segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

GETULIO VARGAS : " COMPANHEIRO DE UMA LUTA, QUE SÓ TERMINARÁ COM A VITÓRIA DO TRABALHO SOBRE O DINHEIRO ".




"FAZENDO CAMINHAR O BRASIL CAMINHAR NOS IDEAIS, DO PROLETARIADO"

" COMPANHEIRO DE UMA LUTA,  QUE SÓ TERMINARÁ COM A VITÓRIA DO TRABALHO SOBRE O DINHEIRO ". GETULIO VARGAS.

JAMAIS ACABARAM COM A "ERA VARGAS".
ELA ESTA NAS MENTES E CORAÇÕES DE TODO O BRASILEIRO

Ricardo Boechat comenta a privataria tucana



Boechat sai do armário: não há como negar a roubalheira na privataria tucana
Na Bandnews, o colunista Ricardo Boechat tirou "A Privataria Tucana" do fundo do armário e rasgou o verbo:
- Não há como os tucanos negarem que houve roubalheira na privataria;
- Não há como negar as ligações "incestuosas" dos tucanos com Daniel Dantas na privataria.

MIRIAM LEITÃO PREVIU SALDO DE US$ 3 BI NA BALANÇA COMERCIAL, MAS FOI 10 VEZES MAIOR

 


Há um ano atrás, em 9 de dezembro de 2010, madame Leitão previu US$ 3 bilhões de saldo na balança comercial para 2011.

Fechadas as contas deste ano, o valor foi R$ 29,8 bilhões, ou seja, 10 vezes mais do que previu a maior "especialista" em economia da TV Globo.

Vai chutar torto e fora assim, lá onde o vento faz a curva.

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2010/12/09/impasses-do-bc-348065.asp

É por essas e por outras, que a TV Globo e o jornal deveriam assumir de vez o tipo de "jornalismo" que praticam.

Que tal madame leitão passar a aparecer no "Bom dia, Brasil" roupa de cigana e com uma bola de  cristal na frente? Seria mais realista e daria mais credibilidade.

O William Bonner poderia usar um nariz de pinóquio. Assim todo mundo entenderia o espírito da coisa e ninguém levaria a sério quando ele quisesse dizer que uma bolinha de papel era uma fita crepe gigante de 5kg.

"Bill" Waack poderia narrar no seu idioma oficial (o inglês) e aparecer legendas em português no telejornal.
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

" PÓ PARÁ, AÉCIO". A GUERRA NO ESGOTO

 

Por Altamiro Borges

Em 28 de fevereiro de 2009, o Estadão publicou um texto que atiçou a guerra de bastidores entre os dois pré-candidatos do PSDB à Presidência da República. Assinado pelo falecido colunista Mauro Chaves, ele recebeu título provocador: “Pó pará, governador”. O objetivo do jornal serrista era pressionar Aécio Neves a desistir da disputa interna e aceitar o papel de vice na chapa tucana.

Conforme relata Amaury Ribeiro Jr., no best-seller “A privataria tucana”, o artigo e os indícios sobre a contratação de arapongas para espionar o governador mineiro azedaram de vez as relações no PSDB. O jornalista, que já investigava há vários anos a lavagem de dinheiro da corrupção nas privatizações durante o reinado de FHC, foi acionado pelo jornal Estado de Minas para "dar o troco"!

"Insinuação pesada" do jornal serrista

“Sem nunca ter ocultado seu serrismo, o Estadão dispensou o protocolo e disparou um torpedo visando atingir a pré-candidatura de Aécio abaixo da linha-d’água. Contrastando com a linha conservadora do jornal, instilou uma insinuação pesada, uma suposta ligação de Aécio ao “Pó”, ou seja, cocaína”, avalia Amaury Ribeiro logo na apresentação do seu livro.

A reação do jornal mineiro foi imediata. No editorial “Minas a reboque, não!”, ele retrucou: “Indignação. É com esse sentimento que os mineiros repelem a arrogância de lideranças políticas que, temerosas do fracasso a que foram levadas por seus próprios erros de avaliação, pretendem dispor do sucesso e do reconhecimento nacional construído pelo governador Aécio Neves”.

Bicadas tucanas seguem sangrentas

A guerra estava declarada e penas voaram para todos os lados. O governador mineiro rejeitou o papel subalterno de vice do rival paulista e fez corpo mole durante a campanha presidencial de 2010. Amaury Ribeiro, por sua vez, prosseguiu na pesquisa sobre a privataria tucana. Temendo os estragos, a mídia de São Paulo difundiu que seu livro era um dossiê “petista”. Pura malandragem!

A eleição passou, mas as bicadas tucanas prosseguem. Com a publicação do livro, as tensões internas só cresceram. José Serra, na reunião da executiva do PSDB na véspera do Natal, explicitou que a obra é fruto do “fogo amigo” no interior do partido. Já Aécio Neves se finge de morto, tentando pavimentar seu caminho para a disputa presidencial de 2014. Mas a empreitada não será fácil.

Um senador frustrante

Nesta semana, dois jornais paulistas voltaram à carga, de maneira inusitada, contra o tucano mineiro. O jornal Valor, das famiglias Marinho e Frias, publicou hoje longa reportagem sobre o péssimo mandato do senador Aécio Neves. Reproduzo alguns trechos:

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O senador e pré-candidato a presidente da República Aécio Neves (PSDB-MG) frustrou as expectativas não apenas por omitir-se na elaboração de um projeto nacional para a oposição. Também no Senado Federal, neste primeiro ano do seu mandato, ele não conseguiu levar adiante as propostas que apresentou.

Foram nove projetos de lei, uma proposta de emenda constitucional e 14 pedidos de informações a ministérios que sequer se aproximaram do estágio de votação. O insucesso esteve até nas emendas a projetos do governo, que costumam tramitar mais rápido na Casa. Das doze emendas que apresentou, apenas quatro obtiveram êxito...

Todas suas outras propostas não tiveram apreciação final. Algo previsível para um parlamentar de oposição, como ele. Mas para alguém considerado o principal adversário do PT em 2014, cujo maior mérito lembrado pelos políticos é a habilidade, o resultado final pífio põe em dúvida se essa característica o favorece num cenário de adversidade...


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"Blá-blá-blá mineiro"

Se o artigo do Valor é mais jornalístico, apontando as limitações do senador mineiro, o texto da Folha de 29 de dezembro lembra muito as insinuações maliciosas de Mauro Chaves. Assinado pelo articulista Rogério Gentile, ele já é venenoso no título: “Blá-blá-blá mineiro”. Reproduzo-o na íntegra:

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Já está virando regra. É só o fim de ano se aproximar que o senador mineiro Aécio Neves repete o mantra de que é necessário "refundar o PSDB".

A primeira vez foi em 2010, logo após a eleição da presidente Dilma Rousseff. Ansioso para herdar a posição de José Serra no partido, Aécio disse que o PSDB deveria refazer e atualizar seu programa para "recuperar sua identidade".

Como isso não ocorreu e, aparentemente, não surgiu outra ideia para tirar a sigla da letargia pós-FHC, Aécio voltou à carga às vésperas deste Natal, acrescentando apenas que o PSDB precisa “andar de cabeça erguida, discutindo as grandes questões nacionais e propondo uma nova agenda para o Brasil”.


Blá-blá-blá à parte, Aécio encerra 2011 sem ter conseguido se firmar como a principal referência da oposição no país. Teve dificuldades para se movimentar em um Senado dominado amplamente pelos aliados do governo, não apresentou nenhuma proposta de repercussão, tampouco soube se desemaranhar da briguinha partidária com Serra.

Sem conseguir se impor politicamente, precisou dar declarações à imprensa lembrando que está à disposição do partido para disputar a próxima eleição presidencial.

Faltando tanto tempo assim e, sobretudo por se tratar de um político mineiro, neto de Tancredo Neves, soou muito mais como se ele tivesse algum receio de ser esquecido.

Aécio tem demonstrado confiar em um futuro racha na base do governo para viabilizar-se para 2014. Cultiva boas relações com o PSB do governador Eduardo Campos (PE) e o PSD do prefeito Gilberto Kassab (SP) por entender que, se Dilma perder parte de sua popularidade até a eleição, os partidos poderão apoiá-lo.

Mas política não se faz apenas na base da calculadora. Se o senador não conseguir se mexer no Congresso e no PSDB, corre o risco de chegar sem fôlego à sucessão presidencial.


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Por que a mídia paulista está tão arisca com o senador mineiro? Teme que, se eleito presidente, Aécio se vingue das suas baixarias e não seja bondoso nas verbas publicitárias, como ocorre há duas décadas com os governos tucanos de São Paulo? É o retorno da velha disputa entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais? Ou é expressão acabada apenas da grave crise da direita no Brasil?

A GRANDE DEPRESSÃO E O MÁGICO DE OZ

Um coração para o homem de lata, um cérebro para o espantalho, coragem para o leão e um lar para Dorothy. Esta é a busca dos personagens de O mágico de Oz, um musical clássico de 1939. A maioria dos fãs compra a versão de que é uma história típica de Hollywood com final feliz. Poderia ser se não tivesse Yip Harpurg como letrista.

Por Christiane Marcondes*


Yip escreveu também o “hino da depressão”, em 1932, no qual narra o engodo do sonho capitalista. O Mágico de Oz resgata o sonho, realizável além do arco-íris, ou das fantasias do mundo imperialista que Yip, socialista, sempre combateu.

Do palco para a depressão

Posso imaginar o letrista Yip Harburg em um bar freqüentado por roteiristas, artistas, compositores da Broadway, logo após a quebra da Bolsa de Nova York em 1929. Os pedintes nas esquinas o deixam indignado. Também inspiram.

Yip começa então a rabiscar num guardanapo a letra da música que se tornaria o verdadeiro hino da depressão norte-americana. Um gole na bebida e um verso: ““Eles me diziam que eu estava construindo um sonho”. Outro gole, novo verso: “Com paz e glória à minha espera”. Engole a seco, conclui a quadra: “Por que então estou aqui na fila/ esperando apenas por um pedaço de pão?”

O título da canção “Brother, can you spare a dime?” pode ser traduzido por “Amigo, você tem um trocado?”. Bing Crosby gravou em 1932 -- muitos outros famosos regravam até hoje -- e foi um retumbante sucesso.

A música expõe a realidade estúpida do operário -- personagem da letra -- que construiu tudo o que constitui o “american way of life”, de ferrovias a mansões, grandes torres e edifícios, mas não tem um tostão no bolso e fica na esquina, espiando a pressa dos ricos na tentativa vã de ser ouvido na sua pobreza.


Da depressão para a guerra

O tempo passa, chega 1939. O mundo se confronta com a guerra. Yip cria o Mágico de Oz. Dorothy, o leão, o espantalho e o homem de lata metaforizam o drama e transformam a história em uma fábula universal.

A canção-tema, “Somewhere over the rainbow”, gravada por Judy Garland, resgata o sonho, não o capitalista, mas o dos direitos humanos, que Yip persegue como bom socialista. O tema principal? Voltar para casa, um espaço onde somos aceitos, compreendidos e amados!


Judy Garland interpreta Somewhere Over The Raibow em O Mágico de Oz
/ foto: divulgação

Voltar para casa também é chegar a um lugar além do arco-íris, diz a letra, e esse lugar não tem nada a ver com o tal pote de ouro do folclore popular. Também não tem relação com posse ou poder, conforme explica o medroso leão, na cena em que assume por breves momentos o posto de rei dos animais: “A diferença entre um rei e um escravo é a coragem”. Logo a coragem o abandona e ele rasteja diante do mágico no trono.

Da Broadway para a lista negra

Yip Harburg, filhos de pais imigrantes de origem russo-judaico, conheceu cedo na pele a pobreza e o preconceito e nunca virou as costas ao passado miserável.
Ao longo da carreira, escreveu letras para mais de 600 canções em parceria com uma variedade de notáveis compositores.

De 1951 a 1961, durante a temporada de caça a artistas, celebridades e jornalistas supostamente remota ou completamente ligados a comunistas, promovida pelo Senador Joseph McCarthy, Yip foi para a "lista negra" em função de suas idéias políticas sobre cinema, televisão e rádio. A Broadway, no entanto, manteve-se livre desse tipo de censura, só por isso o autor pôde continuar trabalhando, embora perseguido.

De Hollywood para o Havaí

Yip Harburg morreu em 5 de março de 1981 aos 84 anos. Seu espírito visionário não morreu, muito menos sua obra, que continua inspirando ativistas de todo o tipo, como Israel Kamakawiwo.

Nascido em Honolulu, Israel nunca ocultou a sua posição a favor da independência do Havaí e de defesa dos direitos dos nativos. Regravou “somewhere over the rainbow” em um mix com “What a wonderful World”.

O cenário, o humor e o ritmo são outros; o sonho, não sei, mas gosto de pensar que continue sendo o mesmo sonho de Yip.


*Christiane Marcondes é do Portal Vermelho

2012 trará as guerras tribais de volta à Líbia?


Faz um frio incompreensível em Trípoli, nesse fim de semana de Ano Novo, muita chuva que inunda as ruas, o que me faz lembrar de Londres, nessa época do ano, como se eu não estivesse no litoral Mediterrâneo do Maghreb. Estou hospedado num modesto hotel familiar, perto da rua Omar Muktar, barato e limpo, mas meu quarto não oferece outro aquecimento além de uma pilha de acolchoados turcos, de veludo.
Por Franklin Lamb


Muito mais importante que os cobertores, para mim e para o outro único hóspede do hotel, um engenheiro líbio de Sirte, cuja casa foi incendiada pelos rebeldes no início de outubro, é o proprietário, que reabriu o hotel no início de dezembro, depois de ter permanecido fechado desde março passado. O homem é uma enciclopédia viva de informação e opinião sobre “a atual situação” por aqui. Mas o dono do hotel e seus dois filhos que falam inglês não são os únicos que começam a falar cada vez mais fortemente, sobre a realidade na “nova Líbia”, já quase dois meses depois de a Otan ter declarado mais uma vitória e ter parado de, sistematicamente — embora, pelo que se vê aqui, sem olhar para onde atirava — atacar todos os prédios e casas, até reduzir a ruínas esse país essencialmente sem defesa militar, país do Terceiro Mundo, que foi atacado, com todo o mais moderno arsenal bélico, pelos maiores exércitos do Primeiro Mundo.

Conto com a sorte, nessa viagem, para encontrar meu melhor amigo nos meses que passei na Líbia, no verão passado. “Ahmad,” como a maioria dos contatos, desapareceu sem deixar rastro dia 22 de agosto, quando as forças da Otan tomaram Trípoli. Como muitos disseram a vários de nós, que procurávamos por pessoas conhecidas, as pessoas que conhecemos no verão ou fugiram, ou estão presas ou foram mortas. Mas “Ahmad” ressurgiu em setembro, por e-mail, para dizer que estava escondido. Viajara para o sul da Líbia, para uma pequena vila no Saara, cujo nome, disse-me ele, nunca seria encontrado em nenhum mapa, muito menos no Google Earth. Mas depois daquilo Ahmad novamente desapareceu, quando se aventurou a vir a Trípoli ver a família. Foi traído por amigos que receberam dinheiro das milícias para entregá-lo, foi preso, torturado e esquecido na prisão, sem qualquer acusação formal, simplesmente porque sua família é conhecida por apoiar Gaddafi. Na última semana que permaneceu preso (e só foi libertado, porque um dos guardas, seu ex-colega de escola, reconheceu-o), Ahmad e outros mais de 100 prisioneiros, inclusive Sheik Khaled Fantouch, todos mantidos numa grande sala improvisada como prisão pela milícia de Misrata, nada comeram e só se mantiveram vivos porque dividiam entre eles uma pequena ração de água.

A vida é hoje mais complicada na Líbia praticamente para todos, inclusive visitantes estrangeiros. Por exemplo: no verão, antes de 21 de agosto, se você cruzasse numa rua lateral com tipos com caras de poucos amigos e pesadamente armados, boa ideia seria sussurrar “Alá, Muammar, Líbia, al bas (é tudo de que precisamos!), e havia boa chances de você ser bem tratado e bem recebido. Hoje, é muito mais difícil. Mais de 55 diferentes milícias rebeldes, um total de mais de 30 mil homens armados, controlam diferentes áreas de Trípoli, e muitas dessas milícias não têm qualquer ligação direta com o Comandante Belhaj, chefe do Comando Militar de Trípoli, e não se sabe, de fato, a quem obedecem.

Belhaj, ex-comandante da Al-Qaeda, esteve preso na Líbia durante sete anos, quando EUA e Grã-Bretanha o entregaram ao governo Gaddafi, como parte de um programa dos serviços secretos daqueles países, que entregavam prisioneiros para serem interrogados em “ditaduras amigas” dos EUA e Grã-Bretanha. O partido de Belhaj, que está sendo formado com quadros da Fraternidade Muçulmana, tem boas chances de vencer as eleições previstas para o próximo mês de junho. A milícia comandada por Belhaj é a terceira, em tamanho, em Trípoli. A maior das milícias que operam na cidade é comandada por Salh Gait, de Trípoli, e, segundo seu vice-comandante, reúne 5 mil homens e continua recrutando.

Nesses dias, em Trípoli, é boa medida de segurança decorar os nomes da maior milícia local e o nome do respectivo comandante. Assim, quando abordado por milicianos na rua, sempre se pode tentar esfregar os dedos indicadores, pronunciar o nome do comandante e acrescentar “mieh, mieh” “bom, bom.” O maior risco é não coincidirem o nome que você disser e o nome do comandante daquele específico miliciano. As coisas andam difíceis entre as várias milícias que circulam na cidade, depois de semanas de escaramuças sobre as quais nada se noticia.

As escaramuças entre as várias milícias não são noticiadas, embora o governo de transição não faça outra coisa senão repetir que, afinal, há no país total liberdade de imprensa, para os, dizem eles, 43 jornais e revistas editados livremente na cidade. Dito, parece ótimo, embora o número de jornais e revistas varie semanalmente: há muitas promessas de empréstimos estrangeiros para financiar publicações, mas muitas delas jamais se cumprem, ou os empréstimos são suficientes apenas para publicar as primeiras edições de jornais ou revistas, que surgem e logo desaparecem.

O que mais chama atenção nessa “nova Líbia livre, nova imprensa livre” é que 100% de tudo que se publica são matérias favoráveis ao “novo governo”. Sei que, em parte, é temor das consequências, caso alguém destoe do aparente apoio universal ao Governo Nacional de Transição. Outra razão, segundo um embaixador ocidental que voltou ao posto, é que a nova imprensa está nascendo da imensa variedade de milícias, e todos estão presos na armadilha psicológica de, para não verem os problemas muito visíveis, acabarem por não ver, de fato, coisa alguma que acontece ao redor.

Ahmad concorda. “Envolveram-se tanto com a Otan e os rebeldes da Otan, que não conseguem admitir que erraram muito. Agora, já nem veem o que acontece à frente deles, todos os dias.” Um caso exemplar aconteceu ontem, à minha frente, na “Praça Verde”. “Todos ainda chamam de ‘Praça Verde’, não de ‘Praça dos Mártires’, como o Conselho Nacional de Tradição decidiu batizar a praça” – explicara o proprietário do hotel–, “porque foi ‘Praça Verde’ durante décadas. E, afinal, qual é o problema de a praça ser ‘Praça Verde’? Se alguém diz que vai se encontrar com você na ‘Praça dos Mártires’, a coisa soa esquisita para todos, nessa cidade. E se os militares no Egito resolverem mudar o nome da Praça Tahrir? Os egípcios aceitariam?”

O que me surpreendeu ontem é que havia duas manifestações, razoavelmente cheias de gente, ambas contra o Conselho Nacional de Transição, em dois cantos opostos da praça, que é enorme. Uma delas era liderada por duas mulheres que conheci no verão, que eram e dizem abertamente que continuam, apoiadoras do regime de Gaddafi. Uma delas, no verão, animava um grupo de advogadas; a outra, um grupo de feministas. A manifestação liderada pelas duas exigia que se garantisse a cidadania líbia para maridos e filhos de esposas e mães líbias – a mesma luta que continua, década após década, também no Líbano.

A outra manifestação, liderada pela advogada que falou numa conferência no Corinthia Hotel, a que assisti, poucos dias antes da queda de Trípoli, era organizada por um grupo que exigia notícias dos muitos desaparecidos, mantidos presos aos milhares em prisões secretas das várias milícias, por todo o país. Segundo a equipe de pesquisas do próprio grupo, além dos mais de 7 mil apoiadores de Gaddafi que o Conselho Nacional de Transição já anunciou que mantém presos, 80% dos quais identificados pelo nome, o Comitê de Justiça para os Desaparecidos diz que há mais de 35 mil líbios presos em prisões secretas das milícias que não obedecem ao CNT e sequer lhe reconhecem qualquer autoridade. Ahmad concorda com esse número, a partir do que soube na prisão. Disse que pode mostrar uma escola, próxima do meu hotel, fechada para as férias escolares até o dia 7 de janeiro, e onde, se se passa pela rua à noite, quando não há ruídos de trânsito, ouvem-se gritos dos policiais e dos prisioneiros.

Parece que, pelo menos por hora, as manifestações populares estão sendo permitidas, embora sempre se vejam observadores que tudo olham. O que não se sabe é quem é observador a serviço do Conselho Nacional de Transição, quem é das milícias e de que milícia é cada observador.

Ahmad chegou com a notícia de que nenhuma das manifestações do dia anterior foi noticiada nos jornais da manhã seguinte, porque nada se publica que não sejam elogios ao governo da nova Líbia.

A líder do grupo de feministas tem planos para convocar outras manifestações: há muitas mulheres desaparecidas, mas, estranhamente, são mulheres que, de um dia para o outro simplesmente desaparecem das ruas e dos locais onde normalmente moravam e circulavam diariamente. Uma das suspeitas do grupo de feministas é que muitas delas estejam vivendo em casas que pertenceram a parentes e apoiadores do regime de Gaddafi. Ela estima que haja mais de 90 dessas casas em Trípoli, todas em regiões ricas da cidade, muitas à beira mar, e que foram invadidas por gangues rebeldes, saqueadas, várias delas já vendidas e compradas nos mercados de rua. Depois de invadidas e saqueadas as casas, muitos membros das milícias parecem ter tido outra ideia. Por que voltarem, por exemplo, para Benghazi ou Misrata, se podiam ficar vivendo em Trípoli, com relativo luxo? Centenas de milicianos estão fazendo isso, diz “Mara”, a líder do grupo de feministas. “São sempre pesadamente armados, vivem do pequeno soldo que as milícias pagam, e moram naquelas casas; alguns até alugam quartos e cobram aluguel. Mara conta: “Se encontram uma casa vazia, sobretudo se é casa grande, bem construída, logo assumem, quase sempre corretamente, que pertenceu a parente de Gadaffi, alto funcionário ou apoiador do governo Gaddafi. E invadem a casa, como se lhes pertencesse, como parte do butim de guerra. E desafiam qualquer outra milícia ou a inexistente polícia do inexistente novo governo, a tentar desalojá-los. Não têm qualquer intenção de voltar para suas cidades, nem de depor armas.

Atualmente, já armazenam armas e explosivos, tanto para se protegerem, como para aumentar o próprio poder de barganha. Pelo que se vê, é como se a Líbia ]estivesse aberta a qualquer tipo de saque: seja o saqueador, ou líbio, ou de alguma operação estrangeira”. A mesma senhora diz que a população de Trípoli aumentou em cerca de um milhão de novos moradores, e os locais querem que os “de fora” voltem às suas cidades originais e devolvam Trípoli aos seus moradores, para que possam recomeçar a reconstruir a cidade. Com os recém chegados, aumentaram os problemas de tráfego e aumentou a insegurança, sobretudo noturna, na cidade.

Em muitas das casas invadidas, já moram famílias inteiras vindas de outras partes da Líbia. Em vários casos, há suspeita de que mulheres não líbias, das muitas que viviam no país, vindas de outros países africanos, estejam sejam mantidas em condições de cárcere privado, como empregadas domésticas. Os grupos feministas também suspeitam que as milícias estejam seqüestrando mulheres nas ruas, para mantê-las como serviçais nas casas convertidas em fortalezas das milícias armadas.

O que mais enfurece muitos, hoje, em Trípoli, é que o novo governo não dê qualquer sinal, sequer, de suspeitar da existência desses problemas. É como se o novo governo não tivesse qualquer interesse em qualquer tipo de investigação pela Corte Criminal Internacional, porque não querem investigadores internacionais na cidade, fazendo perguntas.

Líbios que viviam no interior do país, e os que se refugiaram em países vizinhos, estão começando a voltar às suas grandes tribos originais, e começam a organizar-se para pôr fim a esses e a muitos outros problemas.

Um dos locais onde se ouve dizer que a situação está prestes a explodir em violência, são áreas como Bani Wallid e Sirte, onde a Otan e seus aliados locais mataram muitos civis – mortes que nem os grupos de direitos humanos sabem estimar com alguma precisão. Um comandante de uma milícia local disse a mim e a dois outros jornalistas alguma coisa do que ouviu, numa operação de prisão clandestina: “Se, há um ano, havia divisões intratribais ou disputas por território entre as tribos, hoje os problemas estão multiplicados por 500. As tribos estão-se armando e já deram ao novo governo vários prazos para que comece a reconstruir as casas e os estabelecimentos comerciais que foram destruídos, para ajudar as famílias que perderam tudo, para desarmar os milicianos que andam pelas ruas, e para desmobilizar as gangues armadas, fazendo os milicianos voltarem para as cidades de origem. Até agora, o novo governo nada fez nessa direção, e as pessoas estão cada dia mais furiosas.”

Outro problema que provoca profundo descontentamento são os preços, que não param de aumentar — exceto eletricidade, que ninguém no país paga, segundo minhas fontes, desde fevereiro. Mas os cortes de eletricidade são hoje similares aos que aconteciam durante o bombardeio pela Otan. A falta de dinheiro também é problema, porque ninguém pode retirar dos bancos mais que 750 dinars por mês. O dinheiro é relativamente escasso. Sabe-se que foram sacados dos bancos líbios cerca de 7 bilhões, por ex funcionários e empresários líbios no início da primavera; e que mais de 8 bilhões haviam sido sacados pelos cidadãos, no verão anterior, no pânico que se criou, pouco antes de o governo Gaddafi limitar o saque, nos bancos, a 500 dinars mensais.

Ouvi, pessoalmente, em países vizinhos e dentro da Líbia, dito por funcionários da administração das áreas tribais, que a guerra recomeçará, provavelmente, dia 1º de março. “Nossa história, nossa cultura, nossa dignidade estão ameaçadas. É responsabilidade das tribos limpar o país, expulsar daqui esses fora-da-lei, exatamente como já fizemos com os colonizadores italianos.”

Numa reunião em país vizinho da Líbia, ouvi de um apoiador de Gaddafi: “Sabemos quais as tribos que trabalharam aliadas à Otan e traíram seus deveres tradicionais. Também aconteceu no tempo dos italianos e ao longo do tempo, quando tribos aliaram-se às empresas estrangeiras de petróleo. Vamos à guerra, para restaurar a trilha dos povos líbios, sem ignorar os erros que foram cometidos pelo governo Gaddafi, mas sem esquecer que temos apoio de 90% da população nas áreas da tribo Wafala, como Ban Walid; e de cerca de 60%, em Trípoli. Gaddafi está morto. Mas muitas de suas boas políticas prosseguirão. Ihshallah."

Fonte: Counter Punch
Tradução: Coletivo Vila Vudu
http://www.vermelho.org.br

MIRIAM LEITÃO TAMBÉM APLICA O CONTO DO VIGÁRIO NO LEITOR

 

Dívida relativamente ao PIB, encolhe no governo Dilma.
Dívida pública explodiu no governo FHC em relação ao PIB. Miriam Leitão elogiava.
No governo Lula dívida despencou. Miriam Leitão critica.
É por querer impor essas mentiras ao telespectador que a audiência da TV Globo despenca.


A dívida do Brasil caiu para 36,6% do Produto Interno Bruto este ano. Projeção do BC é de 35,7% para 2012 (quanto menor esta relação melhor as contas públicas).

Esses números não mentem. Mostram que, dentro do possível, o governo Dilma guiou a economia com louvor em 2011, um ano difícil, devido à forte retração internacional e uma certa incapacidade das elites brasileiras produzirem o suficiente para atender a demanda do crescimento de 2010.

O fato foi que o PIB cresceu mais do que a dívida. Significa que a dívida tem menos peso na renda nacional, sobrando mais dinheiro produtivo para economia nacional.

No final das contas, isso (além da geração de empregos e distribuição de renda) é o que mais importa "na ponta do lápis".
O blá-blá-blá de Miriam Leitão para "desejar" um mau 2012 aos brasileiros.


Mas a urubóloga Miriam Leitão, da TV Globo, encerra o ano com seus tradicionais agouros de prever um mau 2012 para os brasileiros, na contra-mão da realidade, como fez uma avaliação ruim de 2011.

Na tentativa de desqualificar o sucesso brasileiro, a urubóloga tenta aplicar o conto do vigário em seus leitores, pinçando apenas os números que considera negativos, omitindo completamente a relação dívida/PIB.

Inventa de defender um déficit nominal zero, o que, com grande chances, jogaria o país em uma recessão ou estagnação. Se cortar investimentos estatais no social e na política industrial (que a urubóloga chama de custos), em tese reduziria a dívida num primeiro momento, mas o crescimento econômico iria para o vinagre, e as próprias receitas de impostos cairiam.

Com menor crescimento, menor arrecadação, maior vulnerabilidade... adivinhe de onde o governo teria que buscar dinheiro para fechar as contas? Tendo que emitir títulos e aumentando a dívida.

O resultado seria uma deterioração na relação dívida/PIB, arrastando o Brasil para a política da contaminação pelas crises internacionais, como era no nefasto governo neoliberal demo-tucano.

Cai no golpe do vigário da madame Leitão só os incautos, quando ela faz outra critica, sobre o "aumento da carga tributária". Ora, não houve aumento de alíquotas de impostos em setores produtivos nacionais (houve apenas o fim de renúncia fiscal provisória), nem para os trabalhadores, nem sobre a folha de pagamento, tanto é que a geração de empregos foi excelente durante o ano.

O que houve foi tributar o capital especulativo estrangeiro com um IOF maior, o que é bastante saudável, além de tributar pontualmente produtos importados que faziam "dumping" contra produtos nacionais, usando especulação cambial (aliás o IPI maior sobre carros importados só entrou em vigor em 16 de dezembro, mas em contrapartida o governo
reduziu o IPI sobre carros nacionais).

O objetivo nem era de aumentar a arrecadação, neste caso, se bem que é bem-vinda, pois na prática reduz em parte o pagamento de juros líquido (paga-se com uma mão e com a outra recebe de volta parte do dinheiro via IOF). Mas o objetivo mais importante foi conter a queda do dólar, defendendo o Brasil da guerra cambial promovida até pelos EUA, que prejudicava a produção nacional e os empregos daqui, tornando os importados mais baratos artificialmente.

O governo Dilma, a exemplo de Lula, dirigiu com maestria essa equação. Não errou a mão a ponto de deixar a dívida explodir como fez o governo demo-tucano, nem errou a mão a ponto de estagnar a economia como também fez FHC, impedindo o crescimento da renda nacional e dos trabalhadores.

A urubóloga precisa de um computador calibrado, pois na ponta do lápis, suas contas só servem para enganar quem quer
cair no conto do vigário, já tradicional no jornalismo da Globo.
 
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

BALANÇOS QUE NÃO EXPLICAM NADA



Os balanços de 2011 da velha mídia retratam fielmente sua incapacidade para dar conta dos fenômenos fundamentais do mundo contemporâneo – incluindo o Brasil e a América Latina.

Senão, vejamos:

O fenômeno mais importante e abrangente de 2011: o novo ciclo da crise capitalista, agora afetando diretamente a governos, que não poupa a nenhum governo do centro do capitalismo. Como se poderia explicar, sem uma visão crítica do capitalismo e dos seus mecanismos de crise cíclica? Como explicar se as sociedades norteamericanas e europeias seriam os modelos que deveríamos seguir? Como explicar se no centro da crise estão os sistemas bancários, o FMI, o Banco Central Europeu e o modelo neoliberal?

Como explicar que um governo que, tudo o que fez em 2011 foi correr atrás de ministros corruptos, herdados do governo Lula, tenha a mais alta popularidade de um governo no seu primeiro ano? Como explicar, se as políticas econômicas e sociais nao forma incluídas entre as pautas essenciais desse governo?

Como explicar que seu ídolo francês, Strauss-Kahn, praticamente escolhido pela velha mídia para dirigir a França, caia em desgraca em um episódio de alguns minutos apenas? Sabia-se desse aspecto da sua vida, mas como era o dirigente máximo do FMI e iria capitalizar o descontentamento com Sarkozy para fazer um governo super moderado, era melhor nao dar destaque, até que nao deu mais para segurar e terminou a carreira do seu ídolo.

No Oriente Médio finalmente surgiria a democracia, descoberta por jovens mobilizados pela internet. Os velhos ditadores – todos elogiados ate ali por essa mesma mídia - cairam e forma substituídos por democracias liberais. Nada disso acontece e forças muçulmanas ganham as eleições ou ocupam os novos governos provisórios desses países, demonstrando a distancia entre a realidade dessas sociedades e as ilusões dos liberais.

Toda a imoralidade do pais estava concentrada no PT, no governo Lula e nos seus aliados. De repente aparece um livro que revela as maiores negociatas da história do país, por meio da privataria tucana e a velha mídia nao tem o que dizer.

Convocados por todos os meios que dispunham, manifestações fajutas cantadas em prosa e verso como a versão cabocla dos “indignados”, tiveram vida curta e publico pequeno. Os brasileiros são corruptos? Se deixam comprar por alguns trocados do Bolsa Família? Dificil explicar.

A Argentina, governada por dirigentes tresloucados e corruptos, reelege sua presidente no primeiro turno, com três vezes mais votos do que o segundo colocado. Como explicar isso aos leitores?

O jovem, dinâmico e flamante dirigente da oposição, Aécio Neves, foi para os jornais não por seus vibrantes pronunciamentos com propostas para o país, mas pelo bafômetro, pela queda do cavalo e outras farras privadas.

FHC foi comemorado nos seus 80 anos, mas deu pra se pronunciar pelo abandono das camadas populares definitivamente pelos tucanos, pelo sugestivo lema I care e outras bobagens do ramo, mesmo se saudado como a mente mais lúcida da oposição.

O contingente cada vez menos de leitores dessa mídia ficou sem entender o mundo, mesmo se tivesse paciência de ler os balanços do fim de ano. Ficam esperando que o modelo econômico brasileiro imploda, que a inflação dispare, que o desemprego aumente, que o DEM não desapareça definitivamente, que o Serra e o Aécio nao troquem tabefes – pelo menos em publico – e que nao saia a CPI da Privataria.
Postado por Emir Sader às 18:50

DESEMPREGO ATINGE MAIS DE UM MILHÃO DE JOVENS NA INGLATERRA


 

A crise econômica está golpeando com força os jovens. No Reino Unido, o desemprego juvenil superou a barreira do milhão de pessoas e ninguém parece ter esperança de que as coisas melhorem neste 2012. Uns porque nunca tiveram expectativa de outra coisa, outros porque as portas abertas estão fechando e não há maneira de abri-las: este ano a matrícula universitária custará uns 16 mil dólares e a ajuda estudantil secundária desapareceu. O artigo é de Marcelo Justo.


“Eu tive 20 anos e não permitirei que digam que é a idade mais linda da vida”. A famosa frase de Paul Nizan tem mais peso do que nunca na Europa atual e não por razões existenciais.
A crise econômica está golpeando com particular força os jovens. No Reino Unido, o desemprego juvenil superou a barreira psicológica do milhão de pessoas e ninguém parece ter esperança de que as coisas melhorem neste 2012. Uns porque nunca tiveram expectativa de outra coisa, outros porque as portas abertas estão fechando e não há maneira de abri-las: este ano a matrícula universitária custará uns 16 mil dólares e a ajuda estudantil secundária desapareceu. Neste cenário, não surpreende que os estudantes estejam engrossando as filas da prostituição para financiar uma carreira que melhore, sem oferecer garantias, sua perspectiva de trabalho.

Em uma tentativa de capturar e transmitir a gravidade da crise, a ONG Barbados, que defende os direitos dos menores, chamou os jovens de “futuros pobres”. Em alguns casos, o futuro não é mais que a continuação do passado: levam a pobreza inscrita desde o nascimento. Nos bairros londrinos de Tottenham, Lewisham, Hackney, nos bolsões pobres das grandes cidades, em Manchester e Liverpool, Birmingham e Newcastle, há muito que se abandonou toda esperança. Durante a onda de saques que sacudiram o Reino Unido em agosto, cerca de 80% dos saqueadores presos tinha menos de 25 anos.

Em sua mensagem de ano novo, anunciada neste domingo, a máxima autoridade da Igreja Anglicana, o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, exortou os britânicos a não demonizar os jovens. Pediu aos britânicos que abandonem a hostilidade para com os jovens. “É uma tragédia que existam saques quando podemos ver o que se pode conseguir com esses jovens quando essa energia é canalizada positivamente em um contexto de segurança e amor”, assinalou o Arcebispo. Mas como advertiu David Lammy, deputado trabalhista por Tottenham, o bairro onde iniciaram os incidentes, não há uma consciência social ou política sobre a gravidade e urgência do tema. “Precisamos de políticos de todos os partidos que atendam estes problemas ou os saques podem voltar a acontecer”, vaticina Lammy.

E não há sinais de que o governo esteja escutando. A primeira reação aos distúrbios foi desclassificá-los como mero vandalismo juvenil de gangues descontroladas. O primeiro ministro David Cameron suavizou um pouco suas próprias palavras falando da desintegração moral da sociedade e prometendo uma investigação dos fatos, mas a política socioeconômica do governo não variou um centímetro.

Em seu comparecimento ante o Parlamento, em outubro, o ministro de Finanças, George Osborne, reafirmou o plano de austeridade do governo que contempla uma redução de 140 bilhões de dólares no orçamento do período 2011-2015. Os programas juvenis, dizimados pelos cortes, não receberam nenhuma nova fonte de financiamento. O bairro de Tottenham é um claro exemplo do abismo social que existe em um dos países mais ricos do planeta.

É a zona com maior desemprego de Londres e uma das 10 mais pobres do Reino Unido: os clubes da juventude desapareceram logo depois de o orçamento municipal ter sofrido um corte de 75%.

Economia sem rumo
A aposta da coalizão conservadora-liberal democrata é que o setor privado compensará o draconiano encolhimento do Estado. Até aqui, essa aposta não deu resultado. Entre julho e setembro de 2011, cerca de 67 mil pessoas perderam seu emprego estatal: o setor privado só criou 5 mil novos postos. Segundo o prestigiado Chartered Institute of Personnel and Development, essa situação piorará este ano com a demissão de cerca de 120 mil servidores públicos. Charlotte Foster, uma menina de 21 anos que terminou o ano passado a universidade, resumiu ao Daily Telegraph sua falta de expectativas. “No melhor dos casos passarei de um emprego temporal a outro. Com tantas demissões vai ser muito difícil. Há gente com 10 anos de experiência no mercado buscando trabalho”, declarou ao jornal.

Se a estratégia da coalizão para o conjunto da sociedade faz água, para os jovens ela naufragou em meio ao nada. Uma das medidas de austeridade da coalizão que mais os afetaram foi a triplicação do valor das matrículas universitárias, que entra em vigor este ano, e a eliminação da ajuda a estudantes secundário. As massivas manifestações entre outubro de 2010 e março do ano passado tiraram os jovens da situação de letargia política das últimas duas décadas, mas não conseguiram evitar a reforma da lei da educação.

Com custos subindo às nuvens e sem acesso a empregos temporários, muitos estudantes estão recorrendo a variadas formas de prostituição. “Com todos os cortes que ocorreram, muitas estudantes se prostituem para escapar da pobreza. Com esse tipo de trabalho, é possível, em uma noite, cobrir mais ou menos os gastos da semana”, assinala Sarah Walker, de um grupo de defesa dos trabalhadores do sexo, o English Colective of Prostitutes (ECPL).

Um estudo da Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra, revelou que cerca de 25% das “strippers” e “lap-dancers” da capital eram estudantes. Outra investigação da Universidade de Londres mostrou que 16% das universitárias estavam dispostas a se prostituir para pagar seus estudos e cerca de 11% contemplava a possibilidade de trabalhar em agências de acompanhantes. “A maioria são estudantes que acabam de iniciar a universidade ou estudantes adultos que querem um título. O governo sabe que o trabalho sexual é uma maneira de escapar dessa situação, mas isso não parece importar muito”, assinala Walker.

Em meio ao desalento, a União de Estudantes se comprometeu a continuar com os protestos para mudar a política universitária da coalizão. Em novembro, quase um ano depois de o parlamento aprovar a triplicação do valor das matrículas, milhares de estudantes se manifestaram por uma mudança de política. A maioria não estava diretamente afetada pela medida que só entrará em vigor para a camada que ingressa na universidade em setembro deste ano. 2012 promete ser um ano movimentado.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

"ATIRAM EM CRISTINA PARA ACERTAR DILMA"


Em entrevista ao jornal Página/12, o jornalista Paulo Henrique Amorim fala sobre as críticas feitas pela imprensa brasileira contra as reformas na legislação da comunicação impulsionadas pelo governo argentino. “O PIG se horroriza com o que acontece na Argentina, diz que é o exemplo que não deve ser seguido; imagine se Dilma resolvesse fazer o que fez Cristina, a colocariam diante de um pelotão de fuzilamento...Por isso aparecem editoriais dizendo que há uma ‘democradura’ na Argentina. Em matéria de comunicações, o Brasil é uma ditadura perfeita”, diz Amorim.


“A imprensa brasileira, com a Globo na liderança, tem por hábito promover chanchadas para demonizar a presidenta Cristina, criticando as reformas na legislação dos meios de comunicação”. Dizem que Paulo Henrique Amorim, um dos jornalistas mais influentes do Brasil, está entre as pessoas mais detestadas pelos executivos da rede Globo, onde trabalhou por mais de uma década.

“Conheço a maquinaria da Globo por dentro, vi ela funcionar quando fui editor e depois correspondente em Nova York, entre 1985 e 1996, sei como orquestraram uma campanha para destruir a reputação de Lula nas eleições de 1989. As campanhas sujas contra governantes que provocam algum incômodo são habituais aqui e, ressalvadas as distâncias, se repetem agora contra Cristina. Isso que digo sobre a Globo alcança também outros meios de comunicação aos quais passei a chamar Partido da Imprensa Golpista (PIG)”, assinala o jornalista. “O PIG se horroriza com o que acontece na Argentina, diz que é o exemplo que não deve ser seguido; imagine se Dilma resolvesse fazer o que fez Cristina, a colocariam diante de um pelotão de fuzilamento...Por isso aparecem editoriais dizendo que há uma ‘democradura’ na Argentina. Um absurdo...em matéria de comunicações, o Brasil é uma ditadura perfeita”.

A entrevista de Amorim ao Página/12 iniciou há dois meses no aeroporto de Porto Alegre, onde um grupo de senhoras o observava insistentemente, até que uma delas se aproximou de mim para perguntar: “É o Amorim, da televisão?” O diálogo foi retomado na semana passada por telefone, desde São Paulo, onde ele trabalha como um dos âncoras da Rede Record, a única que disputa em alguns horários a liderança ainda incontestável da Globo.

Uma espécie de movimento de “indignados” contra o bloco midiático dominante começa a se observar no Brasil, processo vigoroso, mas que ainda permanece nas bordas do sistema, dado que ainda não conseguiu colocar o pé na televisão nem conta com o apoio de um jornal de alcance nacional. Encabeçando essa guerrilha informativa, há centenas de blogueiros e sites independentes como Carta Maior, Vermelho, Opera Mundi, Brasil Atual, identificados com uma bandeira comum: a aprovação de uma nova legislação para a regulação dos meios de comunicação.

Nas últimas semanas de seu governo, Lula deu a benção ao movimento insurrecional concedendo-lhe uma entrevista no Palácio do Planalto e elaborando um esboço para esse projeto de legislação, herdado por Dilma Rousseff.

Paulo Henrique Amorim está entre os poucos, ou pouquíssimos, âncoras televisivos de grande audiência alinhado com as reivindicações da imprensa genericamente chamada de “alternativa”. Por isso, suas intervenções sarcásticas acabam sendo particularmente incômodas para os herdeiros de Roberto Marinho, patriarca do grupo Globo, falecido em 2003.

“O Brasil precisa despertar, e creio que está despertando. A Globo é poderosa, mas já não é mais tanto quanto foi. A Globo quis, mas não conseguiu impedir que Lula fosse eleito e reeleito, quis e não pode impedir que Dilma fosse eleita. A família Marinho é uma ameaça à democracia”.

Uma hipotética lei de comunicação deveria acabar com o modelo “monopolista onde a família Marinho abusa da propriedade cruzada de meios de comunicação para asfixiar a competição; no Rio de Janeiro, são donos de tudo, até do Cristo Redentor, a fundação Marinho limpou a estátua do Cristo Redentor, e o próximo passo é se adonarem da Copa do Mundo de 2014”. O método do maior grupo midiático da América Latina, sustenta Amorim, pode ser sintetizada em uma linha: “Proscrever todo debate com um mínimo interesse na mudança”.

“Se dependesse da família marinho, se interromperiam os movimentos de rotação e translação da Terra, eles não querem mudar nada”, reforça. Seguindo a lógica de um partido político, a “Globo atuou como oposição golpista contra Lula e atrasa mesmo as transições mais modestas em um país como o nosso, onde nunca caminhamos na direção de mudanças com grande velocidade”.

“O Brasil foi o último país a liberar os escravos (no final do século XIX) e para que ninguém se sentisse ameaçado queimaram os arquivos; um século depois veio a transição para a democracia, uma transição porca, porque em 1985 assumiu a presidência um colaborador dos militares, José Sarney. E seguimos esperando a transição completa porque até hoje se obstrui toda investigação sobre a ditadura”.

No dia 18 de novembro, Dilma Rousseff promulgou a Comissão da Verdade, atribuindo a ela poderes para averiguar e examinar os delitos perpetrados durante a ditadura. O lobby militar e o “boicote” do grupo Globo serão, aponta Amorim, dois fatores de poder que oporão “total resistência” a uma comissão que, segundo a lei, só procurará levantar os responsáveis por assassinatos, desaparecimentos e torturas, mas não encaminhará o julgamento de ninguém. “Se a Comissão avançar, inevitavelmente virá a público a cumplicidade da Globo com a ditadura, por isso eles vão combatê-la ou ocultá-la. A Globo foi muito mais porta-voz, foi um dos grupos mais beneficiados pelos militares, que deram a ela uma rede nacional de micro-ondas, tornando possível que se tornasse o gigante que é hoje”.

Tradução: Katarina Peixoto

domingo, 1 de janeiro de 2012

O FASCISMO DE MERCADO

Quando o capital financeiro estabelece sua supremacia, a cidadania é suprimida. Os sistemas de crédito e os dispositivos do mercado passam a se encarregar dos desígnios despóticos do capital sobre a massa de trabalhadores e os países mais fracos. É isso ao que estamos assistindo no sul da Europa.


A crise econômica capitalista, em especial nos Estados Unidos e na zona do euro, começa a dar lugar a golpes e contra-golpes entre os seus principais atores. Entre eles o receituário apresentado liturgicamente desde os anos 1990. As reuniões de cúpula que os chefes de governo ocidentais realizam não se caracterizam pelos seus aspectos resolutivos, mas pelo vazio de suas proposições.

Ao propor que os orçamentos dos países sejam aprovados primeiro pela UE, antes de ir para seus Parlamentos - com punição a quem não cumprir metas de redução de dívida e déficit - a chanceler alemã Ângela Merkel deixa claro que soberania nacional é um conceito em desuso, uma velharia a ser removida. Frente à crise imposta pelos princípios liberais globalizantes, notadamente o "salve-se quem puder" e o "que sobreviva o mais capaz”, que apareciam como mantras nos melhores manuais de desregulamentação, a única saída é a "fuga para frente" proposta pelos neoliberais radicais. Deixando governos de pés e mãos amarrados, a falsa solução passará pela perda de prerrogativas governamentais de conceber e executar políticas econômicas que atendam aos legítimos interesses dos países e dos povos.

Na verdade, chegou-se a fórmulas gerais que podem ser interpretadas de várias maneiras e que, de qualquer forma, não envolvem compromisso algum com qualquer esfera que não seja a do mercado. Insistir nas privatizações do que resta de estatal (quase nada), em ajustes fiscais, e no maior enfraquecimento do Estado, é consolidar o poder do FMI, do Banco Mundial, das instituições financeiras internacionais e a chantagem das agências de classificação de risco.

Todo cuidado é pouco para não tropeçar nas palavras e escorregar nos conceitos. Mas essas transformações e essas metamorfoses significam um "retorno" ao império das leis do funcionamento da economia mercantil- capitalista, temporariamente represadas por obra e graça da rebelião democrática do imediato pós-guerra, que ensejou a Grande Transformação.

Como recordou o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, "em sua essência, as práticas do Estado intervencionista e do Bem-Estar buscaram, por meio da aplicação política de critérios diretamente sociais, encontrar soluções para os problemas de satisfação das necessidades humanas e da vida decente para a maioria, negando, assim, as condições de existência impostas ao cidadão pela "ratio" do capital, cujo único propósito é acrescentar o seu valor."

A vitória do reformismo liberal fez recuar as tentativas de domesticar a mercantilização universal e a concorrência sem quartel. Na Europa, a social-democracia passa a ocupar uma posição de centro-direita rasgando a máscara da "terceira via", que fez grande sucesso e gerou expectativas em toda a esquerda do continente. Antes mesmo da crise do euro, os serviços públicos , como saúde, educação e transporte, conheceram uma considerável piora. Ainda no final do século passado, críticos de esquerda acusavam o então primeiro-ministro britânico Tony Blair de impor ao Reino Unido um “thatcherismo” com rosto humano.

Quando o capital financeiro estabelece sua supremacia, a cidadania é suprimida. Os sistemas de crédito e os dispositivos do mercado passam a se encarregar dos desígnios despóticos do capital sobre a massa de trabalhadores e os países mais fracos. É isso ao que estamos assistindo no sul da Europa. Algo que, guardadas as devidas proporções, vivemos na América Latina durante duas décadas. Por meio de disciplinas e sanções, sempre legitimadas na grande mídia, o fascismo de mercado se instala.

Fora da política não há salvação. Como bem sabemos por aqui.

FELIZ 2012



FELIZ 2012!
QUE ESTE CONSTRUAMOS , UM BRASIL MAIS JUSTO.
"Que o nosso país, em 2012, aproveite o enfrentamento da crise econômica internacional como uma oportunidade para corrigir injustiças sociais aqui dentro, que crie impostos para os banqueiros, que aumente os investimentos em educação, saúde e reforma agrária."

UMA BELA MENSAGEM DE ANO NOVO