terça-feira, 3 de setembro de 2013

O que se quer é Justiça


Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

A cada dia que passa, cresce a convicção de que os embargos infringentes no julgamento do mensalão podem ser pura formalidade.

O risco é que venham a ser apresentados e rejeitados em bloco, embora o debate real esteja longe de terminado. 

Será lamentável, na medida em que há pontos essenciais do julgamento que merecem uma segunda avaliação. Este direito foi assegurado aos mensaleiros do PSDB-MG. Dificilmente será negado aos colegas do DEM-DF. 

Por que recusar a turma do PT, na forma, muito mais limitada, dos embargos?

Os recursos dos réus do mensalão-PT estão sendo julgados, em pacotes, pelo mesmo tribunal, pelo mesmo presidente que encerrou o julgamento, que também é o mesmo relator. 

Enquanto isso, quem for condenado em Minas – quando e se isso acontecer – irá bater às portas da segunda instância, em Brasília, para buscar seus direitos. Terá outros olhos e outros ouvidos para escutar sua história e seus argumentos. 

Justíssimo – para eles. 

Os réus do mensalão PSDB-MG, acusados pelo mesmo esquema – até as secretárias eram as mesmas -- pelo mesmo ministério público, terão direito a dois julgamentos. Mais antigo que o mensalão-PT, a facção mineira anda mais devagar. A partir de Minas, o processo dará, em sua plenitude, o direito universal a uma segunda jurisprudência. 

Aos acusados do PT, haverá, na melhor das hipóteses, meia jurisprudência, torta, mais difícil, complicada e sem dúvida tensa. E mesmo isso pode ser negado. 

É falso dizer que não há nada para ser reexaminado. 

A noção de que houve desvio de recursos públicos, básica para a denúncia do esquema de “compra de votos”, é desmentida em todos os detalhes por uma auditoria do Banco do Brasil – de onde estes recursos teriam sido extraviados. 

As conclusões do documento foram confirmadas e repetidas em juízo, pelo auditor-chefe do Banco, que permanece na instituição até hoje. O tribunal não deu uma resposta clara e explícita a essa questão. O assunto sequer foi respondido no julgamento. Tampouco se explicou por que a direção do banco, vítima do desvio, não se queixou de nada nem foi processada por omissão. 

A tese de que o PT recebeu empréstimos fraudados do Banco Rural é desmentida por uma investigação da Polícia Federal. A visão de que o esquema financeiro de Delubio Soares e Marcos Valério destinava-se a comprar votos e subornar deputados, em vez de ser uma operação financeira típica de nosso sistema eleitoral, não conseguiu sustentar-se. Não se aponta um único caso concreto de compra de votos. Nenhum.

Havia circulação de dinheiro clandestino, muito dinheiro, mas caberia responder: por que não poderia ser caixa 2 de campanhas eleitorais? Por que tinha de ser compra de parlamentares, suborno? 

Se esse dinheiro não veio do Banco do Brasil, como está provado, caberia explicar sua origem. Ninguém tem essa curiosidade? Será que estaria nas empresas que, conforme a CPMI, em seu relatório final, despejaram mais de 200 milhões de reais nos vários mensalões? 

As penas de vários réus permitem questionamentos específicos, que deveriam permitir esclarecimentos específicos, como já deixei claro neste espaço e no livro “A Outra História do Mensalão.” 

A chantagem em torno do 7 de setembro, que colunistas conservadores praticam abertamente, sem corar, sem preocupar-se com a autonomia do judiciário, cumpre a função de colocar o STF sob pressão para correr com as condenações. 

Estimula-se a irracionalidade, cumprindo a profecia de que uma imprensa perversa está condenada a ter leitores perversos.

Na medida em que aparecem erros e falhas do processo, é preciso que sejam examinados e discutidos com serenidade. Fica feio colocar a sujeira embaixo do tapete e alegar que é tudo protelação. 

Há poucos meses, foi usada a máscara dos Anonymous das passeatas, para se montar uma farsa contra o Congresso caso os parlamentares não derrubassem a PEC 37, cujo significado ninguém conhecia direito longe do mundo de procuradores, delegados e advogados. 

Foi um exemplo de manipulação sem anestesia. Quer-se fazer o mesmo com o Supremo, agora. Resta saber se a mais alta corte irá aceitar isso.

Um dos pontos essenciais da atual fase do julgamento envolve o destino de José Dirceu. Tratado como o maior troféu político da Ação Penal 470, seja pelo PT, seja pelos adversários, Dirceu teve direito a uma biografia vexaminosa, repleta de erros e incongruências, lançada poucas semanas antes dos embargos – e não é difícil entender a razão de tanta pressa. 

O problema é que, vista com frieza, a situação de Dirceu encontra-se numa fronteira insegura para aqueles que apostam em seu linchamento, evitando um exame frio das provas. Olha que curioso. Mesmo apontado como o “chefe da quadrilha”, faltou apenas um voto para que o próprio Dirceu fosse inocentado justamente do crime de “formação de quadrilha,” no ano passado. Isso porque a própria ideia de que o PT formou uma quadrilha, tão a gosto de adversários, internos e externos do tribunal, foi perdendo charme e sustentação com o tempo. 

Na semana passada, Dirceu obteve 3 votos contra 8 num pedido em que pedia revisão da pena. Não fez maioria. Mas, se tivesse um voto a mais, poderia entrar com novo pedido de embargo e reabrir a discussão. Examinando os critérios usados para condenar Dirceu, Marco Aurélio Mello registrou a incongruência. “Alguma coisa não fecha”, disse, lembrando que em alguns casos as penas foram elevadas em 25% e em outros em 75%. 

Dirceu acabou derrotado, num debate onde coube ao ministro Celso de Mello fazer uma intervenção duríssima. Disse que Dirceu foi "autor intelectual, o protagonista" do mensalão. Também afirmou que Dirceu “ concebeu, idealizou, comandou, fez executar, praticou ações criminosas voltadas à permanência de um determinado grupo no poder. Uma estrutura voltada à manipulação fraudulenta do Congresso", afirmou. Celso de Mello disse ainda Dirceu não se mostrou capaz de atuar com "integridade".

Na verdade, Dirceu foi condenado pela teoria do domínio do fato, naquela versão tropical que o procurador geral Roberto Gurgel introduziu no julgamento e que foi repudiada por um de seus criadores. 

Pode-se até supor, imaginar e acreditar que Dirceu “concebeu, idealizou, comandou” o esquema. O difícil é provar isso. Denunciado pela teoria do domínio do fato, aquele que seria o principal responsável pelo assassinato de irmã Dorothy, e que tinha contra si testemunhos e fatos muito mais graves do que o rosário de impressões lançadas contra Dirceu, acabou liberado em liminar quando o caso chegou ao Supremo. 

Conforme advogados em atividade no julgamento, essa situação delicada, entre a prova em que se acredita, mas não se demonstra, explica o comportamento de Celso de Mello. Sem economizar palavras agressivas contra Dirceu, a intervenção do decano se explica, conforme este raciocínio, como um esforço disciplinador para manter os demais juízes em seus lugares, evitando vacilações e mudanças em relação à decisões anteriores. Por essa razão o ministro não reserva suas colocações para o fim do julgamento, como seria natural no mais velho membro da Corte, mas pede a palavra na fase inicial, quando é possível influenciar os demais.

Verdade ou não, em sua fase atual, já tivemos atitudes surpreendentes. 

Um ministro, Luiz Roberto Barroso, mostrou-se capaz de pensar uma coisa e votar em outra, quando julgou o embargo do ex-deputado Bispo Rodrigues. 

Na semana passada, quando chegou a vez de votar sobre José Genoíno, Barroso declarou:

“Pessoalmente, lamento condenar um homem que participou da resistência à ditadura no Brasil, num tempo em que isso exigia muitos riscos. Lamento, sobretudo, condenar um homem que leva vida modesta e jamais enriqueceu com a política”, afirmou Barroso, sem dar-se conta de que o lamentável, na verdade, é assistir à confissão de um ministro da mais alta corte de Justiça admitindo publicamente que lamenta seus votos. 

Outro ministro, Teori Zavaski, deixou no ar a sugestão de que os recursos contêm alegações que poderiam levar a uma revisão criminal. Ou seja, um novo julgamento. Mas como, no momento, quando os embargos são debatidos, não se faz nada. 

No " maior julgamento da história" nenhum juiz se atreve a pedir vistas. Nem os recém-chegados. 

Na mesma linha de Barroso, a ministra Carmen Lucia lembrou seu voto no ano passado e explicou: “Ao julgar exatamente o caso de Genoíno fiz a ressalva de que estávamos julgando fatos muitas vezes infelizes e não histórias que são muito dignas.” 

Julgamos fatos e não cidadãos? 

Por que essa necessidade de abstrair as coisas? 

Quem vai para a cadeia são pessoas, e elas têm história. 

A história de Genoíno não precisa de elogios nem lamentos. 

Eles podem confortar a consciência de quem fala mas humilham quem ouve. 

Nestes tempos em que, com 49 anos de atraso, quase meio século (!), a Globo sente necessidade de dizer que se arrepende do apoio ao golpe de 64, chega ser um insulto falar do passado de Genoíno na luta contra a ditadura. . 

O lugar de Genoíno não precisa de enfeites nem remendos. Só quem perdeu a alma não consegue imaginar como isso dói. 

Com todo respeito que já manifestei pelos conhecimentos jurídicos do ministro Barroso, e que Carmen Lucia também merece, pergunto: José Genoíno, um dos grandes políticos de sua geração, sete mandatos como parlamentar, deve ser elogiado porque “jamais enriqueceu com a política?” 

Desculpe a expressão: que preconceito “Casa Grande” é este?

Vamos elogiar Genoíno porque ele não roubou? Era um destino de cearense, de político, de guerrilheiro, de petista? 

Ou vamos expor Genoíno a um pelourinho televisivo, bruto, selvagem, indigno, e depois, com dor no coração, olhar para suas feriras e falar de sua “história digna”? 

Quer dizer. O cara chega ser torturado em praça pública no Araguaia, como lição para a população não tem a menor dúvida sobre quem mandava naquele país – onde o Supremo se encolheu, engoliu as próprias cassações e até ajudou a ditadura a livrar-se de um adversário como Chico Pinto – e é Genoíno que precisa palavras bondosas para não sentir-se humilhado? 

Não, meus amigos. 

A Globo precisa explicar porque esperou 49 anos para fazer auto-crítica. Os ministros fazem uso da palavra para falar de seus lamentos. 

Genoíno só precisa da lei e da justiça. Tem direitos iguais aos 201 milhões de brasileiros. 

Basta ler o relatório entregue pelo delegado Luiz Flavio Zampronha para se descobrir que os empréstimos eram reais, não eram fraudados e colocaram dinheiro de verdade nas contas do PT, que redistribuiu os recursos. Genoíno foi condenado por que não se considerou “razoável” nem “plausível” que não “soubesse” do “esquema.” 

Mas essa denuncia sobre os empréstimos, aos poucos, foi sendo escondida e deixada de lado, porque era difícil de sustentar. Mas claro que continua sendo repetida, impunemente, até hoje. Porque, para o cidadão comum, é a “prova”.

Essa turma vai levar 49 anos para se arrepender, de novo?

Não adianta pedir desconto e lembrar que, condenado a uma pena menor, Genoíno terá direito a regime semi-aberto. Não se trata de um premio de consolação nem de uma barganha. O ponto de partida dessa visão é achar que ele merecia ser punido. Está errado. Pune-se, com penas maiores ou menores, quem tem culpa provada, com fatos robustos, inquestionáveis. A menos, claro, que se queira usar Genoíno como exemplo para lembrar, pela segunda vez, quem manda no país.

Ninguém precisa ser lembrando disso. Está na cara.

Espionagem dos EUA é ato de guerra


Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Diante da lei brasileira, o crime cometido pelo governo dos EUA ao espionar e-mails e telefonemas da presidenta Dilma Rousseff pouco ou nada se diferencia de um ato de guerra.

Muito embora eletronicamente, trata-se de violar as comunicações da Chefe de Estado, de Governo e a comandante-em-chefe das Forças Armadas do Brasil.

Mesmo antes da revelação deste crime, diante das informações sobre coleta de dados no Brasil, o governo brasileiro já havia solicitado que os Estados Unidos só realizassem interceptações telefônicas ou cibernéticas com autorização judicial.

Semana passada, os EUA negaram-se a assumir este mínimo compromisso.

Não se trata, como se vê, de uma ação antiterrorismo.

É vigilância ilegal sobre outros países e governos, numa despudorada violação do direito internacional.

Só há uma maneira eficaz de responder a ela.

Suspender viagem da Presidenta aos EUA, chamar o embaixador, apresentar queixa na ONU, tudo isso pode e será feito, na hora adequada, e que não vai tardar.

Mas o essencial é que chegou o momento da confrontação entre a velha ordem internacional e a que emerge no século 21.

Cabe-nos provocar e coordenar a reação dos chamados Brics – além de nós a Rússia, a Índia, a China e a Africa do Sul.

Somos, juntos, 42% da população global, 40% da superfície terrestre, 75% das reservas monetárias internacionais, e cerca de 20% do PIB, muito próximo dos 23% representados pelos EUA.

Chegou o momento de termos um peso geopolítico correspondente a essa força econômica.

O mundo unipolar dos últimos 24 anos, desde que o desaparecimento da União Soviética abriu caminho para o mando unilateral dos norte-americanos sobre o planeta, já não pode mais prosseguir, porque significou guerra, recolonização econômica, supremacia bélica intimidante e, agora, um intervencionismo ‘eletrônico” sobre os governos nacionais.

Não pretendemos – embora tivéssemos o direito internacional ao nosso lado – sermos um rato que ruge, como certamente não seremos, como já fomos, um gatinho que apenas mia, contrafeito.

Devemos ser – e é pena que não possamos (será mesmo que não podemos?) contar com a projeção internacional do ex-presidente Lula para o fazermos com o peso que isso mereceria – os estimuladores de uma mudança de patamar da influência mundial dos países em desenvolvimento.

As transformações não acontecem apenas porque as queremos, é preciso que as estruturas ultrapassadas revelem a profunda contradição entre o que dizem ser e o que são, na realidade.

Sem arroubos retóricos, apenas à luz dos fatos: os Estados Unidos tornaram-se um país criminoso.

E é dever da comunidade internacional por fim à esta atividade criminosa.

Não pelos métodos americanos de combater o que diz serem crimes contra as liberdades e os direitos civis, com seus mísseis de cruzeiro.

Mas com a força econômica e moral da maior parte da humanidade, que não aceita ser monitorada, vigiada e violada pela ânsia americana de poder.

Confissão da Globo é marketing


Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Se a Globo confessar todos os pecados, o confessionário ficará ocupado por muitos anos.

Mas é de uma confissão específica que vamos tratar: o apoio ao golpe de 1964. A confissão, expressa numa nota publicada ontem, teve ampla repercussão, como era de esperar.

A questão mais intrigante, para mim, é: o que a Globo pretendeu com isso? A única hipótese lógica que encontro é que ela quis fazer uma ação de marketing que limpe uma marca – ela própria – que, como os protestos de agora mais uma vez mostraram, sofre uma colossal rejeição dos brasileiros.

São remotas, remotíssimas na verdade, as chances de que isso melhore o drama da má reputação da Globo.

Primeiro porque o raciocínio usado no texto é manipulador. Palavras de Roberto Marinho, nos vinte anos do golpe, são evocadas para afirmar uma lorota histórica que eu imaginava que ninguém mais usaria, conhecidos os fatos reais: a de que foi o povo que exigiu a deposição de João Goulart.

Disse Roberto Marinho: “Os acontecimentos se iniciaram, como reconheceu o marechal Costa e Silva, ‘por exigência inelutável do povo brasileiro’. Sem povo, não haveria revolução, mas apenas um ‘pronunciamento’ ou ‘golpe’, com o qual não estaríamos solidários.”

Pobre povo brasileiro: além de ser objeto de uma predação econômica selvagem que transformaria o Brasil no campeão mundial de desigualdade social, ainda é responsabilizado por isso.

Não foi a CIA, não foi a direita, não foram generais reacionários, não foram barões da mídia como Roberto Marinho que deram o golpe do qual seriam grandes beneficiários. Foi o povo, vítima número 1 da quartelada.

Por esse ângulo, para voltarmos à confissão do Globo, Roberto Marinho estava, portanto, ao lado do povo, como um Zorro ou um Robin Hood.

Nas reflexões de RM rememoradas na confissão, são destacados “os avanços econômicos obtidos naqueles vinte anos”.

Avanço para quem?

Para ele, certamente. Os militares lhe deram uma televisão que transformou a Globo de dona de um jornal de segunda categoria numa grande corporação.

Basicamente, foi uma troca: Marinho levou a tevê e, em troca, garantiu apoio à ditadura. No livro Dossiê Geisel, escrito à base de documentos pessoais de Geisel, essa troca aparece com clareza. Roberto Marinho não fazia nenhuma cerimônia em pedir mais e mais favores à ditadura lembrando o apoio que dava a ela.

Para o “povo”, o golpe foi uma tragédia econômica. Os trabalhadores perderam direitos trabalhistas como a estabilidade, e foram proibidos – não raro a balas — de fazer greve para se defender na relação desigual com as empresas.

Disso resultou uma brutal concentração de renda. A fatia do bolo nacional do povo foi minguando, enquanto homens como Roberto Marinho acumulavam uma fortuna pessoal que os levaria, ou a seus herdeiros, às listas de bilionários feitas pela respeitada revista americana Forbes.

A falácia empregada na época, uma criação do homem forte da economia, Delfim Netto, era que o bolo tinha antes que crescer para depois ser distribuído.

Impedidos de responder com greves, os trabalhadores tinham, para usar a grande expressão de Noam Chomsky, a “liberdade de consentir” naquela tese desonesta, cínica e responsável pela favelização do Brasil.

Se realmente quiser melhorar sua imagem, a Globo terá mais sucesso com ações concretas.

Uma delas, que poderia ser a primeira, é pagar o que deve à Receita Federal depois de ter sido flagrada numa fraude fiscal na compra dos direitos da Copa de 2002.

O problema é que, para isso, não bastam palavras. É preciso colocar dinheiro: 1 bilhão de reais em valores atuais.

E quem acredita que a Globo põe a mão no bolso, mesmo em situações escandalosamente claras como aquela, acredita em tudo, como disse Wellington.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Por que jogamos merda na Globo



No dia 30 de agosto, realizamos protestos em sete capitais brasileiras em frente à Rede Globo e afiliadas, pela democratização da comunicação. A ação que realizamos que ganhou maior repercussão nos escrachos foi jogar merda em frente às sedes da emissora.


No dia posterior, as Organizações Globo lançaram na internet a sua confissão de culpa, em relação ao apoio que deu ao Golpe de 1964 e à Ditadura Militar. Nesse sentido, apresentamos aqui as razões que levaram a nos manifestar dessa maneira:

- Jogamos merda na Globo porque ela é ilegal e antidemocrática. A Globo é a representação máxima do monopólio das comunicações em nosso país, exercendo um poder absoluto na definição do que é verdadeiro e do que é falso, do certo e do errado, do que é legítimo e do que é ilegítimo no Brasil. Tal grau de concentração é incompatível com a Constituição de 1988, que proíbe expressamente o monopólio e oligopólio dos meios de comunicação. Um poder de controlar corações e mentes como o construído pela Globo jamais seria tolerado mesmo em países liberais.

- Jogamos merda na Globo porque ela é manipuladora e faz censura. Está intimamente associada às forças conservadoras do Brasil. Sua trajetória está marcada por uma relação intrínseca com o sistema político vigente e com a classe dominante. Para tanto, a Globo manipula fatos, constituindo e desconstituindo presidentes de acordo com seus interesses e das frações de classe as quais representa. É notória a sua orientação editorial no sentido de criminalizar e deslegitimar a ação dos movimentos sociais e suas bandeiras populares.

- Jogamos merda na Globo porque ela é golpista. Foi o suporte ideológico do Golpe Militar de 1964. As Organizações Globo, como recentemente assumiu, foram cúmplices de um regime ditatorial que perseguiu, prendeu, sequestrou, torturou e assassinou milhares de brasileiros que lutaram pela democracia, mas que eram tratados como “terroristas” nas manchetes dos seus jornais. A Globo foi conivente com a maior marca de sangue que o povo brasileiro carrega em sua história.

- Jogamos merda na Globo porque ela foi beneficiada e construiu um império sobre a obra da ditadura assassina. Nunca assumiu que seu império só se formou a partir das vantagens que obteve por sua associação com as forças sociais, políticas e militares que sustentaram a ditadura. E por conta dessa parceria, até o final do regime ocultou as lutas por redemocratização – inclusive o histórico comício de São Paulo, em 1984, pelas Diretas Já – prolongando ao máximo a sua duração. Portanto, não cometeu um erro, mas um crime.

- Jogamos merda na Globo porque ela é contra as mudanças que o povo quer. Em seu editorial a Globo reafirma que era contra as Reformas de Base propostas por João Goulart. Interrompidas pelo golpe, essas Reformas até hoje não foram realizadas, na medida em que o povo permanece sem acesso pleno a direitos elementares. A Globo é um dos principais entraves para o avanço nas necessárias reformas estruturais no Brasil, como a Reforma Educacional e Política.

- Jogamos merda na Globo porque ela é hipócrita. A Globo é propriedade da família mais rica do Brasil. Os filhos de Roberto Marinho somam um patrimônio de R$ 51 bilhões. Ao mesmo tempo, a Globo deve ao Estado brasileiro R$ 615 milhões, somando os impostos que sonegou na compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002 e as multas que recebeu da Receita Federal. Ou seja, suas empresas de comunicação atuam como agente moralizante da sociedade brasileira(julgando e denunciando desvios de verbas públicas) e promovem ações voltadas para “inclusão social”, enquanto acumulam o maior riqueza familiar do país e sonegam impostos.

- Jogamos merda na Globo porque ela joga merda na gente. A Globo contribui decisivamente para a formação de um visão de mundo conservadora, alienada e discriminadora. Sua programação está repleta de narrativas que degradam o papel da mulher, que invisibilizam a população negra e estigmatizam os homossexuais. A Globo representa também o monopólio da arte, da música e do cinema no Brasil, atuando como um torniquete que impede acesso, difusão e produção das expressões culturais mais genuínas do povo brasileiro. A emissora transformou um dos maiores patrimônios do país, o futebol, em um ativo no mercado publicitário, controlando desde a direção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até os horários dos jogos.

- Jogamos merda na Globo para quebrar um pacto de silêncio que existe sobre o seu Império, pois a maior parte das forças políticas, seja por cumplicidade ou por medo de se desgastar politicamente com a emissora, não questiona o seu poder. Da mesma forma, o governo federal, em nome desse pacto, silencia quanto à regulamentação dos meios de comunicação e continua alimentando essa máquina de recursos por meios das verbas publicitárias dos ministérios e empresas estatais.

- Jogamos merda na Globo pois a merda é a representação do que há de mais sujo e repugnante. É aquilo que deve ser descartado. Ao mesmo tempo, a merda fertiliza e pode fazer nascer algo novo, como a confissão de culpa que a empresa assumiu por ter apoiado a ditadura durante 21 anos. Como poderá fertilizar a regulamentação e a efetiva democratização dos meios de comunicação.

Somente com atos dessa natureza seria possível expressar a necessidade urgente de democratizarmos a comunicação em nosso país. Assim como a luta por Memória, Verdade e Justiça, que pautamos a partir dos escrachos aos torturadores, a luta pela democratização da comunicação é uma etapa fundamental para consolidarmos o processo de redemocratização da sociedade brasileira até hoje inacabado.

Não descansaremos enquanto esses objetivos não forem alcançados.

Pátria Livre, Venceremos!
1º de setembro de 2013

Levante Popular da Juventude

Sem tempo para sonhar: EUA têm mais negros na prisão hoje do que escravos no século XIX


No dia histórico do discurso “eu tenho um sonho”, de Martin Luther King, panorama social é dramático aos afrodescendentes norte-americanos

O presidente norte-americano, Barack Obama, participa nesta quarta-feira (28/08) em Washington de evento comemorativo pelo aniversário de 50 anos do emblemático discurso “Eu tenho um Sonho”, de Martin Luther King Jr. - considerado um marco da igualdade de direitos civis aos afro-americanos. Enquanto isso, entre becos e vielas dos EUA, os negros não vão ter muitos motivos para celebrar ou "sonhar com a esperança", como bradou Luther King em 1963.

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De acordo com sociólogos e especialistas em estudos das camadas populares na América do Norte, os índices sociais - que incluem emprego, saúde e educação - entre os afrodescendentes norte-americanos são os piores em 25 anos. Por exemplo, um homem negro que não concluiu os estudos tem mais chances de ir para prisão do que conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Uma criança negra tem hoje menos chances de ser criada pelos seus pais que um filho de escravos no século XIX. E o dado mais assombroso: há mais negros na prisão atualmente do que escravos nos EUA em 1850, de acordo com estudo da socióloga da Universidade de Ohio, Michelle Alexander.

Mother Jones Twitter @bet
Há mais negros do que nunca nas penitenciárias dos EUA

“Negar a cidadania aos negros norte-americanos foi a marca da construção dos EUA. Centenas de anos mais tarde, ainda não temos uma democracia igualitária. Os argumentos e racionalizações que foram pregadas em apoio da exclusão racial e da discriminação em suas várias formas mudaram e evoluíram, mas o resultado se manteve praticamente o mesmo da época da escravidão”, argumenta Alexander em seu livro The New Jim Crow.

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No dia em que médicos brasileiros chamaram médicos cubanos de “escravos”, a situação real, comprovada por estudos de institutos como o centro de pesquisas sociais da Universidade de Oxford e o African American Reference Sources, mostra que os EUA têm mais características que lembram uma senzala aos afrodescendentes que qualquer outro país do mundo.


Em entrevista a Opera Mundi, a professora da Universidade de Washington e autora do livro “Invisible Men: Mass Incarceration and the Myth of Black Progress”, Becky Pettit,argumenta que os progressos sociais alcançados pelos negros nas últimas décadas são muito pequenos quando comparados à sociedade norte-americana como um todo. É a “estagnação social” que acaba trazendo as comparações com a época da escravidão.

“Quando Obama assumiu a Presidência, alguns jornalistas falaram em “sociedade pós-racial” com a ascensão do primeiro presidente negro. Veja bem, eles falaram na ocasião do sucesso profissional do presidente como exemplo que existem hoje mais afrodescendentes nas universidades e em melhores condições sociais. No entanto, esqueceram de dizer que a maioria esmagadora da população carcerária dos EUA é negra. Quando se realizam pesquisas sobre o aumento do número de jovens negros em melhores condições de vida se esquece que mais que dobrou o número de presos e mortos diariamente. Esses não entram na conta dos centros de pesquisas governamentais, promovendo o “mito do progresso entre nos negros”, argumenta.

Segundo Becky Pettit, não há desde o começo da década de 1990 aumento no índice de negros que conseguem concluir o ensino médio. Além disso, o padrão de vida também despencou. Além do aumento da pobreza, serviços básicos como alimentação, saúde, gasolina (utilidade considerada fundamental para os norte-americanos) e transportes público estão em preços inacessíveis para muitos negros de baixa renda. Mais de 70% dos moradores de rua são afrodescendentes.

Agência Efe
Negros na administração Obama têm indíces sociais mais baixos que na época de George W. Bush

Michelle Alexander, por sua vez, critica o sistema judiciário do país e a truculência que envia em massa às prisões os negros. “Em 2013, vimos o fechamento de centenas de escolas de ensino fundamental em bairros majoritariamente negros. Onde essas crianças vão estudar? É um círculo vicioso que promove a pobreza, distribui leis que criminalizam a pobreza e levam as comunidades de cor para prisão”, critica em entrevista ao jornal LA Progresive.



Síria resistirá à intervenção do Ocidente

Cubadebate - O líder cubano Fidel Castro

Líder cubano critica possível incursão militar no país árabe e ironiza rumores de que Cuba impediu entrada de Snowden
O que me move a escrever é o fato de que muito em breve irão ocorrer acontecimentos graves. Não transcorre em nossa época dez ou quinze anos sem que nossa espécie corra perigos reais de extinção. Nem Obama nem ninguém pode garantir outra coisa; digo isso por uma questão de realismo, já que só a verdade nos poderia oferecer um pouco mais de bem-estar e um sopro de esperança. Chegamos na fase da maior idade em relação a nossos conhecimentos. Não temos direitos de enganar nem de nos enganarmos.

Em sua grande maioria, a opinião pública conhece bastante sobre o novo risco que se encontra em suas portas.

Não se trata simplesmente de que os mísseis de cruzeiro apontem para alvos militares na Síria, senão que esse valente país árabe, situado no coração de mais de oito milhões de muçulmanos, cujo espírito de luta é lendário, declarou que resistirá até o último suspiro contra qualquer ataque ao seu país.

Todos sabem que Bashar al Assad não era político. Estudou medicina. Graduou-se em 1988 e se especializou em oftalmologia. Assumiu um papel político em razão da morte de seu pai, Hafez al Assad, no ano 2000, e da morte acidental de seu irmão mais velho.

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Todos os membros da OTAN, aliados incondicionais dos Estados Unidos, e uns poucos países petroleiros aliados ao império naquela zona do Oriente Médio garantem o abastecimento mundial de combustíveis de origem vegetal, acumulados ao largo de mais de um milhão de anos. A disponibilidade de energia procedente, em troca da fusão nuclear de partículas de hidrogênio, tardará por, pelo menos, 60 anos. A acumulação dos gases de efeito estufa continuará a crescer em elevados ritmos apesar de colossais investimentos em tecnologia e pessoal.

Por outro lado se afirma que, em 2040, em apenas 27 anos, muitas tarefas que hoje são atribuídas à polícia, como impor multas e outras tarefas, seriam realizadas por robôs. Imaginam os leitores o quão será difícil discutir com um robô capaz de fazer milhões de cálculos por minuto? Era algo inimaginável anos atrás.

Há apenas algumas horas, na segunda-feira de 26 de agosto, despachos de agências clássicas bem conhecidas por seus serviços sofisticados aos Estados Unidos, se dedicaram em difundir a notícia de que Edward Snowden foi obrigado a se estabelecer na Rússia porque Cuba cedeu às pressões norte-americanas.

Ignoro se alguém, em algum lugar disse algo ou não para Snowden, porque esse não é meu trabalho. Leio o que posso sobre notícias, opiniões e livros que se publicam no mundo. Admiro como valentes e justas as declarações de Snowden, para quem, ao meu juízo, prestou um serviço ao mundo ao revelar a política repugnantemente desonesta do poderoso império que mente e engana o mundo. O que não estou de acordo é que alguém, quaisquer que fossem seus méritos, pudesse falar em nome de Cuba.
 


A mentira tarifada. Quem a afirma? O diário russo “Kommersant”? Quem é esse difamador? Segundo explica a própria agência Reuters o jornal cita fontes próximas ao Departamento de Estado norte-americano: “o motivo de não ter embarcado foi que, no último minuto, Cuba informou as autoridades, que impediram que Snowden tomasse o voo da  Aeroflot”.

“Segundo o rotativo, […] Snowden passou dois dias no consulado russo de Hong Kong para manifestar sua intenção de voar para a América Latina via Moscou”.

Se eu quisesse poderia falar de todos esses temas abertamente.

Hoje observei com especial interesse as imagens do presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, durante sua visita o barco principal do destacamento russo que visita o país sul-americano após escalas anteriores nos portos de Havana e Nicarágua.

Durante a visita do presidente venezuelano à embarcação me impressionaram várias imagens. Uma delas foi a amplitude dos movimentos de seus numerosos radares capazes de controlar as atividades operativas do navio em qualquer situação que se presente.

Por outro lado, perguntemos sobre as atividades do mercenário jornal “Kommersant”. Em sua época foi um dos mais perversos meios de comunicação a serviço da extrema-direita contrarrevolucionaria, e que desfruta o fato de que o governo conservador e lacaio de Londres envie seus bombardeiros para a base Aérea de Chipre, prontos para lançar suas bombas sobre as forças patrióticas da heroica Síria, enquanto no Egito, considerado como o coração do mundo árabe, milhares de pessoas são assassinadas pelos autores de um grosseiro golpe de Estado.

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Nesse contexto, os aparatos navais e aéreos do império e seus aliados já se preparam para iniciar um genocídio contra os povos árabes.

Está absolutamente claro que os Estados Unidos tratam sempre de pressionar Cuba, assim como faz com a ONU ou qualquer instituição pública ou privada do mundo, uma das características dos governos desse país, e não seria possível esperar outra coisa deles. Mas não em vão segue-se resistindo há 54 anos defendendo sem trégua — e pelo tempo adicional que for necessário —, enfrentando o criminoso bloqueio econômico do poderoso império.

Nosso maior erro foi não termos sido capazes de aprender muito mais em muito menos tempo.

Artigo publicado originalmente no site Cubadebate.

Sobre a intervenção na Síria



O regime sírio estava restabelecendo lentamente seu controle sobre o país, contra a oposição armada pelo ocidente e seus Estados subordinados na região (Arábia Saudita e Qatar) - uma situação exigia um corretivo urgente. Essa é a explicação para o eminente ataque ocidental sobre a Síria. Por Tariq Ali



O objetivo da "guerra limitada", conforme foi colocado pelos Estados Unidos e seus vassalos europeus, é simples. O regime sírio estava restabelecendo lentamente seu controle sobre o país, contra a oposição armada pelo ocidente e seus Estados subordinados na região (Arábia Saudita e Qatar). Essa situação exigia um corretivo. A oposição, nessa deprimente guerra civil, precisava ser fortalecida militar e psicologicamente.

Visto que Obama disse serem as armas químicas a "linha vermelha", elas foram obrigadas a entrar em jogo. ‘Cui prodest?’, como os romanos costumavam perguntar. Quem lucra? Certamente, não o regime sírio.

Algumas semanas atrás, dois jornalistas do ‘Le Monde’ já haviam descoberto as armas químicas. A questão é a seguinte: se elas foram usadas, quem as utilizou? O governo Obama e seus simpatizantes gostariam que acreditássemos que Assad permitiu a entrada dos inspetores de armas químicas da ONU na Síria, e, em seguida, marcou sua chegada com um ataque químico contra mulheres e crianças, a cerca de 15 km de distância do hotel onde os inspetores estavam hospedados. Isso simplesmente não faz sentido. Quem realizou essa atrocidade?

No Iraque, sabemos que os EUA utilizaram fósforo branco em Fallujah, em 2004 (lá não havia linhas vermelhas, exceto aquelas feitas com o sangue iraquiano); portanto, a justificativa permanece tão obscura como nas guerras anteriores.

Desde a guerra e a ocupação do Iraque, o mundo árabe está dividido entre sunitas e xiitas. Apoiando as ameaças à Síria estão dois velhos amigos: Arábia Saudita e Israel. Ambos querem que o regime iraniano seja destruído. Os sauditas, por razões de facção, e os israelenses, porque estão desesperados para exterminar o Hezbollah. Esse é o fim de jogo que eles têm em vista e que Washington, depois de resistir um pouco, voltou a jogar. Bombardear a Síria é o primeiro passo.

É tolice se preocupar muito com a Grã-Bretanha. Trata-se de um Estado vassalo, governado de fato por um governo nacional que inclui o trabalhismo parlamentar. Seus partidos políticos vêm aceitando situar-se permanentemente no "quintal da Casa Branca". Cameron empolgou-se com a guerra há alguns meses. Quando os EUA aderiram friamente à ideia, a Downing Street calou-se. Agora, está de volta à ação, com o pequeno Ed dizendo que apóia a guerra "relutantemente", a mais patética das posições. Parlamentares conservadores estão articulando uma resistência mais dura. Será que mais conservadores do que trabalhistas se posicionarão contrariamente? Veremos.

Os iranianos reagiram com força e ameaçaram levar a cabo uma retaliação apropriada. Isso pode até ser um blefe, mas revela que, mesmo com um novo e "moderado" líder, elogiado pelos meios de comunicação ocidentais, essa postura não difere da de Ahmadinejad. O Teerã entende bem o que está em jogo e por quê. Cada intervenção ocidental no mundo árabe e em seus arredores piorou as condições. Os ataques planejados pelo Pentágono e seus parceiros da OTAN parecem propensos a seguir o mesmo caminho.

Enquanto isso, no Egito, um Pinochet árabe está restaurando a "ordem" tradicionalmente, com o apoio um tanto envergonhado dos líderes do conglomerado EUA/UE.

Fonte: ZNet (http://www.zcommunications.org/znet)

Tradução: Felipe Corrêa