundial e percebi que as críticas são apontadas como “desafios a serem enfrentados no futuro”, visando o aperfeiçoamento do SUS.

Nesse caso, o órgão privilegia cinco pontos, a saber: ampliar o acesso aos cuidados de saúde; melhorar a eficiência e a qualidade dos serviços de saúde; redefinir os papéis e relações entre os diferentes níveis de governo; elevar o nível e a eficácia dos gastos do governo; e melhorar os mecanismos de informações e monitoramento para o “apoio contínuo da reforma do sistema de saúde” brasileiro.

O Banco Mundial tem razão sobre os desafios futuros, mas acrescenta pouco ao que os especialistas brasileiros têm dito nas últimas décadas. Não obstante, é paradoxal que esses pontos críticos ainda são, de fato, críticos, em grande medida, pela ferrenha oposição que o Banco Mundial sempre fez ao SUS, desde a sua criação em 1988: o sistema universal brasileiro estava na contramão do “Consenso de Washington” e do modelo dos “três pilares” recomendado pelo órgão aos países subdesenvolvidos.*** É preciso advertir aos leitores jovens que, desde o final dos anos de 1980, Banco Mundial sempre foi prejudicial à saúde brasileira.

É uma pena que o debate sobre temas nacionais relevantes – como o sistema público de saúde, por exemplo – seja interditado pela desinformação movida pelo antagonismo das posições políticas, muitas vezes travestido de ódio, que perpassa a sociedade, incluindo a mídia.

Que o espírito reconciliador Mandela ilumine os brasileiros – e o pobre debate nacional.



BAIXE O DOCUMENTO DO BANCO MUNDIAL AQUI.

*Professor do Instituto de Economia da Unicamp, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho (CESIT/IE-UNICAMP) e coordenador da rede Plataforma Política Social – Agenda para o Desenvolvimento (www.politicasocial.net.br).
** Twenty Years of Health System Reform in Brazil – An Assessment of the Sistema Único de Saúde. Michele Gragnolati, Magnus Lindelow, and Bernard Couttolenc. Human Development. 2013 International Bank for Reconstruction and Development / The World Bank 1818 H Street NW, Washington DC.
*** Consultar, especialmente: BANCO MUNDIAL (1990). World Development Report: Poverty. Washington, D.C; BANCO MUNDIAL (1991). Brasil: novo desafio à saúde do adulto. Washington, D.C. 1991; BANCO MUNDIAL (1993). World Development Report: Investing in Health. Washington, D.C; BANCO MUNDIAL (1994). Envejecimiento sin crisis: Políticas para la protección de los ancianos y la promoción del crecimiento. Washington, D.C; e BANCO MUNDIAL (1995). A Organização, Prestação e Financiamento da Saúde no Brasil: uma agenda para os anos 90. Washington, D.C.

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Contraponto 12.916 - "O que está por trás da denúncia da Globo contra o STF"



15/12/2013

O que está por trás da denúncia da Globo contra o STF


Ninguém acredita nos bons propósitos da Globo

Do Facebook - Paulo Nogueira

Ninguém acredita nos bons propósitos da Globo

Paulo Nogueira

Ninguém acredita nos bons propósitos da Globo

É tanta a má fama da Globo que mesmo quando ela dá uma informação de alto interesse público muita gente desconfia de má fé.

Aconteceu hoje, quando o jornal deu a notícia de que o STF vem recebendo mais recursos públicos do Estado do que deveria por conta de números inflados em seu plano médico.

A União subsidia parte do plano. O STF passou ao governo uma quantidade errada – para cima, naturalmente – de beneficiários. Isso vem significando milhões de reais em dinheiro público canalizado equivocadamente para o STF.

Segundo o Globo, o problema ocorreu na gestão nos dois últimos presidentes, ambos seus queridos amigos, Ayres Britto e Joaquim Barbosa.

O que o Globo poderia estar querendo ao veicular ao publicar uma coisa tão ruim ao Supremo?
Uma versão que corre é que a real intenção é pressionar a ministra Rosa Weber. A tese foi primeiro levantada por uma das figuras mais intrigantes da internet brasileira, Stanley Burburinho.
Ao fuçar no site do STF, Burburinho viu que Rosa será a relatora do processo que envolve a corrupção tucana no metrô de São Paulo.

Ele associou isto à informação que o Globo trouxe segundo a qual Rosa fora avisada dos números inflados. (Joaquim Barbosa também foi comunicado, mas isso não deteve as especulações.)
Na blogosfera, a tese de Burburinho foi intensamente abraçada, depois de publicada no site Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim.

Quanto a mim.

Pessoalmente, não acredito.

A Globo é demasiadamente concentrada em si mesma para pressionar alguém em nome de quem seja fora da família Marinho.

Verdade que a mídia corporativa faz coisas inacreditáveis. No âmbito mesmo do STF, a Folha deu uma chacoalhada em Ayres Britto depois que ele revogou a Lei de Imprensa da era militar e rascunhava algumas coisas em troca.

Ayres Britto acusou o golpe, e o resultado é que a sociedade simplesmente perdeu o direito de resposta. Devemos essa aberração ao jornal a serviço do Brasil, aspas e pausa para rir.
Posso aceitar até que o Globo tenha mandado um recado ao STF ao publicar a apropriação indevida de dinheiro do contribuinte.

Mas o beneficiário teria que ser ela mesma.

Esta é a cultura, esta é a alma da Globo – servir a si própria.

Não rejeito a tese do recado. Mas duvido que a Globo estique os braços para ajudar um partido que está morrendo à míngua de causa e de votos.

A Globo quer expulsar, por exemplo, o El País, que colocou no ar um site em português para atuar no mercado brasileiro.

Vigora no Brasil uma ridícula, obsoleta, anticapitalista reserva de mercado para a mídia.

Faz mais nexo a Globo estar avisando o STF de que, caso a questão do El País vá dar lá, é bom que os juízes se comportem direitinho.
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Mandela e Fidel: o que não se diz


Por Atílio Borón, no sítido da Adital:

A morte de Nelson Mandela precipitou uma catarata de interpretações sobre sua vida e obra, todas o apresentando como um apóstolo do pacifismo e uma espécie de Madre Teresa da África do Sul. 

Trata-se de uma imagem essencial e premeditadamente equivocada, que ignora que após a matança de Sharperville, em 1960, o Congresso Nacional Africano (CNA) e seu líder, exatamente Mandela, adotaram a via armada e a sabotagem de empresas e projetos de importância econômica, mas sem atentar contra vidas humanas.

Mandela percorreu diversos países da África em busca de ajuda econômica e militar a fim de sustentar essa nova tática de luta. Foi preso em 1962 e, pouco depois, condenado à prisão perpétua, que o manteria relegado em uma prisão de segurança máxima, em cela de 2x2 metros, durante 25 anos, exceto os últimos dois anos, nos quais a formidável pressão internacional para conseguir sua libertação melhorou as condições de sua detenção.

Mandela, portanto, não foi um "adorador da legalidade burguesa”, mas um extraordinário líder político, cuja estratégia e táticas de luta foram variando conforme mudavam as condições sob as quais se davam suas batalhas. Diz-se que foi o homem que acabou com o odioso apartheid sul-africano, o que é uma meia-verdade.

Outra parte do mérito cabe a Fidel e à Revolução cubana, que com sua intervenção na guerra civil de Angola selou a sorte dos racistas, ao derrotar as tropas do Zaire (hoje, República Democrática do Congo), do exército sul-africano e dos dois exércitos mercenários angolanos, organizados, armados e financiados pelos EUA através da CIA. Graças a sua heroica colaboração, na qual uma vez mais se demonstrou o nobre internacionalismo da Revolução Cubana, conseguiu-se manter a independência de Angola, sentar bases para a posterior emancipação da Namíbia e disparar o tiro de misericórdia contra o apartheid sul-africano.

Por isso, informado do resultado da crucial batalha de Cuito Cuanavale, em 23 de março de 1988, Mandela escreveu da prisão que o desfecho do que se chamou de "Stalingrado africana” foi "o ponto de inflexão para a libertação de nosso continente, e do meu povo, do flagelo do apartheid”. A derrota dos racistas e seus mentores estadunidenses deu um golpe mortal na ocupação sul-africana da Namíbia e precipitou o início das negociações com o CNA, que, devagar, terminariam demolindo o regime racista sul-africano, obra mancomunada por aqueles dois estadistas gigantescos e revolucionários.

Anos mais tarde, na Conferência de Solidariedade Cubano-Sul-Africana de 1995, Mandela diria que "os cubanos vieram a nossa região como doutores, professores, soldados, especialistas agrícolas, mas nunca como colonizadores. Compartilharam as mesmas trincheiras de luta contra o colonialismo, o subdesenvolvimento e o apartheid... Jamais esqueceremos esse incomparável exemplo de desinteressado internacionalismo”. É uma boa recordação para quem ontem e ainda hoje fala da "invasão” cubana a Angola.

Cuba pagou um preço enorme por este nobre ato de solidariedade internacional que, como recorda Mandela, foi o ponto de inflexão da luta contra o racismo na África. Entre 1975 e 1991, cerca de 450.000 homens e mulheres da ilha passaram por Angola, apostando nisso sua vida. Pouco mais de 2.600 perderam-na, lutando para derrotar o regime racista de Pretória e aliados. A morte deste extraordinário líder que foi Nelson Mandela é uma excelente ocasião para homenagear sua luta e, também, o heroísmo internacionalista de Fidel e da Revolução Cubana.

* Traduzido por Gabriel Brito, do sítio Correio da Cidadania.

sábado, 14 de dezembro de 2013

CAZUZA

UMA PSICÓLOGA QUE ASSISTIU AO FILME ESCREVEU O SEGUINTE TEXTO: 

'Fui ver o filme Cazuza há alguns dias e me deparei com uma coisa estarrecedora... As pessoas estão cultivando ídolos errados. Como podemos cultivar um ídolo como Cazuza? 

Concordo que suas letras são muito tocantes, mas reverenciar um marginal como ele, é, no mínimo, inadmissível. Marginal, sim, pois Cazuza foi uma pessoa que viveu à margem da sociedade, pelo menos uma sociedade que tentamos construir (ao menos eu) com conceitos de certo e errado. No filme, vi um rapaz mimado, filhinho de papai que nunca precisou trabalhar para conseguir nada, já tinha tudo nas mãos. A mãe vivia para satisfazer as suas vontades e loucuras. O pai preferiu se afastar das suas responsabilidades e deixou a vida correr solta. São esses pais que devemos ter como exemplo? 

Cazuza só começou a gravar porque o pai era diretor de uma grande gravadora... Existem vários talentos que não são revelados por falta de oportunidade ou por não terem algum conhecido importante. 

Cazuza era um traficante, como sua mãe revela no livro, admitiu que ele trouxe drogas da Inglaterra, um verdadeiro criminoso. 

Concordo com o juiz Siro Darlan quando ele diz que a única diferença entre Cazuza e Fernandinho Beira-Mar é que um nasceu na zona sul e outro não. Fiquei horrorizada com o culto que fizeram a esse rapaz, principalmente por minha filha adolescente ter visto o filme. 

Precisei conversar muito para que ela não começasse a pensar que usar drogas, participar de bacanais, beber até cair e outras coisas, fossem certas, já que foi isso que o filme mostrou. Por que não são feitos filmes de pessoas realmente importantes que tenham algo de bom para essa juventude já tão transviada? Será que ser correto não dá Ibope, não rende bilheteria? Como ensina o comercial da Fiat, precisamos rever nossos conceitos, só assim teremos um mundo melhor. Devo lembrar aos pais que a morte de Cazuza foi consequência da educação errônea a que foi submetido. 

Será que Cazuza teria morrido do mesmo jeito se tivesse tido pais que dissessem NÃO quando necessário? Lembrem-se, dizer NÃO é a prova mais difícil de amor. Não deixem seus filhos à revelia para que não precisem se arrepender mais tarde. A principal função dos pais é educar... Não se preocupem em ser 'amigo' de seus filhos. Eduque-os e mais tarde eles verão que você foi à pessoa que mais os amou e foi, é, e sempre será, o seu melhor amigo, pois amigo não diz SIM sempre.' 

KARLA CHRISTINE PSICÓLOGA CLÍNICA — com Victory and Glory - Tecnologia e Inteligência Empressarial e Beeai.