quinta-feira, 4 de junho de 2009

ADEUS, GM

Adeus, GM

MICHAEL MOORE*

Escrevo isto na manhã do fim da uma vez poderosa General Motors. Por volta de meio dia, o presidente dos Estados Unidos terá tornado isso oficial: a General Motors, como nós a conhecemos, foi destruída.Estou sentado aqui no lugar onde a GM nasceu, Flint, Michigan, cercado por amigos e familiares que estão cheios de ansiedade sobre o que acontecerá a eles e à cidade. 40 % das casas e empresas da cidade foram abandonadas.
Imagine como seria se você vivesse numa cidade onde quase uma de cada duas casas está vazia. Qual seria o seu estado de espírito?É uma triste ironia que a companhia que inventou a “obsolescência planejada” – a decisão de fabricar carros que cairiam aos pedaços após poucos anos de forma que o freguês então tivesse de comprar um novo – se tornou agora ela própria obsoleta.
Ela se recusou a fabricar automóveis que o público queria, carros que tivessem uma grande milhagem por litro de gasolina, que fossem tão seguros quanto possível, e extraordinariamente confortáveis de dirigir. Oh – e que não começassem a cair aos pedaços após dois anos.
A GM obstinadamente combateu as regulamentações de ambiente e segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os carros “inferiores” japoneses e alemães, carros que se tornariam o padrão de ouro para os compradores de automóveis. E inescrupulosamente puniu sua força de trabalho sindicalizada, podando milhares de trabalhadores por nenhuma razão senão “melhorar” o resultado a curto prazo da corporação. Começando nos anos 80, quando a GM estava extraindo lucros recordes, ela moveu incontáveis empregos para o México e para toda parte, assim destruindo as vidas de dezenas de milhares de americanos que trabalhavam duro.
A luzidia estupidez dessa política era que, quando eles eliminavam a renda de tantas famílias de classe média, quem eles achavam que iria ter dinheiro para comprar seus carros? A História relembrará esta asneira da mesma forma que agora escreve sobre a construção da Linha Maginot pelos franceses, ou como sem deixar pistas os romanos envenenaram seu próprio sistema de água com o letal chumbo em seus aquedutos.Então, aqui estamos nós no leito de morte da General Motors.
O corpo da companhia ainda não esfriou, e eu descubro que estou cheio de – ouso dizer – alegria. Não é a alegria da revanche contra uma corporação que arruinou a minha cidade natal e trouxe miséria, divórcio, alcoolismo, despejos, debilitação física e mental, e vício em drogas às pessoas junto às quais cresci.
Nem eu, obviamente, clamo qualquer alegria em saber que mais 21 mil trabalhadores da GM serão informados de que, também eles, estão sem emprego.Mas você e eu e o resto da América agora possuímos uma montadora de carros! Eu sei, eu sei – quem na terra quer dirigir uma fabricante de carros? Quem entre nós quer que US$ 50 bilhões sejam enfiados nesse buraco de ratos para ainda tentar salvar a GM? Sejamos claros sobre isso: a única forma de salvar a GM é matar a GM.
Salvar nossa preciosa infraestrutura industrial, contudo, é outra questão e deve ser uma alta prioridade. Se nós permitirmos o fechamento e desmantelamento das nossas fábricas de automóveis, nós iremos desejar ardentemente que ainda as tivéssemos quando compreendermos que essas fábricas poderiam ter construído os sistemas de energia alternativos que nós desesperadamente necessitamos agora.
E quando compreendemos que o melhor modo de nos transportarmos é através de monotrilhos, trens-bala e ônibus mais limpos, como faremos isso se tivermos permitido que nossa capacidade industrial e sua força de trabalho especializada desapareçam?Assim, já que a GM está sendo “reorganizada” pelo governo federal e pela corte de bancarrota, aqui está o plano que eu estou pedindo ao presidente Obama para implementar pelo bem dos trabalhadores, das comunidades da GM, e da nação como um todo.
Vinte anos atrás quando eu fiz “Roger & Eu”, eu tentei advertir as pessoas sobre o que esperava a General Motors à frente. Tivesse a estrutura de poder e seu corpo de sabichões escutado, talvez muito disso poderia ter sido evitado. Com base na minha experiência de estrada, eu solicito uma consideração honesta e sincera das seguintes sugestões:
1. Exatamente como o presidente Roosevelt fez após o ataque a Pearl Harbour, o presidente deve dizer à nação que estamos em guerra e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de automóveis em fábricas que construam veículos de transporte de massa e de dispositivos de energia alternativa. Dentro de meses em Flint em 1942, a GM interrompeu toda a produção de carros e imediatamente usou as linhas de montagem para fabricar aviões, tanques e metralhadoras.
A conversão não levou tempo algum. Todo mundo arregaçou as mangas. Os fascistas foram derrotados. Nós estamos agora em um tipo de guerra diferente – uma guerra que nós temos levado a cabo contra o ecossistema e que tem sido conduzida por nossos próprios líderes corporativos. A guerra atual tem duas frentes. Uma com quartel-general em Detroit. Os produtos feitos nas fábricas da GM, Ford e Chrysler são algumas das maiores armas de destruição em massa responsáveis pelo aquecimento global e derretimento da nossa calota polar.
As coisas que chamamos de “carros” podem ser divertidas de dirigir, mas são como um milhão de adagas no coração da Mãe Natureza. Continuar a fabricá-los levaria somente à ruína das nossas espécies e de muito do planeta.A outra frente nessa guerra está sendo desencadeada pelas companhias de petróleo contra você e eu. Elas estão empenhadas em nos ludibriar sempre que podem, e têm sido administradoras temerárias da quantidade finita de petróleo que está localizada sob a superfície da Terra.
Elas sabem que estão sorvendo até deixar completamente seco. E como os magnatas da madeira do início do século XX que não davam a mínima para as futuras gerações conforme derrubavam cada floresta em que pudessem meter as mãos, estes barões do petróleo não dizem ao público o que eles sabem ser verdade – que há apenas umas poucas décadas mais de petróleo utilizável neste planeta.
E conforme os dias finais do petróleo se aproximam, fique pronto para algumas pessoas muito desesperadas dispostas a matarem e a serem mortas apenas para pôr as mãos em um galão de gasolina.O presidente Obama, agora que tomou controle da GM, necessita converter as fábricas aos novos e necessários usos imediatamente.
2. Não enfie outros US$ 30 bilhões nos cofres da GM para fabricar carros. Ao invés disso, use o dinheiro para manter a atual força de trabalho – e a maioria daqueles que foram demitidos – empregados de forma que possam construir os novos modos de transporte do século XXI. Permita que eles comecem o trabalho da conversão agora.
3. Anuncie que nós teremos trens-bala cruzando este país nos próximos cinco anos. O Japão está celebrando este ano o 45º aniversário do seu primeiro trem-bala. Agora eles têm dezenas deles. Velocidade média: 165 milhas por hora. Tempo médio de atraso de um trem: abaixo de 30 segundos. Eles têm esses trens de alta velocidade há quase cinco décadas – e nós não temos um único!
O fato de que já exista a tecnologia para irmos de Nova Iorque a L.A. em 17 horas de trem, e que nós não a usemos, é criminoso. Vamos contratar os desempregados para construir as novas linhas de alta velocidade pelo país inteiro. De Chicago para Detroit em menos de duas horas. Miami para DC [Washington] em menos de 7 horas. De Denver para Dallas em cinco horas e meia. Isso pode ser feito e feito agora.
4. Dê início a um programa para pôr linhas de trens leves de massa em todas as nossas cidades grandes e médias. Fabriquem esses trens nas fábricas da GM. E contratem as pessoas das localidades para instalar e dirigir esse sistema.
5. Para as pessoas nas áreas rurais que não são servidas por linhas de trem, faça as fábricas da GM produzirem ônibus limpos e com eficiência de energia.
6. Por enquanto, faça algumas fábricas produzirem carros híbridos ou totalmente elétricos (e baterias). Vai levar alguns anos para que as pessoas fiquem acostumadas aos novos modos de transporte, então se vamos ter automóveis, façamos com que sejam mais suaves e gentis. Nós poderemos estar fabricando no próximo mês (não acredite em alguém que lhe diga que levará anos para readequar as fábricas – isso simplesmente não é verdade).
7. Transforme algumas das fábricas vazias da GM em instalações que produzam moinhos eólicos, painéis solares e outros meios de formas alternativas de energia. Necessitamos de dezenas de milhões de painéis solares já. E há uma força de trabalho zelosa e habilitada que pode fabricá-los.
8. Garanta incentivos fiscais para aqueles que viajam em carros híbridos, ônibus ou trem. Também créditos para aqueles que convertam seus lares à energia alternativa.
9. Para ajudar a pagar por isso, imponha uma taxa de dois dólares sobre cada galão de gasolina. Isto ajudará as pessoas a mudar para mais carros economizadores de energia ou para o uso das novas linhas de trem e dos vagões que os antigos trabalhadores das montadoras terão construído para eles.Bem, isso é um começo.
Por favor, por favor, por favor não salve a GM de forma que uma versão menor dela simplesmente vá fazer nada mais que fabricar Chevys ou Cadillacs. Isso não seria uma solução de longo termo. Não atire dinheiro ruim numa companhia cujo cano de escapamento funciona mal, fazendo com que um odor estranho encha o carro.100 anos atrás este ano, os fundadores da General Motors convenceram o mundo a desistir de seus buggy a cavalo, arreios e chicotes, para tentar uma nova forma de transporte.
Agora é hora de que digamos adeus ao motor a combustão interna. Ele nos serviu bem por um longo tempo. Nós desfrutamos de dar um pulo de carro para tomar uma soda-limonada no A&W. Nós tran-samos no assento da frente – e no de trás. Vimos filmes em grandes telas ao ar livre, fomos às corridas do Nascar pelo país, e vimos o oceano Pacífico pela primeira vez através da janela abaixada na Hwy1[auto-estrada da Califórnia]. E isso acabou. É um novo dia e um novo século. O presidente – e o UAW [sindicato dos trabalhadores das montadoras] – devem captar este momento e criar uma grande porção de limonada deste limão muito azedo e triste.
Ontem, a última pessoa que sobreviveu do desastre do Titanic se foi. Ela escapou à morte certa naquela noite e seguiu em frente para viver até os 97 anos.Então, nós podemos sobreviver ao nosso próprio Titanic em todas as Flint Michigans deste país. 60% da GM é nossa. Eu acho que podemos fazer um trabalho melhor.
Do seu, Michael Moore
* Cineasta norte-americano

terça-feira, 2 de junho de 2009

SERGIO RICARDO POSSE SUBSECRETÁRIO MEIO AMBIENTE

SERGIO RICARDO

Acredito quem ganha é o Brasil, o Rio de Janeiro e especificamente a Baixada Fluminense, com sua posse de subsecretário.
Pode contar conosco, pois sabe que a luta não se encerra, com a sua posse, apenas avança em uma outra etapa, com mais responsabilidade. Com certeza este coletivo estara junto com voce na construção.
Voce é nossa referência na luta pelo meio ambiente, na luta pela vida humana, pois somos parte integrante deste planeta e sem nós não havera meio ambiente limpo e progresso humano.
Meio ambiente sadio é todos nós vivermos excelentemente bem, nós todos, os seres humanos.
Somos a "natureza, a matéria, que tomou consciência da sua existencia".
Somos parte integrante do ecossistema.
O que temos de superar com certeza, é a forma discriminatória das nossas relações sociais economicas de produção.
Para avançarmos mais na preservação do meio ambiente, já que o principal somos nós, os humanos, deste meio ambiente, precisamos superar estas relações economicas sociais atrasadas.
Sem a preservação e melhoria da qualidade de vida de todos nós, humanos, nada adiantará termos preservado, a arvore,o mar, a terra, e os outros seres, se não conquistarmos "que todos tenhamos vida e vida em abundancia". E que possamos, todos nós usufruirmos de TUDO, que este planeta nos proporciona, PARA TODOS SEM EXCESSÃO. E todo o conhecimento humano, acumulado ao longo dos seculos, seja proporcionado a todos , para que todos tenham acesso a ciencia, a inteligencia, pis esta não é privilégio de ninguem. somo todos iguais. E isso nos ensinou Santos Dumont, quando juntou o que a humanidade havia inventado até aquele periodo e fez o avião e não o patenteou."Pertence a humanidade, a minha invenção"
Esse é meu sonho e minha luta, acredito que seja a sua.
Creio que com isso estaremos dando o primeiro passo, para a libertação da humanidade.
Com certeza caminhamos para esta liberdade plena.
ACREDITO.
Estamos juntos.
A LUTA SE SEGUE.
Forte Abraço

segunda-feira, 1 de junho de 2009
















FERNANDO SIQUEIRA -AEPET


*Valéria Nader (Correio da Cidadania)




A Petrobrás é o centro da mais nova e acirrada polêmica nacional. Acusada de cometer uma série de irregularidades, motivou a criação de uma CPI no Congresso, a qual o governo, mesmo a todo custo, não conseguiu evitar.
Os governistas, acompanhados de correntes nacionalistas e progressistas de políticos, intelectuais e movimentos sociais, vêem a CPI como uma manobra política oportunista e eleitoreira, nefasta aos interesses da empresa e do país em um momento de crise econômica internacional. Ademais, antevêem nessa manobra um claro objetivo de fragilizar a Petrobrás e privatizá-la de vez, em face das atuais discussões sobre a mudança da Lei do Petróleo, com a retomada do monopólio estatal sobre o combustível.
Há também aqueles que não têm acordo pleno com essa visão. Afinal, criticar uma CPI sob a justificativa de se tratar de um movimento de tucanos, demos, peemedebistas e afins com o intuito de privatizar a empresa seria no mínimo um raciocínio simplista, considerando que o atual governo ainda não conseguiu nem mesmo reverter a Lei do Petróleo de FHC, que minou o monopólio da Petrobrás. Ademais, uma vez levantadas dúvidas e denúncias, como não aclará-las, dando uma satisfação ao público, quanto mais sabendo que uma empresa com o porte da Petrobrás carrega certamente fortes interesses corporativos?
Todas estas são apreciações válidas. Como também é inegável que estamos diante de um Congresso acintosamente desmoralizado para levar adiante com seriedade um processo de tal envergadura. E que, muito provavelmente, conduzirá uma CPI para tão somente negociar nacos de participação na anunciada gigantesca riqueza do pré-sal.
O que não está claro, porém, configurando quadro já emblemático de nosso país, é como todo este movimento e especulações dele advindas mascaram o que é essencial: a retomada e controle de nosso petróleo.
Fernando Siqueira, o presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobrás), em entrevista exclusiva ao Correio, ajuda a lançar luzes nesse quadro.


Confira abaixo.




Correio da Cidadania: O Congresso está envolto em uma série de escândalos e avançam as discussões, incluindo o próprio governo, para a mudança do marco regulatório do petróleo, restabelecendo o monopólio estatal sobre o combustível. Esses acontecimentos estão realmente determinando, de modo contundente, as acusações de que tem sido vítima a Petrobrás, culminando com a própria instalação da CPI?




Fernando Siqueira: Acho que o problema é mais grave e mais profundo. Acredito que se trata de uma recaída neoliberal do PSDEMB junto com a banda fisiológica do PMDB. A CPI é criada justamente no momento em que a comissão interministerial discute o marco regulatório e o papel da Petrobrás no pré-sal.




É coincidente, ademais, esta CPI com três fatores que reforçaram a importância da Petrobrás e a credenciaram ainda mais para desenvolver o pré-sal:




(1) a Petrobrás colocou em produção o primeiro poço do campo de Tupi – na área mais importante do pré-sal - produzindo 15.000 barris por dia, mostrando que tem capacitação e competência para desenvolver a província e calando a mídia e os lobistas que lançavam dúvidas sobre sua capacitação; (2) a empresa passou, segundo a Reputation Institute (RI), órgão internacional especializado, de 20ª para 4ª companhia mais admirada do mundo; (3) foi incluída, segundo relatório técnico do banco Goldman Sachs, entre as 10 empresas mais viáveis do planeta, junto com sete empresas americanas, uma israelense e a Companhia Vale do Rio Doce. Mas a Petrobrás foi ainda considerada a mais viável entre as empresas petrolíferas, tanto por sua capacitação quanto pelas reservas que controla.




Com todo esse prestígio, inclusive internacional, era preciso enfraquecer a imagem da Petrobrás, agredi-la, jogá-la contra a opinião pública. Foi assim que fizeram na época da quebra do monopólio, da venda das ações, por valor irrisório, na Bolsa de Nova Iorque. E também na tentativa de desnacionalizá-la, cumprindo carta compromisso assinada por FHC com o FMI e aproveitando as sugestões do Credit Suisse First Boston, de desnacionalizar por etapas. FHC chegou a dividir a empresa em 40 unidades de negócios, para transformar cada uma em subsidiária e vendê-las. Para isto ele inseriu o artigo 64 na lei do petróleo, a 9478/97. Ver matéria na página http://www.aepet.org.br/ – `Estragos que FHC causou na Petrobrás visando sua desnacionalização`.




Acho que este é o fundamento principal da CPI e mostra o risco dessa turma voltar ao poder em 2010. É possível que a propina recebida pela venda de grande parte do patrimônio nacional tenha sido pequena. Ou a ambição, em período eleitoral, cresceu.




Os interesses eleitoreiros e o desvio do foco sobre as falcatruas dos senadores seriam motivos fisiológicos, mas secundários.




CC: Quanto às acusações dirigidas à Petrobrás – relativas a fraudes em licitações, na distribuição de royalties, no pagamento de impostos e na concessão de patrocínios; e a superfaturamentos na construção de refinarias - e que estão motivando a CPI, não têm fundamento, não mereceriam, de qualquer forma, apuração?




FS: A distribuição de royalties quem faz é a Agência Nacional de Petróleo, que, hoje, tem em sua direção uma participação indecorosa da americana Halliburton. A fraude em licitações, o superfaturamento na construção de refinarias, acho difíceis, porque a Petrobrás é muito visada e muito fiscalizada. Mas, se ocorrerem irregularidades, devem ser fiscalizadas pelo TCU e Ministério público. Quanto à concessão de patrocínios, faz parte do marketing da companhia, pois ela tem forte concorrência, mormente na distribuição de combustíveis. Ela também financia projetos ambientais e culturais. Talvez ela faça mais pela cultura do país, inclusive em áreas em que ninguém investe, do que o próprio ministério correspondente. Ela também financia projetos ambientais como o projeto Tamar e vários outros.




Quanto à fraude no pagamento de impostos, é uma calúnia gigantesca, que faz parte da campanha insidiosa e orquestrada contra ela. A companhia usou regras legais para se proteger da variação e da insegurança cambial. A grande maioria das empresas do país usa esse artifício.
CC: Uma vez, portanto, que a poeira foi levantada, deve ser dada uma satisfação ao público, com a avaliação de supostas irregularidades - ainda que não através da criação de uma CPI, via TCU e Ministério Público, por exemplo.




FS: Claro, para isto existem órgãos fiscalizadores como o Ministério Público e o TCU, além da Polícia Federal. Muito mais confiáveis e isentos do que o atual Senado Federal. No governo Itamar Franco, o mais transparente da Nova República, a Petrobrás sofreu várias inspeções do TCU. Como não encontraram nada, não divulgaram os resultados. Não somos contrários à CPI, mas a favor da transparência. O problema é que as CPI´s estão sendo distorcidas e muito mal utilizadas, o que é uma pena.




CC: Qual a sua avaliação da atual gestão da empresa?




FS: Não é a ideal, como gostaríamos, até porque muitos gerentes da gestão anterior permaneceram e muitos novos foram nomeados, mais por militância do que por competência. Ainda assim, essa gestão é infinitamente melhor do que a anterior. Um exemplo: no final da gestão passada, em 2002, o diretor de Exploração e Produção fazia corpo mole na exploração para que as áreas não exploradas fossem devolvidas, em agosto de 2003, à ANP, que iria colocá-las em leilão. O novo diretor de E&P assumiu em janeiro de 2003, intensificou as pesquisas e descobriu 5,6 bilhões de barris de reservas, quase dobrando as reservas então existentes. Depois incentivou as pesquisas do pré-sal, que resultaram na maior descoberta do país e numa das maiores reservas do mundo. Se permanecesse a diretoria anterior, o pré-sal não teria sido descoberto.
CC: O governo é, obviamente, contra a CPI, mas tem planos de criação de uma nova estatal para a exploração do pré-sal. Como você considera esse plano do governo? Ele tem chances de se concretizar?




FS: A nosso ver, essa não é a melhor solução. O ideal seria o governo recomprar as ações da Petrobrás, vendidas a preços irrisórios na Bolsa de Nova Iorque, e entregar a ela o desenvolvimento do pré-sal, fazendo voltar à União Federal a propriedade do petróleo conforme reza a Constituição.




Inclusive, indenizando as empresas que participam das descobertas já ocorridas, pois a Constituição reza que o direito coletivo prevalece sobre o individual. Mas parece que o governo não tem força ou coragem política para isto. Então, se essa estatal restaurar a propriedade do petróleo para a União, mudando o marco regulatório e os contratos de exploração, e se esta for a única forma de extinguir os absurdos da lei do Petróleo, é bem melhor do que ficar mantida a situação atual, em que a União recebe menos da metade do que recebem os países exportadores.


A propriedade do petróleo ser da União é estrategicamente fundamental, pois ela pode usá-lo como moeda de troca com os países importadores e também pode controlar a produção de forma a atender aos interesses estratégicos e econômicos do povo brasileiro. Por exemplo: se o pré-sal for todo leiloado, em 13 anos ele acaba. Mas, se a Petrobrás produzir de forma a atender a uma estratégia energética, ele pode durar mais de 40 anos.


CC: Sabendo-se, portanto, que as ações da Petrobrás, a despeito do controle da União, estão hoje em boa parte em mãos do capital privado, inclusive internacional, e que o governo não tem força ou vontade política para reestatizar a empresa, estaria aí, de alguma forma, uma justificativa para explorar a imensa riqueza do pré-sal com uma nova empresa, inteiramente pública.


FS: O fato de haver ações da Petrobrás em mãos estrangeiras não é ideal, mas também não é tão relevante. A Petrobrás é obrigada a pagar 25% do seu lucro líquido, na forma de dividendos, aos acionistas. Assim, os 60% das ações em mãos privadas receberiam 60% de 25%, o que resulta em 15% do lucro líquido. Sobram 85% para o governo e a Petrobrás fazerem investimentos sociais no país, tais como: fabricar plataformas no país, gerando emprego, tecnologia e desenvolvimento sustentado. Investir em cultura, preservação ambiental e muitos outros benefícios. Uma empresa estrangeira, além de não fazer isto, remete todo o lucro para fora.


CC: Por que o governo não tem força ou vontade política para retomar a Petrobrás? Quais são os obstáculos, não somente à reestatização, mas também à mudança do marco regulatório do petróleo, que, afinal, também não foi ainda levada a cabo pelo atual governo?


FS: Temos de enfrentar dois segmentos poderosos que ambicionam as reservas do pré-sal e lutam contra esta reestatização e a mudança do marco regulatório, muito favorável a eles:


Os primeiros são os Estados Unidos da América, que têm reservas de 29 bilhões de barris e consomem 10 bilhões por ano. Estão numa situação crítica e por isto já gastaram mais de US$ 3 trilhões na invasão do Iraque e Afeganistão, atrás de petróleo. Quando aparece uma reserva da ordem de 90 bilhões de barris, no quintal deles, voltam-se para nós, tendo inclusive, reativado a 4ª frota naval sem outra explicação a não ser a `proteção` do Atlântico Sul, onde só se situam Brasil e Argentina.


A Argentina já desnacionalizou o seu petróleo, só restando o Brasil.


O outro segmento, não menos poderoso, é o cartel das sete irmãs, que já tiveram o domínio de 90% das reservas mundiais e hoje têm menos de 3%.




Nessa condição, estão fadadas a desaparecer. Esse grupo tem um poder econômico colossal e que domina o setor há 150 anos, com ações torpes como suborno, deposição e assassinato de presidentes de países; não vai aceitar essa morte sem luta e precisa das reservas do pré-sal para sobreviver. A Petrobrás é indesejável para elas. Para sobreviver, essas empresas se fundiram e hoje são quatro anglo-saxônicas – BP/Amoco, Shell, Exxon/mobil e Chevron/Texaco. Há mais duas grandes petrolíferas resultantes de fusões, que, junto com essas quatro, formam as hoje denominadas `Big Oil`: Total/Fina/Elf e Phillips/Conoco.




CC: Teríamos alguma chance de vencer estes obstáculos, e iniciar um processo de retomada do monopólio do petróleo, e mesmo de reestatização da Petrobrás? Como poderia, ainda que idealmente, ter início um processo como este, com que setores poderia e deveria contar e como o governo reagiria a uma tal perspectiva?




FS: Nas décadas de 1940 e 1950, quando o petróleo era apenas um sonho, foi feito o maior movimento cívico deste país. O resultado foi a criação da Lei 2004/53, que gerou o Monopólio Estatal do petróleo e a criação da Petrobrás. Essa Lei vigorou por 44 anos e foi excelente para o país. Foi através dela que se chegou à auto-suficiência e à descoberta do pré-sal. Agora o petróleo se tornou uma realidade muito acima de todas as expectativas.




Temos todos os motivos e razões para retomar esse bem que pertence ao povo brasileiro. E se a sociedade se conscientizar e participar, podemos fazer forte pressão para mudar essa legislação absurda, reestatizando a Petrobrás, inclusive com o retorno da Lei 2004/53. Esse movimento está tomando corpo. Vimos com alegria a UNE (União Nacional dos Estudantes) participar da passeata recente no Rio de Janeiro e assinar o manifesto das entidades gaúchas pela retomada da propriedade do petróleo, como manda a Constituição.




Não tem sentido entregar uma riqueza que foi pesquisada pela Petrobrás, que correu todos os riscos – não restando mais risco nenhum – e pertence ao povo brasileiro, para empresas estrangeiras, que não investiram e não correram riscos, levarem 50% desse petróleo em detrimento da Nação. Ou seja, um `bilhete premiado`.




CC: As terceirizações promovidas nos últimos anos têm sido, reconhecidamente, nefastas, tanto para os trabalhadores quanto para a própria empresa. Há como revertê-as sem um processo de reestatização? A atual gestão fez algo nesse sentido?




FS: A terceirização fez parte do processo de desnacionalização da YPF da Argentina. A YPF passou de 37.000 para 7.000 empregados, antes de ser privatizada. Os 30.000 despedidos foram recontratados como terceirizados. Como os atores que comandaram aquela desnacionalização também atuaram por trás do governo FHC, a terceirização tinha a finalidade de vulnerabilizar a Petrobrás para desnacionalizá-la.




Assim, na gestão passada, os empregados próprios foram reduzidos de 60.000 para 30.000 e os terceirizados chegaram a 120.000. Na gestão atual, foram contratados 20.000 novos empregados, por concurso, mas a terceirização subiu para cerca de 200.000. Isto enfraquece a empresa e é ruim para todos. Mas é possível reverter esse processo abrindo mais concursos para novos empregados.




Até porque, segundo o programa de treinamento em convênio Petrobrás-empresas privadas, o Prominp, é prevista para o pré-sal a abertura de 250.000 empregos diretos e 350.000 indiretos só no setor de petróleo.


Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania.


Publicado originalmente: Correio da Cidadania - 27-Mai-2009.
www.correiocidadania.com.br.

Varrer da face da terra a escória imperialista!

Varrer da face da terra a escória imperialista!
O povo iugoslavo verteu seu sangue e pôs a vida de seus filhos à disposição da Humanidade contra a barbárie - e venceu-a. Nunca ficou tão evidente como agora que o império não tem outro interesse senão submeter a tudo e a todos, para manter sua casta de parasitas.
A resistência do bravo povo iugoslavo colocou por terra de vez toda a esganiçada arenga, falsa e vazia, das quadrilhas imperialistas que procuram dividir e submeter o mundo. Nunca mais nenhuma delas, em especial e sobretudo a norte-americana, poderá, para fazer exatamente o contrário do que diz, travestir-se com nomes como "democracia", "liberdade", "direitos humanos", sem causar a repugnância visceral dos homens, povos e nações.

Os Clinton, Blair, seus patrões dos cartéis bélico-financeiros e seus serviçais - os Fernando Henrique e Menem - nunca foram mais do que as nulidades, os farrapos emocionais, cheios apenas de miséria espiritual e degradação que hoje aparecem diante de todos. Mas se assim hoje aparecem, foi exatamente porque o povo iugoslavo não se submeteu a eles.

A História, ou seja, a formação do ser humano, jamais foi feita pelos que se submeteram. Desde que nossos antepassados pré-históricos desceram das árvores, foram os que não se submeteram, os que não aceitaram ser escravos, ser reduzidos a coisas, enfim, os que não negaram a sua condição humana, que a desenvolveram. Foram os heróis, e não os covardes, que fizeram o mundo. Foi a solidariedade entre os seres humanos - que esses heróis condensaram - que desenvolveu a nossa espécie, colocando-a à altura de seu nome: humana.

Assim, a Iugoslávia será para sempre o território onde, nas mais desiguais condições, um povo verteu seu sangue e pôs a vida de seus filhos à disposição da Humanidade contra a barbárie - e venceu-a. Não apenas porque os imperialistas não conseguiram o que queriam e tiveram que recuar. Mas também porque ali sua máscara foi irreversivelmente rasgada. As imagens dos iugoslavos de origem albanesa, aos quais diziam proteger com suas bombas, e aos quais trucidaram nas estradas, cidades e campos, são a marca que carregarão até o seu fim como o sinal da infâmia, do cinismo e do crime.

Mas não é a única. Bastou que uma nação pequena em território e população não se submetesse para que ficasse clara, nítida e escandalosa a tara sanguinária, anti-humana, anti-democrática e liberticida dos supostos paladinos da "liberdade". Da mesma forma, a resistência iugoslava expôs o quanto esses agressores de nações são, no fundo, frágeis e débeis, covardes a ponto de tremer de medo de enfrentar um exército com poder de fogo muito menor, mas que tinha o que eles não têm e nunca terão: moral, razões para lutar e para vencer, uma causa para defender e, se preciso, morrer por ela - mas jamais se ajoelhar.

Nunca, como agora, ficou tão evidente que eles não têm outro interesse senão submeter a tudo e a todos, para manter sua voraz e minúscula casta de parasitas e saqueadores, imersa na crise que ela própria engendrou, apavorados e cada vez mais paranóicos e histéricos a cada oscilação de uma bolsa de valores em algum lugar remoto, e impotentes diante de cada povo que não se submeta a eles.

Nada têm a oferecer aos povos, às nações e às pessoas, senão o tráfico de drogas e de órgãos humanos, a morte pela fome ou por assassinato, a destruição das maiores conquistas do homem, a aniquilação da cultura, o sufocamento dos sentimentos - em suma, o crime. Além, evidentemente, de edificantes modelos de vida pública e privada: Clinton, por exemplo.Portanto, tornaram-se não só desnecessários, como nocivos, à maneira não apenas dos vampiros, que sobrevivem à custa do sangue dos vivos, como também dos cadáveres que, deixados insepultos, empesteiam a atmosfera.

A Humanidade, evidentemente, não irá acompanhá-los em seu destino. O único destino possível para as nações, como o Brasil, que sofrem ainda sob o jugo dessa plutocracia e de seu séquito de criados, é libertar-se. Não existe outro. Da mesma forma, todos os que trabalham nos países onde essa casta tem sede. O que os norte-americanos, por exemplo, podem esperar desse domínio, eles já receberam: psicopatas atirando em crianças, drogados e gangs ocupando bairros inteiros, estupidez televisada, sadismo e pornografia. Além, evidentemente, de servirem de bucha de canhão para quem os submete a essa vida de insegurança, aflição e medo.

Portanto, não há outra coisa a fazer senão extinguir com o que impede aos seres humanos, nos países centrais e nos países oprimidos, de se desenvolver plenamente. A Humanidade, para que a vida sobre a Terra vença definitivamente, está no momento tomando as providências para que eles cheguem rapidamente ao seu destino - sozinhos, tal como apreciam.
Como mostrou o povo iugoslavo, e, antes dele, inúmeros outros povos, há força, criatividade e sentimentos que são impossíveis de sufocar, e que assim que se manifestam fazem, inevitavelmente, com que seus inimigos sejam empurrados para o seu fim, rasgando a camisa-de-força que pretendem impor, e fazendo frangalhos de sua máscara.
O destino do mundo é o oposto deles. É o de ser um mundo livre, democrático e solidário, ou seja, socialista, onde todas as qualidades dos seres humanos se expressem da forma mais rica, onde todos os indivíduos se enriqueçam no contato com outros indivíduos, e todos os bloqueios a esse contato sejam erradicados pela vontade e consciência de cada um de nós. Toda a trajetória humana é a do desenvolvimento cada vez maior da solidariedade. Se não fosse assim, ainda estaríamos nas cavernas. Faltasse ainda alguma prova, bastaria a última - a Iugoslávia.

REFLEXÕES DE FIDEL CASTRO

Educador incansável CHÁVEZ é um educador incansável. Não hesita em descrever o que significa o capitalismo. Vai desmontando, uma após outra, todas suas mentiras. É implacável.Descreve o sentido de cada uma das medidas que o socialismo aplica para o povo.Sabe quanto sofre o ser humano quando ele, sua mulher, seus filhos, seus pais, seus vizinhos, não têm nada, e uns poucos têm de tudo.
Demonstra o egoísmo dos ricos, que tudo subordinam às leis cegas e inexoráveis do mercado, opostas a toda racionalidade no emprego das forças produtivas. Demonstra-o constantemente com a obra que é realizada na Venezuela. Chávez inundou a Venezuela de livros.
Antes promoveu que todos os cidadãos soubessem ler e escrever. Abriu escolas para todas as crianças; estudos de ensino médio e técnico para todos os adolescentes e jovens, possibilidade de educação superior para todos eles.


A fina flor do pensamento oligárquico e contra-revolucionário se reúne em Caracas para declarar por todos os meios que na Venezuela não há liberdade de imprensa. Chávez os exortou a participarem do Alô Presidente, que celebra seu décimo aniversário, para discutir o tema com os intelectuais venezuelanos; ele estaria sentado no público disposto a escutar o debate. No momento em que escrevo esta Reflexão, ainda não tinham respondido uma só palavra.Às 18h40 começou de novo o Alô Presidente.
A palavra acesa de Chávez se escuta outra vez no segundo dia da comemoração. Começa com a presença dos ministros da Cultura da ALBA, que participam de uma reunião internacional de ministros desse setor.Na atividade são pronunciados discursos brilhantes que enriquecem o pensamento político.Chávez reiterou seu desafio.
Instou mais uma vez as cabeças da oligarquia internacional a discutirem e ainda não responderam, já são mais das 19h.Vou me Concentrar nos brilhantes e sentidos discursos que estão sendo pronunciados. Peço desculpas.

A CPI da Petrobrax e a tucanalhada

Os tucanos queriam privatizar a Petrobrás, como parte dos acordos assinados com o FMI, trocaram o nome da empresa – orgulho e patrimônio nacional – para Petrobrax, para tirar essa marca de “Brasil”, negativa para eles, e torná-la uma “empresa global”, a ser submetida a leilão no mercado internacional. Não conseguiram. Seu ímpeto entreguista durou menos de 24 horas diante do clamor nacional. Se deram conta que naquele momento tinham avaliado mal os sentimentos do povo brasileiro, que tinham ido longe demais no seu ardor privatizante e entreguista. Tiveram que recuar, mas nunca abandonaram seu projeto, tanto assim que venderam 1/3 das ações da Petrobras na Bolsa de Valores de Nova York, como primeiro passo para a privatização da empresa. Tinham colocado em prática o programa econômico mais antinacional, de maior abertura ao capital estrangeiro, que o Brasil conheceu, sob o mando de FHC e seus ministros econômicos – Pedro Malan e Jose Serra. Quebraram o país três vezes e correram pedir mais empréstimos ao FMI, assinando com presteza as Cartas de Intenção, de submissão aos organismos financeiros internacionais. Na crise de 1999, subiram as taxas de juros a 49%, para tentar segurar o capital especulativo e impuseram uma recessão de que a economia só voltou a se recuperar no governo Lula. Entre as cláusulas secretas da Carta de intenções assinadas nesse momento, a imprensa revelou que constava a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica. Foram rejeitados pelo povo. Quando Lula, no sexto ano do seu governo, tem o apoio de 80% da população e a rejeição de apenas 5%, FHC tinha o apoio de apenas 18%, mesmo contanto com o apoio total da totalidade da grande mídia, essa mesma que rejeita a Lula. Viram, com frustração, a Petrobrás se transformar na maior empresa brasileira e em uma das maiores do mundo, conseguir a auto suficiência em petróleo para o Brasil, descobrir o pré-sal, entre tantas outras conquistas, afirmando seu caráter nacional e de identificação com a construção de um Brasil forte. Mas não se conformaram. Na calada da noite organizaram uma CPI sobre a Petrobrás. Enquanto o povo quer uma CPI sobre a Petrobrax. Tratam de impor os danos que consigam à maior empresa brasileira, tentam impedir que a exploração do pré-sal fique nas mãos do Estado brasileiro, querem afetar o valor das ações da empresa, obstaculizar seus planos de expansão e de crescimento. Porque lhes dói tudo que seja nacional, tudo que represente fortalecimento do Brasil como nação, São os corvos do século XXI, os novos lacerdistas, os novos udenistas, a direita branca e elitista, antinacional, antipopular, que sente asco pelo povo e pelo Brasil. FHC espumava de raiva ao ver que para tentar ter alguma chance de disputar o segundo turno com Lula, o candidato do seu partido rejeitou as privatizações do seu governo, comprometeu-se a não tocá-las pra frente, sabendo que se chocam frontalmemente com os sentimentos do povo brasileiro. Querem prejudicar a imagem da Petrobrás, a fortaleza da empresa de que se orgulham os brasileiros, que a querem cada vez mais forte e mais brasileira. Acenam para as grandes empresas estrangeiras de petróleo com a possibilidade de dar-lhes o controle do pré-sal, como presente de ouro, caso consigam retomar o governo no ano que vem, garantindo-se ao mesmo tempo polpudos financiamentos eleitorais. Não hesitam em sacrificar tudo o que seja nacional e popular, contanto que possam voltar ao governo e seguir dilapidando o patrimônio publico. São definitivamente uma tucanalhada, que precisa ser repudiada e rejeitada pelo povo brasileiro, para que não possam seguir tentando causar danos ao Brasil. Tirem suas patas entreguistas de cima da Petrobrás, do pré-sal e do Brasil, tucanalhada antinacional, antipopular e antidemocrática. O Brasil é maior que vocês, os rejeitou tantas vezes e vai rejeitá-los de novo. É Monteiro Lobato contra Carlos Lacerda, Getúlio contra Rockfeller, o povo brasileiro contra a tucanalhada de FHC. Que se instaure a CPI que o povo quer – a CPI da Petrobráx, onde estão as digitais dessa corja que odeia o povo e o Brasil. Fonte: Pátria Latina -http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=46fc943ecd56441056a560ba37d0b9e8&cod=4135

PETROBRÁS EMITE NOTA DE ESCLARECIMENTO PÚBLICO - 01/06/09



PETROBRÁS EMITE NOTA DE ESCLARECIMENTO PÚBLICO - 01/06/09

Em nota de esclarecimento público, publicada nesta segunda-feira (01/06), no jornal “O Globo”, a Petrobrás rebate o referido jornal carioca quanto à matéria deste domingo (31/05) intitulada “Muita política e pouca transparência”, que a seguir segue, com grifo da Empresa: “Em face dos esclarecimentos públicos reiteradamente prestados, que vêm sendo suprimidos de maneira condenável por alguns meios de comunicação, de forma a distorcer fatos e levar aos leitores informações incompletas e que induzem ao erro sobre as atividades da Empresa, a Petrobrás afirma:


(1) Matéria publicada pelo Jornal O Globo deste domingo, intitulada “Muita política e pouca transparência”, omite do leitor que os dados utilizados para sua confecção são de domínio público e estavam a disposição no próprio sítio da Companhia, o que, por si só, contradiz o enunciado de falta de transparência.


(2) A interpretação dada a eles, porém, vem travestida de nova roupagem. A matéria afirma que a Petrobrás “faz 80% das compras sem licitação”, o que leva o leitor a entender que o número se refere ao total de contratos. Trata-se, na verdade, de uma “AMOSTRA” de 4.885 contratos, cerca de 2% do total real de contratações da Empresa, que totalizaram cerca de 240 mil em 2008.


(3) Deste total contratado, cerca de 30% foram por dispensa ou inexigibilidade de licitação e 70% por licitações em modalidades previstas no Decreto 2.745. Portanto, os dados contidos são inverídicos. As contratações realizadas pela Companhia seguem estritamente o que a Lei determina.


(4) Mais grave ainda é a associação dos dados a suposto levantamento do Senado Federal. Trata-se, evidentemente, de um extrato de informações de livre interpretação de interessados em macular a imagem da Companhia e distorcer dados por ela disponibilizados, é importante frisar, com objetivo de travar uma disputa ideológica e ou política partidária que não se coaduna com os interesses da Empresa, seus acionistas privados e da maioria da população brasileira, representada pelo governo acionista majoritário da Empresa.


(5) As falsas associações contidas no texto induzem o leitor a acreditar que a Petrobrás realiza procedimentos sem licitação. É preciso esclarecer que as contratações realizadas pela Companhia se amparam no decreto-lei 2.745, de 1998, conforme determina a Lei Federal nº 9.478/97, instituído no governo anterior, para dar maior agilidade para contratação de bens e serviços, em um ambiente de livre competição de mercado. Ainda que contestado pelo Tribunal de Contas da União, este decreto-lei vem sendo referendado pelo Supremo Tribunal Federal, que já concedeu dez liminares favoráveis à Companhia.


(6) Uma das maiores companhias petrolíferas do mundo, e a quarta maior em reputação entre todas as empresas de qualquer segmento de negócio do planeta, a Petrobrás tem suas contas analisadas de forma permanente e contínua, por auditorias internas e externas, através da Controladoria Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU), além de cumprir todas exigências da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da lei Sarbannes-Oxley e da Securities and Exchange Commision (SEC), tendo seu balanços auditados e aprovados em todas as instâncias.


(7) Em relação aos investimentos da Companhia em projetos de responsabilidade social, mais uma vez, cabe esclarecer que se tratam de política de conhecimento público. A Petrobrás investiu, em 2008, 225 milhões de reais em projetos de cidadania e desenvolvimento social, 206 milhões em projetos culturais e 61 milhões de reais em incentivos ao esporte. Trata-se de diretriz do Planejamento Estratégico da Companhia, aprovada por seu Conselho de Administração, em cumprimento da função social das empresas definida pela Constituição Federal e também na Lei das Sociedades Anônimas.


(8) A Petrobrás não abrirá mão de seu compromisso com a sustentabilidade e, por isso, aprovou em seu Plano de Negócios, alinhado ao Planejamento Estratégia, o investimento de 1,2 bilhão em responsabilidade social até 2012, informação já divulgada aos seus públicos de interesse.


(9) No que diz respeito aos recursos direcionados para o Fundo de Infância e Adolescência (FIA), ao contrário do que divulga o jornal O Globo, a Petrobrás não “escolhe num banco de projetos” os municípios que receberão os recursos do Fundo. O processo de repasse de recursos aos FIA se dá a partir da deliberação dos Conselhos de Direitos das Crianças e Adolescentes, sem qualquer ingerência da Companhia neste processo.


(10) Como já veio a público esclarecer inúmeras vezes, a Petrobrás reafirma que a escolha dos eventos e projetos patrocinados pela Companhia não seguem critérios políticos. Manifestações culturais são típicas de determinadas regiões do País e as escolhas da Companhia obedecem a critérios de valorização da cultura regional e buscam propiciar visibilidade a sua marca.


(11) Quanto às obras de terraplanagem da refinaria de Pernambuco (Abreu e Lima), há uma divergência entre os parâmetros de fiscalização adotados pelo TCU e pela Petrobrás, que serão dirimidos no decorrer do processo de apuração e coleta de dados. Vale reforçar que, a despeito das divergências de critérios apontados pelo Tribunal Legislativo, os custos da obra de terraplanagem estão dentro dos parâmetros aceitos internacionalmente e no entendimento da Companhia não há por que se falar em superfaturamento”.


(Nota da Petrobrás, publicada no jornal O Globo – 01/06/2009)

Cinco anos sem Brizola



Cinco anos sem Brizola e o tesouro que ele nos legouO tesouro e o mandato que Brizola nos legou Carlos Alberto Kolecza Cinco anos depois, o legado ideológico de Leonel Brizola repousa nas camadas ainda lúcidas da entrevada memória brasileira à espera de um lampejo do instinto de sobrevivência. Não pode ser incontornável a perda da consciência de dignidade de um povo. Contra todas as expectativas agourentas, aqui estamos, obrigados à reflexão impensável de como será o trabalhismo sem Brizola.


Brizola não chegou lá, mas graças à sua clarividência e determinação somos os herdeiros do maior tesouro político do Brasil, a doutrina trabalhista. Só por isso, Brizola tem direito a figurar na galeria dos patronos de formação da consciência de cidadania. Depende de nós a preservação do acervo vivo de pensamentos e sentimentos que ainda fará o Brasil acontecer como nação de todos os brasileiros. O trabalhismo de Getúlio, Pasqualini, Jango, Brizola, Darcy e milhões de anônimos, projetou o Brasil na modernidade, e ainda pode evitar que afunde na barbárie. Há, porém, um problema além de nossas possibilidades.


O patrimônio de idéias de nossos pensadores e as realizações de nossos estadistas de nada vale contra a intenção das elites de consumarem o apartheid social. A proibição secreta Desde 64 o trabalhismo está proibido de subir a rampa, uma das tantas decisões secretas dos operadores da “máquina de distribuição de renda para cima” (1), o sistema multissecular de privilégios e injustiças causador de um dos mais perversos índices de exclusão social do mundo.


Contra o trabalhismo movem-se sempre os fantoches dos responsáveis pela desintegração social, a perda do sentido de vida coletiva. Sabem, até mais que nós, do que é capaz o trabalhismo para salvar outro tesouro em perigo, nossa identidade de povo. Além de nós, alguém mais sabe contra quem foi o golpe? Contra mais ninguém. As forças que arrastaram Getúlio ao suicídio e derrubaram Jango apaisanaram-se e prolificaram. Em vez de metralhadoras disparam teorias recauchutadas dos canudos de seus doutorados. Nas casamatas VIPs da sapiência, fabricaram um repelente spray antipovão – o populismo - , sofisticaram o servilismo e legitimaram a exclusão. Perfumaram com fragrâncias contrabandeadas os preconceitos mais perversos e as discriminações mais iníquas.


Transplantaram para os salões da política o manual de bons modos da casa-grande como prêmio à subserviência. Aposentaram os limpa-botas e promoveram a gurus os office-boys dos barões da trambicagem financeira. Solitário, de peito aberto como sempre, Brizola desnudou o choque de neocolonização que homologou a quebra da estratégia de desenvolvimento, o retrocesso dos avanços sociais, a leiloagem do interesse nacional e a revogação do bem comum.


Carta Testamento em punho, amaldiçoou a promessa sinistra de FHC do fim da Era Vargas, o desmonte peça por peça do imenso cabedal trabalhista de ações e desenvolvimento e de solidarismo. Poucos perceberam, na trama lesa-pátria, a proscrição do trabalhismo como projeto – e único – de desenvolvimento com justiça social.


Estamos proibidos de influir nas decisões porque somos inconfiáveis aos artífices do sistema informal de castas em silenciosa implantação, que rebaixa a maioria à categoria de subcidadãos. Querem nos impedir de denunciar a fabricação de ignorância e intolerância, as matérias primas da desestabilização social. O trabalhismo funde a justa indignação diante das mazelas da desigualdade e a inabalável convicção de que um país com tantos recursos tem que dar certo.


A discriminação que sofre é a extensão da que aprisiona o Brasil na dependência e empurra o brasileiro para a marginalidade. A estética da segregação Tentam nos ferir no que temos de mais forte, a autenticidade. Sim, somos o partido dos Agenor, dos João e José, dos Silva, das Maria, Margareth e Filomena, e nos orgulhamos de filiados, militantes e eleitores tão ilustres. Não somos “meio antigos”, viemos de longe. Benditos representantes dos milhões de deserdados que confiam em nós porque ouviram falar de Getúlio, Jango e Brizola.


Não podemos trair essa confiança. De que lado estão os que gratuitamente debocham dos trabalhistas e brizolistas em nome de um código estético segregacionista? Trocaram a ética pela estética? Ou não é tão gratuitamente assim que debocham? Saibam ou não, estão do lado dos 82 coronéis do Exército que derrubaram o ministro do Trabalho em 1954 sob a alegação de que a duplicação do salário mínimo esvaziaria os quartéis. Precisam dos Agenor e das Filomena para destilar racismo social assim como os coronéis, generais em 64, necessitavam de soldados desnutridos e analfabetos para dar ordens absurdas. Em tempo, o presidente que os generais derrubaram em 64 era o ministro do Trabalho em 54: João Goulart. Temos que ser sinceros com os que pretendem juntar-se a nós.


Devem saber de nossa condição de malsinados e das provações que os esperam. Há lugar para tudo e todos no jogo jogado lá em cima, menos para um partido nacionalista. Repararam como Cristovam Buarque foi ridicularizado nas entrevistas durante a campanha presidencial? Assistiram à reprise do deboche do “candidato de uma nota só” por parte de um apresentador global? Por que a alergia da grande mídia à educação como prioridade? A direita ditabranda não tem mais pudor de mostrar a cara no jornalismo.


Quem sabe não é esse o nosso caminho da roça? A deserção da classe média A proscrição do trabalhismo coincide com o colapso induzido da identificação da classe média com os valores brasileiros, primeiro estágio da ruptura dos laços de solidariedade social. O medo torra os neurônios e envenena os hormônios da classe média. Temerosa da perda de status com a ascensão de novos contingentes, ela se conforma com a função de massa de manobra do terrorismo emocional da grande mídia. O casamento do conservadorismo da classe média com o reacionarismo das elites turbinou a estratégia dos Estados Unidos de dizimar os movimentos de emancipação do Terceiro Mundo com golpes militares.


De lá para cá, trancafiada em sua gaiola de latão dourado, presa aos fetiches primeiro-mundistas, cega e surda ao que acontece à sua volta, a classe média impermeabilizou-se ao diálogo. Desertou do Brasil. Não sente falta de debate público e renunciou ao livre pensamento. Esconde que acredita na eficácia da tortura e na terapia de grupo dos esquadrões de morte, desde que aplicadas exclusivamente nas vilas e favelas.


Não por acaso a direita semeia e colhe a superssafra da discriminação dos pobres nos espaços interditados ao trabalhismo. Não dá pé a gosma de preconceitos e discriminações em que bóia a classe média à procura de onde se agarrar. Cúmplice e também vítima da fabricação em massa de ignorância, mete a mão em qualquer arapuca política. Vibrou com o Homem da Vassoura, atirou-se nos braços do Caçador de Marajás, encantou-se com o charme “intelectual” de FHC, por um triz não votou na governadora do Estado campeão de analfabetismo.


Sempre disponível a porra-louquices, leiloaria a Amazônia em troca de uma passagem a Disneylândia. Nacionalismo? Coisa de museu. Interesse nacional? Desde que a Rede Globo diga qual. Espírito público? O que é? Integridade? Tem a ver com propriedade? Educação acima de tudo? Desde que não se gaste com escolas e professores. Bem comum? O meu. Quinze anos antes, a classe média estava pronta para a farra da privatização em troca de um celular. A classe média é o gato que ruge contra as propostas de integração entre o Brasil Legal e o Brasil Real. O muro da intolerância A desgraça de brasileiro desconfiar um do outro respinga do mal-estar da classe média com o Brasil a não ser com o luxo da empregada “de preferência que durma no emprego”.


Secou o sentimento de pertencimento a um mesmo destino. Ela, que deveria dar o exemplo, para cima e para baixo, deixou de se reconhecer como elo de coesão social. Camufla o racismo na reação à cota e disfarça a aprovação a campanhas genocidas contra pobres, índios e adolescentes. Qualquer idéia maluca encontra espaço no travesseiro da classe média. Após a reeleição, a análise da vantagem eleitoral de Lula no Nordeste, uma formadora de opinião global deu o bote no ar: “Não está na hora de separar?” Foi um arroto do pensamento oculto enrustido nas leis secretas do apartheid. Brizola trombou no muro de intolerância que substituiu as grades da truculência.


Nele foi personalizada, a ferro e fogo, a mesma discriminação reservada a quem carrega na pele ou na origem social a tatuagem infame da rejeição. A determinação na luta pelas idéias republicanas de igualdade foi estigmatizada como radicalismo; a capacidade de priorizar o bem comum como demagogia; a lealdade à soberania nacional como xenofobia; o espírito público como caudilhismo; o estadista como estatista. A integridade inatacável nunca inspirou um gesto de reconhecimento de seus detratores. Assim como Getúlio e Jango, foi vilipendiado por sua fidelidade ao ideal de justiça social, não por seus defeitos ou erros.


Os fios cruzados da história Lembra de Brizola quem acredita no Brasil e vice-versa. Brasil e Brizola estão atados um ao outro pelos fios cruzados da história. Ao se tocar em um, o outro retesa. Era o xamã de um culto cívico que devolvia instantaneamente a alegria de viver num país maravilhoso e conviver com gente boa. Batizou-nos e crismou-nos na crença de que podíamos com nossos braços e nossa inteligência colocar o Brasil nos trilhos sem pedir benção ou licença de fora. Oficiava a fé sagrada sem a qual nenhum povo constrói o direito de assentar sua originalidade entre os demais.


Parecia um ser mitológico capaz de prodígios impossível e de provar que outros tantos estavam ao nosso alcance desde que confiássemos em nós mesmos. Olho no olho, reacendia em volta o sentimento perdido de irmandade. A reação de quem chegava era de assuntar porque ninguém mais falava coisas tão simples e verdadeiras. Com o tempo e por conta própria descobríamos que a verdade é o bem público mais escamoteado do Brasil. A película de democracia encobre a injustiça de exclusão, inclusive do trabalhismo. Não havia diferença entre o que dizia e o que fazia. Atrasava um compromisso quando nos sentia em dúvida e seus olhos faiscavam ao formar a roda de pensação. Nasceu com um defeito – não tinha medo.


Dobrou os chefes militares na Legalidade mas naquele momento os donos do poder decidiram jamais sentar-se com ele para acertar um pacto social de inclusão. A fio de baioneta, tiveram duas décadas de prazo para ossificar o imaginário da exclusão. A pirâmide social rachou de alto a baixo e a pergunta dele bate forte na consciência: por que com tanta riqueza à vista o Brasil não dá certo? O


Mandato Já lamentamos o suficiente que ele não tenha chegado aonde queríamos. Caímos na real, perdemos o grande mensageiro, não a mensagem. O trabalhismo precisa mergulhar no caos da perda do amor próprio de nossa gente, com humildade, para entender as causas do desânimo, da indiferença, do cinismo, da agressividade, do descaso com o que é de todos. Descascou o ovo da serpente.


A degeneração da política, a corrupção desenfreada, a permissividade escancarada, o que tem a ver com a transgressão de todas as normas e a banalização da violência? Que laço se rompeu na relação de confiança de baixo para cima que dilacerou valores e referências? A deslealdade de cima para baixo esfrangalhou a lealdade de um com o outro, de todos com todos. Até que ponto nos contamina a doença maligna que corrói a alma do brasileiro, que não será debelada com donativos sociais, ainda que imprescindíveis nas atuais circunstâncias? Não dispomos mais, a qualquer hora, dos conselhos dele mas carregamos conosco, com a legitimidade que só dele emanava, o mandato que nos delegou: “Nós temos a nossa responsabilidade com a história. Nosso partido é o único com determinação de assumir as grandes causas nacionais. Nenhum partido é tão nacionalista quanto o nosso.


Queremos um país desenvolvido, autônomo, independente. Queremos libertar o povo brasileiro em matéria de oportunidade, de acesso a uma vida digna. O trabalhismo nasceu na Revolução de 30, de uma inspiração do presidente Getúlio Vargas, que foi evoluindo de acordo com o processo social, empenhado em garantir direitos à massa dos deserdados... Nós temos genética, somos uma grande sementeira de ideias em benefício do povo brasileiro. Temos que estar sempre onde está o povo. Existimos para dar voz aos que não tem voz.


Nossa ancoragem é a área deserdada da população. Nosso guia é o interesse público e o bem comum. Há muito preconceito contra nós. Podem dizer e fazer o que quiserem contra nós, mas gente de vergonha na cara nunca fica quieta quando é questionada.... Graças a Deus somos um partido pequeno. O que adianta ser grande no tamanho e não fazer nada?” Somos fracos em quantidade e fortes em qualidade. Aprendemos com ele a não ter vergonha de ser brasileiro nem medo de povo.


Notaram que povo, pátria, nação, nacionalidade, nacionalismo, são palavras que sumiram dos jornais e dos discursos? Estamos em muito boa companhia na relação dos sentimentos refugados pela patrulha ideológica da estética da exclusão. Era de “bom tom” negar escola aos filhos dos pobres até Brizola rebentar o cadeado da discriminação. Entraria na história, lépido e faceiro, de braços com a meninada, pelo portão de milhares de brizoletas e brizolões, se mais não fizesse. E fez muito no enfrentamento de oligarquias e oligopólios. E por isso era ainda mais perigoso.


A história lhe abriria as portas pelo que disse na hora em que era de “bom gosto” calar. O “bom tom” de hoje, de democratizar a ignorância, vai perdurar até surgir outro visionário trabalhista. Qualquer programa de reeducação em massa, de emergência ou permanente, será inócuo sem o selo de qualidade do trabalhismo. O veto das elites originou-se da obstinação de Brizola com a educação.


Um sonho subversivo guiava Brizola, inspirado na saga do menino pobre que rondava escolas entre um biscate e outro. Intuiu que cabe aos filhos da pobreza a missão de civilizar as elites trogloditas. A dissolução social Até a derrapagem mundial, avançava a economia da importação de crescimento e exportação do lucro, e regredia a ética do Brasil Legal em relação ao Brasil Real. O PIB do poder não precisou desemperrar as fronteiras sociais, a não ser nos pontos de passagem da fila de emprego. Crescer para dentro é a receita trabalhista. A reação à cota na universidade explicitou a cumplicidade da intelectualidade com a cronificação da desigualdade.


Recomeçou a pressão por reformas para trás. A cargo da grande mídia – as cadeias de jornal, rádio e TV – a agenda do apartheid desdobra pontualmente as etapas de estranhamento e animosidade entre os do meio e os de baixo. Os do meio aprendem a se alhear da realidade, a suspeitar de pobres, a se desligar do ambiente subjetivo comum e a curtir um estilo de vida exótico. Os de baixo são ensinados a se julgar inferiores, incapazes de assimilar os códigos de compreensão da realidade. Em retribuição à aceitação da sina sem-nada podem comparar dinheiro a longo prazo e juros estratosféricos nos bancos disfarçados de lojas de eletrodomésticos.


Os de cima comemoram a separação dos brasileiros. Dia a dia, a consciência social vai embotando, a capacidade de pensar encolhendo. “Fomos perdendo a condição de país lúcido” (2). A grande mídia cozinha o caldo do diabo em fogo colorido, à espera da hora de jogar a culpa da criminalidade nos pobres.


Vem aí o mega-espetáculo da guerra civil social. Brizola detectou a conivência da monstruosa engrenagem de desinformação com a dissolução social. Sacou a manha da estratégia de desconstrução da vontade pública e implantação em seu lugar da opinião pública prefabricada.


Sua última grande investida contra a ditadura da palavra ainda será reconhecida como precursora da causa da democratização da informação. Investigou a interdição do espaço público ao debate e flagrou a intimidade dos barões da imprensa com a fina flor da pilantragem financeira. Em represália, foi catalogado como um fóssil vivo da política.


O muro de lá caiu, a esquerda retrocedeu em pânico e em parte se vendeu. Só Brizola continuou forcejando contra os muros intocáveis daqui, ermitão solitário pregando no deserto os mandamentos da brasilidade. Não faz muito, nós mesmos vacilamos diante do falso dilema socialismo X trabalhismo.


Não prestamos atenção quando falou que o trabalhismo é o socialismo caboclo,moreno, mulato, mestiço. Escapamos da reforma ideológica meia sola. Do reconhecimento dos direitos sociais à montagem da infraestrutura de desenvolvimento o Brasil chegou até aqui podendo ser ainda mais pelas mãos do trabalhismo. No balaio da memória social não há outra opção à exclusão.


Não podemos esquecer que a execração que penamos tem outro destinatário – o povo brasileiro – e isso deve nos orgulhar em vez de abater. Andamos desanimados mas não podemos baixar a cabeça. Nossa melhor homenagem a Brizola nesta hora é a reflexão sobre tudo que o trabalhismo deu ao Brasil e aos brasileiros e o muito que ainda oferece como sementeira das ideias de igualdade. Estamos proibidos de subir a rampa, não de ajudar o povo a se organizar.


(1) Definição do historiador Thomas Skidmore para o modelo político-econômico histórico do Brasil.


(2) Consequência – segundo Brizola – da contínua lavagem ideológica a que a população é submetida.

O PRÉ SAL É NOSSO!


Os especialistas que participaram do seminário "O Pré-Sal é Nosso!" promovido nesta quarta-feira (27/5) pela Fundação Leonel Brizola - Alberto Pasqualine (FLB-AP) e Liderança do PDT na Câmara dos Deputados concordaram que as novas descobertas das megajazidas de petróleo na camada do pré-sal da plataforma continental do Brasil – área que vai do Espírito Santo a Santa Catarina - podem tornar o Brasil um dos maiores produtores mundiais de petróleo. Este fato, no entanto, impõe a criação urgente de novo marco regulatório para impedir que as multinacionais se apropriem dessa riqueza que constitucionalmente pertence à União e ao povo brasileiro.
"Se na década de 50, quando não existia petróleo no Brasil e sonhávamos apenas com a sua existência – conseguimos criar a Petrobrás e o monopólio da União; não faz sentido hoje - quando sabemos que há megajazidas no pré-sal – permitirmos que as petrolíferas internacionais se apropriem dessa riqueza que constitucionalmente pertence ao nosso povo e que pode tornar o Brasil uma das nações mais ricas e prósperas do planeta", argumentou o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), Fernando Siqueira. Houve quem defendesse a criação de nova estatal para gerir o petróleo brasileiro, esvaziando a Petrobrás – a empresa que há mais de 40 anos explora o subsolo do Brasil, descobriu o pré-sal e é responsável pela auto-suficiência do Brasil em petróleo. O consultor da Câmara Paulo César Ribeiro Lima, um dos debatedores, disse que uma vez que a Petrobras hoje é uma empresa mista com 60% do seu capital em poder de acionistas privados, dos quais 40% estrangeiros através da Bolsa de Nova Iorque, a entrega das reservas do pré–sal para a companhia não assegura os interesses dos brasileiros. Argumento contestado pelo engenheiro Paulo Metri, ex-ANP, que explicou que mesmo com o percentual de ações da Petrobrás em mãos estrangeiras, a riqueza que ela produz fica 80% fica no Brasil – sem, falar na gestão da própria Petrobrás que privilegia o interesse nacional indo para acionistas estrangeiros apenas percentual pequeno do lucro. Metri aproveitou para criticar a permissiva lei do petróleo em vigor, a 9.478/97, de Fernando Henrique Cardoso, cujos malefícios, com a descoberta das jazidas do pré-sal, ficaram mais expostos do que nunca. A Lei 9.478/97 permitiu que elas entrassem no Brasil e, com os leilões da ANP, passassem a se tornar detentoras de direitos. Siqueira explicou que o maior problema da indústria petrolífera é o risco exploratório porque custa uma fortuna perfurar um poço de petróleo. Citou como exemplo o poço pioneiro do pré-sal, feito pela Petrobrás, ao custo de 260 milhões de dólares. “Dinheiro que multinacional nenhuma arriscaria a gastar na plataforma do Brasil para achar petróleo”, explicou. Acrescentou que se a Petrobrás descobriu petróleo no pré-sal, na prática isso foi fruto de mais de 40 anos de pesquisas nas bacias sedimentares brasileiras e contínuo esforço de investimentos no Brasil, em busca de resultados positivos. Por isso, na sua opinião, não faz sentido que agora que se sabe que o petróleo está lá no pré-sal, que basta furar para trazê-lo a superfície, que se divida com multinacionais a riqueza que é dos brasileiros. Riquezas que essas empresas querem usufruir, sem risco nenhum. Mais grave ainda, é que muitas das empresas estrangeiras que possuem “blocos” sobre o pré-sal, arremataram alguns desses blocos nos leilões entreguistas da ANP a preços irrisórios: teve multi que comprou “bloco” a preço de automóvel Honda Civic que agora valem bilhões de dólares. "As pessoas precisam entender que o risco é inerente a atividade petrolífera e não há risco nenhum em furar poços de petróleo no pré-sal. A margem de acerto é de 100%. É fundamental frear a cobiça internacional sobre o pré-sal e isso só é possível com mudanças imediatas na lei", acrescentou.
Lembrou também que, aparentemente sem qualquer razão lógica, os Estados Unidos reativaram a 4a. frota inerte desde o fim da Segunda Guerra Mundial. "Não há risco de guerra no Atlântico Sul, a Argentina, não pode ser alvo - então fica a quase certeza de que a 4a. frota dos EUA foi reativada por causa das recentes descobertas petrolíferas na plataforma continental do Brasil", alertou Siqueira. Para engenheiros e geólogos presentes ao debate, a exploração do petróleo abaixo da camada pré-sal multiplicam as reservas brasileiras e é fundamental que haja a exata mensuração técnica desses recursos – já que o pré-sal vai do Espírito Santo até Santa Catarina. Não há sentido algum em o Brasil permitir que as multinacionais que compraram direitos de exploração no mar territorial brasileiro, como a Shell, que já está produzindo e enviando para o exterior petróleo produzido na área de Campos, no Rio de Janeiro - se apressem a produzir petróleo do pré-sal, até predatoriamente porque as jazidas ainda nao foram dimensionadas totalmente, apenas visando lucro.
João Victor Campos, geólogo, explicou que até agora só foram feitos 19 poços no pré-sal e que há necessidade de dezenas de outros só para saber a dimensão exata das jazidas e como explorá-las da melhor forma técnica, para que os reservatórios - que levaram milhões de anos para existir - não sejam depredados com explorações apressadas que só visem lucro. "O Brasil precisa saber, antes de mais nada, o que está lá embaixo da terra. Sabe-se, pelos furos já feitos, que são bilhões de barris - mas o tamanho exato dos reservatórios, ninguém ainda sabe", explicou.
Devido ao sistema adotado pela ANP, de venda de blocos de exploração, um mesmo campo pode ter várias companhias exploradoras sobre eles. Por isso é fundamental a unitização da exploração dos campos para impedir ações predatórias nas jazidas. Houve divergência entre os debatedores porque um deles defendeu a criação de nova estatal sob o argumento de que a Petrobras – defendida pelos demais - é hoje uma empresa mista com 60% do seu capital em poder de acionistas privados, dos quais 40% estrangeiros. E isto, na visão dele, não garante que ela garanta os interesses dos brasileiros. Argumento que Paulo Metri, ex-engenheiro da ANP e crítico das leilões promovidos pela agência, rebateu explicando que mesmo com parte do seu capital em mãos estrangeiras, a Petrobrás ainda é a melhor saída para o Brasil - pelo nível de excelencia que alcançou ao longo dos anos, por sempre defender os interesses dos brasileiros, e hoje ser a maior preocupação das multinacionais - que a querem fraca. Fernando Siqueira, presidente da Aepet; Paulo Metri, ex-ANP; Ildo Sauer, ex-diretor da Petrobrás e João Victor Campos, geólogo da Petrobrás, por sua vez, defenderam enfaticamente a necessidade da Petrobrás gerir o pré-sal para que este seja mensurado e que os recursos dele, que podem gerar muitos trilhões de dólares e tornar o Brasil uma das maiores potencias petrolíferas do planeta, sejam destinados ao desenvolvimento do Brasil e não para o lucro de multinacionais – como o marco regulatório em vigor, permite. Fernando Leite Siqueira, criticou a proposta de criação de uma nova estatal, lembrando que a Petrobras investiu US$ 250 milhões só no poço pioneiro que descobriu o pré-sal, investimento que nenhuma multinacional estrangeira teria coragem de fazer e não fez quando podia, quando o Brasil abriu as bacias sedimentares para os contratos de risco. “A descoberta do pré-sal pela Petrobrás é a última etapa de um trabalho de exploração que a Petrobrás desenvolveu ao longo de mais de 40 anos no Brasil e culminou com as descobertas no mar”, argumentou. Acrescentou que todo o petróleo brasileiro existente em terra, seja na Bahia, seja em Sergipe, na verdade está no que chamou de “franjas” do pré-sal. É petróleo que migrou das jazidas principais, todas elas sob o mar da plataforma continental. "A criação de uma estatal para gerenciar a exploração dentro de um modelo de partilha, obrigaria a Petrobras reduzir seus investimentos no desenvolvimento tecnológico para conseguir vencer a disputa com empresas estrangeiras", argumentou Siqueira, ao defender a necessidade de reestatizar totalmente a Petrobrás, por meio da aquisição de ações na bolsa de Nova York, e também mudar o marco regulatório, para que a riqueza do petróleo do pré-sal seja usada em benefício dos brasileiros, resgatando a dívida social.
O professor Ildo Sauer, da Universidade de São Paulo, defendeu que a Petrobrás seja empregada, de imediato, no levantamento total das jazidas do pré-sal. Considera inadmissível que as multinacionais comecem a explorar petróleo do pré-sal sem nenhum risco exploratório, porque basta furar o pré-sal para achar petróleo, lesando os interesses nacionais. Sauer sugeriu que o governo use as reservas do Pré-Sal para ampliar o capital da Petrobras e reassumir o seu controle. Ele lembrou que o controle do petróleo é um instrumento estratégico em qualquer país como arma geopolítica e de desenvolvimento econômico e social, não faz sentido o Brasil abrir mão dessa posição estratégica.
O líder do PDT na Câmara, deputado Brizola Neto (RJ), lembrou que o debate resgata a tradição de defesa da soberania nacional dos trabalhismo do ex-presidente Getúlio Vargas, autor da lei que criou a Petrobras. Brizola Neto saudou a iniciativa da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini de promover o seminário que marca as comemorações dos 30 anos da Carta de Lisboa e de criação do Partido Democrático Trabalhista.

sábado, 30 de maio de 2009

O ANTIGO SILENCIO DOS INFLENCIÁVEIS

GILSON CARONI FILHO*
Nada como folhear revistas e jornais antigos para constatarmos a eterna briga do jornalismo de mercado com fatos que incomodam seus interesses e os dos eternos aliados no campo político. No momento em que tucanos e demos voltam à ofensiva, através de uma CPI que vai bem além da dimensão eleitoreira, adentrando o terreno do entreguismo puro e simples, convém recordar como eram tratadas questões estratégicas nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso. Ainda mais quando sabemos que o verdadeiro alvo é o marco regulatório do pré-sal, em um eventual retorno do consórcio neoliberal ao poder.
Voltemos no tempo, mais precisamente a março de 2004. Como reagiria a opinião pública de uma nação soberana se tomasse conhecimento, por meio de conceituada publicação jornalística, que sua Polícia Federal foi comprada por serviços de inteligência de um país estrangeiro? Que as instituições republicanas são inteiramente controladas por redes de espionagem, e setores expressivos da imprensa local cooptados para produzir uma imagem favorável aos interesses da potência controladora?
Seria impossível conter o terremoto político advindo de tais revelações, salvo se um isolamento acústico fosse imediatamente construído por aqueles que elaboram a agenda da opinião pública. E é nesse ponto, no silêncio consensual do complexo midiático, que reside a atualidade deste pequeno artigo.
Reportagem de capa da edição de Carta Capital, com data de 19/3/2004, trouxe à tona um personagem que poderia ter saído das páginas de qualquer romance de John Le Carré. Versão tão patética quanto real do “espião que sabia demais”, o português naturalizado americano Carlos Costa chefiou o FBI no Brasil de 1999 a outubro de 2003. Na época, em entrevista ao jornalista Bob Fernandes, ele foi categórico:
“Os Estados Unidos compraram a Polícia Federal. Há um antigo ditado, e ele é real: quem paga dá as ordens, mesmo que indiretamente”.
Não descartando a possibilidade de alguma agência americana ter grampeado o Palácio da Alvorada e o Itamaraty, Costa disse que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ao pedir equipamentos e recursos ao mundo todo, “se prostitui”.
Não menos contundente foi sua afirmação segundo a qual uma das mais importantes funções da embaixada americana no país era manipular a imprensa brasileira. Usando, eufemisticamente o verbo influenciar, o ex-agente não poderia ter sido mais claro:
“Detectamos jornalistas que sejam pró-América e os convidamos a ir aos Estados Unidos com todas as despesas pagas. Essa não era minha área, mas começa assim. Influenciar é mudar o pensamento contrário aos nossos interesses”.
E qual seria o modus operandi? Mais uma vez, Carlos Costa foi direto: “Seja lá o que for necessário. Se é comprar, é comprar, há várias maneiras. Mas deixa isso pra lá”.
Eis o cenário da realidade brasileira no reinado de Fernando Henrique Cardoso.
Agindo com total desenvoltura, uma profusão de siglas tais como a US Customs, DEA, NAS, CIA e FBI faziam de nossa legislação letra morta e tornavam o conceito de soberania nacional, numa perspectiva otimista, uma hipótese a ser permanentemente verificada. Tínhamos, enfim, polícias compradas e submetidas a comandos externos, uma Abin supostamente controlada e formadores de opinião “influenciados”. O quadro se tornava mais dramático quando o monitoramento de setores estratégicos do governo era apresentado como rotina.
O que chamou a atenção, há cinco anos, foi a ausência de repercussão da matéria de Carta Capital no Congresso e, acima de tudo, em outros veículos jornalísticos. Por conta de episódios de gravidade bem menor, o conservadorismo põe-se a falar em crise de governo, perda de capacidade administrativa e riscos à coesão social.
Clama-se pela instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito e o alarido udenista se reflete nos editoriais das empresas que abrigam aqueles a quem Costa chama de “os influenciáveis”.
A título de exemplo, por que a denúncia da revista dirigida por Mino Carta não provocou, à época, a mesma comoção que o destempero do então ministro José Dirceu em entrevista ao jornalista Merval Pereira, de O Globo?
Desde sua publicação, o espaço concedido à reportagem de Bob Fernandes foi praticamente inexistente. Uma ou outra nota, até o abafamento total. Qual terá sido o motivo do silêncio reinante nas redações dos principais jornais e revistas do eixo Rio-São Paulo quando o assunto é a ingerência imperialista na política brasileira?
Há nove anos, Carta Capital sistematicamente denuncia o aparelhamento do Estado por agências americanas. Para ser mais preciso, vem historiando um processo que se inicia em 12/4/1995, quando é assinado o Acordo para Combate ao Narcotráfico, e se estende aos dias de hoje, com a DEA efetuando pagamentos a policiais brasileiros.
Na edição de 3/3/1999, a revista já apresentava a CIA controlando o antigo Centro de Dados Operacionais (CDO). À época, Fernando Henrique Cardoso teve grampeada uma conversa com o então chefe do Cerimonial da Presidência da República, embaixador Júlio César Gomes dos Santos.
A que devemos o silêncio dos “influenciáveis?” Traria a matéria denúncias graves sem a verificação adequada? Ausência de fundamentação empírica que indicasse sensacionalismo ingênuo ou petição conspiracionista? Não, Carta Capital tem feito um belo trabalho investigativo. Na edição de 2004, à riqueza de detalhes somam-se fotos que documentam a desenvoltura de Carlos Costa nos salões do poder.
Seria conseqüência da lógica concorrencial das empresas jornalísticas, ignorar os fatos noticiados por veículos rivais? Ante a magnitude do assunto, era pouco plausível uma argumentação de cunho puramente mercantil. O mais sensato seria aprofundar a matéria, focalizando atores políticos relevantes, diretamente envolvidos na questão, tais como militares e estrategistas.
Estaríamos, então, nos deparando com um fenômeno hierárquico presente no interior do campo jornalístico? A existência de um veículo, e apenas um, que pautaria os demais? A história recente da imprensa brasileira impossibilita tal conjectura. Diferentes publicações puxaram o fio da meada de assuntos relevantes e foram seguidas pelas demais. Basta lembrar que o impeachment de Collor começou nas páginas da revista Veja e os principais escândalos do governo FHC foram inicialmente noticiados pela Folha de S.Paulo.
Talvez o desdobramento mais importante da matéria de capa da revista dirigida por Mino Carta tenha sido a ausência de desdobramentos.
O silêncio gritante do resto da mídia realçou ainda mais as palavras do agente Carlos Costa, quando define a ação dos serviços secretos sobre os seus diletos profissionais de redação: “Influenciar é mudar o pensamento contrário aos nossos interesses”.
Talvez isso nos ajude a entender o arrazoado de certos colunistas em defesa da CPI da Petrobrás, talvez compreendamos com mais facilidade os princípios que norteiam articulistas zelosos na defesa da política externa que privilegiava os objetivos de grandes conglomerados. Quem sabe, nesse prosaico episódio, redescoberto no folhear de um exemplar antigo da melhor publicação brasileira, esteja desnudada a política editorial de várias publicações.
Alguém pode retrucar que a argumentação desenvolvida no parágrafo acima é simplificadora. Certamente. Mas, enquanto os “influenciáveis” não romperem seu pacto de silêncio, qualquer teoria conspiratória terá relevância analítica. Ou repetindo a sabedoria do senso comum: “Quem cala, consente”. Just do it.
É bom relembrar quando uma nova batalha se avizinha.
* Professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e Colaborador do HP e do Observatório da Imprensa

sexta-feira, 29 de maio de 2009

RESPOSTA DO SENADOR CRISTOVÃO BUARQUE -PETROBRAS.



SR. SENADOR.
AS NOVAS AVES DE RAPINA TUCANA, QUEREM QUE A MAIOR EMPRESA DO BRASIL, CONSTRUIDA COM SUOR E LUTA DE NOSSO POVO SEJA DESTRUIDA. ESTA GENTALHA TEM ÓDIO DO BRASIL.PRECISAMOS DEFENDER O BRASIL E DEFENDER O BRASIL É DEFENDER A PETROBRAS.ESSES TUCANOS-LACAIOS, JÁ FIZERAM MUITOS ESTRAGOS A ESTA NAÇÃO.ESTES FILHOTES DE CALABAR NÃO TRIUNFARÃO .NÃO HÁ CONCILIAÇÃO COM ESTES TRAIDORES TUCANOS.SEJA FIRME DEFENDA O BRASIL!AQUI TEM PÁTRIA!SOMOS HERDEIROS DE, GURARAPES,ZUMBI,TIRADENTES, JOSÉ BONIFÁCIO ANDRADA,DUQUE DE CAXIAS,GETULIO VARGAS,BRIZOLA.O DESTINO DESTES INDIVIDUOS SERÁ O MESMO DE CALABAR.O PRÉ SAL É NOSSO!VIVA O BRASIL!


















Prezado

Aylton,
Cresci comemorando o dia 3 de Outubro (dia da criação da Petrobrás), como uma data tão importante para o País quanto, por exemplo, 21 de Abril, 13 de Maio, 7 de Setembro ou 15 de Novembro. A Petrobrás, aprendi ainda em casa, de meu pai, era um marco decisivo, uma inflexão positiva da história do Brasil.
Com a idade e a experiência, minha admiração só fez crescer, graças ao potencial científico, tecnológico e econômico que fez dessa empresa um orgulho nacional. Minha defesa de um meio ambiente equilibrado, minhas idéias sobre o desenvolvimento sustentável, minha opção quase religiosa pelos pobres, e o fato de que o produto da Petrobrás termina sendo apropriado pela parcela rica da população como combustível para seus carros, traz-me uma preocupação, mas não diminui meu orgulho de nacionalista diante deste ícone de nosso potencial.
Foi por causa dessa formação de toda a vida e desse respeito que assinei a CPI da Petrobrás. Seus dirigentes atuais não têm dado as devidas explicações às sistemáticas denúncias sobre licitações manipuladas ou ausentes, promoções de eventos injustificadas e politização de seus quadros dirigentes. Com a CPI, eles seriam obrigados a se explicar. Mas haveria desde logo um risco perigoso: a Instituição ficaria sob suspeição durante meses, trazendo riscos que não interessam ao Brasil.
A proposta de adiar a instalação da CPI para depois de depoimentos da Direção da Petrobrás, diante de comissões do Senado, proposta feita por senadores da oposição em uma reunião da Mesa diretora, no dia 14 de maio de 2009, seria a maneira de fazer a Empresa se explicar de uma maneira rápida. Ou, caso a atual direção não se explicasse, forçar o governo a demiti-la, ao mesmo tempo em que a CPI seria implantada.
Nestas condições, mantive minha assinatura, esperando a convocação e o depoimento do Presidente e demais diretores da Petrobrás. Quando, entretanto, vi que este caminho acordado seria impedido, e a CPI seria implantada, não quis que meu nome servisse a isto. E retirei minha assinatura, com a mesma convicção com que a coloquei. Esta retirada não impediu que a CPI fosse instalada. Assim, não posso ser responsabilizado pela sua instalação, nem pela sua suspensão. Espero, agora, que a CPI seja feita com a seriedade necessária. Nem abafar nem politizar. Que não se faça nem mais uma CPI pizza, nem uma CPI partidária.
Estas considerações estão no documento com o qual retirei minha assinatura, que lhe encaminho em anexo. Obrigado por sua manifestação e espero continuarmos debatendo o assunto.
Abraço,
Cristovam