terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Nelson Mandela de corpo inteiro


Por Antonio Luiz M.C. Costa, na revistaCartaCapital:

Rolihlahla Mandela nasceu em plena Primeira Guerra Mundial, recebeu o apelido inglês de Nelson de sua primeira professora primária segundo o costume do tempo, mas ficou mais conhecido de seus companheiros de luta como Madiba (nome de seu clã da etnia Xhosa) e do povo sul-africano como Tata, “pai”. Pensou como marxista, combateu como revolucionário e governou como reformista. Pode ser reivindicado como exemplo tanto pela esquerda radical quanto pela pragmática, embora a lição a ser aprendida seja, mais razoavelmente, que qualquer grau de sucesso depende da disposição de adaptar os meios e fins imediatos ao momento histórico sem abandonar os princípios e os fins últimos.

Inaceitável é tentar expurgar da sua história os confrontos com a brutalidade do apartheid que a marcaram, como se ele tivesse caído do céu em 1990 para trazer a paz e a fraternidade e desde então seu país tivesse vivido feliz para sempre. Falsificações como a da revista Veja, uma editora com 30% de capital do grupo sul-africano Naspers, que defendeu o apartheid até o último suspiro, chamá-lo de “Guerreiro da Paz” na capa, enquanto seus blogueiros insistiam em classificá-lo de terrorista, são parte da tentativa de cooptar uma vida revolucionária para fins conservadores. Que atingiu o cúmulo do ridículo com argumentos em blogs, jornais ou na tevê que Mandela seria contra as cotas raciais “petistas”: “Aos negros seria conveniente mirar-se nos exemplos de igualdade e jamais lutar por cotas”, atreveu-se a escrever um néscio no Diário da Manhã, de Goiânia, num artigo de opinião intitulado “O Legado de Mandela”.

Nem só colunistas obscuros de gazetas provincianas demonstraram ignorância abissal. Mais impressionante, por partir de um jornal de grande circulação, foi o editorial do El País de 11 de novembro, que criticou a presença no funeral de Raúl Castro e Robert Mugabe, “ditadores com nada que ver com Mandela” (sic). Nada a ver teve Bush, que manteve Madiba e seu partido na lista de terroristas obrigados a obter uma autorização especial para entrar nos EUA até julho de 2008. Ou o presidente português Cavaco Silva, que em 1987, quando primeiro-ministro, fez Portugal votar na ONU contra uma resolução de apoio à luta contra o apartheid. Ou David Cameron: ainda em 1989 tentava fazer lobby para reverter as sanções contra a segregação sul-africana.

Madiba não foi um Cristo ao estilo masoquista e kitsch dos católicos tradicionalistas (sequer o Jesus real o foi, mas essa é outra história). Embora tenha conduzido com sucesso uma transição pacífica, ela só foi possível porque Mandela antes liderou e planejou a luta, inclusive armada, contra o apartheid, com apoio quase solitário da União Soviética, China e Cuba, e porque, enquanto estava na prisão, outros continuaram a lutar nas ruas em seu nome até obrigar o regime branco a aceitá-lo como interlocutor, negociar e, ao final do processo, ceder-lhe o poder. Quem quiser pode questionar suas escolhas éticas e políticas, mas sem elas Mandela não teria sido quem foi, nem merecido as homenagens do mundo.

Uma vez no governo, não ignorou a realidade de colonização e segregação. Não fingiu que o problema estava resolvido e brancos e negros haviam se tornado iguais por um passe de mágica. Iniciou a construção dessa igualdade na prática, inclusive com cotas raciais. Empresas grandes ou pequenas de todos os setores cumprem metas de participação de não brancos (mestiços, indianos e orientais incluídos) na força de trabalho, gerência e propriedade do capital. Universidades e faculdades também praticam a “discriminação positiva”.

Quando Mandela iniciou sua militância política, em 1943, defendia a independência do movimento negro em relação aos indianos, mestiços e comunistas (inclusive brancos), contrariando nisso a maioria do Congresso Nacional Africano, socialista e inclusivo desde 1912. Mudou de posição no início dos anos 1950, quando, convencido por amigos comunistas e pela cooperação dos soviéticos com os movimentos de independência africanos, aderiu ao marxismo e, por isso, a uma concepção de luta política capaz de ir além da raça e unir todos os oprimidos. Exatamente quando o apartheid se consolidava (a partir da eleição de 1948, da qual os negros foram excluídos), o comunismo era posto fora de lei (pelo Ato de Supressão de 1950) e se iniciava a segregação física e geográfica das raças.

Mandela foi preso pela primeira vez em 1952, em nome do Ato de Supressão, depois de incitar a desobedecer às leis do apartheid (principalmente a que obrigava os negros a portar passaportes fora das reservas a eles designadas, os bantustões) em um ato público da “Campanha do Desafio” pela desobediência civil, tática que para o Mahatma Gandhi e para parte do CNA era a “alternativa ética”, mas para Mandela era simplesmente a única opção realista do momento. Em 1955, depois de a resistência passiva e protestos não conseguirem evitar o despejo de todo o bairro negro de Sophiatown, onde morava, passou a defender a luta armada, enquanto continuava a organização de greves e protestos, passava por duas prisões e tinha, na prática, uma dupla militância, atuando também no Partido Comunista.

Em 1961, inspirado por Fidel Castro e Che Guevara, fundou e liderou a organização Umkhonto we Sizwe (“Lança da Nação”, mais conhecida como MK), formada na maior parte por comunistas brancos, cujo objetivo era promover sabotagem e ataques noturnos, sem vítimas, a usinas elétricas, escritórios do governo e ferrovias. Em 16 de dezembro, quando os brancos comemoravam o aniversário de sua vitória sobre os zulus de 1838, lançou 57 ataques à bomba simultâneos. Até meados de 1963, cerca de 200 instalações foram bombardeadas e a única vítima fatal foi um militante morto pela própria bomba.

Mandela voltou a ser preso em agosto de 1962 com ajuda da CIA e inicialmente condenado a cinco anos por viajar ao exterior sem permissão e incitar greves. Em 1964 foi novamente julgado por seu envolvimento com o MK e seu “discurso do julgamento de Rivonia”, proferido às vésperas de ser condenado à prisão perpétua pelo Supremo Tribunal sul-africano, inspiraria a luta contra o apartheid por décadas, foi em parte inspirado no igualmente histórico discurso de Fidel Castro ao ser condenado pelo fracassado ataque ao quartel Moncada, “A História me Absolverá”. Ao lado de frases como “sentimos que o país estava à deriva em direção a uma guerra civil entre negros e brancos e vimos a situação com alarme” e “lutei contra a dominação branca e a dominação negra”, há também “a falta de dignidade humana vivida pelos africanos é o resultado direto da política de supremacia branca” e “sentimos que, sem violência, não haveria caminho aberto para o povo africano ter sucesso em sua luta contra a supremacia branca”.

Na prisão de Robben Island, mantido em condições terríveis que lhe causaram danos permanentes à visão e uma tuberculose cujas sequelas o debilitaram e acabaram por causar sua morte, Mandela liderou as reivindicações de seus companheiros e forjou laços com prisioneiros de outras organizações, entre eles o Movimento de Consciência Negra, responsável pelo levante de Soweto de 1976, que deixou cerca de 700 mortos. Seu líder, Steve Biko (criador do slogan “black is beautiful”), foi capturado e morreu por tortura em 1977.

Embora menos violento e menos focado na “identidade negra”, o CNA tampouco abandonou a luta, inclusive armada. O MK continuou com seus ataques armados ao regime e se aliou formalmente à guerrilha marxista pró-soviética de Zimbábue (então Rodésia) liderada por Joshua Nkomo, depois unida à organização rival, maoísta, do “nada que ver” Robert Mugabe. De 1976 a 1986, seus ataques causaram cerca de 130 mortes.

A partir dos anos 1970, as condições da prisão melhoraram e Mandela pôde se corresponder com líderes negros moderados, como Mangosuthu Buthelezi (líder do partido Inkatha, aceito pelos brancos como líder do bantustão zulu) e o bispo anglicano Desmond Tutu. O movimento internacional de boicote ao apartheid, proposto em 1959, começava a engatinhar, com a exclusão do país de competições olímpicas e eventos acadêmicos. Do ponto de vista econômico, mal arranhava, porém, os interesses da minoria branca.

Mandela era celebrado como líder pelos movimentos negros da África do Sul, pelas novas nações africanas e pelos países socialistas, mas para Ronald Reagan e Margaret Thatcher ele e sua organização eram meros terroristas comunistas e o apartheid era uma realidade irreversível. Israel colaborou com o regime racista nos campos comercial e militar e lhe forneceu tecnologia nuclear. Há indícios de que, em 1979, os dois países testaram conjuntamente uma bomba atômica na sul-africana ilha Prince Edward.

Quando estudantes britânicos de esquerda começaram a participar, em 1980, da campanha por sua libertação, colegas conservadores replicaram com uma campanha por seu enforcamento. Mas em 1985, ante a ameaça das ex-colônias africanas e asiáticas de abandonar a Comunidade Britânica, a própria Thatcher foi forçada a aderir ao boicote ao apartheid. No ano seguinte, o Congresso dos EUA, pressionado pelos eleitores negros, aprovou a lei de embargo que tramitava desde 1972 e derrubou o veto de Reagan. A perda de mercados e de acesso ao crédito internacional e o encorajamento da resistência negra pelo apoio internacional tornaram o país ingovernável, forçaram a elite branca a negociar e Mandela, o “terrorista”, era o único interlocutor suficientemente respeitado pela maioria das facções do movimento negro para negociar uma transição pacífica em seu nome.

Um dos seus primeiros atos ao sair da prisão foi ir a Cuba agradecer o apoio do “nada que ver” Fidel Castro: “Quem treinou o nosso povo, quem nos forneceu recursos, que ajudaram tanto nossos soldados, nossos doutores?” Palavras que reiterou em sua cerimônia de posse em 1994, ao receber Castro: “O que Fidel tem feito por nós é difícil descrever com palavras. Primeiro, na luta contra o apartheid, ele não hesitou em nos dar todo tipo de ajuda. E agora que somos livres, temos muitos médicos cubanos trabalhando aqui”.

Mandela esteve à altura da oportunidade histórica. Desmantelou o apartheid e o arsenal atômico legado pelos israelenses, criou uma Comissão da Verdade que serviu de modelo a outras nações, inclusive o Brasil, evitou o revanchismo e consolidou a África do Sul como um país democrático e multirracial, o que dez anos antes parecia impossível. A extrema-esquerda o considerou um traidor por não derrubar o capitalismo ou promover uma reforma agrária radical (80% das terras continuam nas mãos de 50 mil fazendeiros brancos) e os resultados da ação afirmativa iniciada em seu governo são ambíguos. De um lado, integrou uma substancial classe média não branca em todos os níveis do Estado e da empresa privada. Por outro, não pôde tirar da pobreza a grande maioria dos negros, a renda continua muito concentrada e os brancos se queixam de seus jovens serem forçados a emigrar por falta de empregos “adequados”. Como nas ocasiões em que se decidiu pela resistência passiva, pela luta armada, ou pela articulação política a partir da prisão, Mandela optou pelo que era factível naquele momento – o auge da ideologia neoliberal em todo o mundo – para caminhar rumo a seu ideal igualitário e multirracial.

É cômodo perorar de fora que “os fins não justificam os meios”, mas não se pode aprovar o resultado e apagar a história que o tornou possível, com todos os seus atos de violência e alianças desagradáveis aos bem-pensantes. Sem isso, ainda se viveria a violência maior do apartheid. Não é razoável negar que a África do Sul de hoje é mais digna e justa que aquela dos anos anteriores à transição e que as homenagens prestadas pelo povo sul-africano e pelos líderes mundiais em 2013 foram muito merecidas. Barack Obama, é preciso reconhecer, fez um discurso inspirado (“Não poderia imaginar a minha vida sem o exemplo de Mandela... ele libertou prisioneiros e carcereiros”) em comparação com as falas mornas e burocráticas da brasileira Dilma Rousseff, do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e mesmo do cubano Raúl Castro, para não falar do vice chinês e dos presidentes da Namíbia e Índia.

Mas não escapou da hipocrisia: “Há muitos líderes que se apegam à solidariedade da luta de Madiba pela liberdade, mas não toleram a dissidência”, advertiu o responsável pela espionagem da NSA, pela perseguição a Edward Snowden e pela execução arbitrária de acusados de terrorismo. E o episódio do selfie (autorretrato) com David Cameron e a primeira-ministra dinamarquesa, Helle Thorning-Schmidt, embora não tenha o significado que a imaginação popular lhe atribuiu, não deixou de ser desrespeitoso. Não pela descontração – nesse momento, os próprios sul-africanos homenageavam Madiba com cantos e danças alegres –, mas pela obsessão egoísta dos líderes ocidentais com a própria imagem na ocasião em que se homenageava um homem muito maior que todos eles juntos.

Torcida organizada pelo fracasso da Copa


Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:
Acabo de ler um desses panfletos eletrônicos da campanha contra a Copa de 2014.

Procuram atemorizar o turista dizendo que somos um dos países com maiores índices de assassinato do mundo. Também temos uma polícia extremamente violenta. Também temos uma educação ruim, uma saúde pública péssima, um transporte urbano idem.

São problemas reais, é óbvio. Mas a atitude é de torcida organizada pelo fracasso. Não se procura fazer um debate racional para encontrar soluções e alternativas. O esforço é produzir um fiasco inesquecível, atitude que só prejudica o Brasil. 

O nome disso é guerra psicológica. Não é um movimento pela razão mas que procura a política pela emoção. 

Janio de Freitas escreveu um artigo de mestre a respeito, na Folha de ontem. Quero abordar alguns aspectos do mesmo tema.
  
Teremos muita guerra psicológica, em 2014, para que, justamente no país do futebol, a Copa do Mundo venha a se tornar um problema político.

Josep Blatter, o presidente da FIFA, será endeusado quando começar a falar mal do governo federal. Vai passar de demônio a santo em 24 horas. Será por isso que ele já começou a fazer críticas ao governo brasileiro? Justo quem.

Olhando a situação com frieza, o ambiente não deveria ser este.

Começando pelo futebol pois, salvo segundo aviso, é disso que se trata.

A verdade é que, ao contrário do que se anunciou durante todos estes anos, os estádios – novos e reformados – vão ficar prontos no prazo necessário para os jogos. 

São estádios modernos, seguros, confortáveis. Depois que entrarem em uso regular, a ocorrência de tragédias como a de Joinville e outras cenas de violência que marcam os campeonatos tradicionais. 

Só para dar um pouco de realidade ao debate. Compare as obras da Copa com o Metrô paulista, por exemplo. 

Tudo aquilo que se diz contra os estádios se demonstra - até com ajuda da Justiça Suíça - no metrô paulista. Os atrasos duram anos. O superfaturamento bate recordes. E então? Cadê a indignação? 

Quando o Brasil ganhou o direito de organizar a Copa, o país fez uma festa. Quem não gostou da ideia ficou em silêncio.

Alguém disputou a eleição de 2010 falando mal da Copa? Não me lembro. Nem candidato a síndico de prédio se atrevia a tanto.

Salvo casos patológicos de desprezo pelas necessidades da maioria da população, quem não queria a Copa como proposta esportiva, dizendo que o país teria outras prioridades - esta era minha opinião na 
época - admitia a vantagem keynesiana. Era uma forma de apontar uma perspectiva de investimentos em larga escala, no país inteiro, nos anos seguintes.
  
Depois da crise mundial de 2008, quando o capitalismo entrou em depressão em escala mundial, a Copa de 2014 se tornou uma benção em vários lugares. Ajudou a manter o crescimento e o emprego de quem não teria outra chance de arrumar trabalho.

Na dúvida, dê uma volta no país e converse com pessoas da vida real.

O problema é a psicologia.

A maioria dos brasileiros concorda - racionalmente, com base em dados objetivos e também por experiência própria - que poucas vezes se trabalhou com tanto empenho para distribuir a renda e melhorar a vida dos mais pobres como aconteceu depois da chegada de Lula no Planalto.
Neste ponto, é um governo de valor histórico. 

A terapia emocional de massas quer nos convencer do contrário. Embora tenha chegado ao Planalto em 2003, procura-se criminalizar o condomínio Lula-Dilma pela omissão de seus adversários ao longo da história.

É por isso que se fala muito do futebol.
E procura-se esconder o drama do metrô. Aliás: deu para notar que os atrasos do metrô geram menos protesto do que as críticas a demora relativa nas obras da Copa? 

Qual é mesmo prioridade? 

O esforço da terapia é esse: mudar prioridades sociais e transformar a Copa num drama político.

Adversário de tantas ditaduras do século XX, David Rousset deixou uma frase muito útil para se enfrentar grandes operações contra as democracias: 

- As pessoas normais não sabem que tudo é possível.

Angra dos Reis ganha hospital com 170 leitos


Unidade municipal contará com um aporte anual de R$ 18 milhões do Governo do Estado 
06012013 hospitaljapuiba 18A cidade de Angra dos Reis, na Costa Verde, ganhou, nesta segunda-feira (6/1), o Hospital Geral da Japuíba Jorge Elias Miguel. Destinada a atender emergências médicas do município e arredores por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), a unidade municipal tem 170 leitos e contará com um aporte anual de R$ 18 milhões do Governo do Estado, para sua manutenção. Os recursos para custeio incluem ainda R$ 36 milhões anuais do governo federal e R$ 18 milhões ao ano da Prefeitura de Angra.
O hospital absorverá a demanda do pronto socorro municipal – que realiza cerca de 4 mil atendimentos por mês – e da Santa Casa de Misericórdia de Angra dos Reis, que está sob intervenção da prefeitura. A expectativa do governo municipal é de que a unidade esteja em pleno funcionamento até dezembro, com cerca de 800 funcionários.
O objetivo é que o hospital se torne referência em ortopedia, neurocirurgia e oftalmologia. Equipado com cinco salas de centro cirúrgico, um centro de exames de imagem e um laboratório de análises clínicas, o hospital já funciona há um mês e possui também UTIs pediátrica e para adultos e um centro oftalmológico.
Durante a cerimônia, realizada no dia em que a cidade de Angra completa 512 anos, o vice-governador e coordenador de Infraestrutura, Luiz Fernando Pezão, destacou, ao lado da prefeita Conceição Rabha, a importância da inauguração do Hospital Geral da Japuíba para a população da cidade e de municípios vizinhos, como Paraty, Mangaratiba, Rio Claro e Itaguaí.
– Esta unidade tem um grande simbolismo, porque sintetiza o que sempre pregamos no Somando Forças: a parceria dos governos federal, estadual e municipal. Ainda vamos fazer uma série de parcerias em obras aqui em Angra pelo Somando Forças: tem a Delegacia da Mulher e o CVT (Centro Vocacional Tecnológico) – afirmou Pezão.
Atendimento aprovado pela população
A servidora pública Daniela Flores, de 50 anos, aprovou o atendimento na unidade. Com seu pai, Pedro, de 75 anos, internado à espera de uma cirurgia no fêmur, ela contou que está satisfeita com o tratamento que ele tem recebido, desde que foi transferido de outra unidade pública de saúde.
– O hospital é todo equipado, moderno, tudo é limpo e novo. A equipe tem sido muito atenciosa com meu pai. Espero que esta unidade se torne também universitária e possa abrigar uma residência médica, o que será muito bom para a cidade. Angra precisava disso – disse a servidora.
O Hospital Geral de Japuíba Jorge Elias Miguel foi construído no final dos anos 90 e início dos anos 2000. A obra levou 8 anos para ser concluída a um custo de aproximadamente R$ 80 milhões, dos quais R$ 40 milhões provenientes da Eletronuclear.
Mesmo após o compromisso do governo federal de prover 50% dos recursos necessários (R$ 36 milhões ao ano), a prefeitura só dispunha de 25% (R$ 18 milhões anuais) para o custeio. Somente depois do compromisso firmado pelo Estado com o Município, no fim do ano passado, de aportar os 25% restantes, foi possível a abertura plena do hospital.

Fonte: Subsecretaria de Comunicação Social do Governo do Estado

BARREIRA CONTRA OS DEPREDADORES NA COSTA VERDE


Enquanto todos nós dormíamos, na madrugada de sábado para domingo, a fiscalização integrada dos municípios de Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty retomava a fiscalização quanto à entrada de ônibus e vans nesses municípios. Enquanto você dormia, esses servidores públicos estavam, desde a madrugada, cumprindo o que determina a legislação e, ao mesmo tempo, tentando garantir um mínimo de respeito ao direito dos moradores. Os “predadores” tentaram outro tipo de articulação para ultrapassar a barreira, utilizando uma prática não muito comum, sem o menor sucesso. Os visitantes vieram em massa em Kombis e Vans fretadas. Foram mais de 40 veículos retornando ao local de origem.Enquanto dormia-horz-vert

ASSALTO AO BOLSO DOS RBASILEIROS


Absurdo.
O governo para manter o Superavit Primário, alimentando os pobres banqueiros assalta os brasileiros. 

Nova tabela do IR aumenta cobrança de impostos sobre salários
Pelo 18º ano consecutivo, a tabela do IR será corrigida abaixo da inflação em 2014. A defasagem, que estará próxima de 66% neste ano, faz com que o Fisco chegue ao bolso de cada vez mais brasileiros, consumindo os seus novos rendimentos. Essa discrepância ainda se soma ao aumento do salário-mínimo, também superior à correção da tabela. 

O mínimo será elevado para R$ 724,00, uma alta de 6,78% ante os R$ 678 atuais. A tendência pode ser observada desde 1996, quando houve o congelamento da tabela do IR, que durou até 2001. Nos anos seguintes, todos os reajustes foram inferiores ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O resultado disso é o aumento da tributação sobre o assalariado. Em 1996, a isenção do imposto beneficiava quem recebia até 6,55 salários-mínimos, segundo levantamento da consultoria Ernst & Young. Em 2014, essa relação despencará para 2,47. 

Assim, brasileiros antes isentos por causa da baixa renda ingressarão, paulatinamente, na condição de contribuintes. A última correção automática da tabela entra em vigor em janeiro, e elevará em 4,5% as faixas de cobrança - contra uma inflação de 5,85% em 2013, pelo IPCA-15. O porcentual de 4,5% é o centro da meta de inflação definida pelo Governo, porém o avanço dos preços no País segue bem acima desse patamar desde 2010. 

As novas faixas do IR já serão deduzidas na folha de pagamento em 2014 e valerão para a declaração do IR de 2015. De acordo com a nova tabela, passam a ser dispensados do pagamento do imposto os empregados que recebem até R$ 1.787,77. 

Atualmente, o tributo não é cobrado de quem ganha até R$ 1.710,78. A alíquota de 7,5% passa a ser aplicada para quem receber entre R$ 1.787,78 e R$ 2.679,29. Já o desconto de 15% passa a ser aplicado sobre a faixa salarial de R$ 2.679,30 até R$ 3.572,43. A alíquota de 22,5% valerá, em 2014, para quem recebe salários entre R$ 3.572,44 e R$ 4.463,81. Por fim, a alíquota máxima, de 27,5%, incidirá sobre vencimentos superiores a R$ 4.463,81. (FONTE: Site Síntese Jurídica - Tributário).

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Quando dólares falam mais alto .



Engana-se quem pensa que já se conhecem todos os fatos relacionados com o golpe civil militar de 1964 que derrubou o Presidente constitucional João Goulart. Nos últimos meses, graças ao trabalho das Comissões da Verdade, sejam estaduais ou a Nacional, muito fato novo vem sendo divulgado. 
Mas um fato desta semana, protagonizado por João Vicente Goulart, ao ouvir uma denúncia do então Major do Exército Erimá Pinheiro Moreira, poderá mudar o entendimento de muita gente sobre a ocorrência  mais negativa da história recente brasileira. O alerta tem endereço certo, ou seja, aqueles que ainda imaginam terem os golpistas civis e militares agido por idealismo ou algo do gênero.
O Major farmacêutico em questão, hoje anistiado como Coronel, servia em São Paulo em 31 de março de 1964 sob as ordens do então comandante II Exército, General Amaury Kruel (foto).  Na manhã daquele dia, Kruel dizia em alto e bom som que resistiria aos golpistas, mas em pouco tempo mudou de posição. E qual foi o motivo de o general, que era amigo do Presidente Jango Goulart, ter mudado de posição assim tão de repente, não mais que de repente?
Mineiro de Alvinópolis, Erimá Moreira, hoje com 94 anos, e há muito com o fato ocorrido naquele dia trágico atravessado na garganta, decidiu contar em detalhes o que aconteceu. O militar, que era também proprietário de um laboratório farmacêutico e posteriormente convidado a assumir a direção de um hospital, foi procurado por Kruel no hospital. Naquele encontro, o general garantiu ao major que Jango não seria derrubado e que o II Exército garantiria a vida do Presidente da República.
Pois bem, as 2 da tarde Erimá foi procurado por um emissário de Kruel de nome Ascoli de Oliveira dizendo que o general queria se reunir com um pessoal fora das dependências do II Exército. Erimá indicou então o espaço do laboratório localizado na esquina da Avenida Aclimação, local que hoje é a sede de uma escola particular de São Paulo. Pouco tempo depois apareceu o próprio comandante do II Exército, que antes de se dirigir a uma sala onde receberia os visitantes pediu ao então major que aguardasse a chegada do grupo.
Erimá Moreira ficou aguardando até que apareceram quatro pessoas, um deles o presidente interino da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), de nome Raphael de Souza Noschese, este já conhecido do major. Três dos visitantes carregavam duas maletas grandes cada um. Erimá, por questão de segurança, porque temia que pudessem estar carregando explosivos ou armas, mandou abrir as maletas e viu uma grande quantidade de notas de dólares. Terminada a reunião foi pedida que a equipe do major levasse as maletas até o porta-malas do carro de Amaury Kruel, o que foi feito.
De manhã cedo, por volta das 6,30 da manhã, Erimá Moreira conta que mais ou menos uma hora e meia depois da chegada no laboratório ligou o rádio de pilha para ouvir o discurso do comandante do II Exército. Moreira disse que levou um susto quando ouviu Kruel dizer que se “o Presidente da República não demitisse os comunistas do governo ficaria ao lado da “revolução”.
Erimá Moreira então associou o que tinha acontecido no dia anterior com a mudança de postura do Kruel e falou para si mesmo: “pelo amor de Deus será que ajudei o Kruel a derrubar o Presidente da República?” 
Ainda ouvindo o discurso de Kruel, conta Erimá, chegaram uns praças para avisar que tinha uma reunião marcada com o general no QG do II Exército.
Na reunião, vários militares, alguns comandantes de unidades, eram perguntados se apoiavam Kruel. “Eu não aceitei e pedi para ser transferido”.
Indignado, Erimá Moreira dirigiu-se a um coronel do staff do comandante do II Exército para perguntar se o general Kruel não tinha recebido todo aquele dinheiro para garantir a vida do Presidente. “Me transfiram daqui, que com o Kruel no comando eu não fico”.
Aí então – prossegue Erimá Moreira – me colocaram de férias para eu esfriar a cabeça. Na volta das férias, depois de um mês, fiquei sabendo pelo jornal que o Kruel havia me cassado”.
A partir de então o Major e a família passaram maus momentos com os vizinhos dizendo à minha mulher que era casada com um comunista. “Naquela época, quem fosse preso ou cassado era considerado comunista”.
Algum tempo depois contei esta história que estou contando agora ao General Carlos Luis Guedes, meu amigo desde quando servimos em unidades militares em São João del Rey. Fiz um relatório por escrito e com firma reconhecida. O General Guedes tirou xerox e levou o relato para a mesa do Kruel. Em menos de 24 horas o Kruel pediu para ira para a Reserva. Fiquei sabendo que com o milhão de dólares que recebeu do governo dos Estados Unidos comprou duas fazendas na Bahia”.
Ao finalizar o relato, o hoje Coronel Erimá Moreira mostrou-se aliviado e ao ser perguntado se autorizava a divulgação desse depoimento, ele respondeu que “não tinha problema nenhum”.
Nesse sentido, sugerimos aos editores de todas as mídias que procurem o Coronel Erimá Pinheiro Moreira para ouvir dele próprio o que foi contado neste espaço. Sugerimos em especial aos editores de O Globo, periódico que recentemente fez uma autocrítica por ter apoiado o golpe de 64, que elaborem matéria com o militar que reside em São Paulo.


Quando dólares falam mais alto | Direto da Redação - 12 anos

Apartheid brasileiro: o caso do Maracanã




Paulo Metri




É um sobressalto para qualquer alma encarnar, como acreditam os espíritas, em um ser humano que viverá em um país capitalista. O ser pode não ser agraciado geneticamente com uma mente e um corpo propícios à sobrevivência neste sistema. Além disso, a aleatoriedade pode escolher um núcleo populacional sem respeito à vida, sem garantia de instrução, atendimento à saúde, acesso a moradia etc, graças à própria agressividade que o capitalismo induz. O núcleo familiar receptor pode também contribuir para a desgraça do ser, que, a estas alturas, se consciente da roleta que participa, desejará não mais nascer.
Estou sendo um pouco radical, uma vez que esta roleta tem uns poucos números de sorte, que correspondem a locais na Terra onde há vida menos desumana, com o capitalismo mitigado. Existem algumas sociedades em que cada ser tem maior consideração com seus pares, apesar de não se importar que haja exploração dos seres de outras sociedades. É como se os seres estrangeiros não pertencessem aos humanos. As guerras, em muitos casos, são consequência da exploração alheia. Se esta necessidade de acúmulo de riquezas não for domada, ela levará à extinção da espécie, dado seu alto grau de exploração humana, guerras e agressão ao meio ambiente.
Mas, em um ponto, pode-se falar a favor do capitalismo, pois é um grande promotor de desenvolvimentos tecnológicos, apesar de ser com o objetivo de acumular mais capital. É interessante notar que nunca se observa que a acumulação positiva de um grupo gera um déficit de acumulação ou carência de outro. De qualquer forma, a competição inspira mais o desenvolvimento tecnológico que a solidariedade.
Esta divagação me gratifica, mas preciso dizer algo sobre o Maracanã, porque é necessário justificar o pensamento que me motivou a escrever e me levou a este título. Uma confluência de interesses, principalmente políticos e econômicos, levaram as forças relacionadas a se mobilizarem para trazer a Copa do Mundo para o Brasil. O povo mesmo não foi consultado e, a bem da verdade, foi muito mal informado. Os políticos acreditavam que conseguir trazer a Copa para o Brasil renderia muito crédito político, se não fosse com o povo, certamente seria com os empresários.
Capitais nacionais e estrangeiros vislumbraram uma excelente oportunidade para aumentar suas riquezas. A FIFA tinha seus ganhos como certos, qualquer que fosse o local da Copa, graças à psicose mundial com relação a este esporte. Com isso, qualquer país hospedeiro abre mão de decisões suas para se submeter à ditadura da FIFA. Não recrimino a humanidade por eleger o futebol como uma das suas maiores obsessões, até porque ele ajuda as pessoas a se deleitarem durante o efêmero tempo nesta superfície. A FIFA tem interesse de preservar a característica circense do evento, para garantir o sucesso de outras Copas. Aliás, gladiadores lutavam contra seus iguais, cristãos desarmados eram entregues aos leões, na antiga Roma, para a máxima “diversão” do espetáculo.
 Os Clubes brasileiros e as administrações estaduais descobriram uma forma de ganhar estádios novos com verba pública federal, de graça para eles. Verba esta, oriunda de imposto, que fez falta nos orçamentos da saúde, educação, moradia etc. Os construtores aproveitaram e impuseram reformas desnecessárias ao governo precipitado que decidiu sem visão social e só com interesse político. Ganham muito também empresas do esporte, agências de viagem, empresas de transporte, agências de propaganda e, sem dúvida, as empresas de mídia com o direito de transmissão. Enfim, o circo beneficia muitos, até o povo com a manutenção da esperança de alegrias.
O conluio no Brasil envolveu os mesmos grupos de outras Copas: FIFA, políticos, construtores etc. Para alegria dos construtores, concluíram erradamente que o Maracanã tinha que ser colocado abaixo e construído outro no lugar. O antigo era popular, pois alguns destituídos de dinheiro podiam assistir ao jogo até de perto, sem ver imagens de duas dimensões em uma tela, sentindo o cheiro do suor dos jogadores. Nele, o pobre conseguia ser aceito.
A versão das mentes servas do capital era: “O Maracanã precisa ser destinado a quem conquistou na sociedade o direito de ver belos espetáculos”. Continuavam dizendo: “Um Zé Ninguém não pode ter o direito de ouvir os berros dos jogadores, enquanto a elite está surda”. E concluíam: “Não se sabe onde estava a cabeça dos projetistas do antigo estádio com total repulsa à hierarquia social”. Esses destruidores do patrimônio popular deviam ir a um jogo de baseball em Cuba, o esporte mais popular deste país, para ver os portões totalmente abertos, sem bilheterias, com o povo entrando e sentando livremente. O único critério para a conquista de um assento era ter chegado cedo. Era assim, há uns quinze anos. Torço para que ainda seja.
Assisti, pela televisão, ao jogo final da Copa do Brasil do ano passado, que foi no novo Maracanã. Mesmo que estivesse motivado a ir ao estádio, me negaria a pagar até o preço mínimo de R$ 250. A partir da televisão, o estádio parecia muito bonito. Aliás, pelo que foi gasto, se não parecesse, era o caso de se reivindicar uns fuzilamentos. Mas, o que mais me chamou a atenção foi, quando uma câmera, que provavelmente estava fixada em um trilho no teto do estádio, começou a deslizar mostrando a torcida do Flamengo. Era um mar homogêneo de torcedores brancos, cheios de dentes brancos, bem nutridos e vestidos e, por aí, vai. Veio à minha cabeça, por uma fração de segundo, a impressão que o Bolsa Família tinha conseguido um resultado inusitado, pois até o branqueamento da sociedade brasileira imaginado por conservadores do início do século passado tinha ocorrido. Mas, aquela era a imagem de um subgrupo extremamente minoritário dos flamenguistas. Ali, não tinha o povão torcedor do time, que forma a grande massa dos torcedores. Aí, veio a pergunta: “Onde está o povo?”
O povo está se comprimindo nas portas de bares e restaurantes, que têm telão, ou vendo em uma telinha pequena em casa. Dependendo do dia, ele pede uma cerveja para o dono do bar não olhar com cara feia. O povo foi expulso do Maracanã, com a adoção da proposta do capital. Não sei o que representava uma ida ao Maracanã para um torcedor verdadeiro, pois nunca fui um aficionado, mas, sou levado a crer que a reforma deste estádio foi sobejamente desaprovada. Para tornar pior o ato dos governos, a verba que o “modernizou” era pública, então ela não poderia ser usada para benefício de uma casta da sociedade. Hoje, o Maracanã, certamente, não parece com a Praça Castro Alves de Salvador, porque esta é do povo.

Credo - Milton Nascimento (1978) - COMO É ATUAL



Credo
(Milton Nascimento, Fernando Brant)

Caminhando pela noite de nossa cidade
Acendendo a esperança e apagando a escuridão
Vamos caminhando pelas ruas de nossa cidade
Viver derramando a juventude pelos corações
Tenha fé no nosso povo que ele resiste
Tenha fé no nosso povo que ele insiste
E acorda novo, forte, alegre, cheio de paixão
Vamos caminhando de mãos dadas com a alma nova
Viver semeando a liberdade em cada coração
Tenha fé em nosso povo que ele acorda
Tenha fé em nosso povo que ele assusta
Caminhando e vivendo com a alma aberta
Aquecidos pelo sol que vem depois do temporal
Vamos, companheiros, pelas ruas de nossa cidade
Cantar semeando um sonho que vai ter de ser real
Caminhemos pela noite com a esperança
Caminhemos pela noite com a juventude

50 verdades sobre Raúl Castro


Por Salim Lamrani, no sítioOpera Mundi:

1. Raúl Modesto Castro Ruz nasce no dia 3 de junho de 1931 em Birán, na província de Holguín, no seio de uma família cubana-espanhola. Assim como seu irmão mais velho, Fidel Castro, ele estuda no colégio jesuíta Dolores em Santiago de Cuba e no Colégio de Belém em Havana.

2. Ao contrário de Fidel, que é membro do Partido Ortodoxo, Raúl Castro milita desde muito jovem na Juventude Socialista, filiada ao Partido Socialista Popular, que é o partido comunista cubano da época.

 3. Em 1953, realiza uma viagem para o outro lado de Cortina de Ferro, Viena, para participar da Conferência Internacional de Defesa dos Direitos da Juventude.

4. Raúl Castro se envolve muito na juventude estudantil e participa das manifestações contra o governo de Carlos Prío Socarrás, regularmente abalado por escândalos de corrupção.

5. No dia 26 de julho de 1953, aos 20 anos, Raúl Castro participa, com seu irmão Fidel e seus companheiros, do ataque ao quartel Moncada em Santiago de Cuba, cujo objetivo é derrubar o ditador Fulgencio Batista. Tem como missão tomar o controle do Palácio da Justiça da cidade.

6. Capturado, é condenado a 13 anos de prisão junto aos poucos sobreviventes da expedição de Moncada e cumpre sua pena na prisão de Los Pinos, na Ilha da Juventude.

7. Em 1955, depois de ser anistiado por Batista, ele se exila no México com seu irmão Fidel e vários membros do Movimento 26 de Julho.

8. Raúl Castro conhece um jovem médico chamado Ernesto Guevara e decide apresentá-lo a Fidel Castro.

9. No dia 25 de novembro de 1956, embarca com seu irmão e outros 80 homens a bordo de um barco com destino à província oriental de Cuba, com o objetivo de desatar uma guerra insurrecional contra o regime militar. Antes de subir a bordo do Granma, escreve seu testamento político.

10. O desembarque é um desastre total porque o Exército estava esperando os revolucionários, elimina uma parte dos combatentes e dispersa o restante. Raúl Castro se lembraria da tragédia de 2 de dezembro de 1956: “Eram 4h30 da tarde quando vimos a hecatombe.”

11. Depois de encontrar seu irmão, no dia 18 de dezembro de 1956 em Cinco Palmas, Raúl Castro começa a campanha em Sierra Maestra como simples guerrilheiro e seu parentesco com o líder do Exército Rebelde não lhe confere nenhum privilégio.

12. Raúl Castro se espanta com a solidariedade e a generosidade dos camponeses de Sierra Maestra. Em seu diário, escreve: “A forma como estes camponeses da Sierra se esforçam para tomar conta de nós é admirável. Toda a nobreza e a grandeza da alma cubana se encontram aqui.”

13. O Exército Rebelde trata bem dos soldados presos. A respeito, Raúl Castro conta: “Demos comida aos três e lhes dissemos que os libertaríamos e que guardaríamos apenas as armas.Tinham dinheiro e relógios de que necessitávamos, mas, seguindo nossos princípios, não os tocamos. […] Pedimos que assinassem um papel dizendo que foram bem tratados. Conversando com um deles em tom amável, F. [Fidel] conseguiu informação de grande utilidade”. Quando os guerrilheiros descobrem a presença de um infiltrado pago pela ditadura em sua tropa, o executam. Raúl Castro escreve em seu diário: “Talvez se o torturássemos teria nos dado mais informação, mas, inclusive com um traidor tão miserável, não aplicamos esses métodos.”

14. Em fevereiro de 1957, Raúl Castro é o primeiro a conhecer Herbert L. Matthews, o jornalista do New York Times que revelaria ao mundo a existência de uma guerrilha em Cuba. “Dei a mão ao jornalista e, lembrando de meu rudimentar inglês escolar, lhe disse “How are you?”. Não entendi sua resposta e logo F. chegou e, depois de cumprimentá-lo, sentou-se com ele na tenda e começou a entrevista jornalística, que seguramente será uma porrada.”

15. Depois de Che Guevara em 1957, Raúl Castro é nomeado comandante do Exército Rebelde em fevereiro de 1958, após ter feito suas provas em campo. Seu irmão Fidel o encarregou de abrir uma segunda frente [de batalha] no nordeste de Sierra Maestra, com a coluna de guerrilheiros n° 6 chamada de Segunda Frente “Frank País”, em honra ao líder do Movimento 26 de Julho de Santiago de Cuba assassinado pela ditadura em julho de 1957. Na realidade, a n° 6 era destinada a enganar o inimigo sobre o número de guerrilheiros que, na realidade, nunca superou os 300 homens armados.

16. Raúl Castro toma o controle dos territórios libertados e cria uma verdadeira estrutura autônoma com hospitais, escolas e várias fábricas de armas e de sapatos.

17. Raúl Castro elabora, a partir de 1958, o primeiro serviço de inteligência revolucionário. Também cria a nova política revolucionária.

18. Os Estados Unidos tinham imposto oficialmente um embargo sobre as armas que iriam para Cuba em março de 1958. Na realidade, continuavam fornecendo armas secretamente ao Exército cubano. Em junho de 1959, Raúl Castro decide denunciar o conluio entre Batista e Washington mediante uma ação espetacular. Frente aos bombardeios da aviação cubana, equipada com armas estadunidenses, ele responde com a Operação Antiaérea e sequestra vários cidadãos estadunidenses, inclusive militares. O objetivo era acabar com os bombardeios de Sierra Maestra que têm um impacto mortífero para as forças rebeldes, mas sobretudo para a população civil da região. A operação é exitosa. O Washington Post e o Times Herald evocam “o tratamento digno de um rei” do qual se beneficiaram os reféns. “Os militares estadunidenses foram tratados tão bem, e foram tão convencidos pelos argumentos dos rebeldes, que vários deles desejavam ficar e lutar contra Batista”. “Uma figura extraordinária, esse Raúl Castro”, escreve de sua parte a revista estadunidense Time, citando um refém, e completa que o jovem comandante “desejava dar uma lição em Washington.”

19. Em 1958, Raúl Castro impõe o pagamento de um imposto revolucionário a todas as empresas, inclusive às multinacionais estadunidenses.

20. Quando a Revolução triunfa, durante a formação do Governo provisório, Raúl Castro não ocupa nenhum cargo.

21. No dia 26 de janeiro de 1959, Raúl Castro se casa com Vilma Espín Guillois, combatente clandestina que participou do levante armado de 30 de novembro de 1956 em Santiago de Cuba, apoiando o desembarque do Granma. Seria a fundadora da Federação das Mulheres Cubanas.

22. Em fevereiro de 1959, substitui Fidel Castro como Ministro das Forças Armadas, quando ele é nomeado chefe do governo pelo presidente Manuel Urrutia. Dirigiria a Ministério das Forças Armadas até 2008, o qual se transformaria na instituição mais eficiente de Cuba, autossuficiente em produção agrícola graças à União Militar Agropecuária.

23. De 1959 a 1965, Raúl Castro tem de enfrentar os atos terroristas e as sabotagens organizadas pela CIA que atacam o país. Lembra: “Às vezes, chegava ao Ministério das Forças Armadas e vinham quatro ou cinco assistentes, que eram contatos com os diferentes territórios, exércitos e regiões do país, e para ser mais rápido não me faziam relatórios, vinham com uma lista do que tinha acontecido nas últimas 24 horas ou, pelo menos, nas últimas 12 horas da noite anterior: dezenas de casas de cura de tabaco tinham sido incendiadas em Pinar Del Río, mais tantas dezenas de canaviais queimando em todo o país, de acordo com a época do ano; tantos combatentes libertados, tantas bombas em cidades e outros lugares, tantas sabotagens a linhas de energia. Às vezes, eu lhes dizia: ‘Digam-me o mais importante’, e assim foi, com maior ou menor intensidade, durante cinco ou seis anos.”

24. Em 1959, Fidel Castro designa Raúl Castro como seu sucessor para o caso de que fosse assassinado.

25. Desde 1959, Raúl Castro é, assim como seu irmão, o único membro da família Castro a ocupar um posto político em Cuba.

26. Em 1961, Raúl Castro é nomeado para a Direção Nacional das Organizações Revolucionárias Integradas[ORI], que agrupam o Movimento 26 de Julho, de Fidel Castro, o Diretório Revolucionário, dos estudantes, e o Partido Socialista Popular.

27. Em 1963, ocupa também a Direção do Partido Unido da Revolução Socialista, que substitui as ORI.

28. Em 1965, com a criação do Partido Comunista de Cuba, é nomeado o segundo secretário.

29. Com a adoção da nova Constituição de 1976, Raúl Castro é eleito vice-presidente da República, posto para o qual seria reeleito até 2006. Também é deputado e vice-presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros de 1976 a 2006.

30. Em novembro de 1976, é promovido a General do Exército.

31. A partir dos anos 1980, Raúl Castro desenvolve o conceito de “Guerra de Todo o Povo”, frente às ameaças de invasão por parte dos Estados Unidos. Essa estratégia de defesa militar consiste em armar todo o povo e desatar uma guerra de guerrilhas contra o invasor: “A Guerra de Todo o Povo significa que, para conquistar nosso território e ocupar nosso solo, as forças imperiais teriam de lutar contra milhões de pessoas e teriam de pagar com centenas de milhares e, até, milhões de vidas, pela tentativa de conquistar a nossa terra, de esmagar nossa liberdade, nossa independência e nossa Revolução [...]. Por mais poderoso que seja o império, por mais sofisticadas que sejam suas técnicas e suas armas, não está em condições de pagar o preço que significaria semelhante aventura.”

32. Em 1993, em pleno Período Especial, marcado por uma grave crise econômica depois do desparecimento da União Soviética e do recrudescimento das sanções econômicas por parte de Washington, Raúl Castro adverte os Estados Unido contra qualquer tentativa de agressão: “A luta seria sem frente nem retaguarda, em cada canto do país. Para isso, contamos, além das Tropas Regulares, com as Milícias de Tropas Territoriais, e as Brigadas de Produção e Defesa, organizadas em cada província e em seus 169 municípios; o combate se daria nas mais de 1400 Zonas de Defesa se o inimigo fosse capaz de chegar a todas elas, suposição impossível, porque seriam necessários milhões de soldados e, ainda assim, seriam extremamente débeis porque em qualquer lugar poderiam pisar em uma mina, ser liquidados por uma bala ou uma granada e as emboscadas seriam seu pesadelo [...]. Em uma guerra prolongada, se de cada dois ou três franco-atiradores – e temos dezenas de milhares – um deles aniquila um ianque, de preferência um oficial, poderia o invasor assumir tantas baixas e persistir com a agressão? [...]; Em nossa doutrina, as tropas terrestres são as forças decisivas, já que os combates, uma vez que o inimigo tenha desembarcado, aconteceriam sobre nosso solo, homem frente a homem, a tiro de fuzil. E, em tais condições, a superioridade moral dos homens que defendem a sua pátria é infinitamente maior que a do odiado invasor. O solo arderia sob seus pés, das entranhas da terra, e, depois dos golpes aéreos, sairiam os combatentes para acertar as contas no solo sagrado da pátria que não admite botas invasoras.”

33. Em 1998, 40 anos depois de ser nomeado Comandante do Exército Rebelde, é promovido à Comandante da Revolução.

34. Em 31 de julho de 2006, em virtude do Artigo 94 da Constituição, Raúl Castro substitui seu irmão Fidel Castro, vítima de uma grave doença, e se transforma no presidente temporário da República.

35. Em 2007, Raúl Castro faz um grande plebiscito nacional com o objetivo de dar continuidade a uma “atualização do modelo socioeconômico do país.”

36. Em fevereiro de 2008, o Parlamento Cubano elege Raúl Castro para a presidência da República, o qual sucede seu irmão, que anunciou sua retirada da vida política. Para chefiar o Estado e o governo, Raúl Castro teve de passar por dois processos eleitorais. Primeiro, foi eleito pelo sufrágio universal e secreto, como deputado da Assembleia Nacional. Depois, o Parlamento o elegeu Presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros.

37. Em setembro de 2008, Raúl Castro decide outorgar as terras ociosas para usufruto dos camponeses para aumentar a produção agrícola num país que importa mais de 80% das matérias-primas alimentícias.

38. Em dezembro de 2008, Raúl Castro realiza sua primeira turnê diplomática internacional como presidente da República e visita a Venezuela, onde se reúne com Hugo Chávez, e o Brasil, onde se encontra com Lula.

39. Em novembro de 2010, o projeto de atualização do modelo socioeconômico se submete a um amplo debate popular que engloba mais de 8 milhões de pessoas. Depois de ser modificado, é adotado em abril de 2011 e abre vários setores da economia ao campo privado. Cerca de meio milhão de cubanos trabalha hoje no setor privado.

40. No dia 16 de abril de 2011, Raúl Castro celebra o 50° aniversário da declaração do caráter socialista da Revolução Cubana e organiza o VI Congresso do Partido Comunista de Cuba. É eleito Primeiro Secretário e substitui oficialmente Fidel Castro.

41. Em 2010 e 2011, depois de um acordo com a Espanha e com a Igreja Católica Cubana, Raúl Castro decide liberar todos os presos chamados “políticos” em Cuba. Alguns decidem abandonar o país, outros permanecem na ilha.

42. Em novembro de 2011, Raúl Castro simplifica os trâmites administrativos para o setor imobiliário. Desde então, os cubanos podem comprar e vender seus bens sem outra formalidade senão uma visita ao cartório. Antes, era necessário conseguir a permissão do Escritório de Habitação. Para evitar a concentração de bens em um mercado deficitário, os cubanos não podem ter mais de dois produtos imobiliários, um dos quais deve se situar no campo.

43. Em março de 2012, Raúl Castro recebe a visita de Bento XVI. “Nosso governo e a Igreja Católica, Apostólica e Romana em Cuba mantêm boas relações”, declara.

44. Em dezembro de 2012, Raúl Castro decide expandir o sistema de cooperativas para todos os setores.

45. Em janeiro de 2013, respondendo a uma forte petição popular, Raúl Castro decide eliminar os obstáculos burocráticos como a “tarjeta blanca” [como é popularmente conhecida a autorização de saída] e a “carta-convite”, para facilitar as viagens dos cubanos ao exterior.

46. Em 28 de janeiro de 2013, Raúl castro é eleito para à presidência pro tempore da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, que agrupa os 33 países da América Latina e do Caribe, e provoca, assim, um importante revés diplomático contra os Estados Unidos, cujo chamado para isolar Cuba foi ignorado.

47. Em fevereiro de 2013, Raúl Castro é reeleito para a presidência da República para uma mandato de 5 anos. Depois da reforma constitucional, os mandatos executivos se limitam agora a 10 anos. Assim, Raúl Castro sairá do poder no máximo em 2018.

48. No dia 10 de dezembro de 2013, durante o funeral de Nelson Mandela na África do Sul, Raúl Castro dá a mão ao presidente Barack Obama. Como seu predecessor, Fidel Castro, declara publicamente sua vontade de dialogar com os Estados Unidos. “Se realmente desejamos avançar nas relações bilaterais, teremos de aprender a respeitar mutuamente nossas diferenças e nos acostumarmos a conviver pacificamente com elas. Do contrário, estamos dispostos suportar outros 55 anos na mesma situação.”

49. Sua filha Mariela Castro é diretora do Centro Nacional de Educação Sexual e defende os direitos dos homossexuais, lésbicas e transexuais em Cuba.

50. Raúl Castro é famoso por sua franqueza e sua mente aberta. Não vacila em se mostrar muito crítico e denuncia publicamente as oscilações do sistema, o que lhe vale a fama de ser ao mesmo tempo o melhor jornalista da ilha e seu dissidente mais incisivo.

Voto Secreto


No mundo tecnológico é assim: 

Se você paga algo com cartão de débito ou crédito, tem um comprovante. Se vc compra algo via internet, também. 

Se vc faz uma transferência on line, um depósito ou paga uma conta, idem... Só na Urna eletrônica você é obrigado a acreditar na máquina e na honestidade de uma justiça eleitoral que só permite a criação de partidos de situação... Que diabo de democracia é essa? 

Eu posso dizer que voto, mas não em quem, pois a máquina leva meu voto pra onde ela quer. Será que o fato de tantos postes, tantas nulidades políticas sem voto nem lastro terem sido eleitas nos últimos anos é mera coincidência? É claro que não, né?...

Vicente Portella